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RADIOLOGIA

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Radiobiologia

Prof. Núbia
Góes
Introdução

• A radiobiologia é uma disciplina destinada a explicar como a radiação interage


no corpo humano e como esta interação pode ser útil e beneficiar o tecido
quando aplicada sobre controle, como acontece nas diversas formas de terapia
e na imagiologia.

• Esta disciplina é a base para o curso de Radiologia, pois ela estará presente em
outras disciplinas por meio dos limites estabelecidos a cada órgão, conforme a
sua sensibilidade.

• A tolerância da dose de radiação será determinada conforme sua aplicação, de


acordo com os protocolos dos órgãos reguladores.
Aspectos históricos
• A radiação ionizante está presente desde que a Terra foi criada. Antes da
década de 1890, existiam apenas fontes naturais de radiação, tais como a
radiação de origem cósmica, e material radioativo proveniente do corpo,
rochas, solo e ar. Grande parte da exposição à radiação deu-se sob a forma de
radiação cósmica ou terrestre de baixo nível. Como a radiação não pode ser
observada por meio de qualquer um dos cinco sentidos, os humanos não
tinham conhecimento da sua existência.

• Só a partir da descoberta dos raios misteriosos ou "raios-X" em 1895 é que as


pessoas começaram a tomar consciência da quase mágica presença destes
"raios" invisíveis que nos permitem ver dentro do corpo. No Verão de 1894,
Wilhelm Röentgen iniciou experiências com tubos de raios catódicos.
Aspectos históricos
• No dia 8 de Novembro de 1895, ele observou alguns cristais de paltinocianeto
de bário que estavam em cima de uma mesa e que produziam um brilho
fluorescente.

• Em seguida verificou a presença de um componente desconhecido ("X"),


proveniente do tubo de raios catódicos, que penetrava as substâncias sólidas, e
que os raios emitidos, os "raios-X", tinham o mesmo efeito que a luz visível
sobre uma chapa fotográfica.

• O que se seguiu foi à primeira "exposição Röentgen", ou "radiografias", que


eram fotografias capazes de mostrar as formas dos objetos de metal dentro de
uma caixa de madeira e os ossos das mãos de sua esposa Sra. Bertha Röntgen.
Aspectos históricos
• Um mês depois, Röentgen enviou um manuscrito sobre a sua extraordinária
descoberta à Associação de Física Médica em Wuerzburg, intitulado
“Relativamente a um novo tipo de raio: Relatório Preliminar”. Outros
periódicos, tais como Nature e Science publicaram o relatório no ano seguinte.
Röentgen foi aclamado devido à sua descoberta pelas comunidades científica e
leiga, nos anos subsequentes.

• Outros rapidamente encontraram aplicações práticas para os raios-X (também


chamados de "raios Röentgen"). Em 1896, o primeiro diagnóstico com recurso a
raios-X foi feito nos Estados Unidos por E. Frost. No espaço de dois anos foi
obtida, a primeira imagem raios-X de um feto in útero, o que foi seguido pela
estreia desta radiação em odontologia.
Aspectos históricos
• Efeitos adversos para a saúde devido à exposição aos raios-X foram
rapidamente comunicados. Estes incluíram um relatório por Thomas Edison, em
que este afirma que a exposição aos raios-X pode provocar lesão ocular, e um
relatório de Daniel, identificando alopecia e eritema três semanas depois de
este ter radiografado a cabeça do assistente de Thomas Edison.

• Ainda de acordo com Moreira (2011), a descoberta por Röentgen dos raios-X foi
seguido pela descoberta por Henri Becquerel da radioatividade, em Novembro
de 1896. Becquerel descobriu que as chapas fotográficas que estavam próximas
à pechblenda (variedade, provavelmente impura, de uranita. Dela é retirado o
urânio) foram expostas, apesar de estarem seladas em envelopes à prova de
luz. A exposição que encontrou, foi devido a radiações emitidas a partir da
pechblenda. Estudos subsequentes mostraram que havia três tipos diferentes
de radiação, a que chamou de radiações α (alfa), β (beta) e γ (gama).
Posteriormente, verificou-se que os raios-X de Röentgen e os raios gama de
Becquerel são o mesmo tipo de radiação.
Aspectos históricos
Após estas descobertas, o interesse científico nas propriedades da radiação
aumentou dramaticamente. Tório radioativo foi descoberto por Schmidt em 1898.
Poucos meses depois, Marie e Pierre Curie isolaram o polônio (Po) a partir de
pechblenda. O casal Curie posteriormente isolou o rádio radioativo (226Ra) a partir
da pechblenda e explicou a transformação natural de um átomo instável, de um
maior número atômico, num de menor número atômico, processo conhecido como
transformação ou "decaimento". O casal Curie, em última análise cunhou a palavra
"radioatividade." Nos anos seguintes outros cientistas notáveis contribuíram para
esta nova área científica:
• Villard descobriu os raios gama.
• Rutherford descobriu gases radioativos provenientes de tório, e utilizou uma
fonte que emitia partículas alfa para desenvolver um novo modelo teórico do
átomo.
• Planck criou a teoria quântica.
• Einstein descobriu a relação massa-energia e o efeito fotoelétrico.
• Hess relatou a existência de "Raios cósmicos" (radiação ionizante) em altas
altitudes.
Aspectos históricos
Logo após a descoberta dos raios X e da radioatividade, teve início o uso
desenfreado das radiações. Os próprios médicos queriam ver a forma de seu crânio
e por curiosidade tiraram suas radiografias e que mais tarde, viram seus cabelos
caírem, uma vez que não havia controle do feixe de raios X.

Em 1904, Ernest Rutherford disse: "Se alguma vez fosse possível controlar como
quiséssemos a taxa de desintegração dos elementos radioativos, uma enorme
quantidade de radiação poderia ser obtida a partir de uma pequena quantidade de
matéria”. Esta declaração expressou as implicações óbvias para a utilização dos
radionuclídeos (urânio, em particular, e plutônio) na geração de grandes
quantidades de energia elétrica em reatores nucleares e na produção de armas
nucleares, aproximadamente, 40 anos depois.
Aspectos históricos
A utilização da "bomba atômica" (este termo é um tanto equívoco, uma vez que é o
núcleo do qual essa energia deriva) daria uma contribuição importante para
término da Segunda Guerra Mundial.

Em Hiroshima, com uma população civil de cerca de 250.000 pessoas, 45.000


morreram no primeiro dia após o bombardeamento nuclear e mais 19.000
morreram durante os quatro meses subsequentes. Em Nagasaki, com uma
população residente de cerca de 174.000, um número estimado de 22.000
morreram no primeiro dia e houve 17.000 mortes adicionais durante os quatro
meses seguintes. Os efeitos teratogênicos em fetos fortemente expostos foram
graves, resultando em deformidades ao nascimento e muitos óbitos fetais ao longo
dos nove meses seguintes. A principal fonte de radiação para a população das duas
cidades foi proveniente das radiações gama penetrantes. O estudo dos
sobreviventes japoneses tem provado ser muito valioso para se perceber melhor
os efeitos para a saúde da radiação em baixas doses.
Aspectos históricos
O desenvolvimento das "bombas atômicas" tem recebido mais atenção do que o
uso pacífico da energia atômica e da radiação. O uso da radiação com fins pacíficos
também tem evoluído com bastante êxito. Uma aplicação importante tem sido na
geração de fontes de energia segura, controlada e de longo prazo para a população
civil. Em 20 de Dezembro de 1951, iniciou-se a produção de eletricidade utilizando
energia nuclear.

Embora os reatores nucleares continuem sendo utilizados como fonte de energia


por vários países, a preocupação pública sobre a segurança destes tem-se
intensificado devido a acidentes. No entanto, apenas três acidentes envolveram
reatores nucleares: Three Mile Island, Chernobyl e Fukushima. O uso médico de
máquinas produtoras (reatores e aceleradores) de radiação e radionuclídeos
emissores de radiação também foram desenvolvidos, e estes desempenham um
papel significativo no diagnóstico e tratamento médico. Quantidades controladas
de radiação na forma de raios-X são utilizadas há um século, como auxiliar no
diagnóstico e tratamento de doenças.
Aspectos históricos
• Hoje se sabe quais os efeitos das altas doses de raio-X para a saúde, bem como
de outros tipos de radiação, no entanto, isso nem sempre foi o caso (MOREIRA,
2011):

• Em 1947 a lesão eritematosa do couro cabeludo era tratada com 400 rad (4 Gy)
de raios-X para provocar alopecia, mais tarde constatou-se que este esquema
de tratamento conduzia a um aumento da incidência de tumores de tiroide e
câncer no cérebro.

• Radium-224 foi utilizado no tratamento da espondilite anquilosante na década


de 1940, estes tratamentos mais tarde foram associados a um aumento da
incidência de tumores ósseos.
Radiação
Radiação é a propagação da energia, ou seja, é a transmissão de um sistema para
outro por meio de ondas eletromagnéticas (figura3) ou então por meio de
partículas que se propagam no vácuo.
Radiação
Tipos de Radiação

• A radiação pode ser classificada de acordo com o efeito que produz na matéria
com a qual interage sendo dividida em:

• Radiação Ionizante: São aquelas cujos fótons ou partículas produzem íons na


matéria com a qual interagem, como por exemplo:

– Corpusculares: São radiações que “possuem massa “, sendo elas: Alfa,


Beta+, Beta- e Nêutrons.
– Ondas: São radiações que possuem um campo elétrico e magnético
oscilando entre si, sendo elas: Raios X e Raios gama.
Radiação
Radiação não ionizante: Apesar de não produzirem íons com a matéria com a qual
interagem, são capazes de produzir excitação dessa matéria (levam seus átomos
e/ou moléculas para um estado mais elevado de energia).
Constituição Básica da célula
O organismo humano é uma estrutura muito complexa, cuja menor
unidade com funções próprias é a célula. Por sua vez as células são
compostas bioquimicamente por: Água (70-85% da massa celular) e
componentes orgânicos (Oxigênio, carbono, açucares, lipídeos, proteínas,
ácidos nucleicos, nucleotídeos, ácido graxo, etc.).

• A organização da célula na maioria dos seres vivos aparece de forma


nítida, divididas em três partes:
• membrana plasmática de natureza lipoproteica;
• citoplasma constituído principalmente por água e proteína, que
preenche a célula;
• núcleo (eucarióticas) de grande importância no estudo da
radiobiologia, visto que nele está contido o material genético do ser
humano.
Constituição Básica da célula
Embora as células sejam muito diferentes na aparência, tanto externa quanto
interna, certas estruturas são comuns às células animais e vegetais. Assim, elas são
envolvidas por uma membrana citoplasmática e contêm, na maioria dos casos, um
núcleo facilmente identificável.
Constituição Básica da célula
A função da membrana, além de proteger e estabelecer os limites físicos da célula
está associado ao fato de que todos os nutrientes, secreções e rejeitos precisam
passar por esta barreira. A membrana tem aproximadamente 7,5 nm de espessura,
é composta primariamente de fosfolipídios (20 a 30%) e proteínas (50 a 70%). Ao
contrário das paredes das células de muitos vegetais, que é feita em 98% de
celulose, a membrana celular precisa de constante renovação química. Por meio de
uma substância denominada de pectina, que é uma mistura de polissacarídeos, as
células se acoplam às vizinhas, por meio da membrana celular.

No líquido que preenche a célula, o citoplasma, são vistos organelas envolvidas por
membranas, o retículo endoplasmático e o complexo de Golgi. As células vegetais
têm, além da membrana celular, uma parede mais rígida. No núcleo existem três
componentes: nucleoplasma, cromossomos e os nucléolos. Os cromossomos
consistem de ácido desoxirribonucleico (DNA) e proteína. Nas células não
reprodutivas, os cromossomos são finos filamentos que, durante a divisão celular,
formam uma massa espessa e podem ser facilmente identificados
Constituição Básica da célula
• Os nucléolos são pequenos corpos que contêm nucleoproteínas, a maioria na
forma de ácido ribonucleico (RNA). O nucleoplasma contém proteína e sais. O
complexo de Golgi consiste de sacos membranosos achatados com vesículas
esféricas nas extremidades, e é o principal responsável pelo transporte seguro
dos compostos sintetizados para o exterior da célula e pela proteção contra o
ataque de suas próprias enzimas.

• As células do organismo humano podem ser divididas em dois grupos: células


somáticas e células germinativas. Células somáticas – compõem a maior parte
do organismo, sendo responsáveis pela formação da estrutura corpórea.
Constituição Básica da célula
• Células germinativas estão presentes nas gônadas (ovários e testículos) onde se
dividem produzindo os gametas (óvulos e espermatozoides) necessários na
reprodução.
Metabolismo
Embora as membranas tenham uma permeabilidade seletiva, seria incorreto supor
que grandes moléculas ou partículas penetrem na célula. Existe um mecanismo
denominado de pinocitose, que permite que partículas e moléculas inicialmente no
meio exterior, consigam habitar o interior da célula. Na pinocitose, formam-se
inicialmente, pequenos vacúolos e canais no citoplasma, induzidos por
aminoácidos, proteínas, sais e enzimas, que envolvem a partícula, crescem e
posteriormente se fecham, já com a partícula no interior da célula.

É um mecanismo diferente do transporte ativo, em que o movimento de moléculas


é regido pelo gradiente de concentração, ou seja, os solventes passam de uma
região de baixa concentração de soluto para uma com alta concentração de soluto,
pelo mecanismo de transporte ativo, regido pelo gradiente de concentração,
denominado de osmose. Em certos casos, o soluto atravessa a membrana
semipermeável permanecendo no lado de menor concentração, num mecanismo
de difusão simples, em que o soluto atravessa a membrana semipermeável,
permanecendo ao lado de menor concentração.
Divisão Celular
O ciclo celular é basicamente o período de vida de uma célula. As células passam a
existir no momento em que surgem a partir da divisão de outra, pré-existente,
chamada célula mãe ou célula parental. O ciclo termina quando a célula se divide e
deixa de existir, gerando duas células filhas. O ciclo de uma célula humana dura 24h
e a sua divisão dura aproximadamente uma hora.

Durante a interfase ocorre o crescimento da célula e a duplicação dos


cromossomos. O ciclo celular é dividido em duas etapas, interfase e divisão celular
ou fase M, as quais serão descritas a seguir.
Divisão Celular
Interfase:
A interfase compreende aproximadamente 95 % do tempo. É o período entre duas
divisões celulares, no qual a célula está executando suas funções normais, inclusive
se preparando para a divisão.

Na interfase a célula cresce, podendo ficar até com o dobro do tamanho, executa
suas funções metabólicas normais e duplica seu DNA. Além disso, como
mencionado, nesse período ela se prepara para a divisão. A interfase é dividida em
três subfases.
Divisão Celular
Interfase:
• Fase G1 (Gap 1– Intervalo 1): – período entre o fim da mitose e o início da
síntese de DNA. Caracteriza-se por uma intensa atividade biossintética.
Antecede a duplicação do DNA. Ocorre o crescimento em volume, a síntese de
RNA e proteínas diversas, requeridas para a subfase seguinte, como as enzimas
responsáveis pelo processo de replicação do DNA.

• Fase S (Synthesis – Síntese): – há a duplicação do DNA e dos centrossomos. Os


centrossomos ou centros organizadores de microtúbulos são organelas não
membranosas, constituídas de uma matriz de fibras de proteínas de onde
partem microtúbulos. Estão envolvidos no processo de divisão celular, pois
formam uma rede de microtúbulos que movimentam os cromossomos. A estas
novas moléculas associam-se as respectivas proteínas e, a partir desse
momento, cada cromossomo passa a ser constituído por dois cromatídios
ligados pelo centrómero. Geralmente há um por célula, localizado perto do
núcleo. Nas células animais os centrossomos possuem um par de centríolos.
Divisão Celular
Interfase:
Fase G2 (Gap2 – Intervalo 2): decorre entre o final da síntese do DNA e o início da
mitose. Dá-se a síntese de biomoléculas necessárias à divisão celular. Ocorrem
crescimento e síntese de macromoléculas (como por exemplo: microtúbulos). Os
centrossomos começam a migrar e se distanciam um do outro.

G0: Caso não precise se dividir no momento, ou seja, um dos tipos celulares que
consideramos que praticamente não se dividem mais, como os neurônios e células
musculares esqueléticas, a célula entra em um estágio quiescente chamado G0
antes de finalizar G1. Se houver a necessidade da célula se multiplicar, ela pode
retornar do estágio G0 ao G1. Um exemplo são os fibroblastos, localizados na derme
da pele. Essas células permanecem em G0, porém, se houver uma lesão na pele,
elas passam ao estágio G1 e começam a se multiplicar para reparar a lesão.
Divisão Celular

Divisão celular ou Fase da Mitose:

• É o fim do ciclo celular, onde uma célula mãe se divide e deixa de existir ao
mesmo tempo em que gera duas células filhas.
• Com o fim da interfase a célula pode se dividir. Damos o nome de mitose ao
processo padrão de divisão celular. Entretanto, mitose é um termo que se
refere apenas à divisão do núcleo da célula, ao passo que a divisão
citoplasmática, é chamada citocinese. Por convenção vamos admitir que mitose
é o processo de divisão celular completo no qual normalmente uma célula mãe
cresce, duplica seu material genético e gera duas células filhas com o mesmo
número de cromossomos dela
Divisão Celular
A Prófase é a etapa mais longa da mitose, ocorre o enrolamento dos cromossomas,
eles ficam mais curtos e grossos. Os dois pares de centríolos afastam-se para polos
opostos, formando entre eles o fuso acromático e no final da etapa, os nucléolos
desaparecem e o invólucro nuclear desagrega-se. No início da prófase os
cromossomos não aparecem duplicados, embora o DNA seja duplicado antes do
início da mitose. No meio da prófase, os cromossomos aparecem duplicados.

Na metáfase os cromossomos se alinham num plano e se acoplam às fibras do fuso


mitótico. Na anáfase os cromossomos se separam e se movem para os polos da
célula. A telófase é uma prófase ao contrário, pois nessa etapa ocorrem:
Descondensação cromossômica, reaparecimento dos nucléolos, das cariotecas e a
desagregação do fuso mitótico. Ao final da telófase surgem duas células filhas,
ambas contendo cópia de todo o material genético da célula inicial.
Divisão Celular
Também há o início da citocinese, a divisão citoplasmática propriamente dita. Nas
células animais, ocorre um estrangulamento na região mediana da célula,
promovido por fibras proteicas contráteis de actina e miosina do citoesqueleto.
Como sabemos, a interfase é um período de intensa atividade metabólica e de
maior duração do ciclo celular. Células nervosas e musculares, que não se dividem
por mitose, mantêm-se permanentemente na interfase, estacionadas no período
chamado G0 .

Nas células que se divide ativamente, a interfase é seguida da mitose, culminando


na citocinese. Sabe-se que a passagem de uma fase para outra é controlada por
fatores de regulação - de modo geral proteicos – que atuam nos chamados pontos
de checagem do ciclo celular. Dentre essas proteínas, se destacam as ciclinas, que
controlam a passagem da fase G1 para a fase S e da G2 para a mitose.
Divisão Celular
• Se em algumas dessas fases houver alguma anomalia, por exemplo, algum
dano no DNA, o ciclo é interrompido até que o defeito seja reparado e o ciclo
celular possa continuar. Caso contrário, a célula é conduzida a apoptose (morte
celular programada).

• Outro ponto de checagem é o da mitose, promovendo a distribuição correta


dos cromossomos pelas células-filhas. Perceba que o ciclo celular é
perfeitamente regulado, está sob controle de diversos genes e o resultado é a
produção e diferenciação das células componentes dos diferentes tecidos do
organismo. Os pontos de checagem correspondem, assim, a mecanismos que
impedem a formação de células anômalas.

• A irradiação de material biológico pode resultar em transformação de


moléculas especificas (água, proteína, açúcar, DNA, etc.), levando a
consequências que devem ser analisadas em função do papel biológico
desempenhado pelas moléculas atingidas. O DNA, por ser responsável pela
codificação da estrutura molecular de todas as enzimas das células, passa a ser
a molécula-chave no processo de estabelecimento de danos biológicos.
Radiossensibilidade da célula
A interação da radiação nas células é uma função probabilística, isto é, pode ou não
interagir e se interagir podem ou não provocar danos á célula. A deposição inicial
de energia é muito rápida, cerca de 10-17 seg. A interação radiação-célula não é
seletiva, isto é, a energia é depositada ao acaso na célula

As alterações nas células, tecidos ou órgãos, resultantes da interação com


radiações ionizantes não são caracterizadas, isto é, não podem ser distinguidas de
outros tipos de trauma. As alterações biológicas em células e tecidos, devidas às
radiações ionizantes ocorrem apenas após um período de latência, que pode ir de
minutos a semanas ou até anos (em função de dose, cinética celular, etc.)
Os efeitos das radiações sobre um organismo dependem do tipo das células
irradiadas, como também do estagio de desenvolvimento celular. Há células mais
sensíveis às radiações do que outras. O dano causado à célula quando estão em
processo de divisão é maior, tornando os respectivos tecidos e órgãos mais
radiossensíveis que outros constituídos por células que pouco ou nunca se
dividem. A diferença de radiossensibilidade entre diferentes células segue a lei de
Bergonie e Tribondeau a qual prevê que: “a sensibilidade à radiação é diretamente
proporcional a sua capacidade reprodutiva e é inversamente proporcional com a
diferenciação →(maturidade)”.
Radiossensibilidade da célula

• Esta lei não se aplica aos linfócitos que normalmente não se dividem, são
células especializadas e diferenciadas, altamente radiossensíveis e armazenam
os danos. Genericamente pode-se prever que todos os fatores que contribuem
para aumentar a velocidade das reações químicas no interior das células irão
contribuir para aumentar a radiossensibilidade da célula. Entre os tecidos mais
sensíveis estão os ovários, testículos, cristalino, medula óssea, tecido sanguíneo
(linfócitos) e o tecido gastrointestinal.
Mecanismo de ação da radiação

• Quando um sistema biológico é exposto a radiações, surgem lesões detectáveis


nos diferentes níveis de organização. Assim, tais efeitos podem ser estudados
em termos de fragmentos de moléculas, moléculas inteiras, organelas
celulares, células, tecidos, órgãos e organismos. É evidente que cada nível de
estudo fornece informações importantes que podem ser de grande valia para
compreensão de fenômenos que se passam em outros níveis de complexidade
biológica.

Estágios de Ação

Os processos que conduzem ao aparecimento da radiolesão são,


esquematicamente, agrupados em três fases ou estágios de ação: O estágio físico,
o estágio físico-químico e o estágio biológico
Tem
Estágio Ação Efeito Proteção e tratamento
po

<10- Deposição de energia na água - orgânica e Excitação dos compostos e absorção de Nenhuma. Somente blindagem externa como
ísico

s
14
inorgânica na proporção aproximada das massas. luz. prevenção.
Físico-químico

10- Quebra das ligações: S-H, O-H, N-H e C-H. Reparo parcial das ligações por compostos -
s
14
Transferência de íons. Radiólise da água - radicais livres - Começa o dano químico.
SH presente.
a emissão de luz das moléculas excitadas. Radicais livres começam a reagir com os
Alguma proteção pode ser dada pela injeção
10- Formação de H2O2. radicais metabólicos normais.
de aditivos antes da irradiação.
s
12
Químico

Começa o dano ao RNA e DNA. Enzimas Proteção parcial por ‘scavengers’ e


10- Continua a reação dos radicais livres da água antioxidantes. Catalase e glutationa peroxidase protegem
são inativadas e ativadas. Depleção de SH.
s
12
com biomoléculas. Quebra das ligações C-C e C-N. Radicais contra H2O2. RSH protege inativação de enzimas. Outros
Peroxidação de lipídeos.
a secundários. Produtos estáveis começam a aparecer.
Dano em todas as biomoléculas. Toxidade sistemas enzimáticos atuam. Terapia com estes agentes
10-7s Formação de produtos tóxicos.
dos produtos é iniciada. pode ser útil.
Químico e
biológico coincidem

10-7s Radicais secundários. Peróxidos orgânicos. Muitas reações bioquímicas são


a Hidroperóxidos H2O2 continuam a agir. interrompidas. Tratamento pós-irradiação deveria começar.
10 s Começa reparo do DNA.
Biológico

Mitose das células é diminuída. Reações


10s
A maioria das reações primárias é completada. bioquímicas bloqueadas.
a Tratamento.
Reações secundárias continuam. Rompimento da membrana celular.
10 h
Começa o efeito biológico.
Mecanismo de ação da radiação
• No estágio físico a energia veiculada pela radiação (ou parte dela) é transferida
para matéria viva, conduzindo a excitações moleculares e ionizações. Os
produtos dessa fase são bastante instáveis e dotados de grande reatividade.

• Estágio físico-químico é caracterizado pela reação dos produtos (surgidos no


estágio anterior) entre si ou com moléculas vizinhas, conduzindo à formação de
produtos secundários.

• Estágio biológico, as reações químicas, resultantes da fase anterior, podem


afetar processos biológicos, alterando certas funções e bloqueando outras. Este
estágio é extremamente dependente das condições metabólicas.

As durações desses estágios são bastante variáveis, porém só com o objetivo de


caracterizar as ordens de grandezas serão dados alguns valores. O estágio físico é
muito rápido e da ordem de décimo de pico segundo, o estágio físico-químico,
ainda rápido é da ordem de microssegundo e o estágio biológico tem duração que
varia de segundos a anos.
Mecanismo de ação da radiação
Além destes estágios, há dois estágios intermediários: Químico e Químico
Biológico.

• Estagio químico - dura poucos segundos, ocorre quando os fragmentos da


molécula se ligam a outras moléculas, algumas importantes, como as da
proteína ou enzima.

• Estagio Químico-biológico – dura pouco tempo e as reações bioquímicas são


interrompidas.
Mecanismo de ação da radiação
Os mecanismos das interações da radiação ionizante podem ser classificados
quanto ao seu mecanismo direto ou indireto.
Mecanismo de ação da radiação
• Mecanismo direto - quando a energia da radiação é absorvida diretamente por
moléculas que são importantes nos diversos metabolismos das células, tais
como as moléculas de DNA e as enzimas.

• Os danos nos DNAs resultam em anormalidades nos cromossomos que são


chamados de aberração cromossômica. A quebra nos cromossomos, se não for
reparada, resulta em fragmentos perdidos durante a divisão celular ou serão
ligados incorretamente a outros cromossomos. Estas quebras nas duas fitas do
DNA são apontadas como as lesões mais importantes na produção de
aberração cromossômica.
Mecanismo de ação da radiação
• Mutações gênicas correspondem a alterações introduzidas na molécula de DNA
que resultam na perda ou na transformação de informações codificadas na
forma de genes. Quebras de moléculas resultam na perda da integridade física
do material genético.

• Mecanismo indireto - quando a radiação age na molécula da água que


constituem os meios intra e extracelular, quebrando-a (radiólise) e produzindo
componentes reativos, como os radicais livres, que são moléculas ou átomos
neutros instáveis, iniciando uma reação em cadeia
Mecanismo de ação da radiação
• Radiólise da Água
A radiólise da água diz respeito às mudanças ocorridas na água pela absorção de
radiação de alta energia. Envolve a produção de Espécies Reativas de Oxigênio
(ERO), entre elas os radicais livres (espécies altamente reativas). Radicais livres são
designados por um ponto e contêm um único elétron não pareado na camada
eletrônica mais externa
Efeitos Biológicos da Radiaçao Ionizante
Os efeitos biológicos das radiações no organismo humano são resultantes da
interação dessas radiações com os átomos e as moléculas do corpo. Na maioria das
vezes, devido à recuperação do organismo, os efeitos não chegam a tornar-se
visíveis ou detectáveis.

Ainda de acordo com o autor, a remoção de elétrons pode provocar a quebra de


uma molécula e seus fragmentos, dependendo da estabilidade química, podem se
recombinar, de algumas maneiras diferentes, com o material do meio circundante.
Os efeitos biológicos da radiação dependem não só de fatores como dose, taxa de
dose, condições ambientais na altura da radiação e sensibilidade radiológica do
sistema biológico, mas também da distribuição espacial da deposição energética.
Efeitos Biológicos da Radiaçao Ionizante
Em geral os efeitos produzidos pela radiação ionizante são de natureza deletéria,
podendo provocar malformações congênitas, esterilidade, reduzir a fertilidade,
provocar câncer, leucemia, catarata, acelerar o envelhecimento e causar morte. Os
riscos genéticos e somáticos associados às radiações ionizantes mostram que os
efeitos produzidos são dependentes dos fatores discutidos a seguir.

Apesar de todas as radiações ionizantes serem capazes de produzir os mesmos


efeitos biológicos, a magnitude do efeito por dose unitária difere. Doses idênticas
de radiação de diferentes LETs não produzem a mesma resposta biológica.
Efeitos Biológicos da Radiaçao Ionizante
Transferência Linear de Energia (LET) e Eficácia Biológica Relativa (RBE)

• LET (Linear Energy Transfer) compreende a perda média de energia, por colisão,
de uma partícula carregada por unidade de comprimento. A resposta das
células de um tecido ou órgão irradiado também vai depender do tipo de
energia média de radiação (dE) que é depositada na matéria por unidade de
comprimento(dx), denominada de LET. A unidade é keV/µm.

• As radiações eletromagnéticas são de baixo LET e por isso são chamadas de


esparsamente ionizantes, devido a sua relativa infrequência de ionizações
produzidas ao longo de seu trajeto. As radiações consideradas de alto LET são
aquelas que possuem um alto poder de ionização e uma taxa de transferência
de energia num meio material. As radiações corpusculares são densamente
ionizantes. Os nêutrons, as partículas alfas e íons pesados têm alto LET e são
mais efetivos do que as radiações eletromagnéticas em termos de efeitos
biológicos produzidos por unidade de dose
Efeitos Biológicos da Radiaçao Ionizante
Transferência Linear de Energia (LET) e Eficácia Biológica Relativa (RBE)

Acompanhando o percurso de uma partícula carregada num meio material e o


processo de transferência de sua energia, percebe-se que ela não possui um valor
fixo de LET, de acordo com o ilustrado pela Figura 14. O que é chamado de LET
constitui um valor médio obtido de um espectro largo de valores. Assim, a
separação de radiações de baixo e alto LET é muito arbitrária, embora de utilidade.
Efeitos Biológicos da Radiaçao Ionizante
O termo que relaciona a efetividade da radiação de teste para a radiação de
referência designa-se efetividade biológica relativa (relative biological
effectiveness (RBE)). A Eficácia biológica relativa é usada para definir o índice da
eficiência da radiação ao produzir uma dada resposta biológica, o qual é definido
por D250/Dr, onde: D250 e Dr são respectivamente as doses de raios X de 250 Kvps
e da radiação de teste para produzir o mesmo efeito radiobiológico. O valor do RBE
é dependente do objetivo particular em que é empregado.
Efeitos Biológicos da Radiaçao Ionizante
A RBE de uma determinada radiação, se todos os outros fatores se mantiverem
constantes, aumenta com a LET da radiação. No entanto, a partir de 100 keV/µm,
aproximadamente, a radiação começa a ser menos eficiente, pois o potencial de
lesão máximo já foi alcançado.

O aumento é atribuído à ionização específica mais elevada associada à radiação


com LET elevada (ex.: partículas alfa) e a sua capacidade em produzir maior dano,
comparativamente com a LET baixa (ex.: raios-X, raios gama). Contudo, acima de
100 keV/µm a RBE diminui com o aumento da LET. Isto se verifica por haver uma
deposição excessiva de radiação comparativamente com a quantidade necessária
para provocar morte celular. A RBE é uma ferramenta útil para ajudar a caracterizar
o potencial dano provocado pelos diferentes tipos de radiação.
Efeitos Biológicos da Radiaçao Ionizante
A intensidade do efeito danoso das radiações ionizantes depende da sua energia,
da sua estrutura particular ou eletromagnética, da sua massa ou da carga, e
depende, principalmente, do rendimento de transferência da energia por
milímetro de percurso (LET) no tecido orgânico. Radiações eletromagnéticas como
raios-X e os raios γ são pouco eficientes para transferir suas energias para o tecido,
sendo, por isso, menos mutagênicas que a radiação α. Esta mostra alta eficiência na
transferência de energia para os compostos orgânicos.
Propriedade dos Sistemas Biológicos
As propriedades dos sistemas biológicos estão descritas a seguir:

Reversibilidade:

• Os efeitos biológicos das radiações podem ser reversíveis. O mecanismo de


reparo das células é muito eficiente. Mesmo os danos mais profundos são
capazes de ser reparados ou compensados. A reversibilidade de um efeito
dependerá do tipo da célula afetada e a possibilidade de restauração desta
célula
Transmissibilidade:

• A maior parte das alterações causadas pelas radiações que afetam uma célula
ou um organismo não é transmitida a outras células ou outros organismos.
Porém, danos causados ao material genético das células dos ovários e
testículos, podem ser transmitidos hereditariamente por meio da reprodução
das células danificadas
Propriedade dos Sistemas Biológicos
Os efeitos decorrentes do uso da radiação ionizante sobre o organismo variam de
dezenas de minutos até dezenas de anos, dependendo dos sintomas. As alterações
físico-químicas provocadas pela radiação podem afetar uma célula de várias
maneiras, resultando em: morte prematura, impedimento ou retardo de divisão
celular ou modificação permanente que é passada para as células de gerações
posteriores.

O efeito biológico de duas doses de mesma intensidade, porém submetidas ao


paciente em diferente tempo (agudamente ou espaçada no tempo), pode produzir
efeitos diferenciados se administrado de forma crônica ou aguda. As células
germinativas quando irradiadas com doses crônicas (espaçadas ao longo do tempo)
produzem menor taxa de mutação comparativamente quando são irradiadas com a
mesma dose, mas de forma instantânea (dose aguda).
Classificação dos Efeitos Biológicos em
Função da Dose e Forma de Respostas
Em função da dose e da forma de respostas, os feitos biológicos podem ser
classificados como: estocásticos e reações teciduais (efeitos determinísticos).
Estocásticos:
• São efeitos em que a probabilidade de ocorrência é proporcional à dose de
radiação recebida, sem a existência de limiar de dose, o que significa que doses
pequenas, abaixo dos limites estabelecidos por normas e recomendações de
radioproteção podem induzir tais efeitos. Entre estes efeitos, destaca-se o
câncer
Classificação dos Efeitos Biológicos em
Função da Dose e Forma de Respostas
A probabilidade de ocorrência de um câncer radioinduzido depende do número de
clones de células modificadas no tecido ou órgão, uma vez que depende da
sobrevivência de pelo menos um deles para garantir a progressão.

O período de aparecimento (detecção) do câncer após a exposição pode chegar até


40 anos.

No caso de leucemia, a frequência passa no máximo entre 5 e 7 anos. Com período


de Latência de 2 anos, esses efeitos são aleatórios, surgindo em células singulares e
assumindo-se que existe sempre a probabilidade de ocorrerem, mesmo para
pequenas doses de radiação.
Classificação dos Efeitos Biológicos em
Função da Dose e Forma de Respostas
Reações Teciduais :

• São efeitos provocados por irradiação total ou localizados em um tecido,


causando um grau de morte celular não compensado pela reposição ou reparo
ao dano, com prejuízos detectáveis no funcionamento do tecido ou órgão. Para
esse efeito existe um limiar de dose, abaixo do qual a perda de células é
insuficiente para prejudicar o tecido ou órgão de um modo detectável. Isso
significa que os efeitos determinísticos são produzidos por doses elevadas,
acima do limiar, onde a severidade ou gravidade do dano aumenta com a dose
aplicada.

• A probabilidade de efeito determinístico, assim definido, é nula para valores de


dose abaixo do limiar, e 100% acima. São os efeitos cuja severidade aumenta
com o aumento da dose, usualmente acima de um limiar de dose.
Classificação dos Efeitos Biológicos em
Função da Dose e Forma de Respostas
• São exemplos de efeitos determinísticos eritemas e radiodermite, catarata,
infertilidade e a síndrome da radiação aguda. Na pele, eritema e descamação
ocorrem após dose de 3 – 5 Gy com o aparecimento dos sintomas cerca de 3
semanas após exposição. A necrose nos tecidos ocorre a uma dose de 50 Gy
após três semanas.

• A indução da catarata ocorre dependendo do LET: de 2 – 10 Gy (radiação de


baixa LET) e 1 -2Gy (radiação de alta LET) que são exposições agudas, mas pode
também ocorrer com dose de 0,15 Gy/ano (radiação de baixo LET), exposição
crônica.
Classificação dos Efeitos Biológicos em
Função da Dose e Forma de Respostas
• No homem sadio a indução a esterilidade ocorre de duas formas: efeito
temporário, que varia de 0,15Gy (exposição aguda) a 0,4Gy/ano (exposição
crônica); efeito permanente, que varia de 3,5 - 6,0 Gy (exposição aguda) e 0,2
Gy/ano (exposição crônica). Na mulher, o efeito é permanente e varia de 2,5 – 6
Gy (exposição aguda) e 0,2 Gy/ano (exposição crônica). Pode ocorrer retardo
mental no feto (exposição intrauterina) entre a 8-15 semanas após a
concepção, na fase organogênese, com dose que varia de 0,12 a 0,2 Gy. Em
40% dos indivíduos expostos a dose de 1 Sv ocorreu retardo mental severo. A
depressão na formação do sangue surge após uma dose 0,5Gy em toda a
medula (exposição aguda) ou 0,4 gy/ano.
Danos Biológicos
Em relação ao nível de danos biológicos, estes se classificam como genético ou
hereditário e somático, conforme descrito a seguir.

• Genéticos ou Hereditários:

De acordo com Bushong (2004), são efeitos que surgem na descendência da


pessoa irradiada, como resultado do dano produzido pela radiação em células dos
órgãos reprodutores, as gônadas. Têm caráter cumulativo e independem da taxa de
absorção da dose.
• Somáticos:

Surgem do dano nas células do corpo, quando a resposta biológica se faz sentir
poucas horas até algumas semanas depois da exposição, e o efeito aparece na
própria pessoa irradiada. Dependem da dose absorvida, da taxa de absorção da
energia da radiação, da região e da área do corpo irradiada. Em relação ao tempo
de manifestação dos efeitos somáticos, classificam-se como imediatos e tardios
Danos Biológicos
Efeitos Somáticos imediatos

• São aqueles que ocorrem em um período de horas até algumas semanas após a
irradiação. Como exemplo de efeitos agudos provocados pela ação de radiações
ionizantes podem-se citar eritema, queda de cabelo, esterilidade temporária ou
permanente, alterações no sistema sanguíneo, etc.

• Os efeitos imediatos da radiação têm sido estudados frequentemente em


laboratório, normalmente em animais e eventualmente em humanos vitimas
de acidente. Melhorar o conhecimento a respeito destes efeitos dará melhor
proteção aos profissionais que lidam com radiação, principalmente a ionizante.
Os radiologistas e os radioterapeutas têm no seu dia a dia não só o manuseio
dos equipamentos mais o questionamento de pacientes, a Hormesis (expressão
quantitativa da toxicidade: dose-resposta) sugere baixos níveis de radiação,
aproximadamente menores a 5 rad (50 mGy) para proporciona um efeito
protetor ao estimular os mecanismos de reconstituição celular do corpo
humano.
Danos Biológicos
• Hoje existe maior atenção não só para o paciente, mas principalmente para o
profissional desta área. Os efeitos imediatos ocorrem a um tempo muito curto,
chega até semanas, enquanto que o tardio pode ocorrer anos após. Os efeitos
Somáticos imediatos após uma exposição de alta dose podem provocar: a)
síndrome da radiação aguda; b) danos no tecido local; c) efeitos hematológicos;
e d) efeitos citogenéticos.
Síndrome aguda da radiação
• A síndrome da radiação aguda corre no corpo inteiro a uma dose de 1 a 4 Gy. O
conceito LD50/30 define esta síndrome como dose letal que provoca a morte
de 50% da população em 30 dias, cuja sobrevivência decresce com o aumento
da dose.

• Neste período ocorrem quatro etapas. A primeira é a Síndrome Prodromal, que


significa correr antes, e se refere ao estágio inicial de uma enfermidade que
pode ocorrer à baixa dose e em minutos a alto nível de dose. A segunda é o
período latente em que o indivíduo aparenta estar livre de síndromes e
iniciando a recuperação, porém este período é uma questão de horas e
semanas à baixa dose. A terceira etapa é a manifestação da doença com três
tipos de síndromes: Síndrome Hematopoietica, Síndrome Gastrointestinal e
Síndrome do Sistema nervoso Central (CNS).

• A última etapa é a recuperação ou morte. Esta recuperação tem em média de 3


semanas a 6 meses, pois a síndrome hematológica leva o indivíduo à morte.
Na terceira etapa temos as síndromes que enquanto a dose de radiação cresce o tempo
de sobrevivência decresce. Estas síndromes são:

• síndrome hematopoiética ou síndrome da medula óssea, que ocorre na dose de baixo nível, de 2 a 10 Gy,
porque as células formadoras do sangue da medula são extremamente sensíveis. Diferentes tipos de
radiação produzem diferentes efeitos, mesmo que tenha a mesma dosagem. O primeiro estágio, o
prodromal, provoca náuseas, vômitos e diarreia, logo após o período latente, que pode durar quatro
semanas onde a doença está diminuindo o número de células brancas e vermelhas do sangue e as plaquetas
na circulação do sangue. O tronco mitótico celular que produz estas células foi esterilizado na síndrome,
impedindo a reprodução celular. Esta redução chama-se Pancitopenia, que vem a provocar um mal-estar
generalizado, incluindo febre, anemia, hemorragia e infecções devido à falta de células brancas no sangue. A
morte pode ocorrer como desequilíbrio eletrolítico ou infecção generalizada;

• síndrome gastrointestinal, que ocorre com doses entre 10 a 50 Gy. Após a síndrome prodromal, quando
ultrapassa um dia, um período latente duro cerca de 3 a 5 dias. A segunda onda de náuseas e vômito resulta
na manifestação do estágio da doença, acompanhada de uma prolongada diarreia, debilitando o trato
intestinal, resultando numa desidratação, podendo também ocorrer letargia e anorexia, sem possibilidade
de prevenção. A morte pode ocorrer em 3 a 4 dias.

• síndrome do Sistema Nervoso Central (CNS), que acima de 50 Gy para o corpo inteiro, resulta na morte
dentro de poucas horas, mas isto pode levar vários dias, a síndrome gastrointestinal e a hematopoiética
estão acontecendo simultaneamente e o indivíduo torna-se nervoso e confuso, a consciência pode ser
perdida, o período latente dura de 6 a 12 horas. Há perda de coordenação muscular, Ataxia, letargia,
convulsões e dificuldade na respiração, não existe precisão na causa morte, mas acredita-se que seja o
aumento da pressão na abobada do crânio (Bushong, 2004).
Danos no tecido local:
• Há outros danos que podem ocorrer no organismo de acordo com a dose, pois
cada tecido responderá de forma diferente. Alta dose numa parte do corpo
pode provocar a morte celular, induzindo a atrofia do órgão e a recuperação
deste pode ser total, parcial ou não existir, resultando na necrose, dependendo
da dose e do tipo de célula deste tecido. Os tecidos locais que podem ser
afetados imediatamente são: a pele, as gônadas e a medula óssea.

• A Pele é o tecido que mais sofre com a radiação, seja ele natural ou artificial. A
primeira prova dos efeitos biológicos da radiação ionizante surge na pele
exposta, sob a forma de um eritema e dermatite por radiação aguda. O grau de
lesão depende não só da quantidade, qualidade e taxa de dose da radiação,
mas também da localização e extensão da exposição. É muito improvável que
doses utilizadas nos exames de diagnóstico sejam altas o suficiente para
produzir qualquer um dos efeitos que serão discutidos posteriormente. Na
radiologia e na radioterapia, pacientes e operadores sofreram queimaduras nos
raios-X com baixa quilovoltagem, mas com muito tempo de exposição.
Espectro de efeitos na pele

Efeitos precoces Efeitos tardios Efeitos em estruturas acessórias

Atrofia
Fibrose
Hiper/hipopigmentação
Ulceração
Necrose
Eritema Câncer
Inflamação Depilação
Descamação seca Destruição de glândulas sebáceas e
Descamação Sudoripação
úmida
• A pele é um sistema de renovação continuo, onde cerca de 2% das células são
substituídos cada dia. A pele consiste de três camadas e alguns acessórios na estrutura:
camada subcutânea de gordura que liga o tecido; meia camada que liga o tecido à
verdadeira camada ou derme; a epiderme; e a estrutura de acessório senso-receptor,
folículo capilar, glândulas sebáceas e sudoríparas (estas duas últimas são mais
radiossensíveis).

• Na radioterapia pode ocorrer a epilação, queda de cabelo, que pode ser permanente
quando em altas doses. As gônadas humanas são extremamente sensíveis, pois elas
possuem todo o material genético. Estas células têm comportamento diferentemente no
homem e na mulher. As células-tronco dos ovários, as oogônias, multiplicam-se apenas
no feto, depois seu número diminui ao longo da vida, enquanto que as células-tronco dos
testículos, as espermatogonias, são continuamente renovadas.

• Nos testículos, a dose de 10 cGy pode reduzir o número de espermatozoides. Esta


redução é proporcional ao tempo do efeito da dose. Num período de 3 a 5 semanas
durante a maturação do espermatozoide, uma dose de 2 a 2,5Gy resulta na esterilidade
temporária que chega até 1 ano, mas pode haver danos cromossomal na função dos
espermatozoides. A esterilidade permanente é provocada por doses de 5 a 6 Gy. A célula-
tronco da espermatogonia são as da fase mais sensitiva da gametogênese da
espermatozoa. Os espermatócitos e as espermatides são relativamente radiossensíveis e
continuam a maturação.
Nos ovários, a dose de 10 cGy pode suspender ou atrasar a menstruação. Eles são
extremamente radiossensíveis no feto e na criança, causando atrofia porque as
células gen morrem e tanto na mulher, na faixa etária de 30 anos, principalmente,
como no homem a dose de 2 Gy produz uma esterilidade temporária de 5 a 6 Gy,
causando esterilidade permanente. As células da gametogênese feminina são o
oócitos do folículo da maturação e são as mais radiossensíveis.
Efeitos hematológicos:

• Para produzir uma depressão hematológica é necessária uma dose de 25 cGy,


muito maior que a dose tolerada para quem trabalha com radiação. Todas as
células deste sistema desenvolvem-se de uma única célula-tronco. Esta é
chamada de célula-tronco pluripotencial, por desenvolver diferentes tipos de
células, mas a principal delas são os linfócitos (responsáveis pela imunização),
os granulócitos (responsável pela energia), trombócitos (responsável pela
coagulação do sangue) e os eritrócitos (responsáveis pelo transporte de
oxigênio no sangue). Estas células ampliam-se a diferentes taxas na medula
óssea, podendo se desenvolver e amadurecer a partir de uma única célula-
tronco pluripotencial.
Após uma exposição às primeiras células afetadas são os linfócitos que são
reduzidos em número (linfopenia) dentro de minutos ou horas. Os granulocitos
sofrem rápida elevação (granulocitose), acompanhada de rápido decrescimento e
de lento decrescimento em número. A uma dose moderada após 15 a 20 dias,
pode ocorrer uma elevação. A depleção de plaquetas (trombocitopenia)
desenvolve-se mais lentamente, podendo ser recuperada depois de 2 meses.

Os eritrócitos não têm a sensibilidade como as outras células do sangue, e não


ocorrem doenças em pouco tempo e elas podem se recuperar dentro de seis
meses ou um ano.
Efeito citogenético:

• As aberrações cromossomais são efeitos que podem ser causados tanto em alta
como em baixa dose. Para ser feita a análise citogenética é usado um mapa de
cromossomos que é conhecido como Cariótipo, que consiste na fotografia do
núcleo da célula na metástase que mostra cada cromossomo distintamente.

• Para mostrar o efeito deletério das radiações, costuma-se usar um parâmetro


conhecido como dose letal. Esta corresponde à quantidade de radiação capaz
de matar, em 30 dias, 50% da população dos animais irradiados e representa-se
em símbolo por LD50 (30). O homem necessita de uma LD50 (30) entre 225 a
270 rad, um carneiro 155 rad e uma tartaruga 1500 rad.
Efeitos Somáticos tardios
• Os efeitos tardios dizem respeito àqueles que ocorrem vários meses ou anos
após a exposição à radiação. Entre os efeitos tardios das radiações devem ser
ressaltadas a carcinogênese, o envelhecimento precoce, as cataratas, a
depressão do sistema imunológico e as malformações.

• De acordo com Bushong (2004), os efeitos retardados ou tardios,


principalmente o câncer, complicam bastante a implantação de critérios de
segurança no trabalho com radiações ionizantes. Não é possível, por enquanto,
usar critérios clínicos porque, quando aparecem os sintomas, o grau de dano
causado já pode ser severo, irreparável e até letal. Em princípio, é possível ter
um critério biológico e espera-se algum dia ser possível identificar uma
mudança biológica no ser humano que corresponda a uma mudança abaixo do
grau de lesão. Por enquanto, utilizam-se hipóteses estabelecidas sobre critérios
físicos, extrapolações matemáticas e comportamentos estatísticos.
Efeitos Somáticos tardios
• O indivíduo é mais vulnerável à radiação quando criança ou quando idoso. Na infância,
os órgãos, o metabolismo, as proporções ainda não se estabeleceram definitivamente
e, assim, alguns efeitos biológicos podem ter resposta com intensidade ou tempo
diferentes de um adulto. As mulheres são mais sensíveis e devem ser mais protegidas
contra a radiação do que os homens. Isto porque possuem órgãos reprodutores
internos e os seios são constituídos de tecidos muito sensíveis à radiação. Além disso,
existe o período de gestação, onde o feto apresenta a fase mais vulnerável à radiação e
a mãe tem seu organismo bastante modificado em forma, composição hormonal e
química.

• Os efeitos da radiação com doses baixas prolongadas no útero podem provocar os


seguintes efeitos: morte pré-natal e neonatal, anomalias congênitas, neoplasias
malignas, problemas de crescimento, efeitos genéticos e retardo mental. No entanto,
estas anomalias se baseiam em doses superiores a 100 rad. Não existe nenhuma prova
que indique, nem em homem e nem em animais, que os níveis de exposição à radiação
habituais na área médica e trabalhadores dos centros radiológicos sejam responsáveis
de efeitos algum em crescimento desenvolvimento fetal. Também pode afirma-se com
total certeza que as mutações genéticas induzidas por radiações para os níveis de
exposição próprio dos centros de radiologia diagnóstica são, em essência, inexistentes.
Proteção Radiológica

• O setor de diagnóstico por imagem pode acrescentar riscos ocupacionais aos


trabalhadores da área. No entanto, tais exposições podem ser evitadas quando
aplicadas medidas de biossegurança, dentre as quais: a proteção radiológica, a
proteção contra agentes patológicos, a capacitação e a imunização dos trabalhadores.
“Proteção Radiológica ou Radioproteção é o conjunto de medidas que visam proteger o
ser humano e seus descendentes contra possíveis efeitos indesejados causados pela
radiação ionizante”.

Sobre radioproteção, a mesma apresenta 4 princípios que estão melhor descrito na Portaria
453/98 da ANVISA:
Proteção Radiológica

– Justificação: “nenhuma prática ou fonte adscrita a uma prática deve ser autorizada
a menos que produza suficiente benefício para o indivíduo exposto ou para a
sociedade, de modo a compensar o detrimento que possa ser causado”

– Otimização: “instalações e as práticas devem ser planejadas, implantadas e


executadas de modo que a magnitude das doses individuais, o número de pessoas
expostas e a probabilidade de exposições acidentais sejam tão baixos quanto
razoavelmente exeqüíveis, levando-se em conta fatores sociais e econômicos, além
das restrições de dose aplicáveis.”

– Limitação de Dose Individual: “são valores de dose efetiva ou de dose equivalente,


estabelecidos para exposição ocupacional e exposição do público decorrentes de
práticas controladas, cujas magnitudes não devem ser excedidas. “

– Prevenção de Acidentes: ”No projeto e operação de equipamentos e de instalações


deve-se minimizar a probabilidade de ocorrência de acidentes (exposições
potenciais).”
As 3 principais condutas de proteção radiológica são elas:

 Tempo: A relação tempo x risco é diretamente proporcional, ou seja: quanto mais


tempo um indivíduo ficar exposto maior será o risco.

 Distância: A relação distância x risco é inversamente proporcional, ou seja: quanto


mais distante um indivíduo estiver menor será o risco.

 Blindagem: Se faz necessário a utilização de materiais de blindagens durante o


trabalho e/ou manuseio de fontes de radiação. A escolha do material de
blindagem depende do tipo de radiação, atividade da fonte e da taxa de dose que
é aceitável fora do material de blindagem.
Sobre o tipo de radiação e a escolha correta da blindagem
Os Equipamentos de Proteção Radiológica
Atividade apostila

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