2025_EM_V1
3 a Língua Portuguesa
Série
Textos contemporâneos
portugueses – Parte 2
4o bimestre Ensino
Aula 6 Médio
Conteúdos Objetivos
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● Literatura portuguesa contemporânea; ● Ler texto(s) de autor português
● Colocação pronominal. contemporâneo;
● Compreender efeitos de sentido,
nuances, ideias subentendidas etc.;
● Refletir sobre temas e características
recorrentes no gênero;
● Analisar casos de colocação
pronominal.
Relembre
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5 minutos
Na aula anterior, abordamos as principais
características da literatura portuguesa
contemporânea.
Em seguida, analisamos um trecho inicial da
obra “Ensaio sobre a cegueira”, de José
Saramago.
1. O que chamou sua atenção na
leitura da aula anterior?
2. Quais são as principais
características literárias da obra de
Saramago?
VIREM E CONVERSEM
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Foco no conteúdo
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HORA DA LEITURA
Nesta aula, vamos realizar a leitura de outro texto de Saramago. Leia a crônica a seguir.
A neve preta
José Saramago
Bem sei que estamos fora da estação: o Inverno já lá vai, temos agora aí o calor, a praia, as
sombras das grandes árvores, o sol duro que nos amolece, as tardes apetecidas, as noites
mornas que ondulam como pesados e macios veludos negros. Falar de neve em Junho
mostra uma lamentável falta de sentido da oportunidade. Mas, tal como debaixo dos pés se
levantam os trabalhos, também o acaso dos encontros pode inverter a ordem das estações e
trazer o Inverno para o pino do Verão e fazer passar por nós um terrível frio que nenhum
agasalho será capaz de vencer. Porque, não me cansarei nunca de o dizer, é preciso muito
cuidado com as crianças.
Estes pequenos filhos dos homens têm andado pelas minhas crónicas. Mas de crianças
tenho falado como quem as conhece bem, só porque também por lá passou. E agora
pergunto: que são as crianças? Dez mil pedagogos se preparam para me responder. Afasto
de antemão as respostas, umas que já conheço, outras que adivinho, e torno a perguntar:
que são crianças?
(SARAMAGO, 1997)
Foco no conteúdo
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Que seres estranhos são esses que viram para nós os seus rostos frescos, que nos
perturbam às vezes com um olhar subitamente profundo e sábio, que são irónicos e gentis,
débeis e implacáveis, e sempre tão alheios? Temos pressa de os ver crescer, de os admitir
no clã dos adultos sem surpresas. Somos impacientes, nervosos, porque estamos diante de
uma espécie desconhecida… Quando passam a ser nossos iguais, falamos-lhes da infância
que tiveram (a que recordamos, como observadores do lado de fora) e sentimo-nos quase
ofendidos porque eles não gostam de ouvir lembrar uma situação em que já não se
reconhecem. São adultos, agora: outra espécie humana, portanto.
Nessa infância está, por exemplo, a história que vou contar e que devo a um desses tais
encontros de acaso. E depois de eu a reproduzir aqui, dir-me-ão se não tenho razões para
insistir: é preciso cuidado com as crianças… Não o cuidado comum, que tende a prevenir
acidentes, aqueles que aparecem sob esta rubrica nas notícias dos jornais, mas um outro
cuidado, mais melindroso e subtil. Eu explico.
(SARAMAGO, 1997)
Foco no conteúdo
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Uma professora mandou um dia aos seus alunos que fizessem uma composição plástica sobre o
Natal. Não falou assim, claro. Disse uma frase como esta: “Façam um desenho sobre o Natal.
Usem lápis de cores, ou aquarelas, ou papel de lustro, o que quiserem. E tragam na
segunda-feira.” Assim ou não assim, os alunos fizeram o trabalho. Apareceu tudo quanto é
costume aparecer nestes casos: o presépio, os Reis Magos, os pastores, S. José, a Virgem e o
Menino Jesus. Mal feitos, bem feitos, toscos ou apuradinhos, os desenhos caíram na
segunda-feira em cima da secretária da professora. Ali mesmo ela os viu e apreciou. Ia marcando
“bom”, “mau”, “suficiente”, enfim, os transes por que todos nós passámos. De repente… Ah, mas
é preciso muito cuidado com as crianças! A professora segura um desenho nas mãos, e esse
desenho não é melhor nem pior que os outros. Mas ela tem os olhos fixos, está perturbada; o
desenho mostra o inevitável presépio, a vaca e o burrinho, e toda a restante figuração. Sobre esta
cena sem mistério cai a neve, e esta neve é preta. Porquê?
“Porquê?”, pergunta a professora, em voz alta, à criança. O rapazinho não responde. Talvez mais
nervosa do que quer mostrar, a professora insiste. Há na sala os cruéis risos e murmúrios de rigor
nestas situações. A criança está de pé, muito séria, um pouco trémula. E, por fim, responde: “Fiz
a neve preta porque foi nesse Natal que a minha mãe morreu…”
Daqui por um mês chegaremos à Lua. Mas quando e como chegaremos nós ao espírito de uma
criança que pinta a neve preta porque a mãe lhe morreu?
(SARAMAGO, 1997)
Na prática 15 minutos VIREM E CONVERSEM
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Em grupos, discutam a questão a seguir para compartilhar as reflexões sobre o texto lido.
Como o trecho “Daqui por um mês chegaremos à Lua. Mas quando e como chegaremos nós
ao espírito de uma criança que pinta a neve preta porque a mãe lhe morreu?” (SARAMAGO,
1997) se conecta à reflexão sobre o significado emocional da “neve preta” e a experiência
humana representada pela criança? Que crítica social o autor sugere com essa
comparação?
Na prática
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Correção
Como o trecho “Daqui por um mês chegaremos à Lua. Mas quando e como
chegaremos nós ao espírito de uma criança que pinta a neve preta porque a mãe lhe
morreu?” (SARAMAGO, 1997) se conecta à reflexão sobre o significado emocional da
“neve preta” e a experiência humana representada pela criança? Que crítica social o
autor sugere com essa comparação?
O trecho evidencia o contraste entre os avanços tecnológicos da humanidade, como a
chegada à Lua, e a incapacidade de compreender e lidar com as profundezas das
experiências emocionais humanas, como a dor de uma criança que perdeu a mãe. A “neve
preta” simboliza o luto e a complexidade das emoções, sugerindo que, enquanto a
humanidade avança em termos científicos, falha em alcançar a mesma profundidade na
compreensão de sentimentos e relações humanas. A crítica social de Saramago aponta para
a desumanização e a indiferença emocional presentes em uma sociedade mais focada no
progresso técnico do que na empatia.
Na prática Atividade 1 Veja no livro! 5 minutos
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No trecho “São adultos, agora: outra espécie humana, portanto” (SARAMAGO, 1997),
como Saramago retrata a fase adulta em contraste com a infância?
A A vida adulta é marcada por espontaneidade e curiosidade, substituindo a racionalidade e o
pragmatismo da infância.
B A infância e a vida adulta coexistem, mas são expressões diferentes da mesma essência
humana.
C A expressão “outra espécie humana” sugere uma transformação radical, que distancia os
adultos de valores como empatia, curiosidade e sensibilidade presentes na infância.
D Saramago sugere que a infância e a vida adulta são complementares, mas nem sempre se
compreendem.
E A transição para a vida adulta ocorre de forma natural e sem grandes rupturas emocionais.
Na prática Correção
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No trecho “São adultos, agora: outra espécie humana, portanto” (SARAMAGO, 1997),
como Saramago retrata a fase adulta em contraste com a infância?
A A vida adulta é marcada por espontaneidade e curiosidade, substituindo a racionalidade
e o pragmatismo da infância.
B A infância e a vida adulta coexistem, mas são expressões diferentes da mesma essência
humana.
C A expressão “outra espécie humana” sugere uma transformação radical, que distancia
os adultos de valores como empatia, curiosidade e sensibilidade presentes na infância.
D Saramago sugere que a infância e a vida adulta são complementares, mas nem sempre
se compreendem.
E A transição para a vida adulta ocorre de forma natural e sem grandes rupturas
emocionais.
Na prática
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Correção
A alternativa correta é a C. O trecho “são adultos, agora: outra
espécie humana, portanto” (SARAMAGO, 1997) indica a visão do
autor sobre a transformação que ocorre na transição da infância para a
vida adulta. Essa mudança é apresentada como algo que altera
profundamente a essência das pessoas.
Os adultos são descritos como distantes da simplicidade e da
espontaneidade da infância, adquirindo características que os tornam
quase irreconhecíveis em comparação ao que eram como crianças. A
expressão “outra espécie humana” reforça a ideia de que essa transição
é tão radical que parece criar um “novo tipo de ser”, emocionalmente
mais afastado e desconectado de Valores, como a empatia, a
curiosidade e a sensibilidade, que quase irreconhecíveis em
comparação ao que eram quando crianças.
Foco no conteúdo
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Colocação pronominal
Na aula anterior, observamos que os pronomes oblíquos átonos podem ser atraídos para antes do
verbo por alguma palavra, expressão ou tipo de oração. Essa colocação é classificada de próclise.
Um outro tipo de classificação é a ênclise, que ocorre quando o pronome oblíquo é colocado
após o verbo.
Casos nos quais a ênclise é necessária:
• Quando o verbo inicia a oração (que não esteja no futuro do presente ou no futuro do
pretérito, casos que pedem a mesóclise): Disse-me que voltaria cedo.
• Quando o verbo está no infinitivo impessoal: Era necessário organizar-se antes da
reunião.
• Em orações reduzidas de gerúndio (se não houver nenhuma palavra atrativa):
Estudando-se as regras, percebe-se a lógica da gramática.
• Em orações imperativas afirmativas: Esforcem-se para alcançar seus objetivos.
• Quando houver infinitivo não flexionado, precedido da preposição a, nos casos em que
se empregarem os pronomes o, a, os, as: Ele voltou a queixar-se da falta de organização.
Foco no conteúdo
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Colocação pronominal
Por fim, temos a mesóclise, que ocorre quando o pronome oblíquo é colocado no meio do
verbo, sendo utilizada exclusivamente nos tempos verbais futuro do presente e futuro do
pretérito, quando não há palavras que exijam a próclise.
No conto que lemos, há uma passagem em que o autor utiliza a mesóclise:
“E depois de eu a reproduzir aqui, dir-me-ão se não tenho razões para insistir”
(SARAMAGO, 1997)
Essa construção, embora gramaticalmente correta, é pouco usada na oralidade e mais
comum na escrita formal. Na linguagem cotidiana, é geralmente substituída pela próclise.
Foco no conteúdo
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A colocação pronominal no texto
Leia o trecho de “A neve preta”:
“Quando passam a ser nossos iguais, falamos-lhes da infância
que tiveram (a que recordamos, como observadores do lado de
fora) e sentimo-nos quase ofendidos porque eles não gostam de
ouvir lembrar uma situação em que já não se reconhecem.”
(SARAMAGO, 1997)
1. Qual foi o tipo de colocação pronominal empregada?
2. Trata-se de um uso facultativo da colocação pronominal?
3. Há diferença na estrutura dos verbos com o emprego do
pronome “lhe” e “nos”?
Foco no conteúdo
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Vamos analisar o trecho?
“Quando passam a ser nossos iguais,
falamos-lhes da infância que tiveram (a que
recordamos, como observadores do lado de
Em “falamos-lhes” e “sentimo-nos”,
fora) e sentimo-nos quase ofendidos porque
o verbo inicia a oração, configurando,
eles não gostam de ouvir lembrar uma
portanto, um caso de ênclise
situação em que já não se reconhecem.”
(SARAMAGO, 1997) (pronome colocado após o verbo).
Assim, no trecho, não há um caso
facultativo entre próclise ou ênclise,
mas sim a obrigatoriedade do uso da
ênclise devido à posição do verbo.
Em casos de ênclise, não se usa o “s” final da primeira
pessoa do plural dos verbos quando seguida dos
pronomes “nos”, como em “sentimo-nos”. Quando o
verbo é seguido de “lhe” ou “lhes”, a forma verbal
mantém o “s”: “falamos-lhes”.
Na prática Atividade 2 Veja no livro! 5 minutos
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Em “Temos pressa de os ver crescer” (SARAMAGO, 1997), observa-se o
emprego da próclise. Caso o autor optasse pelo uso da ênclise,
A o trecho seria reescrito da seguinte forma: “Temos pressa de verlos crescer”.
seria uma inadequação gramatical, pois o trecho se trata de um caso obrigatório
B
de próclise.
C o trecho seria reescrito da seguinte forma: “Temos pressa de ver-los crescer”.
D o trecho seria reescrito da seguinte forma: “Temos pressa de vê-los crescer”.
seria uma inadequação gramatical, pois o trecho se trata de um caso obrigatório
E
de mesóclise.
Na prática Correção
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Em “Temos pressa de os ver crescer” (SARAMAGO, 1997), observa-se o
emprego da próclise. Caso o autor optasse pelo uso da ênclise,
A o trecho seria reescrito da seguinte forma: “Temos pressa de verlos crescer”.
B seria uma inadequação gramatical, pois o trecho se trata de um caso obrigatório
de próclise.
C o trecho seria reescrito da seguinte forma: “Temos pressa de ver-los crescer”.
D o trecho seria reescrito da seguinte forma: “Temos pressa de vê-los crescer”.
seria uma inadequação gramatical, pois o trecho se trata de um caso obrigatório
E de mesóclise.
Na prática
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Correção
A alternativa correta é a D. No trecho “Temos pressa de os ver crescer”
(SARAMAGO, 1997), o uso da próclise ou da ênclise está gramaticalmente
correto. Isso ocorre porque o verbo está no infinitivo ("ver"), e, nesse caso, a
colocação do pronome pode ser antes (próclise) ou depois (ênclise) do verbo,
dependendo da preferência estilística ou do contexto. Saramago deu
preferência ao uso da próclise, tendência portuguesa.
Para os verbos no infinitivo, terminados em “r”, quando seguidos por pronomes
átonos, devem ser adaptados. Nesses casos, acentua-se a vogal tônica e
acrescenta-se “l” antes do pronome. Exemplo: ver – vê-los.
Encerramento
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5 minutos
● Qual é a principal crítica social
abordada na crônica “A neve preta”
e como ela se relaciona com o
contexto histórico apresentado?
● Quais características da literatura
portuguesa contemporânea se
manifestam no texto analisado?
COM SUAS PALAVRAS
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Referências
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JUSTIÇA FEDERAL. Tribunal Regional Federal da 3a Região. Colocação pronominal (III): mesóclise e ênclise, 28
abr. 2025. Disponível em:
https://www.trf3.jus.br/emag/emagconecta/conexaoemag-lingua-portuguesa/colocacao-pronominal-iii-mesoclise-e-en
clise
. Acesso em: 14 jul. 2025.
LEMOV, D. Aula nota 10 3.0: 63 técnicas para melhorar a gestão da sala de aula. Porto Alegre: Penso, 2023.
MACHADO, J. B. Comentários linguísticos na obra ficcional de José Saramago. Revista de Letras, São Paulo, v.
63, n. 1, pp. 55-70, jan./jun. 2023. Disponível em:
https://periodicos.fclar.unesp.br/letras/article/download/18028/18273/77794. Acesso em: 14 jul. 2025.
ROSENSHINE, B. Principles of instruction: research-based strategies that all teachers should know. American
Educator, v. 36, n. 1, Washington, 2012. pp. 12-19. Disponível em: https://www.aft.org/ae/spring2012. Acesso em: 14
jul. 2025.
SÃO PAULO (Estado). Secretaria da Educação. Currículo Paulista: etapa Ensino Médio, 2020. Disponível em:
https://efape.educacao.sp.gov.br/curriculopaulista/wp-content/uploads/2023/02/CURR%C3%8DCULO-PAULISTA-eta
pa-Ensino-M%C3%A9dio_ISBN.pdf
. Acesso em: 14 jul. 2025.
SARAMAGO, J. Deste mundo e do outro. Alfragide: Editorial Caminho, 1997.
UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE (UERN). Processo Seletivo Vocacionado 2011.
Disponível em:
https://www.uern.br/controledepaginas/comperve-apresentacao/arquivos/0036prova_03_psv_2011.pdf. Acesso em:
14 jul. 2025.
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Aprofundando
A seguir, você encontra uma seleção de exercícios extras,
que ampliam as possibilidades de prática, de retomada e
aprofundamento do conteúdo estudado.
Aprofundando
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1. (UFGD 2022) Assinale a alternativa correta quanto à colocação
pronominal em língua portuguesa.
Não esqueçam-se de dizer que há desvio de conduta na administração
A
da crise no Brasil.
B Por outro lado, nada que se tenha dito foi comprovado.
C Acusariam-me até de roubar a merenda, se pudessem.
D Fala-se demasiado, mas não ouve-se ninguém.
E Se houver um culpado, que se prenda-se imediatamente.
Aprofundando Correção
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1. (UFGD 2022) Assinale a alternativa correta quanto à colocação
pronominal em língua portuguesa.
Correção:
Não esqueçam-se de dizer que há desvio de
A A alternativa correta é a letra B, porque
conduta na administração da crise no Brasil.
respeita a regra de próclise obrigatória
após o pronome “nada”. Todas as outras
Por outro lado, nada que se tenha
B apresentam erros de colocação
dito foi comprovado.
pronominal. A letra A desrespeita a
exigência de próclise após a negação. A
C Acusariam-me até de roubar a merenda, se letra C ignora o fato de que certos
pudessem. advérbios, como intensificadores, atraem o
pronome para antes do verbo. A letra D
Fala-se demasiado, mas não ouve-se comete erro ao posicionar o pronome
D
ninguém. depois do verbo em contexto de negação,
que exige próclise. Já a letra E apresenta
redundância pronominal, ao repetir
E Se houver um culpado, que se prenda-se desnecessariamente o pronome “se”.
imediatamente.
Aprofundando
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Veja no livro!
2. (UERN 2011)
Tendo nascido para trabalhar, seria uma contradição abusarem do descanso. A melhor
máquina é sempre a mais capaz de trabalho contínuo, lubrificada que baste para não
emperrar, alimentada sem excesso, e se possível no limite econômico da simples
manutenção, mas sobretudo de substituição fácil, se avariada está, velha outra, os depósitos
desta sucata chamam-se cemitérios, ou então senta-se a máquina nos portais, toda ela
ferrujosa e gemente, a ver passar coisa nenhuma, olhando apenas as mãos tristíssimas,
quem me viu e quem me vê.
(Saramago, José. Levantado do Chão, Ed. Caminho, 18.ª ed., p. 327)
Aprofundando
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(UERN 2011) A respeito do fragmento da obra de Saramago publicado em
“Outros cadernos de Saramago”, em 5 de novembro de 2010, com o título “Até
o limite”, é possível inferir que, ao utilizar a metáfora da máquina, o autor:
pretende exclusivamente utilizar os recursos poéticos que são comuns
A ao texto literário, provocando maior efeito de subjetividade e
expressividade em seu discurso.
critica o sistema de trabalho atual que prevê muitas horas de descanso
B para o trabalhador, do qual poderia ser exigido um pouco mais de
esforço, posto que esse é comparado a uma máquina.
Intenciona, primordialmente descrever a vida do trabalhador que, sendo
C máquina, muitas vezes é necessariamente substituído por outro,
completando, assim, o ciclo de sua vida útil.
visa refletir acerca da dura vida do homem trabalhador, de extenuante
D dedicação ao labor, com poucos recursos, sem a valorização
compatível com seu empenho.
Aprofundando Correção
2025_EM_V1
(UERN 2011) A respeito do fragmento da obra de Saramago publicado em
“Outros cadernos de Saramago”, em 5 de novembro de 2010, com o título “Até
o limite”, é possível inferir que, ao utilizar a metáfora da máquina, o autor:
pretende exclusivamente utilizar os recursos poéticos que são
A comuns ao texto literário, provocando maior efeito de
subjetividade e expressividade em seu discurso.
critica o sistema de trabalho atual que prevê muitas horas de
B descanso para o trabalhador, do qual poderia ser exigido um pouco
mais de esforço, posto que esse é comparado a uma máquina.
Intenciona, primordialmente descrever a vida do trabalhador que,
C sendo máquina, muitas vezes é necessariamente substituído por
outro, completando, assim, o ciclo de sua vida útil.
visa refletir acerca da dura vida do homem trabalhador, de
D extenuante dedicação ao labor, com poucos recursos, sem a
valorização compatível com seu empenho.
Aprofundando Correção
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No fragmento, Saramago utiliza a metáfora da máquina para criticar a
desumanização do trabalhador, que é visto como uma peça substituível,
exigida até o limite físico, com pouco descanso e reconhecimento. A alternativa
correta é a letra D, pois expressa com precisão essa reflexão sobre a vida
dura e a falta de valorização do homem que se dedica exaustivamente ao
trabalho.
2025_EM_V1
Para professores
Slide
2025_EM_V1
2
Habilidade: (EM13LP49) Perceber as peculiaridades estruturais e estilísticas de diferentes
gêneros literários (a apreensão pessoal do cotidiano nas crônicas, a manifestação livre e
subjetiva do eu lírico diante do mundo nos poemas, a múltipla perspectiva da vida humana e
social dos romances, a dimensão política e social de textos da literatura marginal e da
periferia etc.) para experimentar os diferentes ângulos de apreensão do indivíduo e do
mundo pela literatura. (SÃO PAULO, 2020)
Slide
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7
Dinâmica de condução: Professor(a), o objetivo desta prática é estimular o diálogo e a
reflexão sobre a escrita literária e crítica de José Saramago por meio da leitura da crônica
“A neve preta”.
• Divida a turma em grupos de três ou cinco alunos.
• Oriente os grupos a debaterem a pergunta do slide, usando exemplos do texto.
• Defina um tempo para que os estudantes organizem as respostas para compartilhar com
a turma.
• Promova uma discussão geral entre os grupos, comparando as interpretações sobre a
crônica.
• Aproveite para retomar brevemente características da crônica como um gênero que
busca promover reflexão de modo sutil sobre acontecimentos do cotidiano, ao mesmo
tempo em que busca envolver e emocionar seus leitores, seja por meio de um tom
filosófico, poético ou cômico.
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