Sharp Objects - Minisérie
Há dias pensei: "Onde anda a Gillian Flynn? Será que publicou mais alguma coisa desde o Gone Girl?"
Ler o Gone Girl foi uma experiência e peras. O filme, nem por isso. Talvez por isso tenha começado a ver o Sharp Objects, série adaptada do livro homónimo, com algum receio. O Sharp Objects não li, mas quero ler. A série recomendo, com algum cuidado.
Uma das poucas coisas que eu gosto da cultura americana é o "Southern Gothic": toda uma cultura sustentada na memória de uma região que perdeu a guerra civil, que resiste com tradições à base de recriações teatrais da guerra, da ingestão de álcool a meio da tarde em bares manhosos, e do uso indiscriminado das armas. E crime. Há sempre crimes violentos numa cidade pequena. Sharp Objects tem isso tudo.
Apesar de ser uma excelente atriz, Amy Adams não é muito convincente no papel de alguém filha da região.
Mesmo assim a história é cativante não por ser um retrato da cidade pequena com crimes a acontecer, mas porque é uma história da Gillian Flynn.
Ela é exímia em retratar a mulher quebrada e traumatizada, o lado negro da psyche feminina que é escondido porque a sociedade não permite a demonstração aberta do trauma por parte das mulheres.
E eu adoro isso. Adorei no Gone Girl e adorei neste Sharp Objects também. Agora só falta ver o Dark Places.