Suricata suricatta
| Suricata suricatta | |
|---|---|
| Classificação científica | |
| Reino: | Animalia |
| Filo: | Chordata |
| Classe: | Mammalia |
| Infraclasse: | Placentalia |
| Ordem: | Carnivora |
| Família: | Herpestidae |
| Gênero: | Suricata |
| Espécies: | S. suricatta |
| Nome binomial | |
| Suricata suricatta (Schreber, 1776) | |
| Subespécies | |
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Lista
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| Sinónimos[3][4] | |
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Lista
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O suricato[5][6] (Suricata suricatta), também conhecido como suricata[7] ou suricate[8], é uma espécie de mamífero da família Herpestidae. É a única espécie descrita para o gênero Suricata. Pode ser encontrada na África do Sul, Botsuana, Namíbia e Angola.[2] Estes animais têm cerca de meio metro de comprimento (incluindo a cauda), em média 730 gramas de peso, e pelagem acastanhada. Os suricatas alimentam-se de pequenos artrópodes, principalmente escaravelhos e aranhas. Têm garras afiadas nas patas, que lhes permitem escavar a superfície do chão e tem dentes afiados para penetrar nas carapaças quitinosas das suas presas. Outra característica distinta é a sua capacidade de se elevarem nas patas traseiras, utilizando a cauda como terceiro apoio.
Distribuição e Habitat
[editar | editar código]Os suricatos (Suricata suricatta) são animais que vivem exclusivamente no continente africano em estado selvagem, com distribuição geográfica condizente com as suas necessidades de sobrevivência e proteção. Sua ocorrência natural é restrita no sul do continente africano.
- Deserto do Kalahari: Local de ocorrência principal da espécie. Apesar de ser nomeado "deserto" o local apresenta locais semi áridos que oferece um rico solo firme, onde os suricatos vivem e criam suas tocas.[9]
- Deserto do Namibe: Local extremamente quente e seco, onde os suricatos vivem ás margens dos matagais, local que oferece proteção contra predadores e o clima extremo.
Diferente de muitos mamíferos pequenos que buscam matos densos para se abrigarem, os suricatos dependem de savanas abertas, planícies de capim e matagais secos. Como são animais diurnos e presas por aves de rapina, eles precisam de um campo de visão aberta e bem ampla, facilitando na identificação de possíveis perigos, a exemplo dos chacais.[10]
Etimologia
[editar | editar código]O nome suricata vem do francês "suricate", cuja etimologia é desconhecida, assume-se que venha de uma língua da África meridional.
Descrição
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Possuem listras paralelas em suas costas, que se estendem desde a base da cauda até os ombros. Os padrões de listras são únicos para cada suricata.
Ecologia
[editar | editar código]Os suricatas são exclusivamente diurnos e vivem em colónias de até 40 indivíduos, que constroem um complicado sistema de túneis no subsolo, onde permanecem durante a noite. Têm uma longevidade entre 5 a 12 anos, atingindo até aos 15 em cativeiro. Dentro do grupo, os animais revezam-se nas tarefas de vigia e proteção das crias da comunidade. O sistema social dos suricata é complexo e inclui uma linguagem própria que parece indicar, por exemplo, o tipo de um predador que se aproxima. Atingem a maturidade sexual com um ano de idade, podendo ter de três a cinco filhotes por ninhada. Podem ter até quatro ninhadas por ano. Se reproduzem em qualquer época do ano, mas a maioria dos nascimentos ocorrem nas estações mais quentes. Estudos mostram que os suricatas são capazes de ensinar ativamente suas crias a caçarem, um método semelhante à capacidade humana de ensinar. As suricata desenvolveram um modo específico de enfrentar cada predador, no caso de aves de rapina, escondem-se dentro das galerias, no caso de chacal ou hiena, irão tentar afugentá-lo com sombras e barulhos, no caso de cobra irão lutar com ela e até mesmo comê-la.
Dieta
[editar | editar código]A suricata (Suricata suricatta) possui dieta carnívora com forte tendência insetívora, sendo classificada como predador oportunista e generalista. Alimenta-se principalmente de artrópodes, como coleópteros (escaravelhos) e suas larvas, lepidópteros (borboletas e mariposas) e himenópteros (formigas, abelhas e vespas). Complementa a dieta com aracnídeos (escorpiões, aranhas e solífugos), miriápodes, répteis (lagartixas, lagartos e cobras pequenas), anfíbios, pequenas aves e mamíferos[11]. As suricatas são imunes ao veneno de escorpiões, o que lhes permite caçá-los com frequência. Embora predominantemente carnívoras, também consomem matéria vegetal ocasionalmente, como frutos (incluindo melões-citron), tubérculos, raízes (para obtenção de água) e até mesmo trufas do deserto (Kalaharituber pfeilii)[12] quando disponíveis.
A composição da dieta sofre variações sazonais: o consumo de coleópteros adultos é positivamente correlacionado com a precipitação e negativamente com a temperatura, enquanto larvas de insetos apresentam picos em março e maio, e os répteis são mais consumidos em fevereiro, março e julho. A taxa de ingestão de alimentos é significativamente menor no inverno, e fêmeas grávidas ou lactantes forrageiam em taxas mais elevadas que os machos durante o período reprodutivo[11].
O forrageamento ocorre em bandos coesos, com os indivíduos mantendo-se geralmente a menos de 5 metros de distância, e ocupa de cinco a oito horas diárias. Utilizam o olfato para localizar as presas, cavando o solo ou revirando pedras, e raramente perseguem ativamente as presas, embora possam correr atrás de lagartixas por alguns metros. Durante a atividade, alguns membros atuam como sentinelas, e um mesmo local só é revisitado após cerca de uma semana para garantir a renovação do alimento. As crias com mais de dois meses são ensinadas a caçar por fêmeas adultas em "escolas" de caça, aprendendo a manusear presas perigosas em poucas semanas. A atividade é ajustada termorregulatoriamente, com pausas (sesta) durante o calor extremo do verão e redução do período ativo no inverno; a competição direta por alimento entre os membros do grupo é rara, devido à alta renovação das presas insetívoras[11].
Adaptações a regiões quentes
[editar | editar código]Os suricatos habitam regiões caracterizadas por condições climáticas severas, apresentando adaptações físicas e comportamentais para essas adversidades. Para suportar as baixas temperaturas noturnas típicas dos desertos, esses animais possuem uma área do ventre com pelagem escassa e pele escura.[13]. Ao amanhecer, é comum observá-los posicionados de pé, apoiados nas patas traseiras, expondo o ventre ao sol para absorver calor rapidamente e auxiliar na termorregulação. Para lidar com a intensa luminosidade do dia, apresentam uma coloração escura ao redor dos olhos, característica que reduz o ofuscamento solar e melhora a acuidade visual na detecção de predadores aéreos. Além disso, devido à constante escassez hídrica de seu habitat semiárido, a espécie obtém praticamente toda a água necessária para sua sobrevivência através da dieta. A hidratação ocorre pela ingestão da umidade presente em suas presas, como insetos e escorpiões, e em raízes, o que elimina a necessidade de ingerir água na forma líquida.[14]
Ecologia comportamental e dinâmica social
[editar | editar código]Suricatos (Suricata suricatta) apresentam um sistema social altamente cooperativo. Os grupos familiares, conhecidos como clãs, normalmente são compostos por 3 a 30 indivíduos. A reprodução concentra-se em um casal dominante, enquanto os demais membros do grupo atuam como auxiliares, realizando atividades como alimentação dos filhotes, vigilância, defesa do território, manutenção das tocas e cuidado da prole durante o forrageamento dos adultos.[15] Essa divisão de tarefas reduz os custos individuais da reprodução e permite que diferentes funções sejam realizadas simultaneamente. A presença de indivíduos auxiliares aumenta a sobrevivência dos filhotes e o sucesso reprodutivo do casal dominante, tornando a cooperação uma estratégia fundamental para a manutenção dos grupos familiares.[16]
Nos grupos de suricatos, os indivíduos permanecem unidos durante praticamente todas as atividades diárias, compartilhando cuidados parentais e cooperando na defesa do grupo e dos recursos utilizados pela colônia. [17] A cooperação entre indivíduos aparentados aumenta a eficiência da utilização dos recursos disponíveis e representa uma importante adaptação aos ambientes áridos do sul da África.
Sistema de vigilância
Durante o período de forrageamento, a segurança do grupo depende de uma divisão bem definida das funções desempenhadas por cada indivíduo. Enquanto a maior parte do grupo procura alimento, um indivíduo permanece em posição elevada atuando como sentinela, monitorando continuamente a aproximação de predadores terrestres e aéreos. Essa função é alternada entre diferentes membros ao longo do dia, permitindo que os custos da vigilância sejam compartilhados.[18] Essa estratégia permite que os demais indivíduos continuem na busca por alimento durante mais tempo, sem aumentar o risco de predação.
Os sentinelas produzem vocalizações específicas durante a vigilância. Chamados de monitoramento indicam que o ambiente permanece seguro, enquanto chamados de alarme variam conforme o tipo de predador e o grau de urgência da ameaça, permitindo respostas comportamentais diferentes para cada situação.[19]
Além desses chamados de alarme, os suricatos ajustam a comunicação vocal de acordo com o contexto, complementando assim a vigilância visual e aumentando a capacidade do grupo de responder às ameaças.
Sistema de tocas
[editar | editar código]Os suricatas são usuários obrigatórios de tocas secundárias[20] e, no Deserto do Kalahari, utilizam tocas escavadas por oricteropos (Orycteropus afer), porcos-espinhos-do-cabo (Hystrix africaeaustralis), lebres-saltadoras (Pedetes capensis) e esquilos-terrestres-do-cabo (Geosciurus inauris), que podem ser reformadas em vez de serem escavadas por eles mesmos. São diurnos, adaptados ao deserto, que vivem em grupos com estrutura familiar, nos quais a reprodução é direcionada para um casal reprodutor dominante. Todas as noites, os grupos se recolhem a uma das muitas tocas de dormir dentro de seu território, geralmente utilizando a mesma toca por até uma semana antes de trocar. As tocas também servem como abrigos durante as primeiras 3 a 4 semanas de desenvolvimento dos filhotes, quando os cuidadores dedicados permanecem no subsolo com os filhotes enquanto o resto do grupo busca alimento. Durante o dia, os grupos se movem de forma coesa por toda a sua área de vida e se alimentam principalmente de invertebrados que vivem na superfície e em águas rasas, ocasionalmente utilizando buracos e tocas como refúgio em resposta a predadores. Exceto em circunstâncias excepcionais, os suricatas obtêm toda a água de que precisam de seus alimentos, portanto, diferentemente de muitos mamíferos do Kalahari, seu uso do espaço não é limitado pela água superficial.
As suricatas não podem cavar novas tocas para dormir e se reproduzir e devem usar aquelas abandonadas por outras espécies, o que pode gerar compensações no uso diário do espaço se os refúgios noturnos estiverem longe das áreas de forrageamento ideais. O uso do espaço é fortemente ancorado pela localização da toca, com tocas em lagoas calcárias e leitos de rios secos ("areia branca") sendo preferidas durante todo o ano e apresentando menores taxas de troca de toca. Contudo, as áreas de areia branca não eram as preferidas para forrageamento e resultavam em menor ganho de peso, particularmente durante a estação seca. Consequentemente, os suricatas enfrentavam um dilema entre a localização ideal de suas tocas e áreas produtivas de forrageamento, como indicado por deslocamentos mais rápidos, longos e energeticamente mais dispendiosos ao atravessarem ou acordarem em areias brancas[20].
Termorregulação
[editar | editar código]A temperatura máxima diária do ar ( Tmax ) nas zonas áridas do sul da África aumentou nas últimas três décadas e prevê-se que continue a aumentar, estando associada a uma maior ocorrência de secas e à redução da disponibilidade de alimentos para muitas espécies. A necessidade de compensar a perda de água por evaporação em aves e mamíferos aumenta com o aumento das temperaturas ambientais, exigindo uma maior ingestão de água. Além disso, temperaturas do ar mais elevadas estão associadas a uma seleção mais frequente de microambientes mais frios, reduzindo o tempo de forrageamento. Em dias quentes, que estão se tornando cada vez mais frequentes, os suricatas que estão forrageando ativamente podem experimentar aumentos rápidos na temperatura corporal e perda de água por evaporação devido ao seu pequeno tamanho e à alta relação superfície/volume, e os indivíduos raramente continuam a forragear durante os períodos do meio-dia, quando as temperaturas do ar são mais altas, o que os leva a buscar refúgio dentro dos túneis para evitar perdas de água e/ou efeitos adversos das temperaturas mais altas[21].
Referências
- ↑ «PBDB: Suricata». Consultado em 17 de março de 2024. Cópia arquivada em 30 de janeiro de 2024
- 1 2 Jordan, N.R.; Do Linh San, E. (2015). «Suricata suricatta». Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas. 2015: e.T41624A45209377. doi:10.2305/IUCN.UK.2015-4.RLTS.T41624A45209377.en
. Consultado em 19 de novembro de 2021 - ↑ Van Staaden, M. J. (1994). «Suricata suricatta» (PDF). Mammalian Species (483): 1–8. JSTOR 3504085. doi:10.2307/3504085. Arquivado do original (PDF) em 15 de março de 2016
- ↑ Wozencraft, W.C. (2005). Wilson, D.E.; Reeder, D.M. (eds.), ed. Mammal Species of the World 3 ed. Baltimore: Johns Hopkins University Press. p. 571. ISBN 978-0-8018-8221-0. OCLC 62265494
- ↑ Ciberdúvidas/ISCTE-IUL. «Suricato». Ciberdúvidas da Língua Portuguesa. Consultado em 3 de novembro de 2025
- ↑ S.A, Priberam Informática. «suricato». Dicionário Priberam da Língua Portuguesa. Consultado em 3 de novembro de 2025. Cópia arquivada em 17 de janeiro de 2026
- ↑ S.A, Priberam Informática. «suricata». Dicionário Priberam da Língua Portuguesa. Consultado em 3 de novembro de 2025. Cópia arquivada em 14 de dezembro de 2025
- ↑ S.A, Priberam Informática. «suricate». Dicionário Priberam da Língua Portuguesa. Consultado em 3 de novembro de 2025
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