Terrorismo nuclear
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Terrorismo nuclear indica a utilização ou a ameaça de utilização de material radioativo, armas radiológicas ou mesmo armas nucleares, em atos de terrorismo, incluindo ataques a locais onde estejam presentes esses materiais.[1] Algumas definições de terrorismo nuclear incluem a sabotagem de uma instalação nuclear e/ou a detonação de um dispositivo radiológico, coloquialmente chamado de "bomba suja", mas ainda não há consenso. Em termos legais, o terrorismo nuclear é uma crime cometido quando um grupo ou pessoa sem permissão intencionalmente "usa de qualquer tipo de material radioativo ... com a intenção de causar a morte ou ferimentos graves; ou com a intenção de causar danos substanciais à propriedade ou ao meio ambiente; ou com a intenção de obrigar uma pessoa singular ou uma coletividade, uma organização internacional ou um Estado a fazer ou deixar de fazer um ato", de acordo com a Convenção Internacional para a Supressão de Atos de Terrorismo Nuclear, feita em 2005 pelas Nações Unidas.[2]
A possibilidade de que organizações terroristas usem armas nucleares (especialmente as muito pequenas) tem sido uma ameaça retórica e cultura norte-americana. É considerado plausível que terroristas possam adquirir uma arma nuclear.[3]
Em 2011, a agência de notícias britânica, a Telegraph, recebeu documentos vazados pelo WikiLeaks sobre os interrogatórios feitos na Base Naval da Baía de Guantánamo em Khalid Sheikh Mohammed. Os documentos possuem citações de Khalid que diziam que, se Osama bin Laden for capturado ou morto pela Coalizão da Boa-Vontade, uma célula adormecida da al-Qaeda iria detonar uma "arma de destruição em massa" em um "local secreto" na Europa, e prometeu que seria ser "uma catástrofe nuclear".[4][5] [6][7]
No entanto, apesar de alguns relatos de roubos e tráfico de pequenas quantidades de material físsil (todos de baixa preocupação, inferior a categoria III de material nuclear especial), mas não há provas credíveis de que qualquer grupo terrorista jamais tenha conseguido obter a massa crítica necessária de plutônio de material físsil de categoria I necessária para produzir uma arma nuclear.[8][9]
Durante as escaramuças armênio-azerbaijana de 2020, o Azerbaijão ameaçou lançar ataques com mísseis à usina Central nuclear de Armenia[10][11][12].
Aquisição
[editar | editar código]Em 2018, José Furtado realizou uma avaliação de risco sobre a intenção e a capacidade de um grupo terrorista adquirir uma arma nuclear e utilizá-la contra uma cidade americana ou europeia e, mais em concreto, contra Lisboa. Concluiu que o uso de armas nucleares é uma consequência natural da escalada ilimitada que ocorre sempre que se trava uma luta existencial entre o bem absoluto (nós) e o mal absoluto (eles), uma mentalidade típica dos grupos terroristas religiosos/apocalípticos. Esta escalada ilimitada já foi prevista e planeada por três grupos terroristas religiosos/apocalípticos nos últimos anos: Aum Shinrikyo, Al-Qaeda e o “Estado” Islâmico. Relativamente à capacidade de um grupo terrorista construir uma arma nuclear, concluiu que o cenário de fornecimento de combustível nuclear (235U ou 239Pu) por uma nação nuclear é possível sob certas condições de segurança e estratégicas, enquanto o roubo de uma arma nuclear completa é também possível em países como o Paquistão, com um elevado grau de extremismo fundamentalista enraizado em toda a sociedade e, por isso, capaz de infiltrar e subverter qualquer sistema de segurança, em todos os níveis. [13]
Impacto físico e humano
[editar | editar código]O impacto da detonação de uma arma nuclear numa cidade seria catastrófico, provocando a morte e ferimentos de milhares de pessoas e a destruição das infra-estruturas urbanas. Num artigo publicado em 2021, José Furtado examinou mais detalhadamente qual seria o impacto físico e humano de um ataque terrorista nuclear contra a cidade de Lisboa.[14] A abordagem passou pela análise dos resultados quantitativos obtidos com o programa NUKEMAP, simulando a realidade física de uma detonação nuclear, aplicada à zona de Lisboa.[15] Associando estes resultados quantitativos à análise de outras informações relativas ao bombardeamento estratégico de cidades alemãs durante a Segunda Guerra Mundial, aos ataques nucleares a Hiroshima e Nagasaki, aos testes nucleares realizados durante a Guerra Fria e a outras pesquisas relacionadas, foi possível concluir que este impacto implicaria a destruição completa do núcleo humano e económico da cidade. As infra-estruturas da cidade seriam completamente destruídas: abastecimento de água, sistema de esgotos, rede eléctrica, fornecimento de gás, telecomunicações, transportes públicos, hospitais e estruturas de saúde pública, cadeia de abastecimento alimentar e instalações comerciais e industriais, entre outros, para além de milhares de edifícios numa área de 50 km², causando a morte a mais de 96.000 pessoas e ferindo mais de 168.000. Das 168.000 pessoas feridas, a maioria apresentaria múltiplas lesões graves, como queimaduras, fracturas e exposição aguda à radiação, reduzindo as hipóteses de sobrevivência, mesmo com cuidados médicos de alto nível. No entanto, o grande número de feridos simultâneos não permitiria a prestação de cuidados médicos adequados, uma vez que a capacidade médica do país seria ultrapassada. No cenário apresentado para este estudo, a contaminação pela precipitação radioactiva estender-se-ia para além dos limites da cidade, contaminando uma vasta área da Península de Setúbal.
Ver também
[editar | editar código]Referências
- ↑ «Nuclear Security Dossier: Nuclear Terrorism Fact Sheet» (PDF). Harvard Kennedy School, Belfer Center for Science and International Affairs. Consultado em 28 de janeiro de 2013. Cópia arquivada (PDF) em 3 de março de 2016
- ↑ «International Convention for the Suppression of Acts of Nuclear Terrorism - Article 1» (PDF). Nações Unidas. 2005. Consultado em 13 de abril de 2012. Cópia arquivada (PDF) em 6 de julho de 2026
- ↑ Nuclear Terrorism: Frequently Asked Questions, Belfer Center for Science and International Affairs, 26 de setembro de 2007
- ↑ Hope, Christopher (25 de abril de 2011). «WikiLeaks: Guantanamo Bay terrorist secrets revealed». London: Telegraph.co.uk. Consultado em 27 de abril de 2011. Cópia arquivada em 7 de fevereiro de 2026
- ↑ Gould, Martin. «WikiLeaks: Al-Qaida Already Has Nuclear Capacity». NewsMax. Consultado em 27 de abril de 2011. Cópia arquivada em 11 de fevereiro de 2026
- ↑ «'Nuclear hellstorm' if bin Laden caught - 9/11 mastermind». News.com.au. 25 de abril de 2011. Consultado em 27 de abril de 2011
- ↑ «'Nuclear hellstorm' if bin Laden caught: 9/11 mastermind». News.Yahoo.com. 25 de abril de 2011. Consultado em 27 de abril de 2011. Cópia arquivada em 1 de maio de 2011
- ↑ Matthew Bunn. Preventing a Nuclear 9/11 Arquivado em 1 de março de 2014, no Wayback Machine. Issues in Science and Technology, Winter 2005, p. v.
- ↑ Ajay Singh. Nuclear terrorism — Is it real or the stuff of 9/11 nightmares? Arquivado em 21 de fevereiro de 2014, no Wayback Machine. UCLA Today, 11 de fevereiro de 2009.
- ↑ Azerbaijani MoD: Our army’s missile systems allows to hit Metsamor nuclear power plant with high accuracy
- ↑ Azerbaijani Defence Ministry: Azerbaijan able to deliver a precise strike on Metsamor Nuclear Power Plant
- ↑ "Modern missile systems of Azerbaijan enable us to blast Metsamor NPP"
- ↑ Furtado, José Augusto de Salles Pimentel (13 de julho de 2018). «Portugal e a ameaça do terrorismo nuclear, pensar o impensável»
- ↑ Furtado, José Pimentel (7 de julho de 2021). «Impacte de um ataque terrorista com uma arma nuclear contra Lisboa». Territorium (28(II)): 115–133. ISSN 1647-7723. doi:10.14195/1647-7723_28-2_9. Cópia arquivada em 8 de agosto de 2026
- ↑ «NUKEMAP by Alex Wellerstein». NUKEMAP by Alex Wellerstein. Consultado em 9 de agosto de 2026. Cópia arquivada em 9 de agosto de 2026
Ligações externas
[editar | editar código]- Nuclear Terrorism publications from Harvard Kennedy School faculty and fellows
- What if the terrorists go nuclear?, Center for Defense Information
- Preventing Catastrophic Nuclear Terrorism, Council on Foreign Relations