Afonso e Aline estão explorando uma região não-mapeada para seu trabalho de geografia. Afonso é uma raposa preta, mas cinza no focinho, nas patas, na cauda e no interior das orelhas. Tem olhos castanhos. Ele usa óculos marrons, camisa preta e calças cinzas, com dois cintos nos quais ele põe ferramentas. Ele carrega consigo uma mochila com suprimentos de sobrevivência e as coisas de Aline. Esta é uma guaxinim cinza com máscara, listras e patas pretas. Na testa, ela tem um par de óculos de proteção pretos, mas tem óculos de grau regulares na face, que auxiliam seus olhos negros. Ela usa um lenço rosa ao redor do pescoço, calças verdes e uma corrente que lhe pende do bolso. Ela diz que pode ser útil algum dia. Tem cabelo bem longo e uma cauda listrada. A ponta de suas orelhas também é preta.
Seu trabalho consiste em mapear uma área da floresta ao sul de Marista, um centro de escambo que acabara de ser estabelecido, a fim de certificar de que o local era seguro. Como a área era grande, eles tinham ido com um grupo, o qual se dividiu para mapear a área mais rapidamente. Embora Aline tivesse se oposto à ideia, o voto da maioria teve mais peso. O grupo de dez geógrafos foi então dividido em cinco duplas.
A floresta de árvores altas ecoava os sons dos pássaros, os quais cantavam à distância. A luz solar quase não penetrava pelas copas das árvores, embora aquilo não tornasse o calor nem um pouco mais tolerável.
- Como é que você aguenta ficar de camisa numa situação dessas? - perguntou Aline, a qual já tinha ido sem camisa.
- Não se preocupe comigo, amiga – diz Afonso. - Sou tímido em relação ao meu corpo.
Afonso era mais reservado, embora mais sorridente e despreocupado. Aline, porém, era muito desconfiada, gostava de fazer as coisas segundo o manual, e era vocal quando alguém fugia do protocolo. Porém, como ela era a única a se importar com aquele tipo de coisa, ela raramente era ouvida. O manual de exploração dizia que expedições para locais desconhecidos tinham que ser feitas em grupos de cinco, para aumentar as chances de sobrevivência em caso de catástrofe. Aline não podia evitar se sentir insegura naquela situação, mesmo que não houvesse qualquer perigo à vista.
- Aline, pegue o papel e a pena – diz Afonso, verificando sua bússola. - Aqui tem um ponto de referência interessante.
- Claro – diz Aline, se aproximando de Afonso e tirando o material da mochila.
Aline se senta e anota a direção em que estão indo, tal como o que veem no momento e a distância aproximada de Marista, em relação àquele ponto.
- Qual é o ponto de referência? - ela pergunta.
- Esta árvore – diz Afonso, afagando o tronco da árvore. - É mais grossa que as demais. Aposto que também é a mais alta.
Ele olha pra cima, tentando estimar a altura da árvore. Ela era tão alta e sua copa era tão grande que a sombra era bem densa.
- Tá um pouco difícil de anotar nesta escuridão – diz Aline.
- Permaneça determinada – diz Afonso.
Aline assente e termina.
- Ainda vamos explorar ou vamos voltar? - ela pergunta.
- Ainda tenho energia pra mais alguns passos – diz Afonso, ainda acariciando a árvore. - A casca é diferente.
- Você não pensa em outra coisa senão neste trabalho? - perguntou Aline, incomodada com o calor e agora com a escuridão.
- Você está nesta há pouco tempo – ele diz. - O que você quer exatamente? Crédito de atividade complementar?
- Claro! - ela responde. - Eu só quero me formar em história. Minha área é outra. Eu estou oferecendo meus serviços só pra obter os créditos necessários.
Afonso dá um sorrisinho, mas não olha pra Aline.
- Ao menos tu és sincera – ele diz.
Eles continuam andando, se afastando da grande árvore e seguindo até onde podiam.
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