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Guerra de Troia

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Guerra de Troia


Cílice com Aquiles cuidando dos ferimentos de Pátroclo; c. 500 a.C.

A guerra

Ambiente: Troia (moderna Hisarlik, Turquia)
Período: Idade do Bronze
Data tradicional: ca. 1 194–1 184 a.C.
Data moderna: entre 1 260 e 1 240 a.C.
Resultado: vitória grega, destruição de Troia

Fontes literárias

Ilíada · Ciclo épico · Eneida, Livro 2 ·
Ifigênia em Áulis · Filoctetes ·
Ájax · As Troianas · Posthomerica

Episódios

Julgamento de Páris · Sedução de Helena ·
Cavalo de Troia · O Saque de Troia · Regressos ·
Andanças de Odisseu ·
Eneias e a fundação de Roma

Gregos e aliados

Agamemnon · Aquiles · Helena · Menelau · Nestor · Odisseu · Ájax · Diomedes · Pátroclo · Térsites · Aqueus · Mirmidões

Troianos e aliados

Príamo · Hécuba · Heitor · Páris · Cassandra · Andrómaca · Eneias · Mêmnon  · Troilo · Pentesileia e as Amazonas · Sarpedão

Tópicos relacionados

Homero · Arqueologia de Troia · Micenas

Guerra de Troia foi um conflito lendário da mitologia grega que ocorreu por volta do século XIII ou início do século XII a.C. A guerra foi travada pelos aqueus (gregos) contra a cidade de Troia depois que Páris de Troia raptou Helena de seu marido Menelau, rei de Esparta. A guerra é um dos eventos mais importantes da mitologia grega e foi narrada em muitas obras da literatura grega, principalmente na Ilíada de Homero.

O núcleo da Ilíada (Livros II a XXIII) descreve um período de quatro dias e duas noites no décimo ano do cerco de Troia, que durou uma década; a Odisseia descreve a jornada de volta para casa de Odisseu, um dos heróis da guerra. Outras partes da guerra são descritas em um ciclo de poemas épicos, que sobreviveram através de fragmentos. Episódios da guerra forneceram material para a tragédia grega e outras obras da literatura grega, bem como para poetas romanos, incluindo Virgílio e Ovídio.

Os antigos gregos acreditavam que Troia estava localizada perto dos Dardanelos e que a Guerra de Troia foi um evento histórico ocorrido nos séculos XII ou XIII a.C. Em meados do século XIX d.C., tanto a guerra quanto a cidade eram amplamente vistas como não históricas. Em 1868, o arqueólogo alemão Heinrich Schliemann conheceu Frank Calvert, que convenceu Schliemann de que Troia estava no que é hoje Hisarlık, na Turquia moderna.[1] Com base nas escavações realizadas por Schliemann e outros, esta afirmação é agora aceita pela maioria dos estudiosos.[2][3]

A historicidade da Guerra de Troia permanece uma questão em aberto. Muitos estudiosos acreditam que existe um núcleo histórico na narrativa, embora isso possa simplesmente significar que as histórias homéricas são uma fusão de vários contos de cercos e expedições dos gregos micênicos durante a Idade do Bronze. Aqueles que acreditam que as histórias da Guerra de Troia derivam de um conflito histórico específico geralmente a datam dos séculos XII ou XIII a.C., muitas vezes preferindo as datas dadas por Eratóstenes, 1194–1184 a.C., que correspondem aproximadamente às evidências arqueológicas de uma queima catastrófica de Troia VII[4] e ao colapso da Idade do Bronze Final.

Sarcófago de Aquiles com cenas da Guerra de Troia, no Museu Arqueológico de Adana, Turquia

Tradicionalmente, a Guerra de Troia surgiu de uma sequência de eventos que começou com uma disputa entre as deusas Hera, Atena e Afrodite. Éris, a deusa da discórdia, não foi convidada para o casamento de Peleu e Tétis, e então chegou trazendo um presente: uma maçã dourada, com uma escritura gravada nela que diz "para a mais bela". Cada uma das deusas reivindicou ser a "mais bela" e a dona legítima da maçã. Elas submeteram o julgamento a um pastor que encontraram cuidando de seu rebanho. Cada deusa prometeu ao jovem uma recompensa em troca de seu favor: poder, sabedoria ou amor. O jovem — na verdade, Páris, um príncipe troiano que havia sido criado no campo — escolheu o amor e deu a maçã a Afrodite. Como recompensa, Afrodite fez com que Helena, a rainha de Esparta e a mais bela de todas as mulheres, se apaixonasse por Páris. O julgamento de Páris lhe rendeu a ira tanto de Hera quanto de Atena.[5]

Helena, uma das filhas de Zeus, havia sido sequestrada por Teseu na sua juventude. Uma competição entre os pretendentes por sua mão em casamento acabou com ela sendo entregue a Menelau, o rei espartano. Todos os outros pretendentes foram obrigados a fazer um juramento (conhecido como "Juramento de Tíndaro") prometendo fornecer assistência militar ao pretendente vencedor, se Helena fosse roubada dele. Assim, quando Helena partiu (raptada ou por boa vontade) com Páris de Troia (filho do rei Príamo), Menelau convocou todos os reis e príncipes da Grécia para que honrassem seu juramento e declarassem guerra aos troinanos.[6]

O irmão de Menelau, Agamenão, rei de Micenas, liderou uma expedição de tropas aqueias (os gregos) a Troia e sitiou a cidade por dez anos por causa do insulto de Páris. Após as mortes de muitos heróis, incluindo os aqueus Aquiles e Ajax, e os troianos Heitor e Páris, a cidade caiu na armadilha do Cavalo de Troia. Os aqueus massacraram os troianos, exceto algumas das mulheres e crianças que eles mantiveram ou venderam como escravos e profanaram os templos, ganhando assim a ira dos deuses.[7] Poucos aqueus retornaram em segurança para suas casas e muitos fundaram colônias em praias distantes.[8] Os romanos mais tarde traçaram sua origem até Eneias, filho de Afrodite e um dos troianos, que teria liderado os troianos sobreviventes para a Itália.[9]

Mitologia

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Helena e Páris, de Jacques-Louis David, Museu do Louvre

A versão mitológica da guerra estava contida nos poemas do Ciclo Épico, formado por oito poemas: os Cantos Cípricos (ou Cípria) de Estasino,[a] a Ilíada e a Odisseia de Homero, a Etiópida e O Saque de Troia de Arctino de Mileto, a Pequena Ilíada de Lesques de Pirra, Nostoi (Retornos) de Hágias de Trezena,[b] e Telegonia de Eugamão de Cirene.[c] Destas obras só chegaram à atualidade na sua totalidade os poemas de Homero; dos restante só há fragmentos e informações de fontes secundárias da Antiguidade. Segundo essas versões, a guerra se deu quando os aqueus (os gregos da época micênica) atacaram Troia, para recuperar Helena, raptada por Páris.[10]

A lenda conta que a (ninfa) do mar de Tétis era desejada como esposa por Zeus e por Posidão. Porém Prometeu fez uma profecia que o filho da deusa seria maior que seu pai, então os deuses resolveram dá-la em casamento a Peleu, um mortal já idoso, tencionando enfraquecer o filho, que seria apenas um humano. O filho de ambos foi Aquiles, e sua mãe, visando fortalecer sua natureza mortal, o mergulhou quando ainda bebê nas águas do mitológico e sombrio rio Estige. As águas tornaram o herói invulnerável, exceto no calcanhar, por onde a mãe o segurou para mergulhá-lo no rio (daí a expressão "calcanhar de Aquiles", significando ponto vulnerável). Aquiles se torna o mais poderoso dos guerreiros, porém, ainda é mortal. Mais tarde, sua mãe profetiza que ele poderá escolher entre dois destinos: lutar em Troia e alcançar a glória eterna, mas morrer jovem, ou permanecer em sua terra natal e ter uma longa vida, porém ser logo esquecido. Aquiles escolhe a glória.[10]

Para o casamento de Peleu e Tétis todos os deuses foram convidados, menos Éris (ou Discórdia). Ofendida, a deusa compareceu invisível e deixou à mesa um pomo de ouro com a inscrição "À mais bela". As deusas Hera, Atena e Afrodite disputaram o título de mais bela e o pomo. Zeus não quis ser o juiz, para não descontentar duas das deusas, então ordenou que o príncipe troiano Páris, à época sendo criado como um pastor ali perto, resolvesse a disputa. Para ganhar o título de "mais bela", Atena ofereceu a Páris poder na batalha e sabedoria, Hera ofereceu riqueza e poder e Afrodite, o amor da mulher mais bela do mundo. Páris deu o pomo a Afrodite, ganhando sua proteção e o ódio das outras duas deusas contra si e contra Troia.[10]

A mulher mais bela do mundo era Helena, filha de Zeus e de Leda, esposa de Menelau, rei de Esparta, que a conquistara disputando contra vários outros reis pretendentes com a ajuda de Ulisses (Odisseu) rei de Ítaca e Agamenão rei supremo de Micenas e de toda a Grécia, tendo todos jurado lealdade ao marido de Helena e sempre protegê-la, qualquer que fosse o vencedor da disputa.[10]

Quando Páris foi a Esparta em missão diplomática, apaixonou-se por Helena e ambos fugiram para Troia, enfurecendo Menelau. Este foi pedir ajuda a seu irmão que, a conselho de Nestor (rei de Pilos), um de seus conselheiros, apelou aos antigos pretendentes de Helena, lembrando o juramento que haviam feito. Agamenão então assumiu o comando de um exército de mil navios e atravessou o mar Egeu para atacar Troia com o auxílio de Ulisses (que fingiu-se de louco para não ir a guerra sabendo que se partisse passaria 20 anos sem regressar a seu reino), levando consigo grandes guerreiros como Aquiles, Ájax, Ájax, o Menor, Diomedes, Idomeneu entre outros. As naus gregas desembarcaram na praia próxima a Troia e iniciaram um cerco que iria durar dez anos e custaria a vida a muitos heróis de ambos os lados. Dois dos mais notáveis heróis a perderem a vida na guerra de Troia foram Aquiles e Heitor (que foi morto por Aquiles por vingança por ter matado Pátroclo).[d]

A Procissão do Cavalo de Troia, c.1870, Giovanni Domenico Tiepolo; National Gallery (Londres)

Finalmente, a cidade foi tomada graças ao artifício concebido por Odisseu (Ulisses): fingindo terem desistido da guerra, os gregos embarcaram em seus navios, deixando na praia um enorme cavalo de madeira, que os troianos decidiram levar para o interior de sua cidade, como símbolo de sua vitória, apesar das advertências de Cassandra. À noite, quando todos dormiam, os soldados gregos, que se escondiam dentro da estrutura oca de madeira do cavalo, saíram e abriram os portões para que todo o exército (cujos navios haviam retornado, secretamente, à praia) invadisse a cidade.[10]

Apanhados de surpresa, os troianos foram vencidos e a cidade incendiada. As mulheres (inclusive a rainha Hécuba, a princesa Cassandra e Andrômaca, viúva de Heitor) foram escravizadas. O rei Príamo e a maioria dos homens foram mortos (um dos poucos sobreviventes foi Eneias, príncipe de Lirnesso, que fugiu de Troia carregando seu pai Anquises, já idoso, sobre os ombros).[10]

E assim, Menelau recuperou sua esposa, Helena (tendo matado Dêifobo, com quem ela se casara, após a morte de Páris), e levou-a de volta a Esparta. Agamenão foi morto por sua esposa que lhe roubou o trono e Odisseu como profetizado passou com o fim da guerra (que durou dez anos) mais dez anos vagando pelo mar, até chegar a Ítaca vestido de mendigo para provar a fidelidade de Penélope, sua esposa, que estava cheia de pretendentes ao casamento e consequentemente ao trono, porém ela os enganara durante 20 anos até o retorno de seu marido que, ao descobrir tudo o que se passou em sua ausência, matou seus inimigos com a ajuda de seu filho.[10]

Historicidade

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Mapa da Grécia Homérica
Mapa da Trôade (Troas) na atual Turquia
Tétis entrega a seu filho Aquiles armas forjadas por Hefesto (detalhe de uma hidria ática de figuras negras, 575–550 a.C.)
Schliemann foi o primeiro homem a localizar Troia no monte conhecido como Hisarlık.
As muralhas de Troia no final da Idade do Bronze

A maioria dos gregos antigos dizia que a Guerra de Troia era um evento histórico, embora muitos entendessem que os poemas homéricos continham vários exageros. Por exemplo, o historiador Tucídides, conhecido por seu espírito crítico, considerava-a um evento real, mas duvidava que os gregos houvessem mobilizado a quantidade de navios (mais de mil) mencionada por Homero para atacar os troianos.[10]

Por volta de 1870, na Europa, os estudiosos da Antiguidade eram concordes em considerar as narrativas homéricas absolutamente lendárias. Segundo eles, a guerra jamais ocorrera. Quando o arqueólogo alemão Heinrich Schliemann, um apaixonado pelas obras de Homero, descobriu as ruínas de Troia um grande entusiasmo cercou a descoberta e levou muitos autores a rever a historicidade da guerra.[10]

Ao longo do século XX, tentou-se tirar conclusões baseadas em textos hititas e egípcios, que datam da provável época da guerra. Arquivos hititas, como as Cartas de Tauagalaua, mencionam o reino de Aiaua (Acaia, a moderna Grécia), que se localizava "além do mar" (Egeu) e controlava a cidade de Miliuanda, identificada como Mileto. Igualmente é mencionada, nesses e em outros documentos, a Confederação de Assua, uma liga composta por 22 cidades, uma das quais, Uilussa (Ílio), podendo ter sido Troia. Em um tratado datado de 1 280 a.C., o rei de Uilussa é chamado de Alexandre ou Alaquesandu, que é o outro nome pelo qual Páris é referido na Ilíada.[10]

As descobertas de Schliemann continuam, porém, cercadas de dúvidas. No mundo antigo existia uma cidade chamada Troia que é historicamente registrada na região de Dardanelos desde o período de Homero até a época da romana. Essa cidade, que foi visitada por personagens históricos importantes como Alexandre, o Grande e Júlio César, teve o nome grego de Ilion e o nome romano de Nova Troia e segundo a tradição ficava no lugar em que estariam localizadas as ruínas da Troia/Ilion descrita por Homero. Essa cidade, completamente real e histórica, entrou em ruínas e foi abandonada no início da Idade Média de modo que sua localização exata se perdeu. O que Schliemann conseguiu ao escavar Hisarlik foi localizar a antiga cidade grega/ romana, disso não resta dúvida, mas o que nunca foi realmente provado e se as ruínas mais antigas sob as cidades gregas e romanas chamadas em tempos históricos de Troia são realmente da cidade descrita por Homero. Até hoje não há nenhuma prova conclusiva a esse respeito.[11]

Inicialmente, Schliemann identificou como Troia uma cidade que na realidade era mil anos mais antiga do que o período em que guerra de Troia teria acontecido. Seria a chamada Troia II. O famoso 'tesouro de Príamo" foi descoberto nesse extrato. Mais tarde o próprio Schliemann admitiu seu erro, mas ao escavar apressadamente o sitio de Hisarlik ele destruiu boa parte da camadas superiores da cidade entre elas as que deveriam corresponder a cidade da época da guerra. Foi o assistente de Schliemann e segundo arqueólogo a se ocupar do sitio, Dorpfeld, a descrever as diferentes camadas do sitio que teria 9 cidades sobrepostas. As que corresponderiam ao período descrito por Homero seriam a VI e a VII e não a II escavada inicialmente por Schliemann.[11] .[10]

O historiador inglês Moses Finley esteve entre os mais céticos quanto a historicidade da guerra de Tróia. Em um texto dedicado a guerra, ele explica que todo texto de Homero contradiz o que se conhece da sociedade micênica que e a Troia de Homero " apesar de localizada no lugar certo não tem que uma distante semelhança com a dos arqueólogos". Ele compara o épico homérico com obras como A Canção dos Nibelungos ou A Canção de Roland, obras de grande valor literário, mas que em termos históricos são incorretas. Diante disso, ele termina o seu ensaio dizendo que se deve encarar a historicidade da guerra de Troia do mesmo modo que outros épicos, como os Nibelungos ou a Eneida, isto é, como uma obra de poesia e não de história.[12]

Outros, como Barry Strauss, [10]acreditam na historicidade da guerra e à associam a conflitos entre os hititas e os povos gregos que são atestados em documentos sendo Troia, nesse caso, o reino vassalo dos hititas Wilusa. Mesmo assim, Strauss supõe como outros estudiosos, que o conflito deve ter sido diferente da guerra descrita por Homero e provavelmente foi o resultado de diversos conflitos pequenos ao longo dos anos. Céticos quanto à veracidade da guerra glorificada por Homero apoiam-se na ausência de qualquer registro hitita de uma invasão da Anatólia (onde se localizava Troia) por povos vindos do mar.[10]

Em resumo, embora Schliemann tenha encontrado as ruínas da cidade de Troia (aliás, várias cidades, uma sobre a outra) no sítio mencionado por Homero, a questão da historicidade da guerra continua dividindo a opinião dos estudiosos.[10]

Crises implorando a Agamenon por sua filha (360–350 a.C.)
Aquiles matando a amazona Pentesileia

Os eventos da Guerra de Troia são encontrados em muitas obras da literatura grega e retratados em numerosas obras de arte grega. Não há um texto único e autoritário que conte todos os acontecimentos da guerra. Em vez disso, a história é montada a partir de uma variedade de fontes, algumas das quais relatam versões contraditórias dos eventos. As fontes literárias mais importantes são os dois poemas épicos tradicionalmente creditados a Homero, a Ilíada e a Odisseia, compostos em algum momento entre os séculos IX e VI a.C. Cada poema narra apenas uma parte da guerra. A Ilíada cobre um curto período no último ano do cerco de Troia, enquanto a Odisseia diz respeito ao retorno de Ulisses à sua ilha natal de Ítaca após o saque de Troia e contém vários flashbacks de episódios particulares da guerra.[13]

Outras partes da Guerra de Troia foram contadas nos poemas do Ciclo Épico, também conhecido como os Épicos Cíclicos: os Cantos Cípricos, Etiópida, a Pequena Ilíada, O Saque de Troia, Nostoi e Telegonia. Embora esses poemas sobrevivam apenas em fragmentos, seu conteúdo é conhecido a partir de um resumo incluído na crestomatia de Eutíquio Proclo. A autoria dos épicos cíclicos é incerta. Pensa-se geralmente que os poemas foram escritos nos séculos VII e VI a.C., após a composição dos poemas homéricos, embora se acredite que eles foram baseados em tradições anteriores.[13]

Tanto os épicos homéricos quanto o Ciclo Épico têm origem na tradição oral. Mesmo após a composição da Ilíada, Odisseia e Épicos Cíclicos, os mitos da Guerra de Troia foram transmitidos oralmente em muitos gêneros de poesia e através de narrativas não poéticas. Eventos e detalhes da história que só são encontrados em autores posteriores podem ter sido transmitidos através da tradição oral e podem ser tão antigos quanto os poemas homéricos. A arte visual, como a pintura em vasos, foi outro meio em que os mitos da Guerra de Troia circularam.[14]

Em épocas posteriores, dramaturgos, historiadores e outros intelectuais criariam obras inspiradas na Guerra de Troia. Os três grandes autores trágicos de Atenas, Ésquilo, Sófocles e Eurípides, escreveram uma série de dramas que retratam episódios da Guerra de Troia. Entre os escritores romanos, o mais importante é o poeta do século I a.C. Virgílio; no Livro 2 de sua Eneida, Eneias narra o saque de Troia.[15]

Datas do conflito

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O suicídio de Ajax retratado em cerâmica grega por Exéquias, atualmente em exibição no Château-musée de Boulogne-sur-Mer
Odisseu e Polifemo, de Arnold Böcklin : a maldição do Ciclope atrasa o retorno de Odisseu por mais dez anos.

Uma vez que esta guerra foi considerada entre os gregos antigos como o último evento da era mítica ou o primeiro evento da era histórica, várias datas são dadas para a queda de Troia. Eles geralmente derivam de genealogias de reis. Éforo aponta 1 135 a.C.,[16] Sósíbio[vago] 1 172 a.C.,[17] Eratóstenes 1 184 / 1 183 a.C.,[18] Timeu[necessário esclarecer] 1 193 a.C.,[19] o mármore de Paros[vago] 1 209 / 1 208 a.C.,[20] Dicearco 1 212 a.C.,[21] Heródoto por volta de 1 250 a.C.,[22] Eretes[vago] 1 291 a.C.,[23] enquanto Duris de Samos refere 1 334 a.C.[24] Quanto ao dia exato, Éforo dá 23/24 Thargelion (6 ou 7 de maio), Helânico 12 Thargelion (26 de maio) enquanto outros dão o 23 de Sciroforion (7 de julho) ou o 23 de Ponamos (7 de outubro).[25]

A gloriosa e rica cidade descrita por Homero foi considerada Troia VI por muitos autores do século XX d.C., e destruída por volta de 1 275 a.C., provavelmente por um sismo. Sua sucessora, Troia VIIa, foi destruída por volta de 1 180 a.C. Foi por muito tempo considerada uma cidade mais pobre, e descartada como candidata a Troia homérica, mas desde a campanha de escavação de 1988, passou a ser considerada como a candidata mais provável.[26][27][28]

A Guerra de Troia no cinema e televisão

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Ver também a categoria: Filmes sobre a Guerra de Troia

Entre as obras cinematográficas e televisivas podem referir-se as seguintes:

Filmes
Séries de televisão

Notas e referências

Notas

  1. Não há certeza sobre a autoria dos Cantos Cípricos; além de Estasino, são também apontados como possíveis autores Hegésias de Salamina e Cíprias de Halicarnasso.
  2. A autoria de Nostoi é controversa, havendo alguns estudiosos que apontam Eumelo ou Homero como possíveis autores.
  3. Outro autor possível da Telegonia é Cinaethon de Esparta.
  4. Dependendo das fontes, Pátroclo era primo ou amigo de infância de Aquiles.

Referências

  1. Bryce, Trevor (2005). The Trojans and their neighbours. [S.l.]: Taylor & Francis. p. 37. ISBN 978-0-415-34959-8. Cópia arquivada em 3 de junho de 2023
  2. Rutter, Jeremy B. «Troy VII and the Historicity of the Trojan War». Consultado em 31 de janeiro de 2022. Arquivado do original em 9 de janeiro de 2023
  3. In the second edition of his In Search of the Trojan War, Michael Wood notes developments that were made in the intervening ten years since his first edition was published. Scholarly skepticism about Schliemann's identification has been dispelled by the more recent archaeological discoveries, linguistic research, and translations of clay-tablet records of contemporaneous diplomacy. Wood, Michael (1998). «Preface». In Search of the Trojan War 2 ed. Berkeley, CA: University of California Press. p. 4. ISBN 0-520-21599-0. Now, more than ever, in the 125 years since Schliemann put his spade into Hisarlik, there appears to be a historical basis to the tale of Troy
  4. Wood (1985: 116–118)
  5. Simpson, Michael. Gods & Heroes of the Greeks: The Library of Apollodorus, a University of Massachusetts Press, (1976). ISBN 0-87023-205-3.
  6. Apollodorus, Gods & Heroes of the Greeks: The Library of Apollodorus, traduzido em inglês por Michael Simpson, a University of Massachusetts Press, (1976). ISBN 0-87023-205-3.
  7. Quinto de Esmirna, Posthomerica, in Quintus Smyrnaeus: The Fall of Troy Arquivado em 2019-12-01 no Wayback Machine, Arthur Sanders Way (Ed. & Trans.), Loeb Classics #19; Harvard University Press, Cambridge MA. (1913). (edição de 1962: ISBN 0-674-99022-6).
  8. Cyrino, Monica S. (2006). «Helen of Troy». In: Winkler, Martin M. Troy: from Homer's Iliad to Hollywood. [S.l.]: Cambridge University Press. ISBN 1-4051-3182-9
  9. Grillo, L. "Leaving Troy and Creusa: Reflections on Aeneas' Flight." The Classical Journal, vol. 106, no. 1, 2010, pp. 43–68. doi:10.5184/classicalj.106.1.0043. JSTOR 10.5184/classicalj.106.1.0043.
  10. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 Strauss, Barry. The Trojan War: A New History. New York: Simon & Schuster, 2006 (ISBN 0-7432-6441-X).
  11. 1 2 Mac Sweeney, Naoise (2018). Troy: myth, city, icon. Londres: Bloomsbury. pp. 30–60. ISBN 9781472529374
  12. Finley, Moses I (1989). On a perdu la guerre de Troie. Paris: Hachette. pp. 30–44. ISBN 9782012793422
  13. 1 2 Burgess, pp. 10–12; cf. W. Kullmann (1960), Die Quellen der Ilias.
  14. Burgess, Jonathan S. 2004. The Tradition of the Trojan War in Homer and the Epic Cycle (Johns Hopkins) ISBN 0-8018-7890-X[falta página]
  15. Gleeson-White, Jane (2009). 50 Clássicos que não podem faltar na sua biblioteca. 1, 1.ª ed. Campinas: Verus. 276 páginas. ISBN 978-85-7686-061-7, 978-85-7686-061-7[falta página]
  16. FGrHist 70 F 223
  17. FGrHist 595 F 1
  18. Chronographiai FGrHist 241 F 1d
  19. FGrHist 566 F 125
  20. FGrHist 239, §24
  21. Bios Hellados
  22. Histories 2,145
  23. FGrHist 242 F 1
  24. FGrHist 76 F 41
  25. FGrHist 4 F 152
  26. Latacz, Troy and Homer, p. 286.
  27. Strauss 2006, p. 10.
  28. Wood, In Search of the Trojan War, pp. 114–116.

Bibliografia

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Autores antigos

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Autores modernos

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Ligações externas

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