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A Estética Medieval

O documento discute a estética medieval, destacando que a arte era utilizada pela Igreja Católica como ferramenta didática em um contexto de analfabetismo. A estilização e a representação mimética foram fundamentais na arte medieval, que buscava evocar emoções e ensinar valores religiosos, mesmo que não se preocupasse com a fidelidade aos fatos. Apesar de a arte medieval não ser considerada 'arte' no sentido moderno, ela proporcionava uma experiência estética significativa ao apreciador.

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A Estética Medieval

O documento discute a estética medieval, destacando que a arte era utilizada pela Igreja Católica como ferramenta didática em um contexto de analfabetismo. A estilização e a representação mimética foram fundamentais na arte medieval, que buscava evocar emoções e ensinar valores religiosos, mesmo que não se preocupasse com a fidelidade aos fatos. Apesar de a arte medieval não ser considerada 'arte' no sentido moderno, ela proporcionava uma experiência estética significativa ao apreciador.

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A Estética Medieval

Professor Marco Jordão


Nos Primórdios

• Na Europa ocidental, durante


a Idade Média, não houve
grande interesse pelas artes,
consideradas coisas terrenas
ligadas à cultura pagã,
capazes de prejudicar o
fortalecimento da alma e do
espírito. Entretanto, em
virtude do analfabetismo
generalizado das populações
dos feudos, a Igreja Católica
utilizou-se da pintura e da
escultura para fins didáticos,
ou seja, para ensinar a religião
e infundir o temor do
julgamento final e das penas
Liber divinorum operum, iluminura 2, folio 9: O espírito do mundo e a
do inferno. As obras de arte roda (detalhe), séc. XIII.
assumiram a condição de
Estilização da Arte...

O naturalismo é abandonado
em prol da estilização, isto é,
da simplificação dos traços, da
esquematização das figuras e
do desapego aos detalhes
individualizantes.
A estilização respondia melhor
à necessidade de
universalização dos princípios
da religião cristã.

Retrato de Hildegarda Von Bingenno Liber scivias Domini


recebendo a inspiração divina.
O Belo na arte medieval:

• Inicialmente devemos entender que termo arte que


aparece corriqueiramente nos textos medievais não
corresponde a arte enquanto objeto artístico
comprometido com o belo.
• Isso ocorre porque naquele momento o conceito de
arte era próximo do conceito grego de technè, ou
conjunto de regras e normas para a boa execução de
uma ação. Portanto, observamos a arte aplicada a
varias áreas, principalmente quando o assunto é a
educação medieval
Segundo Gilson:

“A Idade Média foi dominada


por um sistema de educação
fundado nas sete artes
liberais. A lógica era uma arte
na medida em que ensinava
as regras e maneiras de
operar na ordem do
raciocínio. O acento, porém,
da denominação recaía sobre
o termo ‘liberais’, que
designava como pertencentes
ao espírito, em oposição às
artes ‘servis’, associadas à
noção de servidão
precisamente por causa do
corpo”
GILSON, E. Introdução às artes do belo: o
que é filosofar sobre arte. São Paulo: Ed.
realizações, 2010.
Iluminura do século XIII
(Bibliothèque Sainte-Geneviève, Paris).
Assim, para evitar confusões muitos autores usam o termo
imagem no lugar de arte. Essa substituição pode ser
atribuída também pelo fato de que a arte medieval foi
concebida conforme os preceitos religiosos do cristianismo,
que mesmo diante de embates iconoclastas, fez com que
prevalecesse a arte figurativa, ou representativa. Assim,
arte medieval reduz-se, quase, a imagens
figurativas. Todavia, as imagens só foram aceitas pela
igreja depois de serem estabelecida suas características e
“Três foram os motivos para a introdução das
finalidades.
imagens na Igreja. O primeiro, para instruir os
incultos, que as imagens ensinam como se fossem
livros. O segundo, para lembrar o mistério da
Encarnação e os exemplos dos Santos
representado-os todo dia aos nossos olhos. O
terceiro, para alimentar os sentidos de devoção,
poisTomás
os objetos da visão àsa Sentenças
de Aquino. Comentários excitam de melhor que os
Pedro Lombardo
da audição”.
(III,9,2,3)
Mas, e o Belo?

• Foi a presença do belo que possibilitou a permanência da arte


medieval nas análises artísticas e a colocou em um papel
significativo na formação do homem daquele período.
• As obras que sensibilizam por meio do belo, ou seja, causam prazer
relacionado ao conhecimento, podem atender mais efetivamente a
função de ensinar, lembrar e comover.
“Igreja exigia uma imagística no interesse da instrução e da piedade
dos fieis. A imagística é uma arte cujo fim, essencialmente
representativo e mimético, requer do artista uma inteligência, um
saber, uma técnica e talentos de imaginação e de invenção
infinitamente variados” (GILSON, 2010, p.153).
• Não vamos considerar nesse momento as habilidades do artista,
mas somente as características representativa e mimética do objeto.
Nessa perspectiva, a imagem
deveria imitar e reproduzir
cenas religiosas com o
propósito de evocar a
emoção dos fieis. Mas
pensemos nesse processo. A
arte mimética, ou poética,
não tem compromisso com a
verdade, apenas com o
verossímil, como já vimos...

O Beijo de Judas, Giotto, Séc.


XIII
Portanto, as representações não
precisavam ser fieis aos
acontecimentos, mas
precisavam colocar o apreciador
em contato com situações
próximas à realidade para que
assim, suas emoções fossem
despertadas. Assim, a evocação
da piedade não precisava ser [...] o ato que se dirige a uma
necessariamente em função da
cena vista, mas do que ela
imagem é duplo, segundo a
representa. Dessa forma, o considere um objeto particular ou a
sentimento não esta
propriamente na arte, mas na
imagem de outra coisa. A diferença
sensação que o objeto pode desses dois movimentos é que o
despertar. Esse pensamento objeto do primeiro é a próxima
esta de acordo com os preceitos
que possibilitaram a aceitação coisa que representa outra,
das imagens nas igrejas. A enquanto o segundo, por meio do
idolatria ocorre quando há
adoração do objeto em si, primeiro, se endereça ao que a
portanto, o que deve ser imagem representa. (ST, III, 2,3)
lembrado e evocado ultrapassa
a representação
• Podemos entender melhor
essa questão apresentada
por Tomás de Aquino por
meio da ilustra de Aristóteles
que já havia exposto essa
ideia “[...] é como se
contemplássemos uma figura
num quadro como um
retrato, por exemplo de
Corisco, embora não
tivéssemos visto Corisco”.
• É nesse aspecto que
entendemos o belo na arte
mimética, como um
mediador que possibilita,
pela sensibilidade, a ativação
do intelecto. Pensemos essa
questão por meio da análise
do detalhe da imagem
Lamentação de Giottodi
Bondone
Análise da Obra:

“A pintura de Giotto que desperta grande emoção no apreciador em ver uma


mulher amparando em seus braços afetuosamente um homem é a
representação de Maria e Cristo. Sabemos que se trata da cena em que Jesus é
retirado da cruz e entregue à sua mãe. Todavia, a cena em si não expõe fatos
que expressem esse momento. O corpo de Cristo não apresenta nenhuma marca
de seu martírio. De acordo com o capitulo 19 evangelho de São João que
descreve a morte de Cristo, um soldado romano atingiu a lateral direita, logo
abaixo das costelas, com um lança, sendo esse fato, inclusive considerado, um
dos motivos de sua morte. Mas, o artista ao expor justamente o lado direito ao
publico não mostrou o ferimento. O mesmo pode ser notado com relação aos
ferimentos que Cristo deveria ter nos pulsos devido aos pregos que o fixaram na
cruz. Giotto, prefere esconder com as mãos que seguram os braços de Jesus
essas marcas que são a expressão máxima do sofrimento do redentor. A mesma
situação pode ser observada com relação a coroa de espinhos que o Rei dos
Judeus foi crucificado. Assim, Giotto teria limpado toda a cena. As marcas da
tortura, da dor e da morte foram destituídas. Todavia, essas imagens se
Ainda Gilson em “O que é filosofar sobre
arte”...

“A ideia (forma ou essência) da cena foi cumprida por meio do


arranjo entre todas as partes necessárias para a caracterização
dos personagens enquanto homens possíveis de existirem na
realidade e a expressividade necessária para evidenciar a morte
e a dor que ela pode causar aos demais. Essa composição que
se estabelece na devida proporção com as combinações
de cores e traços fazem refletir o brilho que desperta na
alma do apreciador a admiração e o prazer estético que
define o Belo”.
Infere-se, portanto...

... que o termo arte é usado quando o objeto tem como


fim a admiração do belo, o qual é considerado por
meios das qualidades de integridades, forma e
harmonia. Por meio dessas qualidades a obra desperta
no apreciador um prazer que pode ser denominado de
experiência estética ou fruição do belo. Todavia,
mesmo diante do fato das produções imagéticas
durante a Idade Média serem direcionadas pelos
preceitos do cristianismo e assim não se constituírem
como arte de acordo sua compreensão de objeto
especifico ao belo, pudemos constatar que sua ação
sobre o apreciador pode ser identificado como uma
experiência estética. Dessa forma, a experiência
estética que a “arte medieval’ proporcionava pode ser
Bibliografia:

GILSON, E. Introdução às artes do belo: o que é filosofar sobre arte.


São Paulo: Ed realizações, 2010.

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