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Geochronology of SW Angola Granitic Magmatism

This document discusses the ages of granitic magmatism in the Caraculo-Bibala region of southwestern Angola and its implications for geological correlation with the Ribeira Belt in southeastern Brazil. Rb-Sr whole rock dating of granitic rocks from the region identified three periods of magmatism: 1,950-1,900 Ma; 1,750-1,700 Ma; and 1,550-1,500 Ma. Initial Sr isotope ratios suggest different magmatic sources for granitoids from each period. The ages do not directly correlate with ages from the Costeiro Complex in Brazil but are consistent with Proterozoic metamorphic events in that region. Additional K-Ar ages

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Geochronology of SW Angola Granitic Magmatism

This document discusses the ages of granitic magmatism in the Caraculo-Bibala region of southwestern Angola and its implications for geological correlation with the Ribeira Belt in southeastern Brazil. Rb-Sr whole rock dating of granitic rocks from the region identified three periods of magmatism: 1,950-1,900 Ma; 1,750-1,700 Ma; and 1,550-1,500 Ma. Initial Sr isotope ratios suggest different magmatic sources for granitoids from each period. The ages do not directly correlate with ages from the Costeiro Complex in Brazil but are consistent with Proterozoic metamorphic events in that region. Additional K-Ar ages

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Revista Rnisilcira de Geociências 22(1):73-81.

março de Í992

IDADES DO MAGMATISMO GRANíTICO DA REGIÃO DE


CARACULO-BIBALA (SW DE ANGOLA) E SUAS IMPLICAÇÕES
NA CORRELAÇÃO GEOLÓGICA COM O CINTURÃO RIBEIRA NO
SUDESTE DO BRASIL

HEITOR DE CARVALHO* & COLOMBO C.G. TASSINARI**

ABSTRACT GEOCHRONOLOGYOFGRANITICMAGMATISMFROMCARACULO-BIBALAREGION
(SW ANGOLA) AND ITS CORRELATION WITH RIBEIRA FOLD BELT (SE BRAZIL). Rb-Sr whole-rock
analyses of representativegranitic rocks from the Bibala-Caraculo region, southwestern Angola, are used to determine
the age and evolution of the acid plutonic events in this segment ofthe Angolan continental crust. The granitoids present
a wide range of 1 ithological types and compositions. Three time-intervals have been defined for the magmatism: 1,950
- 1,900 Ma; 1,750 -1,700 Ma; 1,550 -1,500 Ma. The oldest, though not very well defined, was obtained for the
Chicalengue granitoid, the second one represents the Serra dos Gandarengos and Chonga granitoids and Luchipa -
Pungue Granitic Complex and the youngest one comprises the Chicate and Caraculo granitic bodies and Munhino
GraniticCompIex. The initial ""Sr/^Sr ratios show characteristic values foreach time-interval, as follows: 1,950-1,900
Ma=0,7015; 1,750-1,700 Ma=0,7060 to 0,7075; 1,550-1,500 Ma = 0,7048-0,7057, suggesting different sources
for the granitoids within each geological period. The ages obtained for the southweastern Angolagranitic rocks are not
directly related to the granitogenesis ages ofCosteiro Complex in Brazil, but most of them are chrono-correlated with
the prothol it (Sm-Nd model ages) of the Late-Proterozoic metamorphic events of this complex. In addition are presented
two K-Ar ages for the basic rocks in S W Angola, with values of 700 and 600 Ma, which represent a minumum ages for
these rocks and are probably related to the Damara Orogeny.

Keywords: Geochronology, Angola, geological correlation, Ribeira Belt, Brazil granitoids.

RESUMO Foram realizadas análises Rb-Sr, em rochatotal, de rochas granfticas que ocorrem no sudoeste de
Angola, visando caracterizar a idade e a evolução deste magmatismo plutônico. Os granitóides apresentam grande
variação litológicae composicional, abrangendo desde termos graníticos até granodioríticos. Três intervalos de idades
foram defmidos para as manifestações magmáticas: l .950 -1.900 Ma, l. 750 -1.700 Ma e l. 5 50 -1.500 Ma. O intervalo
mais antigo obtido para o granitóide Chicalengue não foi muito bem definido, mas o segundo inclui os granitóides da
Serra dos Gandarengos e da Chonga e o Complexo Granftico Luchipa-Luso. O intervalo mais jovem compreende os
corpos graníticos de Chicate e Caraculo e o Complexo Granítico do Munhino. As razões iniciais "Sr/^Srmostraram
valores característicos para cada intervalo nomeadamente: l .950 -1.900 Ma = 0,7015; l .750 -1.700 Ma = 0,7060 a
0,7075; 1.550 - 1.500 Ma = 0,7048 - 0,7057, o que sugere diferentes fontes magmáticas para cada período de
magmatismo granítico. As idades obtidas no sudoeste de Angola não são diretamente correlacionáveis com aquelas
obtidas para o Complexo Costeiro na área contígua no Brasil, mas muitas delas correlacionam-se com as idades dos
protólitos metamórficos que, no Brasil, foram retrabalhados no Proterozóico Superior. Em adição, são apresentadas duas
idades K-Ar, obtidas em rochas básicas da área, sendo obtidos os valores de 700 e 600 Ma, interpretadas como idades
mínimas e relacionadas ao aquecimento provocado pelaorogenia Damara.

Palavras-chaves: Geocronologia, Angola, correlação geológica, FaixaRibeira, granitóides.

INTRODUÇÃO Este trabalho é produto da primeira fase no Brasil e na África, serão utilizados neste trabalho os termos
de desenvolvimento do Projeto de Cooperação Científica brasileiros, considerando-se as seguintes correspondências:
Internacional Brasil - Portugal (CNPq - IICT), intitulado Brasiliano: Pan-Africano
"Correlação Geológica Brasil - Angola", em que partici- Transamazônico: Eburneano
pam o Instituto Nacional de Geologia de Angola, o Instituto Jequié: Limpopo-Liberiano
de Geociências da Universidade de São Paulo e o Instituto de
Investivação Científica Tropical de Portugal. CONTEXTO GEOLÓGICp A região de Caraculo-
A área estudada abrange a região de Caraculo e Bibala no Bibala situa-se na faixa costeira de Angola, numa superfície
sudoeste de Angola e ocupa cerca de 6.000 km2, correspondendo de erosão cuja altitude oscila entre 500 e 600 m, onde se
às folhas no 334 (Munhino) e 335 ((Bibala) da carta de Angola destacam inselbergs que atingem cotas de até 2.500 m. Esta
na escala l: 100.000. Os trabalhos de campo foram efetuados zona constitui a borda do Cráton Angola-Kasai (SW do
pelo ex-Instituto de Investigação Científica de Angola (Folha Cráton do Congo), que é limitado a sudoeste por uma faixa de
no 334) e ex-Serviço de Geologia e Minas de Angola (Folha rochas brasilianas associadas ao Cinturão Damara-Katanga.
no 335). As análises radiométricas pelos métodos Rb-Sr (em Esta área cratôniea sofreu, em Angola, ações tectono-
rocha total) e K-Ar (em concentrados de minerais) foram magmáticas relativas ao Ciclo Jequié. As rochas com idades
realizadas pelo Centro de Pesquisas Geocronológicas do maiores que 2.600 Ma ocorrem desde o Kasai (Zaire) até a
Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo, em região centro-oeste de Angola. Constituem os complexos
amostras que se encontravam arquivadas na Htoteca do gabronoríticos e charnockíticos, cuja charnockitização se
Instituto de Investigação Científica Tropical, em Lisboa. processou há 2.800 Ma (Cahen et al. 1984), e o complexo
Por causa das diferentes denominações dos ciclos orogênicos granito-migmatítico, cuja idade situa-se entre 2.700 Ma

* Centro de Geologia, Instituto de Investigação Científica Tropical (IICT), Av. D. Afonso Henriques, 41 /4D, P. 1000, Lisboa, Portugal
** CPGeo, Instituto de Geociências, Universidade de São Paulo, Caixa Posta! 20899, CEP 01498-970, São Paulo, SP, Brasil
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(migmatitos) e 2.600 Ma (granitos) (Delhal et al. 1975). Além endometamórficos que ocorreram no granito do Caraculo
desses complexos, existem várias seqüências metavulcanos- durante posicionamento crustal.
sedimentares do tipo greenstone belt com itabiritos, similares
às seqüências do Supergrupo Rio das Velhas, no sul do Cráton Granítóide do Chicate O Granitóide do Chicate ocor-
São Francisco, e grande quantidade de rochas básicas que re a nordeste da área em estudo, sendo geralmente porfiróide,
constituem o Complexo Gabro-Anortosítico do SW de Ango- de granulação grossa e com duas micas.
la e NW da Namíbia, de idade maior ou igual a 2.160 Ma Junto às zonas de contato a leste e oeste, Carvalho (1970)
(Carvalho & Alves 1990). observou que o Granitóide do Chicate apresenta granulação
O Ciclo Transamazônico encontra-se representado no Cráton fina e textura eqüigranular e, localmente, encraves das rochas
Angola-Kasai por rochas granitóides e migmatíticas que ocor- encaixantes.
rem em volta dos terrenos mais antigos descritos anteriormente. Barros et al (1964) descreveram o Granitóide de Chicate
Entre as atividades relativas ao Proterozóico Médio, mere- como cálcio-alcalino, rico em quartzo, microclínio e oligoclá-
cem destaque as granitizações e intrusões básicas noríticas e sio-andesina (freqüentemente microclinizados e zonados).
doleríticas que se observam no sudoeste de Angola, que serão
discutidas com maior detalhe no próximo item. Granitóide do Chicalengue O Granitóide do Chica-
O Ciclo Brasiliano se encontra bem representado no lengue ocorre na região centro-oeste da área, preservado em
sudoeste de Angola, onde ocorrem seqüências metassedi- meio às rochas do Complexo Luchipa-Pungue (Fig. 1). Esse
mentares, granitóides e rochas básicas incluídas no Cinturão granito é geralmente porfiróide, de granulação média; na
Damara-Katanga. Na borda do Cráton de Angola-Kasai, borda leste do maciço, possui granulação fina e textura
ocorrem somente aquecimentos locais durante este ciclo, eqüigranular (Carvalho 1970).
provocados pelo desenvolvimento dos cinturões orogênicos Geoquimicamente, o Granito de Chicalengue possui ten-
que o limitam. dência alcalina e composição monzonítica (Barros et al.
1964). Essas rochas apresentam megacristais de microclínio
DESCRIÇÃO DOS GRANITÓIDES DA ÁREA A geo- e de oligoclásio que se destacam em meio a matriz quartzo-
logia da região do Caraculo-Bibala encontra-se descrita em feldspática eqüigranular.
maior detalhe em Carvalho (1970). Nesta zona, de acordo
com os trabalhos de campo realizados e com os dados Granitóide da Serra dos Gandarengos A Serrados
geocronológicos obtidos, as rochas granitóides foram subdi- Gandarengos forma um importante relevo na zona leste-
vididas em sete suítes graníticas, que são: Complexo Graní- nordeste da região em estudo, cuja altitude máxima é de 2.087
tico Luchipa-Pungue (H); Complexo Granítico do Munhino m, ocupando uma superfície com 2.000 km2 aproximadamen-
(F); Granitóides da Serra dos Gandarengos (I), da Serra da te (Fig. 1). Esta serra é constituída essencialmente por
Chonga (G), do Caraculo (D), do Chicalengue (J) e do granitóides, com textura porfiróide e granulação média a fina.
Chicate (E) (Fig. 1). Os complexos graníticos incluem A leste da área, o Granitóide da Serra dos Gandarengos está
também rochas gnáissico-migmatíticas, possivelmente mais em contato com o denominado "Granito Regional", datado
antigas, as quais não foram objeto de estudo neste trabalho. por Torquato et al (1979), a cerca de 90 km a leste, em 2.160
± 42 Ma (ri = 0,702 ± 0,001) por meio de diagrama isocrônico
Complexo Granítico Luchipa-Pungue O Comple- Rb-Sr em rocha total. Em meio a este granitóide ocorrem
xo Luchipa-Pungue é composto por granitóides não clara- intrusões de outros corpos graníticos menores com cerca de
mente separáveis de rochas gnáissico-migmatíticas, que 1.557 ± 35 MA. e razão 87Sr/86Sr inicial de 0,7132 ± 0,0007.
exibem coloração esverdeada devido a presença de epídoto, Conforme Alves & Macedo (1965), o Granitóide da Serra
clorita e sericita, granulação variável de fina a média; dos Gandarengos possui natureza cálcio-alcalina, por vezes
geralmente, os seus minerais ferro-magnesianos encontram- alcalina. Contém essencialmente quartzo, oligoclásio e/ou
se alinhados na mesma direção das seqüências metassedi- andesina e microclínio pertítico. Os minerais acessórios mais
mentares vizinhas. importantes são biotita, muscovita e clorita.
Pela petrografia (Alves & Macedo 1965), os granitóides
deste Complexo possuem tendências alcalinas e cálcio- Granitóide da Serra da Chonga A Serra da Chonga
alcalinas, sendo esta última mais freqüente. Os termos constitui maciço granítico, com altitude de 1.500 m, que
alcalinos são compostos principalmente por granitóides ri- sobressai de zona aplainada na qual cotas oscilam entre 500
cos em albita e microclínio, tendo os plagioclásios (albita- e 600 m, aproximadamente.
oligoclásio) revelado forte microclinização. O mineral máfico Os granitóides dessa serra geralmente são leucocráticos,
mais comum é a biotita. Os granitóides cálcio-alcalinos possuindo muscovita, microclínio, plagioclásio e pouca
possuem quantidades equivalentes de microclínio e de hornblenda. A textura varia de eqüigranular média a porfiróide
andesina e, também, de biotita e muscovita. grossa; apresentam tendências alcalinas (Barros et al 1964),
marcadas em alguns locais pela ocorrênciade quartzo-sienitos.
Complexo Granítico do Munhino O Complexo
Granítico do Munhino ocorre no sudeste da região em estudo Granitóide do Caraculo O Maciço Granitóide do Ca-
(Fig. 1), sendo constituído por granitóides associados a raculo ocorre junto ao limite sudoeste da área (Fig. 1). É
gnaisses e migmatitos. Essas rochas estão em contato com formado por duas ocorrências separadas pelos Complexos
granitóides e com rochas do Complexo Xisto-Quartzítico- Gnáissico-Migmatítico e Xisto-Quartzítico-Anfíbolítico, com
Anfibolítico (Carvalho 1970 e Carvalho & Alves 1990), nas mármores associados que, por vezes, aparecem como tetos
quais associam-se mármores e rochas básicas e ultrabásicas pendentes dentro do granitóide.
(piroxenitos e hornblenditos). O Granitóide do Caraculo exibe granulação desde fina a
Fora das zonas de contato, o Complexo Granítico do média até grossa, quando possui textura porfiróide.
Munhino é composto por granitos cálcio-alcalinos ricos em Mineralogicamente, é composto por quartzo, plagioclásio,
hornblenda. À medida que se aproximam das zonas de microclínio e biotita; os plagioclásios, por vezes, apresentam-
contatos, estes granitóides vão tornando-se mais empobreci- se microclinizados.
dos em microclínio e enriquecidos em andesina, hornblenda Próximos da zona de contato com o Complexo Xisto-
verde (muitas vezes derivadas de piroxênios) e biotita, Quartzítico-Anfibolítico, o granitóide apresenta enriqueci-
passando para composição granodiorítica a diorítica. Por- mento em minerais ferro-magnesianos, notadamente em
tanto, os granitóides do Complexo Munhino, aqui estudados, hornblenda verde, tendo em vista que, a exemplo do Comple-
podem corresponder a rochas provenientes de xo Munhino, este granitóide se endometamorfisa junto ao
processos
Revista Brasileira de Geociências, Volume 22,1992 75

—14°30'

Figura 1 - Esboço geológico da Região de Caraculo-Bibala (extraído de Carvalho 1970, Carvalho 1982 e 1'orqualo & Carvalho
(em preparação). A. Seqüências Fanerozóicas; B. Supergrupo da Cheia; C. Metassedimenlos de Eque-Chicailungo; D.
Granitóide do Caraculo; E. Granitóide do Chicote; F. Complexo Granítico do Munhino; G. Granitóide da Chonga; H.
Complexo Granítico de Luchipa-Pungue; I. Granitóide dos Gandarengos; J. Granitóide de Chicalengue; L. Granitóide
"regional"; M. Complexo xisto-quartzitico-anfibolítico com mármores associados
Figure l -GeologicaloutlineofCaraculo-BibalaRegion(CompiledfromCarvalho 1970;Carvalho 1982;Torquato&Carvalho(inprep.) A. PhanerozoicSequences;
B. Chela Supergroup; C. Eque-Chicailungo Metassediments; D. Caraculo Granitoid; E.Chicate Granitoid; F. Munhino Granitic Complex; G. Chonga Granitoid; H.
Luchipa Pungue Granitic Complex; I. Gandarengos Granitoid; J. Chicalengue Granitoid; L. Regional Granitoids; M. Supracrustals Sequences with Marbles

contato, formando aureolas nas quais as rochas predominan- gnáissico-migmatítico-granítico, são observadas brechas
tes são dioritos e granodioritos com hornblenda. eruptivas formadas por fragmentos de material básico envol-
Nas regiões de contato com os mármores, o Granitóide de vidos por material granítico.
Caraculo origina granadas do tipo andradita, formando por-
ções bastante enriquecidas nesse mineral. PRÇCEDIMENTOS ANALÍTICOS As dosagens quan-
Barros et al. (1964) caracterizaram geoquimicamente esse titativas de Rb e Sr foram realizadas por fluorescência de
granitóide como predominantemente do tipo cálcio-alcalino, Raios X, para as amostras com teores entre 50 e 500 ppm. As
embora existam também termos de transição para o tipo alcalino. amostras com teores fora desse intervalo foram dosadas por
diluição isotópica com traçadores enriquecidos em 87Rb e 87Sr.
MAGMATISMO BÁSICO Apesar do objetivo principal A separação do Sr foi feita com colunas de troca iônica, em
deste trabalho ser o de estudar o magmatismo granítico da meio clorídrico, segundo as técnicas descritas em Kawashita
região de Caraculo-Bibala, devido à grande quantidade de (1972). A composição isotópica do Sr foi medida em espectrô-
rochas básicas e ultrabásicas existentes na área, cabem aqui metro de massa Micromass VG354, com cinco coletores.
algumas considerações a respeito. Todos os valores de 87Sr/86Sr foram normalizados para o
O magmatismo básico-ultrabásico na região ocorre sob a valor de 88Sr/86Sr igual a 0,1194. No período dessas análises
forma de diques de noritos e doleritos e de maciços básicos a de Sr, foram medidos o padrão interno S-10 e o padrão
ultrabásicos. internacional NBS-987, obtendo-se os seguintes resultados:
Os diques de noritos e diabásios são muito abundantes no S-10 NBS-987
sudoeste de Angola, estendendo-se desde a Namíbia até a 1,29821 0,71025±0,00004
região de Benguelaem Angola numa extensão de cerca de 500 l ,28400 (média - 24 medidas)
km. Esses diques, quando ocorrem na região dos sedimentos Para os cálculos das idades isocrônicas aqui apresentadas, foi
do Grupo da Cheia, originam 5/7/5 de grandes dimensões utilizado o programa desenvolvido por Willianson (1968); a
(Carvalho et al. 1987 e Carvalho & Alves 1990). constante de desintegração do Rb empregada foi l ,42 x l O'1' anos'1.
A direção predominante dos enxames de diques máficos é Para as medidas K-Ar, a dosagem de K foi feita por
N-S, com variações para N30°W. Mineralogicamente, tais espectrofotometria de chama e as medidas isotópicas de Ar,
rochas são compostas por labradorita, piroxênio e anfibólio realizadas em um espectrômetro de massa de fonte gasosa
dispostos numa textura de granular a ofítica. Nuclide tipo Reynolds MS-1, conforme técnicas descritas em
Em geral, as rochas básico-ultrabásicas são constituídas por Amaral et al. (1966).
gabros, piroxenitos e hornblenditos, sendo os termos mais As constantes utilizadas nos cálculos das idades K-Ar
básicos constituídos por piroxenito anfibolítico composto foram as seguintes:
mineralogicamente por piroxênios, hornblenda e olivina
(Carvalho 1970).
Nas zonas de contato dessas rochas com o complexo
76 Revista Brasileira de Geociências, Volume 22, 1992

DISCUSSÃO DOS RESULTADOS GEOCRONO- com variedades litológicas bastante diferenciadas (Fig. 9).
LÓGICOS A tabela l apresenta 47 dados analíticos Rb- Os dados analíticos Rb-Sr relativos às amostras provenien-
Sr em rocha total relativos ao magmatismo granítico da tes do Granitóide da Serra dos Gandarengos definiram isócrona
região de Caraculo-Bibala, sudoeste de Angola, sendo 42 com idade de 1.757 ± 42 Ma e relação inicial de 0,7074 ±
realizados neste trabalho, duas constantes em Torquato & 0,0004 (Fig. 5). Esta idade deve ser considerada como a época
Carvalho (em prep.) e três ainda inéditos, efetuados por H. de formação destas rochas.
Carvalho e Y. Vialette nos Laboratórios daUniversité Blaise- O valor elevado obtido para a razão inicial sugere que, a
Pascal - CNRS em Clermont-Férrand, França. A localização exemplo dos outros granitóides formados nesse intervalo de
geográfica das amostras datadas consta da figura l. tempo, os magmas que originaram o granitóide tiveram impor-
Os dados geocronológicos, quando tratados em diagramas tante contribuição de materiais provenientes da fusão parcial da
isocrônicos, permitiram caracterizar três intervalos de idades crosta continental, diferenciada do manto superior em épocas
distintas para a atividade granítica da área, que são: l .950 - anteriores a l ,9 Ga, como pode ser visto pela regressão da linha
1.900 Ma, 1.750-1.650 Ma e 1.550-1.500 Ma. Idades dessa de evolução isotópica do Sr até o campo do manto (Fig. 9).
ordem, com exceção feita ao intervalo mais jovem, já foram Cumpre assinalar, portanto, que o magmatismo granítico
encontradas em outras regiões de Angola por diversos auto- gerado87entre 1.760 e 1.650 Ma apresenta valores de razão
res, estando sintetizadas em Carvalho (1984). inicial Sr/86Sr próximos a 0,707, sugerindo a participação de
As idades entre 1.800 - 1.650 Ma, na região sudoeste de materiais produzidos por refusão da crosta continental supe-
Angola, foram relacionadas por Torquato (1974a) a um rior em seus respectivos processos de formação.
evento termotectônico denominado de Namib, posteriormen- O período mais jovem de atividade magmática granítica
te extendido para o norte de Angola e noroeste daNamíbia em compreende o intervalo de tempo entre 1.550 e 1.500 Ma,
forma de cinturão por Carvalho (1984) e agora denominado representado pelos granitóides do complexo Munhino, do
por Torquato & Carvalho (em prep.) de Cinturão Curoca, de Chicate e do Caraculo, cujas idades e razões iniciais são
características orogênicas. similares dentro dos erros analíticos, apesar de constituírem
O primeiro intervalo de idades entre l .950 e l .900 Ma não corpos distintos.
está muito bem caracterizado geocronologicamente na área,
sendo representado apenas pela colocação do maciço granítico
do Chicalengue.
As amostras deste granitóide, analisadas por radiometria,
apresentaram-se muito homogêneas quanto à razão Rb/Sr e,
conseqüentemente,
87
com distribuição espacial segundo o eixo
Rb/86Sr do diagrama isocrônico muito restrita. Estas amos-
tras delinearam, neste diagrama, uma reta com inclinação
relativa a idade aproximada de 1.900 Ma, com razão inicial
de 0,7016 (Fig. 2). O valor calculado para esta isócrona é de
l .970 ± 119 Ma e razão inicial de 0,7015 ± 0,0014.
Apesar do elevado erro obtido, podemos considerar este
granitóide como formado no final da orogenia Transamazô-
nica, por volta de l .900 Ma, a partir de material diferenciado
do manto superior ou produzido por fusão de crosta continen-
tal inferior severamente empobrecida em Rb, a qual foi
diferenciada do manto pouco tempo antes, dentro do próprio
ciclo Transamazônico.
A amostra de número de campo 333, situada abaixo da
isócrona traçada na figura 2, sugere a possibilidade de se
encontrarem granitos mais jovens, no maciço deChicalengue. Figura 2 - Diagrama isocrônico Rb - Sr em rocha total para
Dentro do intervalo de tempo l .750 -1.650 Ma, ocorreu a o Granitóide do Chicalengue
formação do Complexo Granítico Luchipa-Pungue e dos Figure 2 - Whole-Rock Rb - Sr isochronic diagram of the Chicalengue granitoid
granitóides da Serra da Chonga e dos Gandarengos. As
amostras relativas ao Complexo Luchipa-Pungue, quando
tratadas em diagrama isocrônico Rb-Sr, definiram isócrona
com inclinação relativa a idade de 1723 ±35 Ma, com relação As amostras relativas ao Complexo Granítico Munhino,
inicial de 0,7075 ± 0,0003 (Fig. 3). analisadas pelo método Rb-Sr, situaram-se próximas a isócrona
Esta idade caracteriza a época principal de formação deste relativa a idade de l .552 ± 32 Ma, com razão inicial de 0,7057
complexo granítico, podendo incluir rochas formadas pouco ± 0,0003 (Fig. 6). Alguns pontos analíticos a situaram pouco
tempo antes ou pouco tempo depois. acima ou pouco abaixo da reta, o que sugere que podem
O elevado valor obtido para a razão inicial de Sr sugere que possuir idades distintas daquela considerada; isso é normal
os magmas parentais deste complexo granítico tiveram con- dentro de um complexo granítico no qual as diferentes fácies
tribuição importante de material proveniente da crosta con- litológicas presentes não são necessariamente sincrônicas. De
tinental superior. uma forma geral, a idade de 1.552 Ma pode ser considerada
Para o Granitóide da Serra da Chonga foram analisadas como a época principal de formação para o Complexo Munhino.
cinco amostras pelo método Rb-Sr, cujos pontos analíticos, O valor darazão inicial sugere que a fonte desses granitóides
quando lançados em diagrama isocrônico, situaram-se próxi- é predominantemente crustal. A linha de evolução isotópica
mos à reta da idade de l .684 ± 31 Ma, com razão inicial de de Sr do complexo, na figura 9, inicia-se sobre a curva de
0,7065 ± 0,0006 (Fig. 4). Esta idade pode ser considerada evolução do Granitóide do Chicalengue, mostrando que ro-
como próxima da época de formação desse maciço. chas de composição similar a este granitóide foram também
O valor obtido para a razão inicial, por volta de 0,706, fundidas parcialmente durante o processo de formação de pelo
sugere que grande parte do magma parental do Granitóide da menos parte dos granitóides do complexo Munhino.
Serra da Chonga derivou-se por processos de fusão parcial de Portanto, os Complexos Graníticos do Munhino diferem do
crosta continental, com razão Rb/Sr moderada. Ainda sobre Luchipa-Pungue nos tipos litológicos predominantes, na ida-
este granitóide, deve ser assinalado que sua curva de evolução de sendo mais jovem, e na natureza de suas fontes magmáticas,
isotópica de Sr tem alta inclinação, o que é típico de rochas uma vez que foi formado em níveis crustais mais profundos.
Para o Granitóide do Caraculo, Torquato & Carvalho (em
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prep.) apresentaram isócrona Rb-Sr na qual incluíram pontos


analíticos relativos a amostras provenientes da borda sul do
Maciço, de pórfíros ácidos e granitos associados, obtendo a
idade de l .684 ± 69 Ma, com razão inicial 87Sr/86Sr de 0,7034.
Neste trabalho, foi elaborada isócrona Rb-Sr com amostras
coletadas nas porções central e norte-nordeste do Maciço do
Caraculo. Nela foram adicionados somente os pontos de
Torquato & Carvalho (em prep.) situados na borda sul87do
corpo,
86
sendo obtida a idade de l .510 ± 25 Ma, com razão Sr/
Sr inicial de 0,7048 ± 0,0012 (Fig. 7).
A idade próxima a l .500 Ma é interpretada como a época
de formação de pelo menos parte do Granitóide do Caraculo.
A diferença entre as idades obtidas pode sugerir que os
pórfíros ácidos e granitos associados não são sincrônicos ao
corpo do Caraculo ou que este maciço, na verdade, constitui-
se de um complexo granítico com evolução não-sincrônica,
sendo as porções central e norte-nordeste as mais jovens.
Figura 3 - Diagrama de evolução isotópica de Sr para o O valor obtido para a razão inicial, de 0,7048, é baixo,
magmatismo granítico da região de Caraculo-Bibala. 1. sugerindo que os magmas formadores deste granitóide deri-
Serra dos Gandarengos; 2. Luchipa-Pungue; 3. Caraculo; 4. varam-se principalmente de fusões de rochas com baixas ou
Serra da Chonga; 5. Munhino; 6. Chicalengue; 7. Chicate; moderadas razões Rb/Sr típicas da crosta continental inferior
8. Campo relativo ao Complexo Costeiro (Brasil) ou intermediária. As amostras do Granitóide do Caraculo
Figure 3 - Whole-Rock Rb - Sr isochron of the Luchipa-Pungue granitic
apresentam um trend de diferenciação bastante acentuado,
Complex
conforme pode ser observado na figura 10, sugerindo que as

Figura 4 - Diagrama isocrônico Rb - Sr em rocha total para Figura 6 - Diagrama isocrônico Rb - Sr em rocha total para
o Complexo Granítico Luchipa-Pungue o granitóide da Serra dos Gandarengos
Figure 4 - Whole-Rock Rb -Sr Isochron for the Serra da Chonga granitoid Figure 6 - Whole-Rock Rb - Sr Isochron of the Munhino granitic Complex

rochas co-magmáticas do maciço apresentam uma grande


variação composicional.
O Maciço Granítico de Chicate apresentou idade isocrônica
de l .527 ± 40 Ma e razão 87Sr/86Sr inicial de 0,7053 ± 0,0005
(Fig.8). Esta idade é interpretada como a da época de forma-
ção deste granitóide; o valor próximo a 0,705 da razão inicial
indica que essas rochas evoluíram principalmente a partir de
processos de fusão parcial de rochas crustais pouco diferen-
ciadas geoquimicamente.
É importante notar que os granitóides gerados no episódio
magmático mais jovem, entre 1.550 e 1.500 Ma, possuem
razões iniciais muito similares, mostrando que este
magmatismo, embora formando corpos distintos geografica-
mente, além de contemporâneo, foi formado pelos mesmos
processos e com protolitos de mesma natureza.
Nos diagramas das figuras 9 e 10, é possível observar que
os granitóides do Caraculo, Munhino e Chicate, apesar de
contemporâneos e com fontes similares, apresentam graus de
Figura 5 - Diagrama isocrônico Rb - Sr em rocha total para diferenciação diferentes, com o corpo do Caraculo incluindo
o Granitóide da Serra da Chonga os termos mais diferenciados, conseqüentemente apresentan-
Figure 5 - Whole-Rock Rb - Sr isochronic diagram for Serrados Gandarengos do a linha de evolução isotópica de Sr mais inclinada (Fig. 9)
granitoid
78 Revista Brasileira de Geociências, Volume 22, 1992

Figura 9 - Diagrama Isocrônico Rb - Sr em rocha total para


o granitóide de Caraculo
Figure 9 - Sr Isotopic Evolution for the granitic magmatism. 1. Serra dos
Gandarengos; 2. Luchipa-Pungue; 3. Caraculo; 4. Serra da Chonga; 5. Munhino;
6. Chicalengue; 7. Chicate; 8. Costeiro Complex Sr isotopic composition
Figura 7 - Diagrama 87Sr86 versus Sr total para o magmatismo
granítico da região de Caraculo-Bibala
Figure 7 - Whole-Rock Rb - Sr Isochron of the Caraculo granitoid
0,7044 (Carvalho et al. 1987), interpretada como a época de
formação destas rochas, e também por existirem idades K-Ar
em biotitas de 774 ± 16 Ma (Torquato & Carvalho, em prep.)
e Rb-Sr em biotitas de 551 ± 30 Ma (Mendes 1968) nos
granitóides do Proterozóico Médio da área em estudo.
Portanto, as idades entre 850 e 600 Ma obtidas nas rochas
básicas foram interpretadas neste trabalho como idades apa-
rentes, rejuvenescidas termicamente pela orogênese Damara-
Ribeira, esta última na área contígua do lado brasileiro,
durante o Proterozóico Superior.
RELAÇÕES DO MAGMATISMO GRANÍTICO COM
AS SEQÜÊNCIAS METASSEDIMENTARES Na
região do Complexo Granítico Luchipa-Pungue existem di-
versos tipos de rochas metassedimentares, de idades também
diferentes.
A ocorrência de rochas metassedimentares situadas a norte
de Pungue (Fig. l), no contato entre o complexo granítico e
o Granitóide do Chicalengue, possui direção aproximada E-
W, sendo essencialmente constituída por conglomerados e
Figura 8 - Diagrama Isocrônico Rb/Sr em rocha total para n quartzitos. Os conglomerados são formados por pequenos
Complexo Granítico de Munhino clastos de quartzito que dificilmente se distinguem da matriz
Figure 8 -Wholw-Rock Rb - Sr Isochron of the Chicate granitoid
de quartzo microgranular.
Nos quartzitos que ocorrem junto do Granitóide do Chica-
lengue, observam-se fenômenos de metamorfismo de contato
e um trend mais amplo no diagrama da figura 10. Esse fato que se manifestam principalmente pela presença de numero-
poderia sugerir níveis crustais distintos de colocação destes sos cristais de feldspato (Carvalho 1970).
maciços. Esta seqüência metassedimentar é intrudida por pórfíros
Na região de Caraculo-Bibala, em meio aos granitóides, quartzo-feldspáticos e vulcânicas associadas com 2.200 Ma,
ocorrem rochas básicas em forma de diques, sills e pequenas o que lhe confere idade mínima (Carvalho & Alves 1990).
intrusões. Duas amostras deste magmatismo foram datadas Às rochas metassedimentares da seqüência situada a norte
pelo método K-Ar, uma relativa aos diques (amostra n2 305) de Pungue depositaram-se após intenso período de erosão das
e outra relacionada aos sills (amostra A-107), cujos dados rochas do Complexo Xisto-Quartzítico-Anfibolítico com már-
analíticos encontram-se na tabela 2. A primeira amostra mores associados, e estão afetadas pelo Granitóide do Chica-
indicou a idade 698 ± 11 Ma e a segunda 600 ± 8 Ma. lengue.
Idades K-Ar desta ordem, dentro do intervalo de tempo 820- Desse modo, essa ocorrência teria idade situada entre a do
650 Ma já foram encontradas para o magmatismo básico de Complexo Xisto-Quartizítico-Anfibolítico com mármores as-
outras áreas da região sudoeste de Angola por Torquato & sociados e a do Granito do Chicalengue, isto é, entre 2.200 e
Amaral (1973), Silva et al. (1973), Torquato (1974a e b) e 1.950 Ma.
Silva (l980). A nordeste do Complexo Granítico Luchipa-Pungue, exis-
As idades K-Ar, entre 700 e 600 Ma, são consideradas como tem grandes ocorrências de rochas metassedimentares essen-
mínimas para este magmatismo básico. Esta interpretação cialmente formadas por camadas suborizontais de conglome-
baseia-se no fato de rochas básicas de mesmo contexto rados e quartzitos, às quais se associam sills e diques de vários
geológico, situadas mais a sul, possuírem idade isocrônica tipos de rochas vulcânicas (Carvalho 1970).
Rb-Sr em rocha total de l. 119 ± 27 Ma, com razão inicial de Os conglomerados ocorrem, em regra, na base da seqüência
Revista Brasileira de Geociéncias, Volume 22, 1992 79

Tabela 1 - Dados analíticos Rb-Sr em rocha total


Table l - Analytical data for Rb-Sr in whole rock

Figura 10- Diagrama isocrònico Rb - Sr em rocha total para


o granitóide de Chicate
Figure 10 -87Sr/86Sr versus Sr diagram for the granitic magmatism of the

Caraculo-Bihala re» ion

Figura 11 - Correlação geocronológica Angola-Brasil.


A. Cinturão Domara; B. Cinturão Oeste-Congo; C. Craton
Angola-Kasai; D. Maciço de Guaxupé; E. Craton São
Francisco; F. Craton Luiz Alves; G. Craton Rio de La Plata;
H. Cinturão Dom Feliciano; I. Cinturão Ribeira; J. Cinturão
Brasília; R. J. Rio de Janeiro; L. Luanda
Figure 11 - Geochronological Correlation between Angola-Brasil.
A. Damara Belt; B. West-Congo Belt; C. Angola-Kasai Craton; D. Guaxupé
Massif; E. São Francisco Craton; F. Luiz Alves Craton; G.Rio de La Plata
Craton; H. Dom Feliciano Belt; I. Ribeira Belt; J. Brasília Belt; R.J. Rio de
Janeiro; L. Luanda

e são formados por clastos de quartzitos e de rochas granitóides.


Estes últimos chegam a atingir cerca de l m de diâmetro e são
macroscópicamente semelhantes aos do Complexo Granítico
Luchipa-Pungue. A ocorrência dispõe-se segundo direção
geral NW-SE e os metassedimentos apresentam, em geral,
baixo grau de metamorfismo (muscovita).
A seqüência metassedimentar referida assenta em
discordância sobre o Complexo Granítico Luchipa-Pungue e
80 Revista Brasileira de Geociências, Volume 22, 1992

são intrudidos pelo Granitóide do Chicate (Carvalho 1984). correlacionam-se temporalmente com as idades obtidas para
Assim, a idade destes metassedimentos situam-se entre l .720 o magmatismo granítico mais antigo da região angolana do
e 1.530 Ma aproximadamente. Caraculo-Bibala e/ou para respectivas diferenciações
As unidades metavulcanossedimentares, com idades entre mantélicas, dos protolitos dos outros granitóides.
1.720 e l .530 Ma, poderiam estar vinculadas à evolução do Portanto, embora as idades de formação das rochas da
Cinturão Magmático, já caracterizado por Carvalho (1984) e região sudoeste de Angola e da área contígua no Brasil não se
Torquato & Carvalho (em prep.), que teve sua evolução entre correlacionem diretamente, é muito provável que as rochas
l .800 e l .650 Ma, com formação de granitos cálcio-alcalinos incluídas no Complexo Costeiro tenham sido geradas a partir
e processos de retrabalhamento crustal. de retrabalhamento, pela orogênese brasiliana, de terrenos
Cumpre assinalar que tais seqüências metassedimentares similares aos existentes no sudoeste do Cráton de Angola-
são cronocorrelatas com as formações metavulcanossedimen- Kasai, uma vez que tais terrenos são constituídos, além das
tares que ocorrem na Faixa Apiaí, sudeste de São Paulo, para rochas graníticas e gnáissicas, por expressivas seqüências de
as quais Tassinari et al. (1990) estimaram uma época entre rochas metassedimentares e rochas básicas e ultrabásicas que,
1.750 e 1.500 Ma para a deposição das seqüências. quando retrabalhadas, poderiam produzir as seqüências de
paragnaisses granadíferos e os restos de rochas básicas e
CORRELAÇÃO GEOLÓGICA COM A REGIÃO SU- ultrabásicas metamorfizadas encontradas no Complexo Cos-
DESTE DO BRASIL A área contígua em território bra- teiro no Brasil.
sileiro da região angolana de Caraculo-Bibala corresponde a No diagrama de evolução isotópica do Sr da figura 9, está
faixa situada aproximadamente entre as cidades de representado
87 86
o campo da variação de valores para as razões
Caraguatatuba e Parati, nas regiões sudeste do Estado de São Sr/ Sr iniciais das rochas metamórfícas do Complexo Cos-
Paulo e sul do Rio de Janeiro. teiro^ próximosàáreade correspondência. Pode ser observado
Em contexto geotectônico, esta área está incluída nos domí- que este campo situa-se sobre as curvas de evolução isotópica
nios do Cinturão de Dobramentos Ribeira, que teve sua de Sr das rochas graníticas da região de Caraculo-Bibala,
evolução durante o Proterozóico Superior, com suas fases sugerindo a possibilidade de rochas similares a estas consti-
sintectônicas variando desde 800 até 600 Ma, dependendo da tuírem as fontes de pelo menos parte dos terrenos do Comple-
região. xo Costeiro.
Geologicamente, esta área de correspondência inclui terre- A figura 11 representa a correlação geológica Brasil-
nos metamórficos de médio a alto grau do Complexo Costeiro Angola, onde se observa que a orogenia brasiliana, represen-
e granitóides pós-tectônicos. O Complexo Costeiro é consti- tada na África pelo Cinturão Damara, ocorre somente no
tuído por gnaisses migmatíticos, paragnaisses portadores de extremo sudoeste de Angola e depois inflete-se para oeste,
granadas e, subordinadamente, quartzitos, rochas cálcio- ocorrendo no Brasil no Cinturão de Dobramentos Ribeira, que
silicatadas e metassedimentos síltico-argilosos. Este conjunto se estende para norte, amalgamando os Crátons do São
metamórfico encontra-se intrudido por vários corpos de Francisco e de Angola-Kasai.
granitóides porfiróides, por vezes foliados, de composição Portanto, a área estudada neste trabalho situa-se nas bordas
variável de granítica a granodiorítica, mas ocorrendo também do Cráton de Angola-Kasai, onde a orogênese brasiliana
variações alasquíticas, cálcio-alcalinas e alcalinas. Estes apenas produziu eventos térmicos, que rejuvenesceram ida-
maciços graníticos estão, em geral, relacionados com corpos des K-Âr, mas não formou rochas, ao passo que, na área
charnockíticos (granitos com "hiperstênio") de naturezaígnea. contígua no Brasil, esta orogênese foi muito intensa, gerando
Em termos geocronológicos, estudos realizados por Tassinari grande quantidade de rochas metamórfícas que atingiram até
et al. (1988) indicaram idades isocrônicas Rb-Sr em rocha a fácies granulito e forte magmatismo granítico. Apenas na
total para os terrenos gnáissico-migmatíticos do Complexo região de Cabo Frio, a nordeste da cidade do Rio de Janeiro,
Costeiro, obtidas para locais distintos, variáveis entre 650 a foi identificado um pequeno núcleo preservado com idades
600 Ma, com razões iniciais entre 0,709 e 0,727, sendo que, transamazônicas (Zimbres et al. 1990), que seria um pequeno
próximo à área de correspondência, os valores variam de fragmento do Cráton Angola-Kasai, que ficou do lado brasi-
0,717 a 0,727. Para os granitóides e charnockitos intrusivos, leiro, conforme pode ser observado na figura 11.
Tassinari et al. (1990) e Gasparini & Mantovani (1975)
forneceram idades, também isocrônicas Rb-Sr, no intervalo Agradecimentos Os autores agradecem, no Brasil, ao
de tempo 550 - 500 Ma, com razões 87Sr/86Sr iniciais próximas Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e
a 0,712. Tecnológico (CNPq) e, em Portugal, ao Instituto de Investi-
Estes dados indicam claramente que os terrenos metamór- gação Científica Tropical, pelo apoio financeiro que possibi-
ficos e os granitóides intrusivos formaram-se respectivamen- litou o intercâmbio que gerou este trabalho. Agradecem
te por retrabalhamento e anatexia de rochas da crosta conti- também aos técnicos do Centro de Pesquisas Geocronológicas
nental superior, no final do Proterozóico Superior e no início da Universidade de São Paulo e do Instituto de Investigação
do Fanerozóico. Tassinari et al. (1989) obtiveram também, Científica Tropical (Lisboa), pelo auxílio prestado durante o
para estas rochas, valores de eNd fortemente negativos, o que desenvolvimento desta pesquisa. Agradecem à Fundação de
confirma, pelas composições isotópicas de Nd, a hipótese de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), pela
origem a partir da reciclagem de materiais crustais. concessão de bolsa de Iniciação Científica (Processo 90/1594-
Em adição, estes autores obtiveram, para as mesmas rochas, 8), e à bolsista Annabel Perez Aguilar, pelo auxílio durante as
idades Sm-Nd, modelo Manto Empobrecido (TDM), de l ,8 e fases analíticas. Os agradecimentos são extensivos aos geólogos
2,0 Ga, sugerindo o Ciclo Transamazônico como o principal de Seviço de Geologia e Minas de Angola, pelo incentivo dado
evento formador dos protolitos crustais das rochas do Com- a este projeto.
plexo Costeiro e dos granitóides intrusivos. Essas idades

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