Aimarás
Bandeira aimara | |
| População total | |
|---|---|
| c. 2,4 milhões | |
| Regiões com população significativa | |
| 1 598 807 (2012)[1] | |
| 548 292 (2017)[2] | |
| 156 754 (2017)[3] | |
| 20 822 (2012)[4] | |
| Línguas | |
| aimará, castelhano | |
| Religiões | |
| Grupos étnicos relacionados | |
| Quíchuas, Uros" | |
Os aimaras[5] ou aimará[5] (em aimara: aimara ⓘ), também conhecidos como quollas ou kollas.[6] ( em quíchua: Qulla, do sul) [7] é um povo estabelecido desde a era pré-colombiana na Bolívia, no sul do Peru e no norte da Argentina e do Chile.
História
[editar | editar código]Historiadoras das tradições Aimarás como Thérèse Bouysse-Cassagne e Teresa Gisbert, além do linguista Alfredo Torero, postulam uma ligação com a política pré-inca Tiwanaku. [8] Os Aimarás vivem em sua região há séculos. Sillustani é um cemitério pré-histórico Qulla no Peru, com elaboradas chullpas de pedra.
Vários grupos compunham o povo Qulla, incluindo os Zenta e os Gispira.[9] Os Qulla entraram em contato com espanhóis em 1540. Eles resistiram à invasão espanhola por muitos anos, mas acabaram fracassando e seu território caiu em mãos espanholas. Uma líder rebelde particularmente famosa foi Ñusta Willaq, uma guerreira que lutou contra os espanhóis em 1780.[10].
Em 31 de agosto de 1945, comunidades Qulla nas províncias argentinas do noroeste: Jujuy e Salta, por meio de um grupo de representantes, enviaram uma nota ao Conselho Nacional Agrário exigindo a restituição de suas terras, em conformidade com as leis anteriores. [11] Em 17 de janeiro de 1946, o presidente Edelmiro Julián Farrell assinou o decreto de expropriação. Mas, à medida que os fundos para os levantamentos e papelada necessários estavam em andamento, a direção do Conselho passou para outras pessoas, que os bloquearam. Em 1946, o povo Qulla juntou-se ao Malón de la Paz, uma marcha até a capital Buenos Aires para exigir a devolução de suas terras. [11]
Em 1985, o governo argentino reconheceu oficialmente os povos indígenas daquele país pela Lei 23303. Uma epidemia de cólera afetou a população Qulla no final do século XX. [12] Em agosto de 1996, muitos Qulla ocuparam e bloquearam as estradas para suas terras tradicionais, mas foram violentamente reprimidos pela polícia. Em 19 de março de 1997, o povo Qulla finalmente recuperou a posse legal da propriedade nos Yungas argentinos. [9]
Língua
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Na Bolívia existem cerca de 1.200.000 falantes do idioma aimara, sendo a forma falada na capital La Paz considerada a forma mais pura e estruturada da língua, havendo concentrações nos departamentos de Oruro e Chuquisaca.
No Peru os falantes da língua aimara somam mais de 300.000 pessoas, o que leva a supor que o grupo étnico é bem maior. Aí estão mais concentrados no departamento de Puno (perto do Lago Titicaca), nas regiões Moquegua, Arequipa e Tacna.
No Chile, a população aimara é grande, havendo cerca de 50.000 falantes também habitando nas regiões andinas do norte do pais, em Tarapacá e Antofagasta.
Existem também cerca de 10.000 falantes do idioma aimara no oeste da Argentina. Na atualidade há quase 2,5 milhões de pessoas de etnia e língua aimara, na zona dos Andes. São o segundo grupo nativo, só superado pelos quíchuas com quase 15 milhões de pessoas espalhadas pelos Andes da Colômbia até a Argentina).
Alguns acreditam que o idioma aimara é aparentado com o idioma quíchua língua original do Império Inca embora fortes objeções de vários estudiosos. Os que defendem o parentesco lingüístico se baseiam nas similitudes (por exemplo a palavra Condor é Kuntura em aimara e Kuntur em quíchua).
O que se tem de considerar é que, embora adiantados e prósperos, os reinos aimaras originais acabaram sendo dominados pelo imperador inca Huayna Capac entre os anos de 1493 e 1525.
Embora a anexação tenha sido compulsória mas não necessariamente violenta, a inclusão dos aimaras no império acabou influenciando a língua local pela adoção da língua oficial para alguns efeitos burocráticos.
De resto, a influência lingüística quíchua é reflexo direto da influência cultural inca que impôs sua religião na qual o próprio imperador era tido como uma divindade (Huayna Capac mandou os arquitetos e artesãos aimaras irem para Cuzco para aprender as técnicas construtivas e estilo Inca para erigir templos e outras construções imperiais)
O processo não foi diferente do que ocorreu com a posterior dominação espanhola que impregnou no idioma aimara hodierno com vários vocábulos e expressões da língua espanhola.
Aí ocorreu outro fenômeno - embora a língua espanhola tenha sido ferreamente inserida, tanto que é língua oficial numa parte significativa da América do Sul, o idioma aimara, a exemplo de várias línguas locais, foi preservado porque os Jesuítas o utilizaram como língua de catequização vertendo-a por escrito em caracteres latinos.
Na atualidade, os aimara falantes não têm chance de espalhar mais sua língua pelas regiões perto do Lago Titicaca porque não se usa como língua comercial ou de trabalho. O futuro do povo aimara é incerto, já que eles sofrem discriminação e o governo do Peru, por exemplo, não lhes dá força para se desenvolver melhor.
A situação é diferente na Bolívia onde o povo aimara está começando a ressurgir, com líderes como Evo Morales, que faz campanhas sociais para melhorar o desenvolvimento dos povos e do principal cultivo: a coca.
Religião
[editar | editar código]Os aymarás acreditavam que, antes havia somente trevas, até que um Deus denominado como "Pusica’ka", criou a luz, a lua, o sol, o céu, a terra, os homens e as demais coisas visíveis. Uma virgem, denominada como "Iqui", teria, sem relações sexuais, concebido e parido um filho de "Pusica’ka", denominado como "Tunupa", que, quando ficou mais velho, fez grandes maravilhas e obras prodigiosas: nivelou as montanhas e colinas, levantou as planícies e os vales, além disso, os animais e as feras lhe obedeciam. Desse modo, os aimaras, costumavam atribuir qualquer obra prodigiosa a "Tunupa".[13]
Referências
- ↑ «Censo de Población y Vivienda 2012 Bolivia Características de la Población». Instituto Nacional de Estadística, República de Bolivia. p. 29
- ↑ «Perú: Perfil Sociodemográfico» (PDF). Instituto Nacional de Estadística e Informática. p. 214
- ↑ «Síntesis de Resultados Censo 2017» (PDF). Instituto Nacional de Estadísticas, Santiago de Chile. p. 16
- ↑ «Censo Nacional de Población, Hogares y Viviendas 2010: Resultados definitivos: Serie B No. 2: Tomo 1» (PDF) (em espanhol). INDEC. p. 281. Consultado em 5 de dezembro de 2015. Arquivado do original (PDF) em 8 de dezembro de 2015
- 1 2 Paulo Correia; Direção-Geral da Tradução — Comissão Europeia (Outono de 2012). «Etnónimos, uma categoria gramatical à parte?» (PDF). Sítio Web da Direção-Geral de Tradução da Comissão Europeia no portal da União Europeia. a folha — Boletim da língua portuguesa nas instituições europeias (N.º 40): 28. ISSN 1830-7809. Consultado em 13 de janeiro de 2013
- ↑ AndrÉ Luiz Palhardi, O Império dos 4 Cantos do Mundo (em português) Clube de Autores, 2009 p 177 ISBN 9788591609000
- ↑ Teofilo Laime Ajacopa, Diccionario Bilingüe Iskay simipi yuyayk'ancha, La Paz, 2007 (Quechua-Spanish dictionary)
- ↑ Thomas Alan Abercrombie. «Pathways of Memory and Power». Ethnography and History Among an Andean People (em inglês). 1998. Consultado em 14 de abril de 2026
- 1 2 World Rainforest Movement. «Argentina: the struggle of the Kolla people». WRM's bulletin Nº 5, (em inglês). October 1997. Consultado em 14 de abril de 2026
- ↑ Mary Ellen Snodgrass. «Women Warriors in History» (em inglês). 2023. Consultado em 14 de abril de 2026
- 1 2 Diana Lenton. «The New Cultural History of Peronism» (em inglês). 2010. Consultado em 14 de abril de 2026
- ↑ UNHCR (2012). «Argentina: Current information on abuses committed against the Kolla» (em inglês). Consultado em 14 de abril de 2026
- ↑ Juan Ludovico Bertonio Gaspari: “Vita Christi”, em espanhol. acesso em 22 de abril de 2018.
