CARCINOMA DA PELE
TUTORES:
DR. AUGUSTO TOMÉ RESIDENTE: PABLO RUSSELL
DR. OSMANY
JULHO 2024
PANORAMA
Introdução;
Epidemiologia;
Tipos;
Factores de Risco;
Etiologia;
Diagnóstico;
Tratamento;
Prevenção;
Bibliografia.
INTRODUÇÃO
A pele é o maior órgão do corpo humano, sendo constituída por um
epitélio pavimentoso estratificado queratinizado, que tem múltiplas
funções:
I. Proteção;
II. Contato entre o meio interno e externo;
III. Regulação térmica e hídrica.
Cont.
É alvo constante de agressões físicas - a radiação solar
ultravioleta: pode comprometer a viabilidade celular e induzir
modificações genéticas que propiciam o desenvolvimento de
neoplasias cutâneas.
EPIDEMIOLOGIA
EUA:
1 em 5 americanos desenvolverá câncer de pele aos 70 anos;
Mais do que 2 pessoas morrem de câncer de pele nos EUA a cada hora;
Tendo 5 ou mais queimaduras solares dobra o risco de melanoma;
Quando detectado precocemente, o A taxa de sobrevida em 5 anos para o melanoma é de 99%.
BRASIL:
cerca de 31,3%, é o de pele não melanoma;
atinge cerca de 185 mil pessoas anualmente;
Em 2019, o câncer de pele foi a causa de morte de cerca de 4,5 mil pessoas, entre 2,6 mil homens e 1,9
mil mulheres.
Cont.
MOÇAMBIQUE:
Dados da OMS publicados de 2020:
Mortes por Câncer de pele na Moçambique atingiram 563 ou
0.22% do total de mortes;
A taxa de morte ajustada à idade é de 4.25 por 100 000 habitantes;
Classifica a Moçambique como número 12 no mundo.
FATORES DE RISCO(gerais)
Pele clara, olhos claros, albinos ou sensíveis à ação dos raios
solares;
História pessoal ou familiar deste câncer;
Doenças cutâneas prévias;
Exposição direta ao sol;
Exposição prolongada e repetida ao sol;
Exposição a câmeras de bronzeamento artificial.
TIPOS
I. Carcinoma Basocelular (CBC);
II. Carcinoma Espinocelular (CEC);
III. Melanoma.
Carcinoma Basocelular (CBC)
É um tumor maligno da pele também conhecido como basalioma, epitelioma
basocelular e carcinoma de células basais;
Tumor de crescimento lento, indolente e que raras vezes produz metástase;
Pode causar grande destruição tecidual local gerando morbidade e eventual
mortalidade;
Podem apresentar tamanhos variados. Lesões de poucos milímetros;
Referido pelos pacientes como uma ferida que não cicatriza ou uma lesão de
acne.
EPIDEMIOLOGIA
Varia de acordo com a área geográfica, sendo maior na Austrália, com
aproximadamente 977/100.000 casos por ano;
Homens > Mulheres;
50 a 65ª;
cabeça e pescoço ↑↑;
palmas e plantas↓↓;
20% dos casos ocorrem em áreas não fotoexpostas;
Negros↓↓.
FACTORES DE RISCO
Exposição solar crônica e intermitente;
Queimadura na infância ou a adolescência;
cor clara/cabelos ruivos/loiros/efélides (sarda/melanina↑↑);
imunossupressão;
exposição à radiação/arsênico.
SINAIS E SINTOMAS
crescimento lento;
baixa letalidade;
pode invadir os tecidos adjacentes e provocar deformidades;
metástases é rara e envolve linfonodos, pulmões e ossos.
SUBTIPOS CLINICOS
Nódulo-ulcerativo:
pápula rósea perlácea → nódulo →ulceração central
+crosta+sangramentos episódicos;
bordas cilíndricas, translúcidas;
lesão persistente que não cicatriza;
1º extensão superficial e profunda →invasão+destruição de tecidos
(músculo, cartilagem, osso).
NÓDULO ULCERATIVO
Cont.
Esclerosante:
Uma placa de cor branco amarelada/escleroatrófica/dura/lisa;
Bordas mal definidas, lembrando a esclerodermia;
Evolução lenta;
Não sofre ulceração;
Aspecto de cicatriz.
ESCLEROSANTE
Cont.
Superficial:
lesões múltiplas/eritêmato-escamosas/infiltradas;
limitada por bordas irregulares + elevada;
Localização → tronco +ombros+costas;
Podem tornar-se nodulares com a evolução da doença.
SUPERFICIAL
Cont.
Pigmentado:
forma nódulo-ulcerativa com
pigmentação melânica sendo
diagnóstico diferencial do
melanoma e outras lesões
pigmentadas como queratose
seborreica.
HISTOPATOLOGIA
Constituído por →células basaloides;
Proporção maior de núcleo para citoplasma;
Proliferação celular ocorre em maciços ou cordões;
Grau variável de atipias e mitoses;
Os grupamentos de células basaloides são sustentados por estroma conectivo próprio com o qual são formadas fendas, chamadas
epitélio-estroma;
O crescimento tumoral no CBC nodular ocorre para dentro da derme sob a forma de agregados celulares de tamanhos variáveis;
CBC superficial, o crescimento é irregular, estendendo-se para dentro da derme papilar a partir da camada basal da epiderme;
O CBC esclerodermiforme apresenta células tumorais dispostas em trabéculas entre feixes colágenos com aspecto hialinizado ou
fibrosado;
No tipo infiltrativo, há tendência para crescimento mais agressivo, com grupamentos irregulares de células basaloides infiltrando o
colágeno dérmico.
O termo CBC metatípico é utilizado para tumores que, na patologia, apresentam características tanto de CBC quanto de CEC;
A melanina, em CBC pigmentado, é produzida pelos melanócitos no interior do tumor.
DIAGNÓSTICO
BASE é a história do desenvolvimento da lesão+o exame clínico +E. histopatológico;
Dermatoscopia (técnica que permite o aumento da lesão de 6 a 100 vezes por meio da
utilização de lente e luz apropriadas) auxilia no diagnóstico clínico, pois permite a
identificação de estruturas que sugerem esse diagnóstico;
Os critérios dermatoscópicos associados ao carcinoma basocelular são:
I. vasos arboriformes;
II. ninhos ovoides cinza-azulados;
III. Ulceração;
IV. Estruturas em folha de bordo;
V. Estruturas em raio de roda e múltiplos glóbulos cinza-azulados.
Cont.
No que diz respeito à dermatoscopia pode-se observar
ausência de critérios para lesão melanocítica, presença de
vasos arboriformes e ninho ovoide (círculo).
TRATAMENTO
Erradicação completa do Câncer
Diferentes abordagens terapêuticas disponíveis:
curetagem e eletrodessecação;
exérese cirúrgica;
Crioterapia;
cirurgia micrográfica de Mohs;
imiquimod (imunomodulador);
5-fluorouracil (antimitótico);
terapia fotodinâmica e radioterapia.
A cirurgia micrográfica de Mohs é indicada em casos de CBC de alto risco (periocular, sulco nasolabial e nariz), lesões grandes (mais de 2
cm), bordas mal definidas, casos recidivantes e de crescimento agressivo e em CBC esclerodermiforme, infiltrativo e micronodular;
Essa cirurgia permite excisão da lesão com controle microscópico das margens, objetivando a retirada completa da lesão e maior conservação
do tecido. Após o tratamento, os pacientes devem ser acompanhados, considerando o risco de aproximadamente 45% de chances de
desenvolver um novo CBC em cinco anos.
CARCINOMA ESPINOCELULAR
Também conhecido como carcinoma de células escamosas,
espinalioma, epitelioma espinocelular e carcinoma
epidermoide;
Ele ocorre devido à proliferação maligna dos queratinócitos da pele
ou das superfícies mucosas.
EPIDEMIOLOGIA
Segunda forma mais comum de câncer de pele;
Sua incidência é variável nas diferentes partes do mundo, sendo
maior na Austrália, com aproximadamente 432/100.000 casos por
ano;
2Xhomens >mulheres;
Pessoas com mais de 50 anos;
↑Pele branca;
↑↑Cabeça/pescoço/dorso das mãos;
Pele negra, a frequência é semelhante, em áreas fotoexpostas ou
não.
Metástases é ↓↓ quando origina-se em áreas de exposição solar
FACTORES DE RISCO
A exposição à radiação ultravioleta;
Albinismo
radiação ionizante;
cicatrizes;
queimaduras;
exposição crônica ao calor;
imunossupressão prolongada;
infecção pelo papilomavírus humano (HPV);
infecção crônica (osteomielite);
tabagismo;
exposição a carcinógenos químicos ambientais e industriais, como arsênico e hidrocarbonetos.
SINAIS E SINTOMAS
verrugas na pele que não param de crescer;
manchinhas avermelhadas/bordas irregulares, que crescem com rapidez e
são escamosas, sangrando com facilidade;
machucados e feridas que podem surgir na pele e que não saram ou
demoram muito para cicatrizar;
lesões elevadas na pele e com texturas mais ásperas, com bordas irregulares;
mudanças na cor das cicatrizes que o paciente já possuía;
Inchaço nas cicatrizes que o paciente já possuía.
Cont. LESOES QUE PREDISPOEM
lesão ceratose actínica, decorrente da
exposição crônica à radiação ultravioleta;
A ceratose actínica manifesta-
se clinicamente como lesão eritematosa
com superfície áspera, principalmente
em regiões fotoexpostas. Ela é a lesão
cutânea pré-cancerosa mais comum;
1ª evidencia clínica: É a infiltração→
lesão nodular+vegetante+condilomatosa
ou ulcerada.
Cont.
Doença de Bowen:
Trata-se de uma lesão
eritematodescamativa;
bordas definidas e crescimento
centrífugo, principalmente em
áreas fotoexpostas;
Ela pode evoluir para a forma
invasiva.
Eritroplasia de Queyrat:
lesão eritematosa aveludada, com pouca ou
nenhuma infiltração, na glande ou no prepúcio
e, eventualmente, na mucosa genital feminina;
↑infecções (HPV e herpes simples genital) são
fatores de risco;
Evolução para ca espinocelular mais
agressivo.
Cont.
carcinoma verrucoso:
CEC de baixa malignidade;
raramente há metástases;
crescimento lento, exofítico e verrucoso.
Papilomatose oral florida:
localiza-se na cavidade oral;
lesão papilomatosa vegetante;
crescimento lento;
pode invadir o periósteo;
Entre os carcinomas, ela
corresponde a 5% de ocorrência.
Cont.
Dermatoses inflamatórias: ( que podem evoluir a CEC)
lúpus eritematoso discoide;
fístula cutânea de osteomielite crônica;
acne conglobata;
hidradernites supurativas;
sinus pilonidal.
HISTOPATOLOGIA
células malignas em toda a espessura da epiderme, sem comprometimento da derme;
invasivo quando queratinócitos atípicos atingem a derme;
proliferação irregular de queratinócitos atípicos em direção à derme;
As células atípicas apresentam variação de tamanho e forma, hiperplasia e hipercromasia do núcleo,
presença de pontes intercelulares, queratinização e mitoses atípicas;
tumores bem diferenciados: formação de pérolas córneas (arranjo concêntrico de células em torno
de queratina;
forma mal diferenciada: não há pérolas córneas e predominam as atipias citológicas.
As características histopatológicas associadas a pior prognóstico incluem profundidade tumoral, baixo
grau de diferenciação e envolvimento perineural.
Cont.
Proliferação irregular de queratinócitos atípicos
em direção à derme.
Cont.
Formação de "pérola córnea". Ocorre em tumores
bem diferenciados
Diagnóstico
i. Anamnese e exame fisico;
ii. presença de: (suspeita↑↑↑)
lesão ceratósica com crescimento progressivo;
Verrugas;
Doencas autoimunes( lupus/HIV/dermatites)
A confirmação do diagnóstico:
biopsia + histopatologia.
TRATAMENTO
Objetivo do tratamento é a remoção completa do tumor
tratamento preferencial é a exérese cirúrgica com avaliação histopatológica das margens.
modalidades terapêuticas:
quimioterapia tópica (5-fluorouracil e imiquimod);
eletrocauterização;
cauterização química;
Crioterapia;
cirurgia micrográfica de Mohs e radioterapia;
Esvaziamento ganglionar (comprometimento de linfonodos e possibilidade de cura);
radioterapia.
MELANOMA
Neoplasia originada dos melanócitos;
Agressivo e potencialmente letal;
Pode se originar em pele sã ou em lesões precursoras: nevos
melanocíticos congênitos e nevos atípicos;
↑↑ 40 e 60 anos de idade;
Surgem em áreas expostas ou não expostas à exposição solar.
EPIDEMIOLOGIA
afeta todas as raças;
idade adulta↑↑;
Pele negra →palmo-plantar;
↑↑pele clara/olhos azuis/cabelos loiros/ruivos (queimadura, quando expostos ao sol);
nevos e nevos grandes ou atípicos:↑↑risco ;
2% dos pacientes história familiar + ;
70% não há lesão preexistente.
FACTORES DE RISCO
cor clara da pele, cabelos e olhos;
presença de sardas;
múltiplos nevos melanocíticos;
excessiva exposição;
queimaduras solares intermitentes na infância e adolescência;
antecedentes familiares.
SINAIS E SINTOMAS
mácula, pápula ou nódulo.
Placa irregularmente elevada +áreas rígidas de cor marrom ou marrom-clara;
nódulos avermelhados, esbranquiçados, negros e azuis ou pequenos nódulos negro-azulados, às vezes
protuberantes;
sangramento;
Coceira;
crostas;
Os principais locais de metástases são, em ordem de frequência, pele, linfonodos, pulmão, sistema nervoso central, fígado e ossos.
dor;
Convulsoes;
hematoquezia;
Dispneia.
HISTOPATOLOGIA
células atípicas e maiores do que os melanócitos e células de nevos;
membrana nuclear irregular;
cromatina hipercromática;
nucléolos proeminentes irregulares em forma, tamanho e número;
Os principais tipos celulares são fusiformes e epitelioides: crescem
como ninhos malformados em todos os níveis da epiderme e na
derme;
Frequentemente há infiltrado inflamatório linfocitário.
TIPOS
LENTIGO MALIGNO MELANOMA
MELANOMA EXTENSIVO SUPERFICIAL
MELANOMA NODULAR
MELANOMA ACRAL
DIAGNOSTICO
Regra de ABCDE;
A dermatoscopia permite uma abordagem racional, evitando biópsias
desnecessárias;
Histopatologia permite:
1. o estadiamento por meio dos parâmetros de invasão (níveis de
invasão de Clark);
2. espessura tumoral (índice de Breslow).
Imunohistoquimica;
Cont.
Regra ABCDE
Cont.
Dermatoscópio: aparelho que utiliza
uma lente óptica iluminada para
ampliação e visualização da pele,
analisa-se uma série de estruturas e
cores;
Ajuda na diferenciação das lesões
pigmentadas benignas e malignas,
aumentando a acurácia no diagnóstico.
Lesão melanocítica assimétrica, com múltiplas
cores, apresentando padrão de multicomponentes
com rede atípica, glóbulos irregulares, estrias
radiadas e véucinza-azulado.
Estadiamento por meio dos parâmetros de invasão
espessura tumoral, sendo medida a
partir da camada granulosa até o ponto
inferior da penetração do tumor;
Importante para definição
terapêutica/avaliação do risco de
recidiva e prognóstico;
usado somente para tumores
invasivos, não sendo aplicado para
lesões in situ.
Imuno-histoquímica:marcadores de melanocitos
por meio de anticorpos;
1. proteína S-100;
2. HMB-45;
3. anticorpo anti-Melan-A ( melanocitos
benignos e malignos).
Reação imuno-histoquímica para proteína S-
100 evidencia grupamentos celulares que
preenchem a derme papilar e adentram a
derme reticula
TRATAMENTO
A exérese da lesão com ampliação de margem;
Terapias adjuvantes:
i. Linfadenectomia;
ii. Quimioterapia;
iii. radioterapia;
iv. imunoterapia,
O linfonodo sentinela é indicado para avaliar possíveis metástases em linfonodos
regionais, bem como para o estadiamento do paciente.
BIBLIOGRAFIA
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