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Ferrari

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
 Nota: Para outros significados, veja Ferrari (desambiguação).

Ferrari
Sede em Maranello, Itália
Razão socialFerrari S.p.A.
Empresa de capital aberto
CotaçãoNYSE: RACE
BIT: RACE
AtividadeAutomotiva
Fundação16 de novembro de 1929 (96 anos)[1][a]
Fundador(es)Enzo Ferrari
SedeMaranello, Emília-Romanha, Itália
Área(s) servida(s)Mundo
Locais172 concessionários em 191 pontos de venda[1]
Proprietário(s)Exor (24,21%)[1]
Piero Ferrari (10,30%)[1]
Pessoas-chave
EmpregadosAumento 5 290 (2024, média)[3]
ProdutosVeículo esportivo
ProduçãoAumento 13 752 unidades enviadas (2024)[3]
DivisõesScuderia Ferrari
LucroAumento 1,526 bilhão (2024)[3]
LAJIRAumento 1.07 bilhão (2021)[1]
FaturamentoAumento 6,677 bilhões (2024)[1]
Websiteferrari.com

Ferrari S.p.A.[b] é uma fabricante italiana de automóveis desportivos de luxo sediada em Maranello, na Itália. Fundada em 1939 por Enzo Ferrari (1898–1988), a empresa construiu seu primeiro carro, o Auto Avio Costruzioni 815, em 1940, adotou o nome atual em 1945 e começou a produzir sua atual linha de automóveis de rua em 1947. A Ferrari tornou-se uma empresa de capital aberto em 1960 e, de 1963 a 2014, foi uma subsidiária do Grupo Fiat. Em 2016, foi separada da Fiat Chrysler Automobiles, entidade sucessora da FIAT. Atualmente, a empresa oferece uma ampla linha de modelos, que inclui vários supercarros, grã-turismos e um SUV. Muitos dos primeiros automóveis da Ferrari, fabricados nas décadas de 1950 e 1960, figuram entre os carros mais caros já vendidos em leilões.

Ao longo de sua história, a empresa destacou-se por sua participação contínua no Automobilismo, especialmente na Fórmula 1, na qual sua equipe, a Scuderia Ferrari, é a mais antiga e bem-sucedida da categoria. A Scuderia Ferrari compete desde 1929, inicialmente em provas de Grande Prêmio e, posteriormente, na Fórmula 1, na qual detém numerosos recordes. Historicamente, a Ferrari também teve forte atuação em corridas de carros esportivos, nas quais seus veículos conquistaram diversas vitórias em provas como a Mille Miglia, a Targa Florio e as 24 Horas de Le Mans, além de vários triunfos gerais no Campeonato Mundial de Resistência. Os torcedores da Scuderia Ferrari, comumente chamados em italiano de tifosi, são conhecidos pela paixão e lealdade à equipe.

A Ferrari é uma das marcas mais fortes do mundo e mantém uma imagem construída em torno da tradição nas corridas, do luxo e da exclusividade. A empresa tem ações negociadas em bolsa, com participações significativas de Piero Ferrari e da Exor N.V. Em maio de 2023, a Ferrari também estava entre as maiores fabricantes de automóveis por capitalização de mercado, com valor aproximado de 85,5 bilhões de dólares.[4]

História

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História inicial

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Três carros da Scuderia Ferrari em 1934, todos Alfa Romeo P3. Da esquerda para a direita, os pilotos Achille Varzi, Louis Chiron e Carlo Felice Trossi.

Enzo Ferrari, anteriormente vendedor e piloto de corrida da Alfa Romeo, fundou em 1929 a Scuderia Ferrari, uma equipe de automobilismo. Originalmente destinada a atender pilotos cavalheiros e outros competidores amadores, a retirada da Alfa Romeo das corridas em 1933, combinada com as relações de Enzo dentro da empresa, transformou a Scuderia Ferrari em sua representante não oficial nas pistas.[5] A Alfa Romeo fornecia carros de corrida à Ferrari, que acabou reunindo alguns dos melhores pilotos da década de 1930 e venceu numerosas provas antes de a equipe ser liquidada em 1937.[5][6]:43

No fim de 1937, a Scuderia Ferrari foi liquidada e incorporada à Alfa Romeo,[5] mas divergências entre Enzo e a alta administração levaram-no a deixar a empresa em 1939. Ele utilizou a indenização recebida para fundar sua própria companhia, na qual pretendia produzir automóveis próprios. A empresa recebeu o nome de “Auto Avio Costruzioni” e foi instalada nas antigas dependências da Scuderia Ferrari; devido a um acordo de não concorrência com a Alfa Romeo, não pôde utilizar o nome Ferrari por mais quatro anos. A companhia produziu um único automóvel, o Auto Avio Costruzioni 815, que participou de apenas uma corrida antes do início da Segunda Guerra Mundial. Durante a guerra, a empresa de Enzo fabricou motores de aeronaves e máquinas-ferramentas para as forças armadas italianas; esses contratos eram lucrativos e proporcionaram grande quantidade de capital à nova companhia. Em 1943, diante da ameaça de bombardeios dos Aliados, a fábrica foi transferida para Maranello. Embora as novas instalações tenham sido bombardeadas duas vezes, a Ferrari permanece em Maranello até hoje.[6]:45–47[7]

Sob Enzo Ferrari

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Fábrica da Ferrari no início da década de 1960: todos os componentes da linha de produção eram feitos à mão por mecânicos especializados, que seguiam desenhos técnicos com extrema precisão.[8] Atualmente, grande parte desse trabalho é realizada por robôs industriais.[9]

Em 1945, a Ferrari adotou o nome atual. Logo começaram os trabalhos em um novo motor V12, que equiparia o 125 S, primeiro automóvel da marca, e muitos modelos posteriores. A empresa obteve êxito no automobilismo quase imediatamente após começar a competir: o 125 S venceu diversas corridas em 1947,[10][11] e triunfos iniciais, entre eles as 24 Horas de Le Mans de 1949 e a Carrera Panamericana de 1951, ajudaram a consolidar a reputação da Ferrari como fabricante de automóveis de alta qualidade.[12][13] A Ferrari venceu várias outras corridas nos anos seguintes,[14][15] e, no início da década de 1950, seus automóveis de rua já eram apreciados pela elite internacional.[16] A empresa produziu diversas famílias de carros relacionados, entre elas as séries America, Monza e 250, e seu primeiro automóvel de produção em série foi o 250 GT Coupé, lançado em 1958.[17]

Em 1960, a Ferrari foi reorganizada como empresa de capital aberto. Pouco depois, começou a procurar um parceiro empresarial que assumisse suas operações de fabricação: inicialmente aproximou-se da Ford em 1963, mas as negociações fracassaram; conversas posteriores com o Grupo Fiat, que adquiriu 50% das ações da Ferrari em 1969, tiveram maior êxito.[18][19] Na segunda metade da década, a Ferrari também produziu dois automóveis que romperam com seus modelos mais tradicionais: o Dino 206 GT de 1967, seu primeiro carro de rua com motor central produzido em massa,[c] e o 365 GTB/4 de 1968, cujo desenho aerodinâmico modernizou a linguagem de design da Ferrari.[22][23] O Dino, em particular, representou um afastamento decisivo da abordagem conservadora de engenharia da empresa, segundo a qual todos os automóveis de rua da Ferrari utilizavam um motor V12 instalado em configuração de motor dianteiro e tração traseira, e antecipou a adoção plena da arquitetura de motor central, bem como dos motores V6 e V8, nas décadas de 1970 e 1980.[22]

Período contemporâneo

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Enzo Ferrari morreu em 1988, ocasião em que a Fiat ampliou sua participação na empresa para 90%.[24] O último carro aprovado pessoalmente por ele, o F40, desenvolveu o conceito de supercarro de topo de linha experimentado pela primeira vez no 288 GTO, quatro anos antes.[25] Em 1991, Enzo foi sucedido por Luca Cordero di Montezemolo, sob cuja presidência de 23 anos a empresa se expandiu consideravelmente. Entre 1991 e 2014, ele elevou em quase dez vezes a lucratividade dos automóveis de rua da Ferrari, tanto mediante a ampliação da linha oferecida quanto pela limitação do número total de veículos produzidos. A presidência de Montezemolo também foi marcada pela expansão dos acordos de licenciamento, por uma melhora acentuada no desempenho da Ferrari na Fórmula 1 — sobretudo com a contratação de Michael Schumacher e Jean Todt — e pela produção de outros três modelos de topo: o F50, o Enzo e o LaFerrari. Além de dirigir a Ferrari, Montezemolo também presidiu a Fiat entre 2004 e 2010.[26]

Após a renúncia de Montezemolo, vários presidentes e diretores-executivos sucederam-se rapidamente. Seu primeiro sucessor foi Sergio Marchionne,[26] que supervisionou a oferta pública inicial da Ferrari e sua posterior separação da Fiat Chrysler Automobiles,[27][28] seguido por Louis Camilleri como diretor-executivo e John Elkann como presidente.[29] Em 2021, Camilleri foi substituído na direção-executiva por Benedetto Vigna, que anunciou planos para desenvolver o primeiro modelo totalmente elétrico da Ferrari.[30] Durante esse período, a Ferrari ampliou a produção em razão do crescimento mundial da riqueza, ao mesmo tempo que se tornou mais seletiva em seus acordos de licenciamento.[31][32]

Automobilismo

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Desde o início de suas atividades, a Ferrari participa do automobilismo. Por meio de sua equipe oficial, a Scuderia Ferrari, competiu em diversas categorias, entre elas a Fórmula 1 e as corridas de carros esportivos, embora a empresa também tenha trabalhado em parceria com outras equipes.

Corridas de Grande Prêmio e Fórmula 1

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Um carro de Fórmula 1 Ferrari F2004, pilotado por Michael Schumacher. Schumacher é um dos pilotos mais vitoriosos da história da F1.

A Scuderia Ferrari permanece ativa desde o início da Fórmula 1: desde 1952, contou com quinze pilotos campeões, venceu dezesseis campeonatos de construtores e acumulou mais vitórias, dobradinhas, pódios, pole positions, voltas mais rápidas e pontos do que qualquer outra equipe na história da F1.[14][33]

A entidade mais antiga ligada à Ferrari, a Scuderia Ferrari, foi criada em 1929 — dez anos antes da fundação da Ferrari propriamente dita — como equipe de corridas de Grande Prêmio. Era associada à fabricante Alfa Romeo, para a qual Enzo havia trabalhado na década de 1920. A Alfa Romeo fornecia carros de corrida à Ferrari, que os preparava e ajustava às especificações desejadas. A Scuderia Ferrari teve grande êxito na década de 1930: entre 1929 e 1937, contou com pilotos de destaque como Antonio Ascari, Giuseppe Campari e Tazio Nuvolari, e venceu 144 das 225 corridas que disputou.[6][5]

A Ferrari retornou às corridas de Grande Prêmio em 1947, quando a modalidade estava se transformando na atual Fórmula 1. O primeiro carro de Grande Prêmio construído pela própria equipe, o 125 F1, estreou no Grande Prêmio da Itália de 1948, no qual seu desempenho promissor convenceu Enzo a manter o dispendioso programa de corridas de Grande Prêmio da empresa.[34]:9 A primeira vitória da Ferrari em uma prova de Fórmula 1 ocorreu no Grande Prêmio da Grã-Bretanha de 1951, prenunciando seu forte desempenho durante a década de 1950 e o início da década de 1960: entre 1952 e 1964, a equipe conquistou seis campeonatos mundiais de pilotos e um campeonato de construtores. Entre os pilotos notáveis da Ferrari nesse período estão Alberto Ascari, Juan Manuel Fangio, Phil Hill e John Surtees.[14]

A fase inicial de sucesso da Ferrari terminou depois de 1964, e seus títulos passaram a ser conquistados em períodos isolados.[33] O declínio começou no fim da década de 1960, quando a equipe foi superada por escuderias britânicas que utilizavam o barato e bem projetado motor Cosworth DFV.[35][36] O desempenho melhorou acentuadamente em meados da década de 1970 graças a Niki Lauda, cuja habilidade ao volante rendeu à Ferrari os títulos de pilotos de 1975 e 1977; êxitos semelhantes foram alcançados nos anos seguintes por pilotos como Jody Scheckter e Gilles Villeneuve.[33][37] A equipe também venceu o campeonato de construtores em 1982 e 1983.[14][38]

Após outro período sem títulos nas décadas de 1980 e 1990, a Ferrari viveu uma longa sequência de vitórias nos anos 2000, em grande parte graças ao trabalho de Michael Schumacher. Depois de ingressar na equipe em 1996, Schumacher deu à Ferrari cinco títulos consecutivos de pilotos entre 2000 e 2004; a conquista foi acompanhada por seis títulos consecutivos de construtores, iniciados em 1999. A Ferrari foi especialmente dominante no campeonato de 2004, no qual perdeu apenas três corridas.[14] Após a saída de Schumacher, a Ferrari conquistou mais um título de pilotos — obtido em 2007 por Kimi Räikkönen — e dois títulos de construtores, em 2007 e 2008. Esses permanecem como os títulos mais recentes da equipe; nos últimos anos, a Ferrari teve dificuldades para superar equipes em ascensão como a Red Bull, a Mercedes-Benz e a McLaren.[39][14][33]

Ferrari Driver Academy

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O programa de formação de jovens pilotos da Ferrari é a Ferrari Driver Academy. Iniciada em 2009, a iniciativa baseou-se na formação bem-sucedida de Felipe Massa pela equipe entre 2003 e 2006. Os pilotos aceitos na academia aprendem as regras e a história das categorias de fórmula enquanto competem, com apoio da Ferrari, em categorias de acesso como a Fórmula 3 e a Fórmula 4.[40][41][42] Em 2019, cinco dos dezoito pilotos admitidos no programa haviam se formado e chegado à Fórmula 1: um deles, Charles Leclerc, passou a competir pela Scuderia Ferrari, enquanto os outros quatro assinaram com outras equipes. Os pilotos que não se formaram participaram do desenvolvimento de carros, exerceram funções de consultoria ou deixaram a academia para continuar competindo em categorias inferiores.[42]

Corridas de carros esportivos

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Um 312 P, pilotado por Jacky Ickx, no último ano da Ferrari no Campeonato Mundial de Resistência.

À exceção de uma tentativa malsucedida em 1940, a Ferrari começou a competir com carros esportivos em 1947, quando o 125 S venceu seis das dez corridas que disputou.[10] A empresa manteve resultados semelhantes nos anos seguintes: em 1957, apenas dez anos depois de começar a competir, havia conquistado três títulos do Campeonato Mundial de Resistência, sete vitórias na Mille Miglia e duas nas 24 Horas de Le Mans, além de muitas outras provas.[15] Essas corridas constituíam ambientes ideais para o desenvolvimento e a promoção dos primeiros automóveis de rua da Ferrari, que eram amplamente semelhantes aos modelos de competição.[43]

O sucesso continuou durante a primeira metade da década de 1960, quando a Ferrari venceu três vezes consecutivas a classe 2000GT do campeonato mundial e terminou em primeiro lugar em Le Mans durante seis anos seguidos.[44][45] Sua sequência de vitórias em Le Mans foi interrompida pela Ford em 1966,[45] e, embora a Ferrari tenha conquistado mais dois títulos mundiais — um em 1967 e outro em 1972 —,[46][47] a má distribuição das receitas, combinada com o desempenho enfraquecido na Fórmula 1, levou a empresa a abandonar as corridas de carros esportivos em 1973.[19]:621 A partir de então, a Ferrari passou a ajudar na preparação de carros de competição para equipes privadas, mas deixou de inscrevê-los por conta própria.[48]

Desde 1993, a Ferrari apoia o Ferrari Challenge, campeonato monomarca baseado na linha de automóveis de rua da empresa.[49]

Ferrari 499P número 51 nas 6 Horas de Spa-Francorchamps de 2023.

Em 2023, a Ferrari retornou às corridas de protótipos esportivos. No Campeonato Mundial de Endurance da FIA de 2023, em parceria com a AF Corse, inscreveu dois protótipos 499P. Para comemorar o retorno da empresa à modalidade, um dos carros recebeu o número 50, em referência aos cinquenta anos transcorridos desde a última participação de uma Ferrari oficial em uma prova de resistência.[50][51] O 499P venceu as 24 Horas de Le Mans de 2023, encerrando a sequência de cinco vitórias da Toyota Gazoo Racing e tornando-se o primeiro Ferrari em 58 anos a vencer a prova.[52] A Ferrari repetiu o feito nas 24 Horas de Le Mans de 2024, obtendo sua primeira vitória consecutiva na corrida desde 1965.[53][54]

Em 2023, o Ferrari 296 GT3 da Frikadelli Racing venceu a classificação geral das 24 Horas de Nürburgring, completando um recorde de 162 voltas, equivalentes a 4 085 quilômetros.[55][56]

Em 2025, a Ferrari conquistou os títulos de fabricantes e de pilotos do Campeonato Mundial de Endurance da FIA de 2025 nas 8 Horas do Barém, última etapa da temporada; o título de pilotos ficou com a tripulação do carro número 51, formada por Alessandro Pier Guidi, James Calado e Antonio Giovinazzi.[57][58]

Outras modalidades

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De 1932 a 1935, a Scuderia Ferrari manteve uma divisão de motociclismo, concebida como forma de descobrir e treinar futuros pilotos de Grande Prêmio. Em vez de motocicletas italianas, a equipe utilizava modelos britânicos fabricados pela Norton e pela Rudge. Embora tenha obtido êxito sobre duas rodas, com três títulos nacionais e 44 vitórias gerais, a Ferrari acabou deixando a modalidade em razão tanto da obsolescência dos motores de motocicleta com válvulas acionadas por varetas quanto das dificuldades econômicas mais amplas decorrentes da Grande Depressão.[59][60]

A Ferrari também participou de diversas categorias de monopostos além da Fórmula 1. Já em 1948, havia desenvolvido carros para provas de Fórmula 2 e Fórmula Livre,[61] e seu programa de F2 levou diretamente à criação do motor Dino, que passou a equipar diversos automóveis de corrida e de rua da marca.[22] A última categoria de fórmula fora da F1 na qual a Ferrari competiu foi a Tasman Series, na qual Chris Amon venceu o campeonato de 1969 com um Dino 246 Tasmania.[62]

Pelo menos duas embarcações destinadas a recordes de velocidade aquática utilizaram conjuntos mecânicos da Ferrari, ambas hidroplanos da classe de 800 kg do início da década de 1950. Nenhuma foi construída pela Ferrari ou afiliada à empresa, embora uma delas, o Arno XI, tenha tido a encomenda de seu motor aprovada diretamente por Enzo Ferrari. O Arno XI ainda detém o recorde de velocidade para um hidroplano de 800 kg.[63][64]

Desde 2019, a Scuderia Ferrari participa de corridas virtuais.[65]

Carros de corrida para outras equipes

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Ao longo de sua história, a Ferrari forneceu carros de corrida a outros participantes, além de sua própria equipe oficial, a Scuderia Ferrari. Nas décadas de 1950 e 1960, forneceu carros de Fórmula 1 a diversos competidores privados e outras equipes. Um exemplo conhecido foi a equipe de Tony Vandervell, que competiu com Ferraris modificados conhecidos como Thinwall Special antes de construir seus próprios carros Vanwall. As participações da North American Racing Team nas três últimas etapas da temporada de 1969 foram as últimas ocasiões em que uma equipe diferente da Scuderia Ferrari inscreveu um Ferrari em um Grande Prêmio válido pelo Campeonato Mundial.[66]

A Ferrari também forneceu um motor V8 para o carro “Powered by Ferrari”, utilizado na série A1 Grand Prix a partir da temporada de 2008–2009.[67][68]

A Ferrari mantém atividades de competição para clientes, entre elas o tradicional campeonato monomarca Ferrari Challenge e os programas mais amplos “Corse Clienti” para carros de pista e de competição.[69]

Automóveis de rua

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166 Inter Touring Berlinetta.

O primeiro veículo produzido com o nome Ferrari foi o 125 S. Apenas duas unidades desse pequeno carro esportivo e de corrida, com dois lugares e motor V12, foram fabricadas. Em 1949, foi lançado o 166 Inter, marcando a entrada da empresa no mercado de automóveis grã-turismo de rua. O primeiro 166 Inter era um cupê berlineta de quatro lugares, em configuração 2+2, com carroceria projetada pela Carrozzeria Touring Superleggera. Os automóveis de rua passaram a representar a maior parte das vendas da Ferrari. Os primeiros modelos geralmente utilizavam carrocerias projetadas e personalizadas por encarroçadoras independentes, como Vignale, Touring, Ghia, Pininfarina, Scaglietti e Bertone.

Os primeiros automóveis de rua da Ferrari eram normalmente modelos V12 de dois lugares e motor dianteiro. No fim da década de 1960 e durante a década de 1970, a empresa passou a utilizar configurações de motor central e motores menores em modelos desenvolvidos sob o nome Dino; posteriormente, lançou automóveis de rua com a marca Ferrari equipados com motores boxer de doze cilindros e V8 em posição central.[22] A configuração de motor central continua sendo utilizada em muitos dos carros esportivos da Ferrari.

A partir da década de 2010, a Ferrari passou a depender cada vez mais do design interno do Centro Stile Ferrari para o estilo de seus automóveis de rua, embora tenha mantido colaborações ocasionais em projetos limitados.[70]

O Ferrari SF90 Stradale foi o primeiro automóvel de rua de produção em série da Ferrari a adotar uma arquitetura híbrida plug-in, integrando um motor de combustão interna a motores elétricos.[71]

A Ferrari declarou que apresentaria seu primeiro veículo totalmente elétrico no Capital Markets Day de 9 de outubro de 2025.[72] Durante o evento, a empresa apresentou o chassi e os componentes prontos para produção do projeto, denominado “Ferrari Elettrica”, com uma revelação mais completa prevista para posteriormente.[73]

Personalização

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Nas décadas de 1950 e 1960, os clientes frequentemente personalizavam seus veículos ainda durante a fabricação.[74] Essa filosofia contribuiu para a aura de mistério da marca na época. Cada Ferrari que saía de Maranello podia ser construída de acordo com as especificações individuais do comprador.

A Ferrari formalizou esse conceito por meio do antigo programa Carrozzeria Scaglietti. As opções inicialmente oferecidas eram mais convencionais, como bancos de corrida, câmeras de ré e acabamentos especiais. No fim de 2011, a empresa anunciou uma atualização importante dessa filosofia. O programa Tailor Made permite que os clientes trabalhem com designers em Maranello e tomem decisões em cada etapa do processo. Por meio dele, são possíveis praticamente quaisquer acabamentos, cores externas ou materiais internos. O programa dá continuidade à tradição original e enfatiza a ideia de que cada carro deve ser único.[74]

Supercarros

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Enzo Ferrari.

Muitos consideram o 288 GTO, de 1984, o primeiro da linha de supercarros de topo da Ferrari. Essa linhagem é considerada composta também pelo F40, pelo F50, pelo Enzo, pelo LaFerrari e pelo F80. Antes da apresentação do F80, sexto supercarro da Ferrari, os cinco modelos anteriores eram comumente chamados de “Big Five”.[75][76]

Carros-conceito e modelos especiais

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Ferrari Pinin

A Ferrari produziu alguns carros-conceito, como o Modulo, o Mythos e o Pinin. Alguns eram bastante radicais e nunca foram destinados à produção, enquanto outros apresentaram elementos de estilo posteriormente incorporados aos modelos de série. A maioria dos carros-conceito da Ferrari resultou de colaborações com o estúdio de design Pininfarina. O carro-conceito mais recente produzido pela própria Ferrari foi o Millechili, de 2010.

Também foram produzidas diversas versões especiais únicas de automóveis de rua da Ferrari, encomendadas a encarroçadoras por proprietários abastados. Entre os exemplos estão o P4/5[77] e o 612 Kappa.

Programa Special Projects

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O programa Special Projects, também chamado Portfolio Coachbuilding Program, foi lançado em 2008 para reviver a tradição dos modelos Ferrari únicos ou de produção limitada com carrocerias especiais, permitindo que os clientes trabalhassem com a empresa e com importantes encarroçadoras italianas na criação de modelos personalizados baseados em automóveis de rua modernos da Ferrari.[78][79] A engenharia e o design são realizados pela Ferrari, por vezes em cooperação com casas de design externas, como a Pininfarina ou a Fioravanti, e os veículos recebem homologação completa para circular em vias públicas.[79] Desde a criação do centro de estilo interno da Ferrari, em 2010, porém, o foco afastou-se parcialmente das encarroçadoras externas e passou a privilegiar novos projetos internos para os clientes.[80][81]

O primeiro carro concluído no âmbito do programa foi o SP1, de 2008, encomendado por um empresário japonês. O segundo foi o P540 Superfast Aperta, encomendado por um colecionador estadunidense.[79]

Biocombustíveis e automóveis híbridos

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Um F430 Spider movido a etanol foi exibido no Salão do Automóvel de Detroit de 2008. No Salão do Automóvel de Genebra de 2010, a Ferrari apresentou uma versão híbrida do 599, então seu modelo de topo. Denominado “HY-KERS Concept”, o sistema híbrido da empresa acrescentava mais de 100 cavalos-vapor aos 612 cv do 599 Fiorano.[82] Em meados de 2014, o LaFerrari, também um modelo de topo, entrou em produção com um sistema híbrido. A Ferrari lançou seu primeiro híbrido plug-in em 2019, o SF90 Stradale, seguido pelo 296 em 2021.[83]

Identidade

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O “Cavalo Rampante”

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O símbolo da Ferrari é o “Cavalo Rampante” (em italiano, Cavallino Rampante), um cavalo preto empinado sobre fundo amarelo. Pequenos detalhes de sua aparência mudaram diversas vezes, mas sua forma permaneceu constante: ele é sempre apresentado como um escudo, com o tricolor italiano acima do cavalo e as iniciais SF (“Scuderia Ferrari”) abaixo, ou como um retângulo, no qual “SF” é substituído pela palavra “Ferrari”, escrita com a tipografia característica da empresa.[84]

Enzo Ferrari relatou uma versão para a origem do cavalo. Segundo ele, após uma vitória em Ravena em 1923, recebeu a visita da família de Francesco Baracca, falecido ás da aviação que pintava o emblema em seu avião. Paolina de Biancoli, mãe de Francesco, sugeriu que Ferrari adotasse o cavalo como amuleto de boa sorte; ele aceitou, e o Cavalo Rampante foi utilizado pela primeira vez por sua equipe de corrida em 1932, aplicado a um Alfa Romeo 8C sobre um fundo amarelo-canário — a “cor de Módena”, cidade natal de Enzo.[84][6]:43 A versão retangular do Cavalo Rampante é utilizada desde 1947, quando o Ferrari 125 S, também o primeiro carro esportivo da marca, tornou-se o primeiro a ostentá-la.[84]

Um Ferrari 550 pintado em rosso corsa. As duas versões do logotipo do Cavalo Rampante estão presentes: o escudo fica à frente da porta e o retângulo, sobre o capô. O cavalo isolado também aparece nas rodas, na grade e nos bancos.

Durante muitos anos, o rosso corsa (“vermelho de corrida”)[85] foi a cor obrigatória de todos os carros de corrida italianos. Ela também está intimamente associada à Ferrari: mesmo depois que as regras de pintura mudaram e permitiram que as equipes deixassem de utilizar suas cores nacionais, a Scuderia Ferrari continuou pintando seus carros de vermelho vivo, como faz até hoje.[86] Nos automóveis de rua, o vermelho sempre esteve entre as opções mais populares da empresa: em 2012, 40% dos Ferraris saíram da fábrica nessa cor, enquanto no início da década de 1990 a proporção chegava a 85%.[85][87] Alguns modelos, como o 288 GTO, foram oferecidos apenas em vermelho.[85]

Embora o rosso corsa seja a cor mais associada à Ferrari,[85][88] nem sempre foi a única escolha. Ferraris inscritos por equipes privadas competiram com diversas cores, e um 250 GT SWB, utilizado como carro de testes do 250 GTO, foi um raro veículo oficial que não era vermelho: competiu em azul.[89][90] Em um caso particularmente notável de 1964, enquanto protestava contra os requisitos de homologação da FIA, a empresa transferiu seus recursos de competição para a North American Racing Team, equipe afiliada sediada nos Estados Unidos. Como resultado, a Ferrari e o piloto John Surtees venceram o Campeonato Mundial de Fórmula 1 de 1964 com as cores estadunidenses — azul, com uma faixa branca de corrida.[91][92] No início da década de 2010, o vermelho também havia se tornado menos comum nos automóveis de rua da Ferrari, concorrendo com cores recém-populares como amarelo, prata e branco.[87][88]

Em referência tanto à popularidade do rosso corsa quanto à força da marca Ferrari, atribui-se a Enzo Ferrari a frase: “Peça a uma criança que desenhe um carro e certamente ela o pintará de vermelho.”[85]

Imagem da marca

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A imagem da marca Ferrari foi descrita pelo The Wall Street Journal como “sinônimo de opulência, trabalho artesanal meticuloso e carros absurdamente rápidos há quase um século”.[93] Em razão da combinação de seus automóveis, da cultura de entusiastas e de acordos de licenciamento bem-sucedidos, a consultoria financeira Brand Finance classificou a Ferrari como a marca mais forte do mundo em 2019.[94]

Um Ferrari 360 cor-de-rosa. A Ferrari não oferece pintura cor-de-rosa de fábrica e desencoraja os clientes a personalizar seus automóveis de maneira contrária à imagem da marca.

A Ferrari administra meticulosamente sua imagem e a percepção pública: toma amplas medidas para proteger suas marcas registradas, e espera-se que os clientes respeitem suas regras e orientações ao cuidar dos automóveis. A empresa é conhecida por processos judiciais frequentes e variados, relacionados a temas como o formato da carroceria do Ferrari 250 GTO,[95] os direitos exclusivos sobre nomes de modelos, entre eles “Testarossa” e “Purosangue”,[96][97] réplicas de veículos e diversas modificações não autorizadas feitas por proprietários.[98] Por meio de um sistema de recompensas, pessoas podem receber pagamentos por denunciar à empresa produtos Ferrari falsificados.[99]

A Ferrari procura cultivar uma imagem de exclusividade e luxo refinado. Para isso, a produção de veículos é deliberadamente mantida abaixo da demanda, e os compradores são classificados internamente segundo sua atratividade e fidelidade.[100] Alguns automóveis só podem ser adquiridos por clientes que já possuíram vários Ferraris,[101] e os supercarros mais exclusivos da empresa, como o LaFerrari, têm listas de espera muitas vezes superiores à produção total, sendo selecionados apenas os clientes mais fiéis.[102] Em 2015, o diretor de vendas da empresa afirmou que o objetivo dessa estratégia era preservar o valor da marca e “manter vivo este sonho que se chama Ferrari”.[100]

A Ferrari incentiva os compradores a personalizar seus automóveis, mas apenas por canais oficiais, que incluem o programa Tailor Made para pacotes de acabamento sob medida e iniciativas especiais de carroceria para encomendas mais exigentes.[103] As opções oferecidas são amplas, mas sempre respeitam a imagem desejada pela Ferrari — por exemplo, a empresa não oferece pintura cor-de-rosa. Em 2017, o diretor-executivo da divisão da Australásia afirmou que essa e outras personalizações semelhantes eram “contrárias aos princípios da empresa” e que se tratava de “uma regra da marca. Nada de rosa. Nada de Ferraris de Pokémon!”.[104]

Ferrari 458 Italia personalizado de Deadmau5 no Gumball 3000 de 2014.

Além disso, a empresa impõe restrições ao que os proprietários podem fazer: diversas modificações são proibidas,[98] e críticas à companhia são desencorajadas. As condições de venda, destinadas a impedir a revenda especulativa, proíbem a alienação não autorizada durante o primeiro ano de propriedade; os compradores devem assinar um contrato que concede a uma concessionária Ferrari o direito de preferência caso o automóvel seja colocado à venda, permitindo que a empresa selecione o próximo cliente do veículo.[105] Compradores que desrespeitam essas regras são incluídos em uma “lista negra” e podem ser impedidos de adquirir um Ferrari por meios oficiais.[105][106]

Por vezes, o desejo da Ferrari de preservar a percepção da marca entra em conflito com a vontade de seus clientes. Em um episódio de 2014, o músico Deadmau5 recebeu uma notificação de cease and desist relacionada a seu 458 Italia altamente personalizado. O carro, que ele chamou de “Purrari”, tinha emblemas personalizados e um revestimento temático de Nyan Cat, e foi colocado à venda no Craigslist.[98][107] Em outro caso, a empresa processou o estilista Philipp Plein por publicações consideradas “de mau gosto” no Instagram, nas quais aparecia seu 812 Superfast particular. As imagens mostravam duas modelos em poses sugestivas sobre o carro e foram consideradas pela Ferrari uma “apropriação ilegal” da marca para promover as roupas de Plein, além de incompatíveis com a percepção pretendida para a marca.[108]

Assuntos corporativos

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Em 1963, a Ford Motor Company abordou Enzo Ferrari sobre uma possível aquisição.[109] A Ford examinou os ativos da Ferrari, mas as negociações jurídicas e empresariais foram unilateralmente encerradas por Ferrari quando ele percebeu que a proposta não lhe permitiria continuar à frente do programa de competição da empresa. Henry Ford II então orientou sua divisão de automobilismo a negociar com a Lotus, a Lola Cars e a Cooper para construir um automóvel capaz de derrotar a Ferrari no circuito mundial de resistência, o que acabou resultando na produção do Ford GT40 em 1964.

Após o fracasso do acordo com a Ford, a FIAT apresentou à Ferrari uma proposta mais flexível e adquiriu o controle da empresa em 1969. Enzo Ferrari manteve uma participação de 10%, atualmente pertencente a seu filho Piero Ferrari.

A Ferrari administra internamente uma linha de produtos licenciados com sua marca, que inclui óculos, canetas, lápis, produtos eletrônicos, perfumes, colônias, roupas, bicicletas de alta tecnologia, relógios, telefones celulares e computadores portáteis.

A empresa também mantém o Museo Ferrari, em Maranello, que expõe automóveis de rua e de corrida, além de outros objetos relacionados à história da companhia.[110][111]

Programa Formula Uomo

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Em 1997, a Ferrari lançou um esforço planejado de longo prazo para melhorar a eficiência corporativa geral, a produção e o bem-estar dos funcionários. O programa, chamado Formula Uomo, tornou-se um estudo de caso em sustentabilidade social.[112] Sua implementação completa levou mais de dez anos e envolveu investimentos superiores a 200 milhões de euros, em valores de 2008.[113]

Parcerias técnicas

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A Ferrari mantém uma relação de longa data com a petrolífera Shell, inicialmente do fim da década de 1950 ao início da década de 1970 e novamente desde 1996. A Shell desenvolve e fornece combustíveis e óleos às equipes da Scuderia Ferrari na Fórmula 1 e no Campeonato Mundial de Endurance, além das equipes da Ducati Corse no MotoGP e no Campeonato Mundial de Superbike. A gasolina premium Shell V-Power teria sido desenvolvida com base nos muitos anos de experiência técnica conjunta entre a Shell e a Ferrari.[114]

Ao longo dos anos, a Ferrari celebrou acordos para fornecer motores de Fórmula 1 a diversas outras equipes e, para o ciclo de regulamentos de 2026, anunciou que forneceria unidades de potência à equipe Cadillac por meio da Andretti Formula Racing, além de manter o fornecimento à Haas F1 Team.[115][116]

Histórico de vendas

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Até o fim de 2019, a Ferrari havia construído e vendido 219 062 automóveis ao longo de toda a história da empresa.[117]

Em outubro de 2023, a Ferrari começou a aceitar pagamentos em criptomoedas por seus veículos nos Estados Unidos, com a intenção de ampliar o sistema para a Europa em 2024. Os pagamentos em criptomoedas seriam imediatamente convertidos em moeda tradicional para evitar oscilações de preço.[118][119]

Vendas anuais da Ferrari a clientes finais (número de veículos homologados)
AnoVendas
1947[120] 3
1948[120] 5
1949[120] 21
1950[120] 25
1951[120] 33
1952[120] 44
1953[120] 57
1954[120] 58
1955[120] 61
1956[120] 81
1957[120] 113
1958[120] 183
1959[120] 248
1960[120] 306
1961[120] 441
1962[120] 493
1963[120] 598
1964[120] 654
1965[120] 619
1966[120] 928
AnoVendas
1967[120] 706
1968[120] 729
1969[120] 619
1970[120] 928
1971[120] 1.246
1972[120] 1.844
1973[120] 1.772
1974[120] 1.436
1975[120] 1.337
1976[120] 1.426
1977[121] 1.798
1978[120] 1.939
1979[120] 2.221
1980[120] 2.470
1981[120] 2.565
1982[120] 2.209
1983[122] 2.366
1984[123] 2.856
1985[121] 3.051
1986[121] 3.663
AnoVendas
1987[124] 3.942
1988[125] 4.001
1989[125] 3.821
1990[126] 4.293
1991[126] 4.487
1992[126] 3.384
1993[126] 2.345
1994[126] 2.671
1995[126] 3.144
1996[127] 3.350
1997[127] 3.581
1998[128] 3.652
1999[128] 3.775
2000[129] 4.070
2001[130] 4.289
2002[131] 4.236
2003[132] 4.238
2004[133] 4.975
2005[134] 5.409
2006[135] 5.671
AnoVendas
2007[136] 6.465
2008[137] 6.587
2009[138] 6.250
2010[139] 6.461
2011[140] 7.001
2012[141] 7.318
2013[142] 6.922
2014[143] 7.255
2015[144] 7.664
2016[145] 8.014
2017[146] 8.398
2018[147] 9.251
2019[148] 10.131
2020[149] 9.119
2021[150] 11.115
2022[151] 13.221
2023[152] 13.663
2024[152] 13.752
‡ O número refere-se às unidades produzidas, não às unidades vendidas.
† O número refere-se às unidades entregues, não às unidades vendidas.
Vendas anuais da Ferrari a clientes finais (número de veículos homologados)

Chamadas para reparação

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Em janeiro de 2020, a fabricante italiana anunciou o recall de 982 veículos devido aos airbags do passageiro, no âmbito dos recalls de airbags da Takata.[153] Caso o inflador explodisse, o airbag poderia lançar fragmentos metálicos contra os ocupantes e causar ferimentos graves.[153][154] Todos os automóveis envolvidos receberiam um novo conjunto de airbag do lado do passageiro, equipado com um inflador sem o propelente perigoso.[153]

Em 8 de agosto de 2022, a empresa convocou para recall quase todos os carros vendidos nos Estados Unidos desde 2005 por causa de uma possível falha nos freios.[155][156] Segundo um documento de recall apresentado à Administração Nacional de Segurança do Tráfego Rodoviário, 23 555 modelos Ferrari vendidos no país estavam equipados com uma tampa potencialmente defeituosa no reservatório do fluido de freio, que poderia não liberar adequadamente a pressão.[155] Os automóveis afetados receberiam uma tampa substituta e uma atualização de software.[155]

Lojas e atrações

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Existem aproximadamente trinta butiques Ferrari no mundo, das quais duas pertencem à empresa e as demais operam como franquias. As lojas vendem roupas da marca,[157] acessórios e objetos de coleção relacionados às corridas; algumas também possuem simuladores de corrida nos quais os visitantes podem dirigir veículos Ferrari virtuais. As roupas incluem coleções sofisticadas e linhas de menor preço para homens, mulheres e crianças.[158] A Ferrari estreou sua marca de alta-costura com seu primeiro desfile em junho de 2021.[159]

Há também dois parques de diversão temáticos da Ferrari:

  • O Ferrari World Abu Dhabi, inaugurado em 2010, é o primeiro parque temático da marca no mundo e está situado na Ilha de Yas, em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos. Possui 37 brinquedos e atrações e abriga a montanha-russa mais rápida do mundo, a Formula Rossa, além da Flying Aces, montanha-russa dinâmica com um dos loops mais altos do mundo.[160]
  • O Ferrari Land, inaugurado em 2017, é o segundo parque de diversão temático da Ferrari e está localizado no complexo PortAventura World, na Catalunha, Espanha. Possui 16 brinquedos e atrações e abriga a Red Force, a montanha-russa de aceleração vertical mais rápida e alta da Europa.[161]

Liderança da empresa

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Presidentes

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Diretores-executivos

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Ver também

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Notas e referências

Notas

  1. Produzindo desde 1947[1][2]
  2. Pronúncia em português brasileiro: [feˈʁaɾi]; pronúncia em português europeu: [fɨˈʁaɾɨ]; pronúncia em italiano: [ferˈraːri]
  3. O Dino 206 GT foi precedido pelo 250 LM Stradale e pelo 365 P Berlinetta Speciale. Ambos eram baseados em carros de corrida com motor central já existentes e foram produzidos em quantidades extremamente limitadas.[20][21]

Referências

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