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Vida de Jesus

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A Maestà de Duccio (1310), representando a vida de Cristo, com 26 cenas centrais dedicadas à Paixão e Ressurreição[1]

  A vida de Jesus é primariamente registrada nos quatro evangelhos canônicos, que descrevem a genealogia e o nascimento de Jesus, seu ministério público e obras proféticas, e concluem com sua paixão, ressurreição e ascensão.[2][3] Outras partes do Novo Testamento — como as epístolas paulinas, que provavelmente foram escritas durante um intervalo de 20 a 30 anos,[4] e que incluem referências a episódios importantes da vida de Jesus, como a Última Ceia,[2][3][5] e os Atos dos Apóstolos, que inclui mais referências ao episódio da Ascensão (Atos 1:1–11) do que os evangelhos[6][7] — também expandem a descrição da vida de Jesus. Além desses textos bíblicos, existem textos extrabíblicos que fazem referência a certos eventos da vida de Jesus, como os escritos de Flávio Josefo sobre Jesus e de Tácito sobre Cristo.

Nos evangelhos, o ministério de Jesus começa com seu batismo por João Batista. Ele foi ao rio Jordão para ser batizado por João e, depois, jejuou por 40 dias e 40 noites no deserto. Esse período inicial também inclui o primeiro milagre de Jesus, no casamento em Caná.

As principais localidades do ministério de Jesus foram a Galileia e a Judeia, com algumas acontecimentos também em áreas próximas, como a Pereia e Samaria. As atividades de Jesus na Galileia incluem diversos milagres e ensinamentos.

Genealogia e Nascimento

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A Adoração dos Pastores, de Gerard van Honthorst, 1622

A genealogia e o nascimento de Jesus são descritos em dois dos quatro evangelhos: Mateus e Lucas.[8] Enquanto Lucas traça a genealogia de forma ascendente, em direção a Adão e Deus, Mateus a traça de forma descendente, em direção a Jesus.[9] Ambos os evangelhos afirmam que Jesus não foi gerado por José, mas concebido milagrosamente no ventre de Maria, mãe de Jesus, pelo Espírito Santo.[10] Ambos os relatos traçam a linhagem de José até o Rei Davi e, a partir daí, até Abraão. Essas listas são idênticas entre Abraão e Davi (exceto por um nome), mas diferem quase completamente entre Davi e José.[11][12] Mateus apresenta Jacó como pai de José e Lucas diz que José era filho de Heli. As tentativas de explicar as diferenças entre as genealogias têm variado em natureza.[13][14][15]

Os relatos de Lucas e Mateus sobre o nascimento de Jesus têm vários pontos em comum; ambos descrevem o nascimento de Jesus em Belém, na Judeia, de uma mãe virgem. No relato de Lucas, José e Maria viajam de sua casa em Nazaré para Belém, onde Jesus nasce e é colocado em uma manjedoura. Anjos o proclamam Salvador de toda a humanidade, e pastores vêm adorá-lo; a Sagrada Família então retorna a Nazaré. Em Mateus, os Magos seguem uma estrela desde o oriente até Belém, onde a família está hospedada, para levar presentes a Jesus, nascido Rei dos Judeus. O rei Herodes manda executar todos os meninos com menos de dois anos de idade em Belém para matar Jesus, mas a família de Jesus foge para o Egito e depois se estabelece em Nazaré. Ao longo dos séculos, os estudiosos bíblicos tentaram reconciliar essas diferenças,[16] enquanto a erudição moderna as considera, em sua maioria, lendárias,[17][18][19][20][21] embora os estudiosos conservadores defendam sua historicidade.[22][23][24][25] Geralmente, eles consideram a questão da historicidade como secundária, visto que os evangelhos foram escritos principalmente como documentos teológicos, e não como cronologias.[26][27][28][29]

Ministério

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A obra "A Vocação dos Apóstolos", de Domenico Ghirlandaio (1481), retrata Jesus comissionando os Doze Apóstolos.

Os cinco principais marcos na narrativa do Novo Testamento sobre a vida de Jesus são o seu Batismo, Transfiguração, Crucificação, Ressurreição e Ascensão.[30][31][32]

Nos relatos dos evangelhos, o ministério de Jesus começa na zona rural da Judeia e da Transjordânia, perto do rio Jordão, e termina em Jerusalém, após a Última Ceia com seus discípulos.[33] O Evangelho de Lucas afirma que Jesus tinha "cerca de 30 anos de idade" no início de seu ministério.[34][35] As cronologias de Jesus normalmente estimam a data de início de seu ministério entre 27-29 d.C. e a o término entre 30-36 d.C..[34][35][36][37]

O ministério de Jesus na Galileia começa após o seu Batismo, quando ele retorna à Galileia depois de sua estadia no Deserto da Judeia.[38] Jesus então começa a pregar na Galileia e recruta seus primeiros discípulos, ou apóstolos.[33][39] Eles viajam com ele e acabam se tornando o núcleo da Igreja primitiva,[33][39] pois acredita-se que os Apóstolos se dispersaram de Jerusalém para fundar as Sés Apostólicas. O principal ministério na Galileia, que começa em Mateus 8, inclui a comissão dos Doze Apóstolos e abrange a maior parte do ministério de Jesus na Galileia.[40][41]

Após a proclamação de Jesus como Cristo, três dos discípulos (Pedro, Tiago e João) testemunham a sua Transfiguração.[42][43] Após a morte de João Batista e a Transfiguração, Jesus inicia a sua jornada final para Jerusalém, tendo predito a sua própria morte ali.[44][45][46]

Em seu ministério posterior, Jesus viaja para Jerusalém através da Judeia.[42][43][47][48] Enquanto Jesus viaja em direção a Jerusalém, no ministério posterior na região da Pereia, a cerca de um terço do caminho desde o Mar da Galileia ao longo do Rio Jordão, ele retorna à área onde foi batizado.[49][50][51] O ministério final em Jerusalém, chamado de Semana da Paixão ou Semana Santa, começa com a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém.[52] Ao entrar em Jerusalém sob aclamação pública, o atrito com os fariseus aumenta e um de seus discípulos concorda em traí-lo por 30 moedas de prata.[53][54][55] Os evangelhos fornecem mais detalhes sobre o ministério final do que os outros períodos, dedicando cerca de um terço de seu texto à última semana da vida de Jesus em Jerusalém.[56] Nos relatos dos evangelhos, perto do final da última semana em Jerusalém, Jesus tem a Última Ceia com seus discípulos e, no dia seguinte, é traído, preso e julgado.[57] O julgamento termina em sua crucificação e morte. Três dias após seu sepultamento, ele ressuscita e aparece a seus discípulos e a uma multidão de seus seguidores (cerca de 500 no total) durante um período de 40 dias, após o qual ascende ao Céu.[6][7]

Locais de atuação

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Galileia, Pereia e Judeia na época de Jesus.

Nos relatos do Novo Testamento, os principais locais do ministério de Jesus foram a Galileia e a Judeia, com acontecimentos também em áreas circundantes, como Pereia e Samaria.[33][39]

A narrativa do ministério de Jesus nos evangelhos é tradicionalmente dividida em seções de natureza geográfica:

  • Viagem a Jerusalém: Após a morte de João Batista, aproximadamente na metade dos evangelhos (por volta de Mateus 17 e Marcos 9), dois eventos cruciais ocorrem, alterando a natureza da narrativa ao iniciar a revelação gradual de sua identidade aos seus discípulos: sua proclamação como Cristo por Pedro e sua Transfiguração.[42][43] Após esses eventos, boa parte das narrativas evangélicas trata da jornada final de Jesus a Jerusalém, passando pela Pereia e Judeia.[42][43][47][48] Ao viajar em direção a Jerusalém pela Pereia, Jesus retorna à região onde foi batizado.[49][50][51]

Batismo e tentação

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O Batismo de Cristo de Francesco Albani, do século XVII, é uma representação típica com o céu se abrindo e o Espírito Santo descendo como uma pomba enquanto Jesus é batizado por João.[61]

O batismo de Jesus marca o início de seu ministério. Este evento está registrado nos Evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas. Em João 1:29–33, em vez de uma narrativa direta, João Batista testemunha a respeito do episódio.[62][63]

No Novo Testamento, João Batista pregou um “batismo com água”, não de perdão, mas de penitência ou arrependimento para a remissão dos pecados (Lucas 3:3), e declarou-se precursor daquele que batizaria “com o Espírito Santo e com fogo” (Lucas 3:16). Ao fazer isso, ele estava preparando o caminho para Jesus.[35] Jesus chegou ao rio Jordão, onde foi batizado por João.[35][64][65] A cena do batismo inclui a abertura dos céus, a descida do Espírito Santo como uma pomba e uma voz do céu dizendo: “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo”.[35][66]

A maioria dos estudiosos modernos considera o fato de Jesus ter sido batizado por João como um evento histórico ao qual se pode atribuir um alto grau de certeza.[67][68][69][70] James Dunn afirma que a historicidade do batismo e da crucificação de Jesus "recebe concordância quase universal".[71] Juntamente com a crucificação de Jesus, a maioria dos estudiosos considera o seu batismo como um dos dois fatos historicamente certos sobre ele, e frequentemente o utilizam como ponto de partida para o estudo do Jesus histórico.[71]

A tentação de Jesus é detalhada nos evangelhos de Mateus,[72] Marcos,[73] e Lucas.[74] Nessas narrativas, após ser batizado, Jesus jejuou por quarenta dias e quarenta noites no deserto. Durante esse tempo, Satanás aparece a Jesus e o tenta. Tendo Jesus recusado cada tentação, Satanás se retira e anjos vêm e trazem alimento a Jesus.

Vocação dos discípulos e início do ministério

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Chamado dos discípulos e a pesca milagrosa, por Rafael, 1515

A vocação dos primeiros discípulos é um episódio fundamental nos evangelhos, que marca o início do ministério ativo de Jesus e estabelece o alicerce para o grupo de pessoas que o seguem e que, mais tarde, formariam a Igreja primitiva.[75][76] Acontece em Mateus 4:18–22, Marcos 1:16–20 e Lucas 5:1–11 no Mar da Galileia. João 1:35–51 relata o primeiro encontro com dois dos discípulos um pouco antes, na presença de João Batista. Particularmente no Evangelho de Marcos, o início do ministério de Jesus e o chamado dos primeiros discípulos são inseparáveis.[77]

No Evangelho de Lucas (Lucas 5:1–11), o evento faz parte do episódio da primeira pesca milagrosa e resulta na adesão de Pedro, bem como de Tiago e João, filhos de Zebedeu, a Jesus como discípulos.[78][79][80] O ajuntamento dos discípulos em João 1:35–51 segue os muitos padrões de discipulado que continuam no Novo Testamento, em que aqueles que receberam o testemunho de alguém tornam-se testemunhas de Jesus. André segue Jesus por causa do testemunho de João Batista, Filipe traz Natanael e o padrão continua em João 4:4–26 onde a mulher samaritana junto ao poço testemunha aos habitantes da cidade sobre Jesus.[81]

Este período inicial também inclui o primeiro milagre de Jesus nas bodas em Caná, relatado no Evangelho de João, onde Jesus e seus discípulos são convidados para um casamento e quando o vinho acaba, Jesus transforma água em vinho realizando um milagre.[82][83]

Ministério e milagres na Galileia

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As atividades de Jesus na Galileia incluem diversos milagres e ensinamentos. O início desse período inclui acura do servo do centurião (Mateus 8:5–13) e Jesus acalmando a tempestade (Mateus 8:23–27), ambos abordando o tema da fé vencendo o medo.[84][85][86] Nesse período, Jesus também reúne discípulos, por exemplo, chamando Mateus.[87] A Comissão dos Doze Apóstolos relata a seleção inicial dos doze Apóstolos dentre os discípulos de Jesus.[88][89][90]

No Discurso da Missão, Jesus instrui os doze apóstolos mencionados em Mateus 10:2–3 a não levarem pertences enquanto viajam de cidade em cidade para pregar.[40][41] Separadamente, em Lucas 10:1–24, relata-se o comissionamento dos Setenta Discípulos, no qual Jesus designa um número maior de discípulos e os envia em pares com o Mandato Missionário para irem às aldeias antes da chegada de Jesus.[91]

Caminhando sobre a água, por Veneziano, 1370

Após saber da morte de João Batista, Jesus se retira de barco para um lugar isolado perto de Betsaida, onde se dirige às multidões que o seguiram a pé desde as cidades e as alimenta com “ cinco pães e dois peixes ” fornecidos por um rapaz.[92] Em seguida, os evangelhos apresentam o episódio de Jesus andando sobre as águas em Mateus 14:22–23, Marcos 6:45–52 e João 6:16–21 como um passo importante no desenvolvimento do relacionamento entre Jesus e seus discípulos, nesta fase de seu ministério.[93] O episódio enfatiza a importância da fé, afirmando que, quando tentou andar sobre as águas, Pedro começou a afundar ao perder a fé e ficar com medo, e, ao final do episódio, os discípulos aumentam sua fé em Jesus e, em Mateus 14:33, dizem: “Verdadeiramente, tu és o Filho de Deus”.[94]

Os principais ensinamentos deste período incluem o Discurso sobre a contaminação em Mateus 15:1–20 e Marcos 7:1–23, onde, em resposta a uma queixa dos fariseus, Jesus afirma: “o que contamina o homem não é o que entra na boca, mas o que sai da boca, isso é o que contamina o homem."[95]

Após esse episódio, Jesus se retira para as "partes de Tiro e Sidom", perto do Mar Mediterrâneo, onde ocorre o episódio da filha da mulher cananeia em Mateus 15:21–28 e Marcos 7:24–30.[96] Esse episódio é um exemplo de como Jesus enfatiza o valor da fé, dizendo à mulher: "Ó mulher, grande é a tua fé. Seja isso feito para contigo, como tu desejas." [96] A importância da fé também é enfatizada no episódio da cura dos dez leprosos em Lucas 17:11–19.[97][98]

No Evangelho de Marcos, depois de passar por Sidom, Jesus entra na região da Decápolis, um grupo de dez cidades a sudeste da Galileia, onde o milagre da cura do surdo-mudo é relatado em Marcos 7:31–37, onde, após a cura, os discípulos dizem: "Tudo faz bem; faz ouvir os surdos e falar os mudos". O episódio é o último de uma série de milagres narrados que culminam na proclamação de Jesus como o Cristo por Pedro em Marcos 8:29.[99]

Proclamação como Cristo

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Representação de Pietro Perugino da "Entrega das Chaves a São Pedro por Jesus", 1481-82

A Confissão de Pedro refere-se a um episódio do Novo Testamento em que Jesus pergunta aos seus discípulos: "Quem vocês dizem que eu sou?". Pedro proclama que Jesus é o Cristo — o Messias esperado. A proclamação é descrita nos três evangelhos sinópticos: Mateus 16:13–20, Marcos 8:27–30 e Lucas 9:18–20.[100][101]

A Confissão de Pedro começa como um diálogo entre Jesus e seus discípulos, no qual Jesus começa a perguntar sobre as opiniões correntes a seu respeito entre "as multidões", perguntando: "Quem dizem os homens que eu sou?"[100] Os discípulos apresentam uma variedade de hipóteses comuns na época. Jesus então pergunta a seus discípulos sobre a opinião deles: "Mas vocês, quem dizem que eu sou?" Somente Simão Pedro responde: "Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.[101][102]

Em Mateus 16:17, Jesus abençoa Pedro por sua resposta e, mais tarde, o indica como a pedra da Igreja e afirma que lhe dará "as chaves do reino dos céus".[103]

Ao abençoar Pedro, Jesus não apenas aceita os títulos Cristo e Filho de Deus que Pedro lhe atribui, mas declara a proclamação uma revelação divina, afirmando que seu Pai Celestial a havia revelado a Pedro.[104] Nessa afirmação, ao endossar ambos os títulos como revelação divina, Jesus declara inequivocamente ser tanto o Cristo quanto o Filho de Deus.[104] A proclamação de Jesus como Cristo é fundamental para a Cristologia e a Confissão de Pedro, e a aceitação do título por Jesus é uma declaração definitiva disso na narrativa do Novo Testamento.[105]

Transfiguração

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A Transfiguração de Jesus, retratada por Carl Bloch, século XIX

A Transfiguração é um episódio da narrativa do Novo Testamento em que Jesus é transfigurado e se torna radiante em uma montanha.[106][107] Os evangelhos sinópticos (Mateus 17:1–9, Marcos 9:2–8 e Lucas 9:28–36) a descrevem, e 2 Pedro 1:16–18 faz referência a ela.[106] Nesses relatos, Jesus e três de seus apóstolos vão a uma montanha (o Monte da Transfiguração). Na montanha, Jesus começa a brilhar com raios de luz intensos. Então, os profetas Moisés e Elias aparecem ao seu lado e ele conversa com eles. Jesus é então chamado de "Filho" por uma voz no céu, presumivelmente Deus Pai, como no Batismo de Jesus.[106]

A Transfiguração é um dos milagres de Jesus nos relatos dos evangelhos.[107][108][109] Este milagre é único se comparado ao outros milagres que aparecem nos evangelhos canônicos, pois acontece ao próprio Jesus.[110] Tomás de Aquino considerou a Transfiguração "o maior milagre", pois complementava o batismo e mostrava a perfeição da vida no Céu.[111] A Transfiguração é um dos cinco principais marcos na narrativa evangélica da vida de Jesus, sendo os outros o Batismo, a Crucificação, a Ressurreição e a Ascensão.[30][31] No Novo Testamento, a Transfiguração é um momento crucial, e o cenário na montanha é apresentado como o ponto onde a natureza humana encontra Deus: o ponto de encontro entre o temporal e o eterno, com o próprio Jesus como ponto de conexão, atuando como a ponte entre o céu e a terra.[112]

Última viagem a Jerusalém

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Mosaico do século VI representando a Ressurreição de Lázaro, igreja de Sant'Apollinare Nuovo, Ravenna, Itália.

Após a morte de João Batista e a Transfiguração, Jesus inicia sua jornada final para Jerusalém, tendo predito sua própria morte ali.[44][113][114] O Evangelho de João afirma que, durante a jornada final, Jesus retornou à região onde fora batizado, e João 10:40–42 declara que "muitas pessoas creram nele além do Jordão", dizendo que "tudo quanto João disse deste era verdade".[49][50][51] A região onde Jesus foi batizado é inferida como sendo as proximidades da Pereia, dadas as atividades do Batista em Betânia e Enom em João 1:28 e 3:23.[115][116] Os estudiosos geralmente presumem que a rota que Jesus seguiu da Galileia para Jerusalém passou pela Pereia.[51]

Este período de ministério inclui o Discurso sobre a Igreja, no qual Jesus antecipa uma futura comunidade de seguidores e explica o papel de seus apóstolos em liderá-la.[117][118] Inclui as parábolas da Ovelha Perdida e do Credor Incompassivo em Mateus 18, que também se referem ao Reino dos Céus.[118][119] Dirigindo-se aos seus apóstolos em Mateus 18:18, Jesus afirma: “tudo o que ligardes na terra será ligado no céu, e tudo o que desligardes na terra será desligado no céu”. O discurso enfatiza a importância da humildade e do sacrifício pessoal como as virtudes supremas dentro da comunidade antecipada. Ensina que, no Reino de Deus, é a humildade infantil que importa, não a proeminência e o prestígio social.[118][119]

Ao final desse período, o Evangelho de João inclui o episódio da Ressurreição de Lázaro em João 11:1–46, no qual Jesus traz Lázaro de Betânia de volta à vida quatro dias após seu sepultamento.[52] No Evangelho de João, a ressurreição de Lázaro é o clímax dos “sete sinais” que gradualmente confirmam a identidade de Jesus como o Filho de Deus e o Messias esperado.[120] É também um episódio chave que inicia a cadeia de eventos que leva as multidões a buscarem Jesus em sua entrada triunfal em Jerusalém — levando à decisão de Caifás e do Sinédrio de planejar a morte de Jesus.[121]

Última semana em Jerusalém

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A Última Ceia foi retratada por muitos mestres artísticos.[122] Esta Última Ceia é de Pascal Dagnan-Bouveret (1896).

A descrição da última semana da vida de Jesus ocupa cerca de um terço da narrativa nos evangelhos canônicos.[56] A narrativa dessa semana começa com uma descrição da entrada triunfal em Jerusalém e termina com sua crucificação.[52][123]

A última semana em Jerusalém é a conclusão da jornada que Jesus iniciou na Galileia, passando pela Pereia e Judeia.[52] Pouco antes do relato da entrada final de Jesus em Jerusalém, o Evangelho de João inclui o episódio da Ressurreição de Lázaro, que aumenta a tensão entre Jesus e as autoridades. No início da semana, quando Jesus entra em Jerusalém, ele é recebido por multidões que o aclamam, aumentando essa tensão.[52]

A semana começa com a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém. Durante a semana de seu "ministério final em Jerusalém", Jesus visita o Templo e entra em conflito com os cambistas sobre o uso do Templo para fins comerciais. Isso é seguido por um debate com os sacerdotes e o ancião, no qual sua autoridade é questionada. Um de seus discípulos, Judas Iscariotes, concorda em entregar Jesus aos seus inimigos em troca de 30 moedas de prata.[55]

No final da semana, Jesus tem a Última Ceia com seus discípulos, durante a qual institui a Eucaristia e os prepara para sua partida no Discurso de Adeus. Após a ceia, Jesus é traído com um beijo enquanto está em agonia no Jardim do Getsêmani e é preso. Após sua prisão, Jesus é abandonado pela maioria de seus discípulos, e Pedro o nega três vezes, como Jesus havia predito durante a Última Ceia.[124] A última semana, que começa com sua entrada em Jerusalém, termina com sua crucificação e sepultamento naquela sexta-feira.

Traição e prisão

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Beijo de Judas (1304–1306), afresco de Giotto, Capela Scrovegni, Pádua, Itália

Em Mateus 26:36–46, Marcos 14:32–42, Lucas 22:39–46 e João 18:1, imediatamente após a Última Ceia, Jesus vai ao Monte das Oliveiras para orar, sendo que Mateus e Marcos identificam este local de oração como o Jardim do Getsêmani.[125][126]

Jesus está acompanhado por Pedro, João e Tiago Maior, a quem pede que “fiquem aqui e vigiem comigo”. Ele se afasta “um pouco” deles, onde sente uma tristeza profunda e diz: “Meu Pai, se possível, afasta de mim este cálice; contudo, seja feita a tua vontade, e não a minha”.[126] Somente o Evangelho de Lucas menciona os detalhes do suor de sangue de Jesus e da visita do anjo que o consola ao aceitar a vontade do Pai. Ao retornar aos discípulos após a oração, encontra-os dormindo e, em Mateus 26:40, pergunta a Pedro: “Então, vocês não puderam vigiar comigo nem por uma hora?”[126]

Enquanto estavam no jardim, Judas aparece, acompanhado por uma multidão que inclui sacerdotes e anciãos judeus, além de pessoas armadas. Judas dá um beijo em Jesus para identificá-lo à multidão, que então o prende.[126][127] Um dos discípulos de Jesus (identificado como Pedro no Evangelho de João) tenta impedi-los e usa uma espada para cortar a orelha de um dos homens da multidão.[126][127] Lucas afirma que Jesus curou milagrosamente o ferimento, e João e Mateus relatam que Jesus criticou o ato violento, insistindo que seus discípulos não resistissem à sua prisão. Em Mateus 26:52 Jesus faz a conhecida declaração: "todos que vivem pela espada, pela espada morrerão" .[126][127]

Julgamento

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Jesus prestes a ser esbofeteado diante do sumo sacerdote Anás, conforme João 18:22, retratado por Madrazo, 1803.

Na narrativa dos quatro evangelhos, após a traição e prisão de Jesus, ele é levado ao Sinédrio, um órgão judicial judaico.[128] Jesus é julgado pelo Sinédrio, zombado e espancado, e condenado por afirmar ser o Filho de Deus.[127][129][130] Ele é então levado a Pôncio Pilatos, e os anciãos judeus pedem a Pilatos que julgue e condene Jesus, acusando-o de se declarar o Rei dos Judeus.[130] Após o interrogatório, com poucas respostas dadas por Jesus, Pilatos declara publicamente que o considera inocente, mas a multidão insiste na punição. Pilatos então ordena a crucificação de Jesus.[127][129][130][131] Embora os relatos dos Evangelhos variem em relação a vários detalhes, eles concordam no caráter geral e na estrutura geral dos julgamentos de Jesus.[131]

Após o julgamento no Sinédrio, Jesus é levado à corte de Pilatos, no pretório. Somente no Evangelho de Lucas é narrado que, ao descobrir que Jesus, sendo da Galileia, pertencia à jurisdição de Herodes Antipas, Pilatos decide enviá-lo a Herodes. Herodes Antipas (o mesmo que havia ordenado a morte de João Batista) desejava ver Jesus há muito tempo, pois esperava presenciar um de seus milagres.[132] No entanto, Jesus não responde às perguntas de Herodes, nem às veementes acusações dos principais sacerdotes e escribas. Herodes e seus soldados zombam de Jesus, vestem-no com uma túnica suntuosa, como se fosse o Rei dos Judeus, e o enviam de volta a Pilatos. E Herodes e Pilatos tornam-se amigos naquele dia, pois antes eram inimigos.[133] Após interrogar Jesus e não obter respostas, Herodes o considera inofensivo e o devolve a Pilatos.[134]

Após o retorno de Jesus do tribunal de Herodes, Pilatos declara publicamente que considera Jesus inocente das acusações, mas a multidão insiste na pena capital. A regra universal do Império Romano limitava a pena capital estritamente ao tribunal do governador romano[134] e Pilatos decidiu lavar as mãos publicamente, alegando não ter conhecimento da morte de Jesus. Pilatos, portanto, apresenta-se como um advogado defendendo o caso de Jesus, em vez de um juiz em uma audiência oficial, mas ordena a crucificação de Jesus.[135][136][137]

Crucificação e sepultamento

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A Crucificação (1622) de Simon Vouet ; Igreja de Jesus, Gênova

A crucificação de Jesus é descrita nos quatro evangelhos e é atestada por outras fontes daquela época (por exemplo, Josefo e Tácito), sendo considerada um evento histórico.[138][139][140]

Após os julgamentos, Jesus dirigiu-se ao Calvário (o caminho é tradicionalmente chamado de Via Dolorosa) e os três evangelhos sinópticos indicam que ele foi auxiliado por Simão de Cirene, sob ordem dos romanos.[141][142] Em Lucas 23:27–28, Jesus diz às mulheres, em meio à multidão que o seguia, para não chorarem por ele, mas por si mesmas e por seus filhos.[141] Já no Calvário (Gólgota), Jesus recebeu vinho misturado com fel para beber. — geralmente oferecido como forma de analgésico. Os evangelhos de Mateus e Marcos afirmam que ele recusou beber.[141][142]

Os soldados então crucificaram Jesus e lançaram sortes sobre suas roupas. Acima da cabeça de Jesus na cruz estava a inscrição "Rei dos Judeus", e os soldados e os que passavam zombavam dele por causa do título. Jesus foi crucificado entre dois ladrões condenados, um dos quais o repreendeu, enquanto o outro o defendeu.[141][143] Cada evangelho tem seu próprio relato das últimas palavras de Jesus, compreendendo as sete últimas palavras ditas na cruz.[144][145][146] Em João 19:26–27, Jesus confia sua mãe ao discípulo a quem amava e em Lucas 23:34 ele declara: "Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem", geralmente interpretado como seu perdão aos soldados romanos e aos outros envolvidos.[144][147][148][149]

Nos três evangelhos sinópticos, vários eventos sobrenaturais acompanham a crucificação, incluindo o escurecimento do céu, um terremoto e (em Mateus) a ressurreição dos santos.[142] O rasgar do véu do templo, após a morte de Jesus, é mencionado nos evangelhos sinópticos.[142] Os soldados romanos não quebraram as pernas de Jesus, como fizeram com os outros dois homens crucificados (quebrar as pernas acelerava o processo de crucificação), pois Jesus já estava morto; isso cumpriu ainda mais uma profecia, como observado em João 19:36: "Porque estas coisas aconteceram para que se cumprisse a Escritura: Nenhum dos seus ossos será quebrado". Um dos soldados perfurou o lado de Jesus com uma lança e saiu sangue e água.[143] Em Marcos 15:39, impressionado com os eventos, o centurião romano chama Jesus de Filho de Deus.[141][142][150][151]

Após a morte de Jesus na sexta-feira, José de Arimateia pediu permissão a Pilatos para remover o corpo. O corpo foi retirado da cruz, envolto num pano limpo e sepultado num túmulo novo escavado na rocha, com a ajuda de Nicodemos.[141] Em Mateus 27:62–66, os judeus vão a Pilatos no dia seguinte à crucificação e pedem guardas para o túmulo, que também é selado com uma pedra, assim como protegido por guardas, para garantir que o corpo permaneça ali.[141][152][153]

Ressurreição e Ascensão

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Ressurreição de Jesus por Lucas Cranach, 1558

Os evangelhos afirmam que no primeiro dia da semana após a crucificação (normalmente interpretado como um domingo), os seguidores de Jesus o encontram ressuscitado dos mortos, depois de seu túmulo ter sido descoberto vazio.[6][7][154][155] O Novo Testamento não inclui um relato do "momento da ressurreição" e, na Igreja Oriental, os ícones não retratam esse momento, mas mostram as Mirróforas e cenas de salvação.[156][157]

O Jesus ressuscitado aparece então aos seus seguidores nesse dia e em várias outras ocasiões depois, profere sermões e janta com alguns deles, antes de ascender ao Céu. Os evangelhos de Lucas e Marcos incluem breves menções à Ascensão, mas as principais referências a ela encontram-se em outras partes do Novo Testamento.[6][7][155]

Os quatro evangelhos apresentam variações em seus relatos sobre a ressurreição de Jesus e suas aparições, mas há quatro pontos em que todos os evangelhos convergem:[158] a remoção da pedra que fechava o túmulo, a visita das mulheres no “primeiro dia da semana”; o fato de Jesus ressuscitado ter escolhido aparecer primeiro às mulheres e ter dito a elas para informarem os outros discípulos; a proeminência de Maria Madalena nos relatos.[156][159] As variações dizem respeito ao momento exato em que as mulheres visitaram o túmulo, ao número e à identidade das mulheres; ao propósito de sua visita; à aparência dos mensageiros — angelicais ou humanos; à mensagem deles para as mulheres; e à resposta das mulheres.[156]

Em Mateus 28:5, Marcos 16:5, Lucas 24:4 e João 20:12, a ressurreição de Jesus é anunciada e explicada aos seguidores que chegam ao túmulo de manhã cedo por um ou dois seres (homens ou anjos) vestidos com vestes brilhantes que aparecem dentro ou perto do túmulo.[6][7][155] Os relatos dos evangelhos variam quanto a quem chegou primeiro ao túmulo, mas são mulheres que recebem instruções do Jesus ressuscitado para informar os outros discípulos. Todos os quatro relatos incluem Maria Madalena e três incluem Maria, mãe de Tiago. Os relatos de Marcos 16:9 e João 20:15 indicam que Jesus apareceu primeiro a Madalena, e Lucas 24:10 afirma que ela estava entre as mulheres mirróforas que informaram os discípulos sobre a ressurreição.[6][7][155] Em Mateus 28:11–15, para explicar o túmulo vazio, os anciãos judeus subornam os soldados que guardavam o túmulo para espalhar o boato de que os discípulos de Jesus levaram o seu corpo.[7]

Aparições após a ressurreição

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Noli me Tangere de Antonio da Correggio, c.1534

Em João 20:15–17, Jesus aparece a Maria Madalena logo após a sua ressurreição. A princípio, ela não o reconhece e pensa que ele é o jardineiro. Quando ele diz o nome dela, ela o reconhece, mas ele lhe diz: "Não me toque, pois ainda não subi para o Pai".

Mais tarde naquele dia, à noite, Jesus aparece aos discípulos e mostra-lhes as feridas em suas mãos e em seu lado, conforme descrito em João 20:19–21. Tomé não estava presente nessa reunião e, posteriormente, expressou dúvidas sobre a ressurreição de Jesus. Enquanto Tomé expressava suas dúvidas, no conhecido episódio da Dúvida de Tomé, em João 20:24–29, Jesus aparece a ele e o convida a colocar o dedo nos orifícios formados pelas feridas em suas mãos e em seu lado. Tomé, então, professa sua fé em Jesus. Em Mateus 28:16–20, na Grande Comissão, Jesus aparece aos seus seguidores em um monte na Galileia e os chama a batizar todas as nações em nome do "Pai, Filho e Espírito Santo".

Lucas 24:13-32 narra a aparição no caminho de Emaús, na qual um discípulo chamado Cleopas e um companheiro estavam a caminho de Emaús quando encontraram Jesus, que mais tarde jantou com eles. Marcos 16:12-13 tem um relato semelhante que descreve a aparição de Jesus a dois discípulos enquanto caminhavam pelo campo, aproximadamente na mesma época da narrativa do Evangelho.[160] Na pesca milagrosa de 153 peixes, Jesus aparece aos seus discípulos no Mar da Galileia e, posteriormente, encoraja o apóstolo Pedro a servir aos seus seguidores.[6][7][155] Em 1 Coríntios 15:6-7, o apóstolo Paulo menciona uma aparição de Jesus a "mais de quinhentos irmãos e irmãs de uma só vez", juntamente com uma aparição a "Tiago", separada daquelas aos outros apóstolos.

Ascensão

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Ascensão de Cristo por Garofalo (1520)

A Ascensão de Jesus é o ensinamento cristão encontrado no Novo Testamento de que Jesus foi levado ao céu em seu corpo ressuscitado, na presença de onze de seus apóstolos, ocorrendo 40 dias após a ressurreição. Na narrativa bíblica, um anjo diz aos discípulos que observavam que a segunda vinda de Jesus ocorrerá da mesma maneira que sua ascensão.[161]

Os evangelhos canônicos incluem duas breves descrições da Ascensão de Jesus em Lucas 24:50–53 e Marcos 16:19.[162] Um relato mais detalhado da Ascensão corporal de Jesus às nuvens é dado em Atos 1:9–11, onde a narrativa começa com o relato das aparições de Jesus após a sua ressurreição e descreve o evento como tendo ocorrido quarenta dias depois.[163][164]

Atos 1:9-12 especifica o local da Ascensão como o "monte chamado das Oliveiras", perto de Jerusalém. Atos 1:3 afirma que Jesus: "depois de ter padecido, mostrou-se vivo com muitas provas incontestáveis, aparecendo-lhes durante quarenta dias e falando-lhes a respeito do reino de Deus". Após dar uma série de instruções aos apóstolos, Atos 1:9 descreve a Ascensão da seguinte maneira: "E, havendo dito isto, enquanto eles olhavam, foi elevado às alturas, e uma nuvem o encobriu, ocultando-o dos seus olhos". Em seguida, dois homens vestidos de branco aparecem e dizem aos apóstolos que Jesus retornará da mesma maneira como foi elevado, e os apóstolos retornam a Jerusalém.[164]

Em Atos 2:30–33, Efésios 4:8–10 e 1 Timóteo 3:16 (onde Jesus é elevado em glória), a Ascensão é mencionada como um fato aceito, enquanto Hebreus 10:12 descreve Jesus como assentado no céu.[165]

Ver também

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Evangelhos, cronologia e historicidade

Lugares associados

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