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Um

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
 Nota: Para outros significados, veja Um (desambiguação).
1
Nomes dos numerais
Cardinal um
Ordinal primeiro
Notações nos principais sistemas
Numeração indo-arábica 1
Numeração romana I
Numeração egípcia
Z1
Numeração grega Ι
Numeração jónica α´
Numeração chinesa
Numeração hebraica
Numeração arménia Ա
Numeração Āryabhaṭa
Numeração maia
Sistema binário 12
Sistema octal 18
Sistema duodecimal 112
Sistema hexadecimal 116
Propriedades matemáticas
Fatorização N/A
φ(1) = 1 τ(1) = 1 σ(1) = 1
π(1) = 0 μ(1) = 1 M(1) = 1
Lista de números inteiros
0 1 2 3 4 5 6 7 8 9

0 10 20 30 40 50 60 70 80 90

Um (1, também chamado de unidade) é um número e um dígito numérico usado para representar esse número em numerais. Ele representa uma única entidade, a unidade de contagem ou medida. Por exemplo, um segmento de reta de comprimento unitário é um segmento de reta de comprimento 1. 1 é o primeiro e o menor inteiro positivo.[1] Às vezes também é considerado o primeiro da sequência infinita de números naturais, seguido por 2, embora por outras definições 1 seja o segundo número natural, seguindo 0.

A propriedade matemática fundamental de 1 é ser uma identidade multiplicativa,[2] o que significa que qualquer número multiplicado por 1 retorna esse número. A maioria, senão todas as propriedades de 1 podem ser deduzidas disso. Em matemática avançada, uma identidade multiplicativa é frequentemente denotada como 1, mesmo que não seja um número. O número 1 é por convenção não considerado um número primo; embora universal hoje, esse foi um assunto controverso até meados do século XX.

Etimologia

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A raiz protoindo-europeia *oi-no- significa "um, único";[3] compare com o grego oinos (que significa "ás" nos dados),[3] latino unus (um),[3] persa antigo aivam, antigo eslavo eclesiástico -inu e ino-, lituano vienas, irlandês oin e bretão un.[3]

Na língua portuguesa, além de ser um numeral, o um também é um artigo indefinido, tendo como plural uns, feminino uma, e o feminino plural umas.[4]

Matemática

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Um, às vezes referido como unidade,[5][6] é o primeiro número natural diferente de zero. Portanto, é o número inteiro depois de zero. Cada número natural, incluindo o 1, é construído através de uma sucessão, em que se adiciona 1 ao número natural anterior.[7]:8-9

O número 1 é a identidade da multiplicação dos números inteiros, reais e complexos, isto é, dado qualquer número , temos que , e 1 é o único elemento que satisfaz tal condição.[8]:15 Assim, têm-se também o resultado do produto vazio, pois qualquer número multiplicado por um é ele mesmo. Como resultado, 1 é seu próprio fatorial,[9]:111 seu próprio quadrado e raiz quadrada, seu próprio cubo e raiz cúbica e assim por diante.[10]:9-10 Além disso, qualquer número elevado a potência zero é um, e .[9]:111

É também o único número natural que não é composto nem primo com respeito à divisão — como será discutido na seção "Primalidade" —, mas é considerado uma unidade na teoria dos anéis.

Construções

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Na formulação original dos axiomas de Peano, um conjunto de postulados que definiam os números naturais de uma forma precisa e lógica, Giuseppe Peano considerou o número 1 como o ponto inicial da sequência dos números naturais. Mais tarde, Peano revisou seus axiomas e passou a considerar o zero como ponto inicial.[11]:389[12] Na atribuição cardinal de Von Neumann, em que cada número é definido como o conjunto de todos os números antes dele, o número um era representado pelo conjunto unitário , conjunto que contém apenas o elemento zero.[13]:32

O sistema de numeração unário, como é utilizado em marcações de contagem, é um sistema numérico de base 1, uma vez que apenas uma marca é necessária para o sistema funcionar. Apesar de se constituir como a forma mais simples de representar os números naturais, a base-1 é raramente utilizada devido à sua dificuldade de leitura.[14]:14[15]:33

Primalidade

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Leonhard Euler não considerava o 1 como primo, mesmo que, até o século XIX, muitos matemáticos o consideravam como primo

A maioria dos primeiros gregos nem mesmo considerava 1 como um número,[16][17] então não podiam considerar sua primalidade. Alguns matemáticos dessa época também consideravam os números primos uma subdivisão dos números ímpares, portanto também não consideravam 2 como primo. No entanto, Euclides e a maioria dos outros matemáticos gregos consideraram 2 como primo. Os matemáticos islâmicos medievais seguiram amplamente os gregos ao ver 1 como não sendo um número.[16] Na Idade Média e na Renascença, os matemáticos começaram a tratar 1 como um número e alguns deles o incluíram como o primeiro número primo.[18] Em meados do século XVIII, Christian Goldbach listou 1 como primo em sua correspondência com Leonhard Euler; entretanto, o próprio Euler não considerou o 1 primo.[19] No século XIX, muitos matemáticos ainda consideravam 1 como primo,[20] e listas de primos que incluíam 1 continuaram a ser publicadas até 1956.[21][22]

Se a definição de um número primo fosse alterada para chamar 1 de primo, muitas afirmações envolvendo números primos precisariam ser reformuladas de uma maneira mais estranha. Por exemplo, o teorema fundamental da aritmética precisaria ser reformulado em termos de fatorações em números primos maiores que 1, porque cada número teria múltiplas fatorações com diferentes números de cópias de 1.[23] Da mesma forma, o crivo de Eratóstenes não funcionaria corretamente se tratasse 1 como primo, porque eliminaria todos os múltiplos de 1 (ou seja, todos os outros números) e produziria apenas um único número 1.[24] Algumas outras propriedades mais técnicas dos números primos também não valem para o número 1: por exemplo, as fórmulas para a função totiente de Euler ou para a soma da função divisor são diferentes para os números primos do que para 1.[25]

No início do século XX, os matemáticos começaram a concordar que 1 não deveria ser listado como primo, mas sim em sua própria categoria especial como uma "unidade".[23] Atualmente, a convenção é de que 1 não é considerado um número primo nem como um número composto.[7]:8-9

Em outros campos

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Os zeros e uns foram os responsáveis pela revolução da informatização.[26] Na tecnologia digital, dados são representados em código binário, isto é, em um sistema numeral de base 2 representado por uma sequência de zeros e uns. Os dados digitais são representados em dispositivos físicos, como computadores, sob a forma de pulsos elétricos que passam por dispositivos de comutação — como transistores —, nos quais o "1" representa o valor de "ligado". De maneira similar, o valor numérico de "verdadeiro" nas variáveis booleanas é 1 em diversas linguagens de programação.[27]:9[28]:34

No campo da ciência da computação, sobretudo no cálculo lambda e na teoria da computabilidade, os números naturais são representados através de uma codificação de Church como funções, em que o numeral Church para 1 é representado pela função aplicado em um uma vez, isto é, .[29]:48

Na física, diversas constantes são construídas como 1 em unidades naturais de maneira a simplificar a forma de equações, como é o exemplo da velocidade da luz nas unidades de Planck.[30]:99 De maneira similar, as magnitudes adimensionais são compreendidas como "quantidades de dimensão um".[31]:538–539 Na mecânica quântica, a condição normalizadora para funções de onda pede que o módulo da integral do quadrado dessas funções seja 1.[32]:14

Em química, o hidrogênio é o elemento mais abundante no universo conhecido e o primeiro elemento da tabela periódica, com o número atômico 1. Além disso, o grupo 1 da tabela periódica consiste no hidrogênio e nos metais alcalinos.[33]

Na filosofia, o número 1 é comumente apresentado como símbolo da unidade, frequentemente representando Deus ou o universo em religiões monoteístas.[34] Os pitagóricos consideravam os números apenas como plurais e não classificavam o 1 como número, mas sim como a origem de todos os números. O filósofo neopitagórico Nicômaco de Gérasa concorda com essa perspectiva no tratado Introdução à Geometria, que foi traduzido do grego para o latim por Boécio.[35] Seguindo na visão da filosofia de números dos pitagóricos, em que números ímpares eram considerados masculinos e pares como femininos, o 1 era considerado como neutro e capaz de transforma números pares em ímpares e vice-versa através da adição.[34] Para Plotino, "O Um" seria a realidade última e fonte de toda a existência,[36] enquanto para Fílon de Alexandria, o número um seria o número de Deus.[37]

Na numerologia, o 1 pode representar o ponto de partida e disposição para liderar.[38] Na mitologia chinesa de números, é compreendido como o início do conhecimento e da concepção. Figurativamente, representa o pai na concepção familiar.[39]:23

Simbologia e representação

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História

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Entre diversos registros de sistemas numéricos antigos, tabuletas de argilas apresentando o sistema numérico sexagesimal sumérico são datados da primeira metade do terceiro milénio a.C..[40]:17 Os numerais arcaicos suméricos de 1 a 60 eram símbolos horizontais semi-circulares. Por volta de 2350 a.C., essa escrita foi sendo substituída pela cuneiforme, com os números 1 e 60 representados pelo mesmo símbolo vertical.[41]:241

A escrita cuneiforme sumérica foi difundida nos sistemas da língua eblaíta e acádia.[41]:244 A escrita cuneiforme da Babilônia, como registrados em documentos entre 1500 e 300 a.C., utilizava a mesma notação para 1 e 60 que o sistema sumérico.[40]:17[41]:249

O glifo mais utilizado no mundo ocidental para o número 1 provém do sistema numérico árabe: uma linha vertical com uma serifa no topo e, às vezes, uma curta linha horizontal na base. A raiz dessa notação pode ser evidenciada na numeração brami da Índia antiga, representado por Açoca como uma simples linha vertical nos Éditos de Açoca, que data de 250 a.C.[42] As formas de representações do numeral nessas inscrições foram transmitidas à Europa através das regiões de Magrebe e de Alandalus durante a Idade Média.[43]:147

Os números árabes, bem como outros grifos para representar o número um, como o numeral romano (I) e o chinês (), são denominados logogramas. Esses símbolos são representações diretas do conceito de "um", sem apresentar componentes fonéticos.[44]:289

A máquina de escrever Woodstock da década de 1940 não apresenta uma tecla específica para o dígito 1

Representação moderna

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Nas tipografias atuais, o formato do dígito 1 é tipicamente uma linha vertical com um "ascendente", de tal forma que o dígito tenha a mesma altura e comprimento que as letras em caixa alta. Contudo, também há tipografias que utilizam de um estilo com "cifras elzevirianas", que acompanham o espaçamento das letras em caixa baixa, com em Horizontal guidelines with a one fitting within lines, a four extending below guideline, and an eight poking above guideline.[45]:93 Nesses tipos de tipografia, o número 1 costuma apresentar serifas paralelas no topo e na base, lembrando um versalete do numeral romano I.[46]:146[47]:82 Diversas máquinas de escrever antigas não apresentavam uma tecla específica para o numeral 1, então as tecla em caixa baixa de "L" ou em caixa alta de "I" foram utilizadas como substitutas.[48][49]:203[50]:52[51]:453

Relógio em Veneza utilizando "J" como símbolo para 1

Além dessas variações, a letra minúscula "j" pode ser considerada como uma variante "swash" — variante tipográfica que apresenta serifa, curvas e traços exagerados — do numeral romano em caixa baixa "i". Através da história, é possível encontrar exemplos do uso de "j" e "J" como símbolos para representar o numeral árabe 1.[52]:70[53]:341[54]:3[55]:285

Em alemão, a serifa no topo pode ser estendida de tal forma que seu comprimento seja igual a sua altura. Essa variação pode ser confundida com o grifo do número sete. Para evitar a ambiguidade, o dígito 7 pode ser escrito com uma linha horizontal no meio da linha vertical.[56]:181

Ver também

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Referências

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Ligações externas

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