Rafik Hariri
Rafik Baha'eddin Al-Hariri | |
|---|---|
Rafik Baha'eddin Al-Hariri | |
| Primeiro-ministro do Líbano | |
| Período | 31 de outubro de 1992 – 4 de dezembro de 1998 |
| Antecessor(a) | Rashid El-Solh |
| Sucessor(a) | Selim al-Hoss |
| Período | 26 de outubro de 2000 – 26 de outubro de 2004 |
| Antecessor(a) | Selim al-Hoss |
| Sucessor(a) | Omar Karami |
| Dados pessoais | |
| Nascimento | 1 de novembro de 1944 Sídon, Líbano |
| Morte | 14 de fevereiro de 2005 (60 anos) Beirute, Líbano |
| Cônjuge | Nidal Bustani (1965-década de 1970) Nazik Audi (1976-2005) |
| Filhos(as) | Bahaa, Saad, Houssam, Ayman, Fahd, Hind |
| Partido | Tayaar Al-Mustaqbal |
| Religião | Islão Sunita |
Rafik Hariri ou Rafiq Al Hariri (em árabe, رفيق الحريري ) ou, ainda, Rafiq Baha' ad-Din Hariri, também transliterado como Rafik Bahaa Edine Hariri (em árabe رفيق بهاء الدين الحريري) (Sídon, 1º de novembro de 1944 - Beirute, 14 de fevereiro de 2005) foi um homem de negócios, magnata, filantropo e político libanês, duas vezes Primeiro-Ministro do seu país (de 1992 a 1998 e de 2000 a 2004).
Foi assassinado no dia 14 de fevereiro de 2005, em Beirute, vítima da explosão de um carro armadilhado. O crime foi atribuído ao governo sírio, mais concretamente a Ghazi Kanaan, antigo chefe dos serviços secretos sírios no Líbano durante o tempo de ocupação do país, fato desmentido pelo acusado e por seu governo. Não obstante, Kanaan suicidou-se poucos dias antes de se tornar público o relatório das Nações Unidas sobre o crime. Em 20 de outubro de 2005, as conclusões apresentadas por Detlev Mehlis no Conselho de Segurança das Nações Unidas implicaram as autoridades sírias no atentado, sem contudo especificar o autor.
Biografia
[editar | editar código]Empresário
[editar | editar código]Educado no seio de uma modesta família sunita de Sídon, estudou Administração de Empresas na Universidade Árabe, em Beirute, 1964. Deixou o seu país em 1965 para trabalhar como professor na Arábia Saudita. Em seguida, ingressou numa empresa de construção. Em 1969, criou a sua própria empresa, Ciconest,[1] aproveitando os benefícios gerados pela alta do preço do petróleo nos anos 1970 para conseguir uma fortuna.
Em 1977 obteve do rei Khalid da Arabia Saudita o contrato para construir o palácio de Taif, perto de Meca, o qual ele construiu em menos de seis meses - o que lhe valeu a confiança do então príncipe herdeiro, o futuro rei Fahd. Hariri torna-se então muito próspero.[carece de fontes]
Em 1978, obteve a cidadania saudita graças ao reconhecimento da família real.[1]
Em 1979 consegue múltiplos contratos para a construção de hotéis, edifícios de escritórios e empresas, o que lhe permitiu afinal adquirir a Oger, empresa francesa de engenharia, e posteriormente fundar a Oger Internacional, baseada em Paris,[1] e que reconstruiria grande parte de Beirute após o fim da guerra civil libanesa, nos anos 1990. Nas décadas seguintes, Haririr ampliaria seus negócios em nível internacional, diversificando suas atividades em empresas petrolíferas, banca, indústrias e telecomunicações.[carece de fontes]
Ainda em plena Guerra Civil Libanesa (1975 - 1990), ele volta a Sídon e funda o Instituto Islâmico para a Cultura e a Educação Superior, financiado por ele próprio e pela família real saudita. Em 1984, o instituto transforma-se na Fundação Hariri. Com diversas sedes no Líbano e no resto do mundo, a Fundação criou um programa de bolsas de estudos universitárias que permitiu a milhares de estudantes libaneses estudar nas mais prestigiadas universidades de todo o mundo. Em 1982, tinha adquirido boa parte da zona ocidental de Beirute, totalmente em ruínas, visando empreender a reconstrução da cidade.[carece de fontes]
Político
[editar | editar código]A sua atividade política manifestou-se em 1983 na mediação para favorecer os acordos entre as partes em conflito e permitir a libertação de prisioneiros. Em 1984 financiou as reuniões que se mantinham em Genebra e Lausana para por fim à guerra aproveitando os acordos de Amine Gemayel com Israel e a Síria, mas fracassa. Em 1989, voltou a financiar uma reunião da Assembleia libanesa em Taif, que aprovou a Carta Libanesa de Reconciliação Nacional, um acordo geral que visava pôr fim ao conflito com sírios e o auto-proclamado presidente Michel Aoun. No entanto, em novembro, o novo presidente, René Moawad seria assassinado e o processo viria a fracassar, elegendo-se o pró-sírio Elias Hrawi.[carece de fontes]
Em 1992 é nomeado presidente do governo do Líbano, gozando de grande popularidade devido aos seus contributos económicos durante a Guerra Civil Libanesa. Até 1998 realizou um ambicioso plano de reconstrução do país apoiado pelo Banco Mundial.[carece de fontes]
Assassinato
[editar | editar código]Em 14 de fevereiro de 2005, Hariri foi morto em Beirute, num grande atentado que provocou a morte de 22 pessoas, quando explosivos equivalentes a 1000 kg de TNT foram detonados perto do St. George Hotel. Entre as vítimas estavam vários guarda-costas de Hariri e o antigo ministro da Economia, Bassel Fleihan. Rafik Hariri foi sepultado com os seus guarda-costas perto da mesquita de Mohammad Al-Amin.
O último relatório da investigação sugere que o crime tenha sido cometido por um bombista suicida.[2]
Investigação do assassinato
[editar | editar código]Em 22 de novembro de 2006, o Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou por unanimidade, mediante a Resolução 1595, a possibilidade de criação de um Tribunal Internacional que investigasse o assassinato de vários políticos do Líbano, incluindo Hariri, um dia depois do assassinato do Ministro da Indústria, Pierre Amine Gemayel.[3] O Tribunal foi aprovado definitivamente em 30 de maio de 2007, segundo iniciativa conjunta dos Estados Unidos e da França, com o voto favorável dos outros oito membros do Conselho de Segurança, e a abstenção de cinco, entre eles a Rússia, por considerar que o tribunal não ajudará a resolver os problemas da região, e da China que o considera um precedente de ingerência em assuntos internos de um Estado membro. Os outros três países que se abstiveram foram África do Sul, Indonésia e Catar.[4]
Em 15 de janeiro de 2011, de acordo com diversas redes de noticias,[5][6][7][8][9] o Tribunal Especial para o Líbano (STL) colocaria em risco o Irã e seu líder supremo da Revolução Islâmica, o aiatolá Ali Khamenei. De acordo com informações publicadas, os pesquisadores do STL iriam apresentar provas de que o ataque foi cometido pelo Força Quds em conjunto com o Hezbollah. A investigação internacional concluiu que houve envolvimento pessoal do aiatolá Ali Khamenei. Ele teria tomado a decisão de assassinar Hariri, considerado um grande obstáculo para o estabelecimento da República Islâmica do Hezbollah no Líbano.
Em 1º de julho de 2011, o ministro do Interior libanês, Marwan Charbel, revelou a identidade de quatro suspeitos (Mustafa Badreddine, Salim Ayyash, Assad Sabra e Hussein Anaissi), todos eles pertencentes ao Hezbollah. Os respectivos mandados de captura haviam sido emitidos na véspera, pelo Tribunal Especial para o Líbano,[10][11] um tribunal internacional, ainda operante, criado mediante acordo entre as Nações Unidas e a República Libanesa e cuja finalidade é investigar a morte de Rafik Hariri e de outras 22 pessoas no atentado de 14 de fevereiro de 2005.[12]
Referências
- 1 2 3 Rafik Hariri Biography. Rafik Hariri Foundation.
- ↑ Section, United Nations News Service (18 de dezembro de 2006). «UN News - UN probe into murder of former Lebanese leader nears sensitive stage – inquiry chief». UN News Service Section. Consultado em 16 de novembro de 2015
- ↑ «Bolpress». Arquivado do original em 27 de novembro de 2006
- ↑ «Derf»
- ↑ «Adnkronos». www1.adnkronos.com. Consultado em 16 de novembro de 2015
- ↑ «Naharnet — Lebanon's leading news destination». Naharnet. Consultado em 16 de novembro de 2015
- ↑ «meridiabe». Arquivado do original em 7 de setembro de 2011
- ↑ «Report: UN tribunal to link Iran's Supreme Leader with Hariri assassination». Haaretz.com. Consultado em 16 de novembro de 2015
- ↑ «'UN tribunal to link Iran's Khamenei to Hariri murder'». The Jerusalem Post | JPost.com. Consultado em 16 de novembro de 2015
- ↑ Statute of the Special Tribunal for Lebanon, 10 de junho de 2007, consultado em 21 de março de 2011
- ↑ Wetzel, Jan Erik; Yvonne Mitri (2008). «The Special Tribunal for Lebanon: A Court "Off the Shelf " for a Divided Country» (PDF). The Law and Practice of International Courts and Tribunals. 7: 81–114. Consultado em 30 de junho de 2012
- ↑ «Enquête Hariri: les identitées des quatre suspects du Hezbollah confirmées». TF1. 1 de julho de 2011. Consultado em 11 de julho de 2013. Arquivado do original em 28 de janeiro de 2013

