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Auditoria Inventarios Teoria

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Auditoria de Inventários

O Que É Auditoria de Inventários?


A auditoria de inventários é um conjunto de procedimentos sistemáticos e rigorosos aplicados pelos auditores para verificar a
exatidão e a fiabilidade das informações relativas aos inventários, conforme apresentadas nas demonstrações financeiras de
uma empresa.
Este processo visa confirmar que os inventários:

• Existem fisicamente: Que os bens registados estão realmente presentes na quantidade e qualidade ind
• São propriedade da entidade: Que a empresa possui o direito legal sobre os inventários registados,
excluindo bens em consignação, em poder de terceiros, ou que pertencem a outras entidades.
• Estão corretamente valorizados: Que o seu custo foi apurado de acordo com as normas contabilísticas
aplicáveis (ex: IAS 2 - Inventários) e que eventuais ajustamentos (como perdas por obsolescência ou
• deterioração) foram devidamente
Estão apresentados reconhecidos
e divulgados de forma. adequada: Que a sua classificação nas demonstrações
financeiras está correta e que todas as divulgações exigidas pelas normas contabilísticas foram feitas de
forma clara e completa nas notas explicativas.
O objectivo final é fornecer uma opinião independente sobre se os inventários, em todos os aspetos materiais,
estão apresentados de forma verdadeira e apropriada nas demonstrações financeiras, refletindo a posição
económica e financeira da empresa.
Definição de Inventários
De acordo com a Norma Internacional de Contabilidade IAS 2 – Inventários, este ativo abrange os bens detidos
para venda no decurso ordinário do negócio, no processo de produção para tal venda, ou sob a forma de
materiais e consumíveis a serem aplicados no processo produtivo ou na prestação de serviços. Esta norma
estabelece as diretrizes para o reconhecimento e mensuração dos inventários.
Os inventários são activos:

• Detidos para venda no decurso ordinário do negócio;


• No processo de produção para tal venda; ou
• Na forma de materiais ou consumíveis a serem consumidos no processo de produção ou na prestação de serviços.

Exemplos de categorias de inventários incluem:

• Produtos Acabados: Bens que já concluíram o processo de produção e estão prontos para venda, como
automóveis numa fábrica ou eletrodomésticos numa loja.
• Matérias-Primas: Bens básicos que serão utilizados no processo de produção para fabricar outros produtos,
como madeira para uma fábrica de móveis ou algodão para uma empresa têxtil.
• Produtos em Elaboração (ou em Curso de Fabrico): Bens que estão em fase intermédia de produção e
ainda não foram concluídos, como tecidos que ainda precisam ser costurados para se tornarem peças de
• vestuário.
Mercadorias para Revenda: Bens adquiridos por uma empresa com o propósito de os vender sem qualquer
transformação significativa, comum em empresas comerciais (retalho e grossista), como roupas numa
boutique ou alimentos num supermercado.
Objectivos da Auditoria de Inventários
A auditoria de inventários é guiada por objetivos claros que visam assegurar a veracidade e conformidade dos valores
apresentados nas demonstrações financeiras. Estes objetivos são cruciais para a fiabilidade da informação contabilística e
financeira.
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Confirmar a existência física do inventário Verificar a propriedade do inventário
Este objetivo foca-se em verificar se os bens registados O auditor deve confirmar que os inventários reportados
nos livros contáveis da empresa correspondem pertencem legalmente à empresa. Isto é particularmente
fisicamente aos bens existentes no armazém ou noutras relevante para bens que podem estar em consignação,
localizações. Envolve a participação do auditor na em trânsito, ou armazenados em instalações de terceiros.
contagem física do inventário ou na observação dos A análise de documentos de compra, contratos e registos
procedimentos de contagem da empresa. de recebimento e expedição é fundamental.

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Avaliar a correta valorização do inventário Analisar a apresentação e divulgação
Este objetivo assegura que os inventários estão O auditor deve verificar se os inventários estão
registados pelo seu custo de aquisição ou produção, ou corretamente classificados nas demonstrações
pelo seu valor realizável líquido, o que for o mais baixo, financeiras (ativo circulante) e se todas as divulgações
conforme exigido pela IAS 2. Implica a verificação dos exigidas pelas normas contabilísticas, como a base de
métodos de custeio (FIFO, Custo Médio Ponderado, etc.), valorização, os métodos de custeio e o montante de
a precisão dos cálculos e a adequação das provisões para quaisquer imparidades, estão adequadamente
obsolescência, perdas ou deterioração. apresentadas nas notas explicativas.
Principais Procedimentos de Auditoria
Para atingir os objetivos da auditoria de inventários, os auditores aplicam uma série de procedimentos específicos, adaptados às características de
cada entidade e setor. Estes procedimentos são desenhados para obter prova de auditoria suficiente e apropriada sobre as asserções das
demonstrações financeiras relacionadas com os inventários.
Existência • Observação física do inventário, incluindo a presença nas contagens físicas anuais e cíclicas.
• Conferência de amostras selecionadas de inventário com os registos contabilísticos e documentos de suporte
(requisições, guias de remessa, faturas de compra).
• Testes de corte para garantir que as transações de compra e venda próximas da data do balanço foram registadas no per

Propriedade • Verificação de documentos de compra e contratos com fornecedores para determinar a transferência de risco e titularida
• Análise de contratos de consignação ou armazenagem em poder de terceiros, incluindo pedidos de confirmação
a terceiros detentores de inventários da empresa.
• Revisão de registos de pagamentos e receções para identificar inventários que possam não ser propriedade da empresa .

Valorização • Avaliação da adequação do método de custeio utilizado (FIFO, Custo Médio Ponderado, etc.) e sua aplicação consistente.
• Recálculo de custos de inventário para uma amostra de itens, comparando com faturas de fornecedores e custos de prod
• Verificação da existência e adequação de provisões para inventários obsoletos, danificados ou de lenta rotação,
comparando o custo com o valor realizável líquido.

Corte • Exame de documentos de receção e expedição de inventários emitidos antes e depois da data do balanço para
assegurar que as transações estão registadas no período contabilístico correto.
• Comparação dos números de série ou sequenciais de documentos de corte com as últimas/primeiras transações registad

Apresentação e Divulgação• Confirmação da correta classificação dos inventários no balanço, de acordo com o quadro de referência contabilístico apl
• Verificação da adequação e completude das notas explicativas, incluindo políticas contabilísticas, métodos de
custeio, e o montante de qualquer imparidade reconhecida.
Exemplos de Testes Práticos em Auditoria de Inventários
Para ilustrar a aplicação dos procedimentos de auditoria, apresentamos dois exemplos práticos de testes frequentemente realizados pelos auditores na auditoria de inven

Exemplo 1 – Contagem Física e Reconciliação Exemplo 2 – Valorização e Teste de Custo Médio

Uma empresa de retalho realiza a sua contagem física


Cenário: Cenário: Uma empresa de manufatura utiliza o método do
de inventário anual a 31 de dezembro. O auditor participa Custo Médio Ponderado para valorizar os seus inventários de
para observar os procedimentos da empresa e realizar testes matérias-primas. Os preços de aquisição têm sido voláteis ao
independentes. longo do ano.
Procedimento do Auditor: O auditor seleciona uma amostra de itens Procedimento do Auditor: O auditor obtém uma lista dos inventários
de inventário do ficheiro mestre de inventários da empresa (testando a de matérias-primas e os respetivos custos unitários registados no final
asserção de existência) e conta fisicamente a quantidade de cada item do período. Seleciona uma amostra de matérias-primas e, para cada
selecionado no armazém. Simultaneamente, o auditor também item, recalcula o custo médio ponderado com base nas faturas de
seleciona itens fisicamente do armazém e rastreia-os até ao ficheiro de compra e nas quantidades recebidas ao longo do período. O auditor
inventário da empresa (testando a asserção de completude). também analisa a adequação de qualquer provisão para imparidade.
Situação Prática: Para o Produto X, a empresa regista 500 unidades no Situação Prática: Para a Matéria-Prima Y, o sistema da empresa
seu sistema. Durante a contagem física observada pelo auditor, são indica um custo médio de 10 por unidade. O auditor, ao recalcular o
encontradas apenas 480 unidades. custo médio com base nas últimas aquisições (algumas a 11 e outras a
9), verifica que o custo médio ponderado deveria ser 10.50.
Resultado e Ação: O auditor identifica uma diferença de 20 unidades.
Esta diferença deve ser investigada. As possíveis causas incluem: erros Resultado e Ação: O auditor identifica uma subvalorização de 0.50
na contagem, roubo, quebras, ou transações de venda/compra não por unidade. Se a quantidade em stock for significativa, este erro pode
registadas corretamente. O auditor solicitará à empresa que investigue a ter um impacto material nas demonstrações financeiras (custo dos
discrepância e que efetue as correções necessárias nos registos de inventários, resultados, e impostos). O auditor comunicará a
inventário, avaliando o impacto nas demonstrações financeiras. observação à gestão e solicitará a retificação do custo médio e,
consequentemente, do valor do inventário.
Normas Aplicáveis à Auditoria de Inventários
A auditoria de inventários é regida por um conjunto de normas profissionais que orientam o auditor na planificação, execução e relato dos procedimentos. As
principais normas incluem as Normas Internacionais de Auditoria (ISAs) e as Normas Internacionais de Contabilidade (IAS/IFRS).

ISA 501 – Provas de Auditoria – Considerações IAS 2 – Inventários


Específicas Para Determinados Itens Esta Norma Internacional de Contabilidade define o tratamento
Esta norma é de particular importância para a auditoria de inventários, pois contabilístico dos inventários. Ela estabelece os requisitos para:
estabelece as diretrizes para a obtenção de provas de auditoria suficientes e • Mensuração: Os inventários devem ser mensurados ao custo ou ao
apropriadas relativamente à existência e condição dos inventários. A ISA valor realizável líquido, dos dois o mais baixo.
501 exige que:
• O auditor participe na contagem física do inventário, salvo se for impraticável. • Apuração do Custo: Inclui todos os custos de aquisição, custos de
• Se a participação na contagem for impraticável, o auditor deve executar conversão e outros custos incorridos para colocar os inventários na sua
procedimentos alternativos para obter prova de auditoria suficiente e localização e condição atuais.
apropriada relativamente à existência e condição dos inventários. • Fórmulas de Custo: A norma permite a utilização do método FIFO
• O auditor considere a adequação dos procedimentos de contagem da (First-In, First-Out) ou do método do Custo Médio Ponderado. O método
gestão e observe a sua execução. LIFO (Last-In, First-Out) não é permitido pela IAS 2.

• O auditor inspecione o inventário e execute testes de contagem. • Reconhecimento de Custo como Gasto: O custo dos inventários
vendidos é reconhecido como um gasto no período em que o
A ISA 501 também aborda as provas de auditoria para litígios e reclamações,
rendimento relacionado é reconhecido.
e para a apresentação por segmentos de negócio, mas o seu foco nos
• Divulgação: Requisitos detalhados sobre as políticas contabilísticas de
inventários é crucial para esta área de auditoria.
inventários, os montantes reconhecidos como gasto, e quaisquer
imparidades reconhecidas ou revertidas.

A conformidade da empresa com a IAS 2 é um dos principais focos do


auditor ao examinar a valorização e a apresentação dos inventários.
Riscos Comuns Associados a Inventários
Os inventários são uma área de alto risco na auditoria devido à sua natureza tangível, volume, e à complexidade dos processos de
movimentação e valorização. A identificação e avaliação destes riscos são cruciais para o planeamento de uma auditoria eficaz.

Superavaliação do Estoque para Inflar Lucros Registo de Bens que Não Pertencem à Empresa
Este é um risco significativo de fraude, onde a gestão pode A empresa pode incluir no seu balanço inventários que não
manipular o valor do inventário para apresentar lucros mais são de sua propriedade, como bens em consignação de
elevados ou uma posição financeira mais robusta do que a terceiros, ou inventário em trânsito onde o risco e a
realidade. Isso pode ser feito através da inclusão de titularidade ainda não foram transferidos. Isso afeta a
inventário inexistente, sobrevalorização de itens, ou falha asserção de propriedade e pode distorcer os ativos da
em reconhecer inventário obsoleto. empresa.

Inventário Obsoleto ou Deteriorado Falta de Sistema de Controlo Interno Eficaz


O inventário pode perder valor devido à obsolescência (ex: Um controlo interno deficiente sobre os inventários (ex: falta
tecnologia desatualizada, moda), deterioração física, ou de segregação de funções, ausência de registos de
danos. Se a empresa não reconhecer adequadamente as entrada/saída, contagens físicas irregulares) aumenta o
perdas por imparidade, o inventário será sobrevalorizado, risco de erros e fraudes. Sem controlos adequados, a
impactando negativamente os resultados. integridade dos dados de inventário é comprometida,
dificultando a sua rastreabilidade e fiabilidade.
A Importância da Confirmação Externa na Auditoria de
Inventários
Para inventários que se encontram em poder de terceiros, a confirmação externa é um procedimento de auditoria essencial para obter prova de
auditoria suficiente e apropriada sobre a sua existência e condição. Este procedimento é delineado pela ISA 505 – Confirmações Externas.

A ISA 505 define uma confirmação externa como prova de auditoria obtida como resposta direta escrita ao auditor por uma terceira parte (a
parte confirmante), em formato papel, ou por meio eletrónico ou outro meio.

Quando os inventários de uma entidade estão em poder e custódia de terceiros (por exemplo, armazéns logísticos, fabricantes, ou em
consignação), o auditor deve considerar a aplicação de um dos seguintes procedimentos:

• Obter uma confirmação direta do terceiro: O auditor envia um pedido formal ao terceiro solicitando que confirme as quantidades e a
condição dos inventários que detém em nome da entidade auditada à data do balanço. Este é o procedimento preferencial, pois fornece prova
• de auditoria
Executar altamente fiável.
procedimentos de auditoria para inventários detidos por terceiros: Se a confirmação direta não for considerada suficiente
ou não for obtida, o auditor deve realizar procedimentos alternativos, tais como:
• Inspeção ou observação da contagem física do inventário por parte do terceiro.
• Obtenção de relatórios de auditoria de terceiros, se existirem, sobre o sistema de controlo interno do armazém.
• Inspeção da documentação relativa aos movimentos de inventário entre a entidade e o terceiro.
Conclusão
A auditoria de inventários é uma pedra angular para garantir a fiabilidade e a credibilidade das demonstrações financeiras de uma empresa. Dada
a materialidade que os inventários representam em muitos setores, a sua correta apresentação é vital para a confiança dos utilizadores da
informação financeira.

A Essencialidade da Auditoria de Inventários

O auditor, através da aplicação de procedimentos robustos – que incluem a observação física, a reconciliação de quantidades, a
verificação da propriedade e a análise crítica da valorização – desempenha um papel insubstituível na identificação de erros, potenciais
fraudes ou omissões que possam distorcer a imagem verdadeira e apropriada da posição financeira da empresa.

Assegurar que os inventários estão corretamente registados, valorizados e divulgados permite que os stakeholders tomem decisões informadas e
baseadas em dados financeiros credíveis. A capacidade de detetar e corrigir desvios nesta área é um testemunho da independência e do valor
acrescentado da auditoria.
• Impacto na Tomada de Decisão: Informações precisas sobre inventários são cruciais para a gestão interna (planeamento de produção,
compras, vendas) e para agentes externos (análise de liquidez, valor da empresa).
• Conformidade e Responsabilidade: A auditoria garante que a empresa cumpre com as normas contabilísticas (IAS 2) e de auditoria (ISA
501), protegendo a empresa de litígios e sanções.
• Prevenção e Deteção de Fraude: A presença e os procedimentos do auditor atuam como um dissuasor e um mecanismo de deteção de
práticas fraudulentas relacionadas com inventários.

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