DIREITO PENAL II
SANÇÃO PENAL
TEORIA DA SANÇÃO PENAL
pena
Sanção penal
Medida de segurança
PENA
1. CARACTERÍSTICAS DA PENA
A doutrina consagra três características inerentes a pena e sem as
quais a medida sancionatória deixa de ser definida como pena:
a) Sofrimento: importante frisar que sanção é consequência imposta
para a prática da hipótese, da conduta prevista em abstrato. Nem
sempre sanção é punitiva. É permitida e prevista sanção penal
premial.
b) Referência ao passado: só se pode punir por algo que se FEZ. A
consequência da sanção negativa da pena deve ser atribuída a
conduta pretérita, anterior à imposição da pena. A pena não pode
ser imposta para evitar condutas futuras
c) Devido processo legal: a pena exige um devido processo legal
PENA
2. FINALIDADES DA PENA
2.1. TEORIAS ABSOLUTAS OU RETRIBUTIVAS: Pune-se porque foi praticado um crime. A referência é
exclusiva ao passado
vingança
Expiação
Absolutas /
retributivas Justiça
(Kant)
Anulação normativa (Hegel)
A pena-vingança tem como características:
a) a responsabilidade objetiva, ou seja, independentemente de demonstração do dolo ou culpa
b) a responsabilidade flutuante: o sofrimento deve ser imposto a alguém, mesmo que não o causador.
c) a pena desproporcional
PENA
2. FINALIDADES DA PENA
2.1. TEORIAS ABSOLUTAS OU RETRIBUTIVAS - continuação
A pena-expiação, também chamada de vingança divina, tem como objetivo purificar o infrator e
reconcilia-lo com a divindade e com a sociedade. Tem vértice humanista, pois não quer eliminar o
criminoso, mas sim salva-lo. O auge da pena-expiação é no Direito Canônico, que inspira a prisão em
isolamento (clausura)
A pena-justiça tem o objetivo de fazer justiça, pois é justo que quem fez um mal sofra um mal.
Kant ensina que a justiça é um imperativo categórico, uma forma pré-concebida da razão (não precisa
explicar, a justiça é uma forma inata da razão). Kant ilustra a pura referência ao passado da pena para
fazer justiça com a metáfora da ilha (mesmo que a comunidade de uma ilha vá se extinguir no dia
seguinte, as penas devem ser cumpridas e os condenados, executados). Kant ensina que a pena não pode
ter um objetivo futuro para não violar a dignidade do condenado. Em Kant, a dignidade humana tem
como base a fórmula-instrumento: o homem é o fim de todas as coisas e não pode ser um meio para um
fim. As coisas são meio, o homem é fim. Ora, se a pena quer evitar crimes futuros, usa o condenado
como meio, como coisa, o que viola sua dignidade. A medida da pena é a medida do mal e é uma das
bases da pena na doutrina brasileira.
A pena como anulação normativa (Hegel). Hegel é um dos grandes nomes do idealismo alemão.
Em Hegel, a pena anula o crime e com isso restabelece o direito: crime é a negação do direito; a pena é a
negação do crime
PENA
2. FINALIDADES DA PENA
2.2. TEORIAS RELATIVAS OU PREVENTIVAS
A pena tem como objetivo evitar a prática de crimes. (pune-se para melhorar o futuro). A
PREVENÇÃO pode ser GERAL ou ESPECIAL:
a) PREVENÇÃO GERAL: quer atingir a comunidade
- NEGATIVA: Em Feuerbach, a pena tem como objetivo intimidar a coletividade pelo exemplo
do suplício. É um contra-impulso criminoso, pois o homem sempre busca o prazer e repele o sofrimento
(escola clássica). A pena deve trazer sofrimento maior do que o prazer do crime. Deve ser evitada a
impunidade, pois a ameaça só cumpre a função com a certeza da pena. Em Feuerbach, mais importante
que a pena é a ameaça da pena. A aplicação da pena permite concluir que o Direito Penal não cumpriu
sua função: não evitou o crime. A pena é aplicada para que a ameaça tenha credibilidade
- POSITIVA: tem suas bases em Welzel, para quem a pena tem uma função ético-social e, para
muitos, tem inspiração em Durkheim na funcionalidade do crime. Na prevenção geral preventiva, a pena
tem como objetivo primordial, a comunicação. A prevenção geral positiva tem duas vertentes
consagradas: limitadora (Roxin) e fundamentadora (Jakobs)
Para Roxin, a pena tem o objetivo de revitalizar a crença na vigência da norma e a valorização
do bem jurídico subjacente. A pena tem efeito pedagógico de relembrar sobre a norma e o bem
jurídico.
A prevenção geral positiva fundamentadora de Jakobs despreza a tradicional teoria do bem
jurídico. A pena tem a finalidade de manter as expectativas normativas essenciais para a vida em
sociedade. As expectativas podem ser cognitivas ou normativas. Cognitivas são aquelas que, se
defraudadas, se alteram. Normativas são aquelas que se mantém mesmo se contrariadas. As
expectativas normativas estão cristalizadas na norma.
PENA
2. FINALIDADES DA PENA
2.2. TEORIAS RELATIVAS OU PREVENTIVAS -- continuação
b) PREVENÇÃO ESPECIAL: o objetivo da pena é gerar efeitos no condenado. A prevenção especial pode
ser NEGATIVA ou POSITIVA
- NEGATIVA: - tornar o condenado inofensivo (inoquização) e
- intimidação individual (o condenado evitará a reincidência pelo medo de
repetição do suplício
- POSITIVA: tem três vertentes:
- pena-tratamento: o criminoso é um doente social e a pena, o tratamento
- programa máximo: será imposta uma agenda de valores para reintegração social
(restabelecer os valores sociais ao condenado – valorização do trabalho, da moral, da educação etc)
- programa mínimo: o Estado deve facultar uma agenda de valores para
reintegração social
PENA
2. FINALIDADES DA PENA
2.3. TEORIAS MISTAS
a) ADITIVAS: se as finalidades da pena são justapostas em busca de suas vantagens. Prevalece que é a
opção de nosso Código Penal, no artigo 59, ao estabelecer que a pena será necessária e suficiente
para “reprovar” e “prevenir”. Roxin critica a teoria mista aditiva, pois:
- primeiro: é um cheque em branco outorgado pelo legislador ao julgador para a escolha de
uma política criminal sem padrão
- segundo: a falta de uma finalidade preponderante impede a formação de um sistema
punitivo coerente
b) DIALÉTICA: deve ser fixada uma finalidade preponderante limitada por outras finalidades
PENA
3. OUTRAS CONCEPÇÕES SOBRE A PENA:
Para Ferrajoli (pai do garantismo penal), a pena serve para:
a) Prevenção geral negativa justificada no cálculo racional da diminuição da violência. A violência da pena só é
legítima se aplicada a uma violência ainda maior. O Estado existe para coibir violências e a pena é uma forma de
violência para Ferrajoli. Assim, por outro lado, é ilegítima a imposição de pena para coibir um crime de violência
menor (insignificância).
b) A pena enquanto reação formal ao crime contém a reação informal (linchamento, justiceiros etc), diminuindo
violência.
Para Hassemer, além da prevenção geral positiva, a pena correta comunica à vítima que o dano por ela
sofrido não foi culpa sua nem do destino, mas sim do infrator.
Zaffaroni adota a teoria agnóstica da pena. Todos os discursos legitimadores devem ser desprezados, pois
partem de uma falsa sociedade de consenso. A pena não tem função legítima e é apenas uma opressão do poderoso
contra o vulnerável. Zaffaroni entende a pena como a dor imposta pelo poderoso, independentemente do direito
penal. Para ele, a função do Direito Penal é limitar a opressão, a dor, a pena (direito penal redutor). A teoria agnóstica
entende que a pena é um conceito por exclusão: é o sofrimento imposto pelo poderoso que não tem função
reparadora (direito civil) e não é coerção administrativa direta (poder de polícia). Portanto, para essa teoria, não há
nenhuma função positiva na pena e se tem função, não foi comprovada, por isso o nome agnóstica.
PENA
4. ESPÉCIES DE PENA
Os instrumentos de aplicação da pena têm como objetivo concretizar o princípio
constitucional da individualização da pena (art. 5º, XLVI). Vale lembrar que a
individualização tem três fases: cominação legislativa, aplicação na sentença e execução.
A individualização pode surtir efeitos na escolha da pena, na quantidade da pena e
no regime de cumprimento de pena. Nos termos do artigo 32 do CP, as penas podem ser:
privativas de liberdade, restritivas de direitos e de multa.
4.1. PENAS PRIVATIVAS DE LIBERDADE: podem ser:
a) RECLUSÃO (para crimes): admite regime inicial fechado
b) DETENÇÃO (para crimes): não admite regime inicial fechado, mas admite regressão
para regime fechado
c) PRISÃO SIMPLES (para contravenções penais): não admite regime fechado em
nenhuma hipótese
PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE
4.1.2. REGIMES DE CUMPRIMENTO DA PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE:
a) FECHADO: será cumprido em estabelecimento de segurança máxima ou
média. O condenado deverá trabalhar sob vigilância ostensiva durante o dia
e se recolher em alojamento individual durante a noite (art. 34, § 1º, do CP).
O sentenciado em regime fechado deverá ser submetido a exame
criminológico inicial
b) SEMIABERTO: será cumprido em colônia agrícola, industrial ou similar. O
sentenciado trabalho sem vigilância ostensiva (vigilância moderada) durante o
dia e, à noite, se recolhe em cela que pode ser coletiva.
c) ABERTO: caracteriza-se por restrição mínima da liberdade com o objetivo de
desenvolver o senso de autorresponsabilidade: o condenado trabalha em
liberdade durante o dia ou frequenta cursos ou atividades congêneres e se
recolhe durante a noite e nos dias de folga em casa de albergado. A LEP, no
artigo 117, prevê hipóteses de prisão albergue domiciliar:
- condenado maior de 70 anos
- condenado com doença grave
- condenada com filho menor ou deficiente físico ou mental
- condenada gestante
PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE
4.1.3. FIXAÇÃO DE REGIME INICIAL DE CUMPRIMENTO DE PENA
O critério usado como regra na fixação do regime inicial é a quantidade da pena, nos
termos do artigo 33 do CP:
RECLUSÃO DETENÇÃO
Pena menor ou igual 4 Aberto (regra) Aberto (regra)
anos Semiaberto exceção Semiaberto (exceção)
Fechado
Pena superior a 4 anos, Semiaberto (regra) Semiaberto (única
mas menor ou igual a 8 Fechado (exceção) possibilidade)
anos
Pena superior a 8 anos Fechado (única possibilidade) Semiaberto (única
possibilidade)
[Link]. CRITÉRIOS EXCEPCIONAIS
a) REINCIDÊNCIA: prevalece que, pela letra do CP, o reincidente deverá receber sempre o mais
rigoroso regime para a espécie, independentemente da quantidade de pena. Súmula 269 do STJ:
é admissível regime semiaberto inicial ao reincidente condenado a pena que não supera 4 anos
de reclusão se favoráveis as circunstâncias judiciais
PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE
4.1.3. FIXAÇÃO DE REGIME INICIAL DE CUMPRIMENTO DE PENA
[Link]. CRITÉRIOS EXCEPCIONAIS – continuação
b) CIRCUNSTÂNCIAS DO CASO CONCRETO RECOMENDAM REGIME MAIS GRAVE: as
súmulas 719 e 718 do STF esclarecem que a opinião do julgador sobre a gravidade em
abstrato do crime não é motivação idônea para fixar regime mais severo que o indicado
pela quantidade da pena. A súmula 440 do STJ esclarece que, fixada a pena-base no
mínimo legal, é proibida a determinação de regime inicial mais grave que o indicado pela
quantidade da pena com base na gravidade em abstrato do delito
c) REGIME INICIAL FECHADO AUTOMÁTICO POR FORÇA DE LEI: a lei de crimes hediondos e
a lei de tortura, por exemplo, impõe regime inicial fechado. O pleno do STF, ao julgar o HC
111.840, entendeu inconstitucional o regime inicial automático por violar a
individualização da pena
PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE
4.1.4. SISTEMA PROGRESSIVO: o Brasil adota o sistema progressivo inglês (“bônus and
marks”), em que o apenado iniciará o cumprimento de pena em determinado regime e
progredirá ou regredirá em razão de bônus e punições auferidas durante o cumprimento
da pena.
A PROGRESSÃO consiste em uma melhora do regime prisional do apenado, que
passará a cumprir sua pena no regime imediatamente mais ameno do que o anterior, a
fim de que o condenado tenha sua liberdade gradualmente concedida e também para
permitir gradual reinserção na sociedade. Assim, o apenado que teve seu regime inicial de
cumprimento de pena fixado em fechado, passará ao regime semiaberto; o apenado que
iniciou em semiaberto passará ao regime aberto. É proibida a progressão per saltum no
Brasil, ou seja, não se admite que o indivíduo progrida do regime fechado diretamente
para o aberto, sem passar pelo semiaberto (súmula 491 do STJ).
Para ser beneficiado pela progressão, o condenado deverá cumprir dois requisitos:
a) SUBJETIVOS: bom comportamento carcerário (merecimento) verificável por relatório
elaborado pelo diretor do estabelecimento carcerário
b) OBJETIVOS: cumprir parcela da pena. A quantidade de pena a ser cumprida para
permitir a progressão é tratada pelo artigo 112 da LEP, que foi sensivelmente alterado
pelo pacote anticrime, conforme tabela a seguir
c) Nos casos de CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA: REPARAÇÃO DO DANO
Cumprido.. Resultado
.. da pena Apenado é Crime do crime observação
16% Primário SEM violência ou grave ameaça a pessoa - --
20% Reincidente SEM violência ou grave ameaça a pessoa - --
25% Primário COM violência ou grave ameaça a pessoa - --
Reincidente
30% específico COM violência ou grave ameaça a pessoa - --
40% Primário Hediondo ou equiparado - --
Vedado o livramento
Primário Hediondo ou equiparado Morte condicional
50% Exercer comando de organização criminosa
- --
p/ prática de H+TTT
Constituição de milícia privada - --
60% Reincidente Hediondo ou equiparado - --
específico
70% Reincidente Hediondo ou equiparado Morte Vedado o livramento
específico condicional
REQUISITOS
REGIME FECHADO a) Condenação
PARA O SEMIABERTO b) Cumprir parcela da pena (art. 112 da LEP)
c) Bom comportamento carcerário – a prática de falta grave zera a contagem do
prazo para progredir
d) Oitiva do MP e da defesa
e) Se o caso, exame criminológico
REGIME Requisitos de progressão do fechado para o semiaberto
SEMIABERTO PARA O +
ABERTO a) Aceitação do programa e condições impostas pelo juiz (art. 113 da LEP)
b) Estiver trabalhando ou comprovar a possibilidade de começar a trabalhar
imediatamente (art. 114, I, da LEP)
c) Indícios de que irá ajustar-se, com autodisciplina e senso de responsabilidade, ao
novo regime (antecedentes ou exames - art. 114, II, da LEP
d) Permanecer no local que for designado durante o repouso e dias de folga (art. 115
da LEP)
e) Sair para o trabalho e retornar nos horários fixados (art. 115 da LEP)
f) Não se ausentar da cidade onde reside sem autorização judicial (art. 115 da LEP)
g) Comparecer a juízo para informar e justificar suas atividades(art. 115 da LEP)
h) Outras condições especiais determinadas pelo juiz
Mulher gestante a) Cumprir 1/8 da pena (independentemente se crime comum ou H+TTT)
ou b) Crime sem violência ou grave ameaça a pessoa
mãe/responsável c) Não ter cometido o crime contra seu filho ou dependente
d) Primária e ter bom comportamento
por criança (12 e) Não integrar organização criminosa
anos) ou
deficiente OBS: se praticar novo crime doloso ou falta grave, a condenada regredirá de regime e
para obter progressão novamente deverá cumprir a regra geral.
Observação!
• Súmula vinculante 56 do STF: A falta de estabelecimento
penal adequado não autoriza a manutenção do
condenado em regime prisional mais gravoso, devendo-se
observar, nessa hipótese, os parâmetros fixados no RE
641.320/RS.
• Os parâmetros do RE 641.320/RS foram:
a) Saída antecipada de sentenciado no regime com falta de
vagas
b) Liberdade eletronicamente monitorada
c) Cumprimento de penas restritivas de direito e/ou
estudo ao sentenciado que progride ao regime aberto
PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE
4.1.4. SISTEMA PROGRESSIVO - continuação
A REGRESSÃO é a passagem de um regime mais ameno para outro mais grave, ou
seja, do aberto para o semiaberto ou do semiaberto para o fechado. Ao contrário da
progressão, a regressão de regime pode ocorrer por salto, ou seja, o condenado em
regime aberto pode regredir diretamente para o fechado.
Conforme estabelece o artigo 118 da LEP, a regressão ocorrerá quando o
condenado:
a) Praticar fato definido como crime doloso ou falta grave: a jurisprudência orienta ser
desnecessário o trânsito em julgado da condenação por prática de crime doloso
durante o cumprimento da pena (súmula 526 do STJ), pois o artigo 118 refere-se a
“praticar” e a demora na tramitação do processo tornaria a regressão inútil.
b) Sofrer condenação, por crime anterior, cuja pena, somada ao restante da pena em
execução, torne incabível o regime. Exemplo: se o condenado está cumprindo 3 anos
de reclusão em regime aberto e é condenado a uma pena de 2 anos pela prática de
crime praticado antes de iniciar o cumprimento da pena (de 3 anos), a soma resultará
em 5 anos de reclusão, inviabilizando a manutenção do regime aberto em razão da
tabela do artigo 33 do CP.
c) Descumprir os requisitos do regime aberto, frustrar a execução ou deixar de pagar a
multa cominada cumulativamente, tendo condições de pagar.
PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE
4.1.5. REMIÇÃO – ART. 126, § 1º, I e II, e § 6º DA LEP
A remição consiste em um desconto na pena privativa de liberdade cumprida nos regimes fechado
ou semiaberto decorrente do trabalho e do estudo desenvolvidos pelo preso.
O trabalho é um dever do preso, mas também um direito: a cada três dias de trabalho, o
condenado resgata um dia de pena. A jornada de trabalho não pode ser inferior a 6 horas e o salário não
pode ser inferior a ¾ do salário mínimo, cuja destinação será:
a) Indenização dos danos causados pelo crime
b) Assistência à família
c) Despesas pessoais
d) Ressarcimento ao Estado pelas despesas com a execução
e) O que restar, deverá ser depositado em caderneta de poupança
Em caso de trabalho além das 8 horas diárias permitidas pela CLT, o preso terá direito de computar,
a cada 6 horas extras, um dia de trabalho.
O estudo também gera remição. A cada 12 horas de estudo, divididas em pelo menos 3 dias, será
remido um dia de pena. O tempo que exceder as 12 horas em 3 dias será descartado. Ou seja, se um
condenado em 3 dias, estudar 24 horas (8 horas/dia), ele não terá direito de remir 2 dias, pois serão
descartadas as 12 horas excedentes. O artigo 126, §5º, da LEP, prevê, ainda, um prêmio ao condenado que
concluir o ensino fundamental, médio ou superior, consistente em um acréscimo de 1/3 da pena remida.
• PERDA DO TEMPO REMIDO: a prática de falta grave pelo condenado acarretará a perda de 1/3 dos dias
remidos. Assim, se ele tinha 30 dias remidos, perderá 10 dias. (art. 127)
PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE
4.1.5. DETRAÇÃO – ART. 42 DO CP
Consiste no abatimento na pena privativa de liberdade ou medida de segurança do
tempo de prisão provisória, de prisão administrativa e o de internação em
estabelecimento para tratamento de saúde mental (art. 41 do CP). Ou seja, é o desconto
no tempo de pena a cumprir ou no prazo mínimo da medida de segurança do tempo de
prisão ou internação processual sofrida pelo condenado.
PENA
4. ESPÉCIES DE PENA
4.2. PENAS RESTRITIVAS DE DIREITOS: surgem no iluminismo para reforçar a proporcionalidade e a
humanização das penas. Cezar Roberto Bittencourt diz que a pena privativa de liberdade fracassou. O STF já
reconheceu que a execução das penas no Brasil é um estado de coisas inconstitucional. O Direito Penal
moderno traz a pena restritiva como pena por excelência.
4.2.1. CLASSIFICAÇÃO (art. 43 do CP)
a) reais: prestação pecuniária (art. 45, §1º) e perda de bens e valores
b) Pessoais: prestação de serviços à comunidade, interdição temporária de direitos, limitação de final de
semana
• PRESTAÇÃO PECUNIÁRIA (ART. 45, § 1º): pagamento em dinheiro à vítima, dependentes ou entidade
pública, no valor de um a 360 salários mínimos. O valor será deduzido de eventual condenação civil se
coincidentes os beneficiários. Proibida na Lei Maria da Penha. Não há previsão legal para a conversão em
cestas básicas
• PERDA DE BENS OU VALORES (art. 45, §3º): em favor do fundo penitenciário nacional e o valor terá
como teto – o que for maior- o prejuízo ou o provento do crime
• PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS À COMUNIDADE (art. 46): condenação a pena privativa de liberdade superior a
6 meses. Tarefas gratuitas. Uma hora por dia
• ART. 55 do CP: possibilidade de cumprir na metade do tempo (2 anos) se a condenação for superior a 1 ano
• Lei Maria da Penha: proíbe a pena que consista no fornecimento de cestas básicas
PENA
4. ESPÉCIES DE PENA
4.2. PENAS RESTRITIVAS DE DIREITOS:
4.2.1. CLASSIFICAÇÃO (art. 43 do CP)
• INTERDIÇÃO TEMPORÁRIA DE DIREITOS (art. 47 do CP): a aplicação tem rol taxativo e deve ter relação
direta com o delito praticado
I - proibição do exercício de cargo, função ou atividade pública, bem como de mandato eletivo;
II - proibição do exercício de profissão, atividade ou ofício que dependam de habilitação especial, de licença
ou autorização do poder público
III - suspensão de autorização ou de habilitação para dirigir veículo.
IV – proibição de freqüentar determinados lugares.
V - proibição de inscrever-se em concurso, avaliação ou exame públicos. (genérica)
• LIMITAÇÃO DE FIM DE SEMANA (ART. 48): permanecer sábados e domingos em casa de albergado ou
simular (indicado pelo juiz) por 5 horas diárias para que participe de atividades ressocializadoras (cursos,
palestras etc)
PENA
4. ESPÉCIES DE PENA
4.2. PENAS RESTRITIVAS DE DIREITOS:
4.2.2. DURAÇÃO: o tempo da pena privativa de liberdade substituída – art. 55 do CP
4.2.3. CARACTERÍSTICAS:
a) AUTONOMIA: não podem ser cumuladas com pena privativa de liberdade; tem estrutura e finalidades
próprias. EXCEÇÕES:
• CTB: a pena restritiva e cumulada com a privativa de liberdade
• LEI DE DROGAS: art. 28 – prevê somente pena restritiva de direitos no preceito secundário
b) SUBSTITUTIVIDADE: substitui a pena privativa de liberdade na sentença condenatória – crimes sem
violência ou grave ameaça a pessoa dolosa.
4.2.4. REQUISITOS:
c) Pena privativa não superior a 4 anos
d) crime sem violência ou grave ameaça À pessoa
e) Condenado não reincidente em crime doloso
f) Circunstâncias subjetivas favoráveis – art. 59 do CP
REQUISITOS OBJETIVOS REQUISITOS SUBJETIVOS
CRIME DOLOSO PENA NÃO SUPERIOR A 4 NÃO SER O CONDENADO
ANOS REINCIDENTE EM CRIME
DOLOSO**
SEM GRAVE AMEAÇA OU SUBSTITUIÇÃO SEJA
VIOLÊNCIA INDICADA E SUFICIENTE
CRIME CULPOSO Qualquer pena aplicada
OBS 1: o reincidente em crime culposo não tem impedimento para receber uma pena
restritiva de direitos
OBS 2: permite-se a conversão da pena se o condenado não for reincidente específico,
desde que, em face da condenação anterior, a medida seja socialmente recomendável. –
art. 44, § 3º, do CP.
PENA
4. ESPÉCIES DE PENA
4.2. PENAS RESTRITIVAS DE DIREITOS:
4.2.5. REGRAS DA SUBSTITUIÇÃO – ART. 44, § 2º, DO CP
CONDENAÇÃO SUBSTITUIÇÃO
1 PENA RESTRITIVA DE DIREITOS
PENA ≤ 1 ANO OU
MULTA
PENA > 1 ANO 1 PENA RESTRITIVA DE DIREITOS + MULTA
OU
2 PENAS RESTRITIVAS DE DIREITOS
OBS: LEI MARIA DA PENHA – SÚMULA 588 DO STJ
----- A prática de crime ou contravenção penal contra mulher com violência ou grave ameaça no
ambiente doméstico IMPOSSIBILITA a substituição de pena privativa de liberdade por restritiva de direitos
PENA
4. ESPÉCIES DE PENA
4.2. PENAS RESTRITIVAS DE DIREITOS:
4.2.6. CONVERSÃO DA PRD EM PPL:
a) DESCUMPRIMENTO INJUSTIFICADO DA RESTRIÇÃO – art. 44, § 4º, do CP
A PRD converte-se em PPL quando ocorrer o DESCUMPRIMENTO INJUSTIFICADO da restrição
imposta.
No cálculo da PPL a executar será deduzido o tempo cumprido da pena restritiva de direitos,
respeitando o saldo mínimo de 30 dias de detenção ou reclusão
Ex: condenado a 11 meses de detenção e o juiz substituiu por PRD. Se o sujeito cumprir 8 meses da PRD, ele
cumprirá 3 meses de PPL
b) SUPERVENIÊNCIA DE CONDENAÇÃO POR OUTRO CRIME – ART. 44, §5º, DO CP
sobrevindo condenação a PPL, por outro crime, o juiz da execução poderá deixar de aplicar a
conversão se for possível ao condenado cumprir a pena substitutiva anterior.
PENA
4. ESPÉCIES DE PENA
4.2. PENA DE MULTA
4.2.1. Conceito: é modalidade de sanção patrimonial consistente no pagamento de valor fixado na sentença
e que será destinado ao Fundo Penitenciário, nos termos do art. 49 do CP, no mínimo de 10 e no máximo de
360 dias-multa.
4.2.2. Fixação da multa
Primeiro, o juiz fixa a quantidade de dias-multa. Depois, fixa o valor de cada dia-multa. A
multiplicação de um pelo outro resultará no valor da pena de multa a ser cumprida pelo condenado.
• QUANTIDADE DE DIAS-MULTA: para fixar a quantidade de dias-multa, o juiz deverá levar em conta dois
critérios, sendo um indicado pelo próprio CP e outro estabelecido pela doutrina e pela jurisprudência.
a) RELAÇÃO ENTRE A GRAVIDADE DO DELITO E A CULPABILIDADE DO CONDENADO: o juiz analisa as
características concretas do crime e do infrator.
b) CAPACIDADE ECONÔMICA DO RÉU (art. 60 do CP): quanto mais rico, maior o número de dias-
multa.
• VALOR DE CADA DIA-MULTA: nessa etapa, o juiz deverá fixar o valor de cada dia-multa em observância ao
art. 49, § 1º do CP, que determina que o patamar mínimo do valor de cada dia-multa é de 1/30 do maior
salário mínimo vigente ao tempo do crime e o máximo de 5 vezes o maior salário mínimo vigente ao
tempo do crime. A fixação do valor de cada dia-multa deve levar em conta a situação econômica do réu
(art. 60 do CP).
OBS: caso o juiz entenda que o valor da multa, mesmo aplicada no máximo, será ineficaz em razão da
situação econômica do réu, poderá aumentar até o triplo (art. 60, § 1º do CP)
PENA
4. ESPÉCIES DE PENA
4.2. PENA DE MULTA
4.2.3. Espécies de multa:
• Quanto à previsão legal:
a) Isolada: a multa é prevista como única pena aplicável pela prática de infração penal. É o caso das
contravenções penais.
b) Alternativa: a multa é prevista como uma alternativa à pena privativa de liberdade no próprio tipo
penal.
c) Cumulada: a pena de multa é prevista no próprio tipo penal juntamente com a pena privativa de
liberdade
• Quanto à natureza:
a) Comum: quando diretamente prevista no tipo penal incriminador
b) Substitutiva ou vicariante: quando o juiz substitui a pena privativa de liberdade de curta duração pela
pena de multa. Para a substituição da PPL pela multa, devemos nos lembrar daquele quadro que dizia
respeito à substituição da PPL pela PRD:
CONDENAÇÃO SUBSTITUIÇÃO
PENA ≤ 1 ANO 1 PENA RESTRITIVA DE DIREITOS OU MULTA
1 PENA RESTRITIVA DE DIREITOS + MULTA
PENA > 1 ANO OU
2 PENAS RESTRITIVAS DE DIREITOS
OBS: a 2ª Turma do STF tem entendido que não seria possível a substituição da PPL por multa nas hipóteses
de condenação superior a 6 meses. Para a Turma, se a pena for entre 6 meses e 1 ano, a substituição deverá
ser por 1 pena restritiva. Se superior a 1 ano, a substituição deverá ser por duas restritivas de direitos.
Assim, para a 2ª Turma do STF, o quadro ficaria assim:
CONDENAÇÃO SUBSTITUIÇÃO
PENA ≤ 6 MESES PENA RESTRITIVA DE DIREITOS OU MULTA
6 MESES < PENA ≤ 1 1 PENA RESTRITIVA DE DIREITOS
ANO
1 PENA RESTRITIVA DE DIREITOS + MULTA
PENA > 1 ANO OU
2 PENAS RESTRITIVAS DE DIREITOS
Esse entendimento não tem respaldo na lei, mas vem prevalecendo nas Cortes Superiores.