ÉTICA CLÁSSICA
A REFLEXÃO GREGA NESTE CAMPO SURGIU COMO UMA PESQUISA SOBRE A
NATUREZA DO BEM MORAL, NA BUSCA DE UM PRINCÍPIO ABSOLUTO DA
CONDUTA.
ÉTICA É DAQUELAS COISAS QUE TODO MUNDO SABE O QUE É MAS NÃO SABE
EXPLICAR QUANDO ALGUÉM PERGUNTA.
TRADICIONALMENTE ELA É ENTENDIDA COMO ESTUDO OU UMA REFLEXÃO
CIENTÍFICA OU FILOSÓFICA E EVENTUALMENTE ATÉ TEOLÓGICA SOBRE OS
COSTUMES OU SOBRE AS AÇÕES HUMANAS. MAS TAMBÉM CHAMAMOS DE
ÉTICA A PRÓPRIA VIDA QUANDO CONFORME OS COSTUMES CONSIDERADOS
CORRETOS .
ETIMOLOGIA
“Ética” tem origem na Grécia, e vem da palavra grega ETHIKOS, que
significa “Aquilo que pertence ao bom costume” ou sendo mais
direto, aquilo que pertence ao ETHOS. Essa última palavra, por sua
vez, significa “bom costume” ou “portador de caráter”. Estava ligada
aos costumes e os modos da época da Grécia antiga.
• É importante lembrar que estas visões partem de uma
sociedade escravocrata, em que os escritos foram
pensados para uma aristocracia que não trabalhava e
tinha tempo de sobra para se dedicar as artes
contemplativas.
SÓCRATES
• Para Sócrates, todo erro é fruto da ignorância e toda virtude é conhecimento.
• Daí a importância de reconhecer que a maior luta humana deve ser pela
educação e que a maior das virtudes é a de saber que nada se sabe.
• A ética socrática reside no conhecimento e em vislumbrar na felicidade o fim da
ação.
• Essa ética tem por objetivo preparar o homem para conhecer -se, tendo em vista
que o conhecimento é a base do agi r ético . Ao contrário de fomentar a desordem
e o caos, a filosofia de Sócrates prima pela submissão , ou seja, pelo primado da
ética do coletivo sobre a ética do individual . Neste sentido , para esse pensador,
a obediência à lei era o limite entre a civilização e a barbárie .
• Segundo ele, onde residem as ideias de ordem e coesão , pode-se dizer garantida
a existência e manutenção o do corpo social.
• Trata -se da ética do respeito às leis, e , por tanto, à coletividade.
PLATÃO
• Platão parece acreditar numa vida depois da morte e por isso prefere evitar o prazer terreno.
• Os homens deveriam procurar, então, durante esta vida, a contemplação das ideias, e principalmente da
ideia mais importante, a ideia do Bem.
• O sábio não é, então, um cientista teórico, mas um homem virtuoso ou que busca a vida virtuosa e que
assim consegue estabelecer, em sua vida, a ordem, a harmonia e o equilíbrio que todos desejam.
• Mas a virtude também é uma purificação, através da qual o homem aprende a desprender-se do corpo
com tudo o que este tem de terreno e de sensível, e desprender-se do mundo do aqui e agora para
contemplar o mundo ideal, imutável e eterno. Aí está o Sumo Bem, para Platão.
• O ideal buscado pelo homem virtuoso é a imitação ou assimilação de Deus: aderir ao divino.
Principais virtudes :
• Justiça : a virtude geral, que ordena e harmoniza, e assim nos assemelha ao invisível, divino, imortal e
sábio;
• Prudência ou sabedoria : é a virtude própria da alma racional, a racionalidade como o divino no homem:
orientar-se para os bens divinos. Esta virtude, que para Platão equivale à vida filosófica como uma
música mais elevada, é aquela que põe ordem, também, nos nossos pensamentos;
• Fortaleza ou valor : é a que faz com que as paixões mais nobres predominem, e que o prazer se
subordine ao dever;
• Temperança : é a virtude da serenidade, equivalente ao autodomínio, à harmonia individual.
• Assim, o que mais caracteriza a ética
platônica é a ideia do Sumo Bem, da vida
divina, da equivalência de contemplação
filosófica e virtude, e da virtude como ordem
a harmonia universal.
ARISTÓTELES
• A ética aristotélica é também conhecida como “Ética Teleológica”. Esse
termo é de origem grega da palavra “Telos”, que significa “finalidade”.
Aristóteles afirma que tudo possui uma finalidade, que é ser feliz.
Todas as ações humanas objetivam a felicidade, até mesmo objeto
inanimados – como por exemplo, um livro; ele só será feliz quando
realizarem seu objetivo: ser lido.
• Observação Empírica.
• Pensamento como elemento divino.
• Correlação entre o SER e o BEM
• O foco principal é delimitar o que é o Bem e o significado que ele tem para o homem.
• Construção pessoal de um ser virtuoso.
• A virtude como maior excelência de uma pessoa, de sua integridade, qualidade positiva, que
faz com que este aja de forma a fazer o bem para si e para os outros.
• Em meio as vícios e paixões, a virtude é um ponto de equilíbrio que foi chamado de Justo
Meio.
KANT
• Kant foi um dos principais filósofos iluministas do século do século XVIII.
O “Século das Luzes” influenciaria seus trabalhos na valorização do racionalismo, ou
seja, o apreço pela abordagem racional dos temas envolvendo o homem, fugindo de
explicações metafísicas.
• Metafísica: no kantismo, estudo das formas ou leis constitutivas da razão,
fundamento de toda especulação a respeito de realidades suprassensíveis
(a totalidade cósmica, Deus ou a alma humana), e fonte de princípios
gerais para o conhecimento empírico.
• A ética kantiana afirma que o que deve guiar as ações do homem é a razão, ela
deve ser universal independentemente da cultura que o indivíduo insere-se.
Antes de realizar qualquer ato, devemos nos perguntar “isso fará o bem do
coletivo?”. Se sim, é uma atitude ética, se não, é antiético.
Kant também diferencia dois tipos de ações: : “agir por dever” e “agir conforme
dever”.
• Quando agimos objetivando um outro fim além da própria ação, essa seria uma
ação antiética – agir conforme o dever.
• Quando agimos objetivamos a realização da própria ação sem ganhar nada em
troca, essa seria uma ação ética – agir por dever.
• Por fim, Kant desenvolve um de seus principais conceitos, o Imperativo
Categórico. Para ele, quando um indivíduo encontrar-se diante de um
dilema, sem saber o que seguir, ele deve perguntar-se “seria saudável
para a sociedade se todos fizessem isso que estou prestes a fazer?”. Se
não for, você deve evitar a ação, através do uso da racionalidade.
UTILITARISMO
• O Utilitarismo é uma corrente filosófica do século XIX que surge como uma resposta contrária às afirmações
de Kant.
• Para os Utilitaristas, a ética não estaria tão relacionada com o corpo social como um todo, mas sim como o
próprio nome já diz, com a sua utilidade.
• Para os utilitaristas, mentir – por exemplo – pode ser ético, pois sua utilidade pode evitar transtornos maiores.
Isso contradiz completamente a ideia do Imperativo Categórico de Kant, pois segundo o iluminista, se todos
mentissem, isso não seria saudável para a sociedade, logo, deve-se evitar. No entanto, os utilitaristas
afirmariam “A mentira só pode ser considerada prejudicial dependendo da ocasião que se enquadra”.
• Um dos principais pensadores dessa corrente foi Jeremy Bentham e o pensamento dessa
corrente pode ser resumido em duas frases desse filósofo:
• “É inútil falar do interesse da comunidade sem entender qual é o interesse do indivíduo.”
• “Todo ato humano, norma ou instituição, deve ser julgado segundo a utilidade que tem, isto
é, segundo o prazer ou o sofrimento que produzem às pessoas.”
ONDE ESTA A ÉTICA ?
Pensando nessas teorias éticas e trazendo para a nossa realidade atual, parece-nos
a primeira vista que o cidadão, em grande parte, esqueceu de certos valores
formadores de sujeitos íntegros.
Ressaltando que, o comportamento ético é o ato de agir, de decidir, de fazer o bem
de fato, por uma conduta virtuosa na comunidade que estamos inseridos, deste modo
conduzimos uma vida harmoniosa em sociedade, na busca da felicidade, da liberdade
e da justiça.
A sociedade brasileira, nas últimas décadas, vem sofrendo grandes alterações,
principalmente se considerarmos o comportamento dos cidadãos, as crenças e os
valores culturais.
Portanto, vive-se hoje em nosso país em uma imensa e profunda crise moral e ética.
O que falar a respeito dos escândalos na política?
Da utilização de verbas públicas para interesses particulares?
O que dizer do cidadão que se diz indignado com a corrupção dos políticos, e, no entanto, em
suas ações particulares age dentro da mesma lógica, por exemplo, furar fila em banco?
Ou pagar propina para receber a carteira de motorista sem fazer qualquer teste?
Comprar o voto de eleitores?
Assim como, vender a sua cidadania e perder a sua dignidade em prol de quantias ou a
obtenção de um sustento pelo menor esforço ?
Neste quadro, seguem “impregnados” na rotina dos brasileiros, sem generalizar, atos imorais e antiéticos, pois o
“jeitinho brasileiro” também se configura inserido numa moral oportunista, onde o individualismo ampara o interesse
do triunfo conveniente e a perda do interesse do outro ou da coletividade.
Passando o Brasil a carregar consigo a imagem de uma sociedade corruptora e corruptível, descrente das práticas
virtuosas de seu povo e das suas instituições.
Contudo, existem os íntegros em que se pode confiar; àqueles que não pensam egoisticamente, que se incomodam
com o rompimento dos valores éticos e morais na dinâmica das relações sociais.
E, ainda, no íntimo ou explicitamente, ninguém quer ser flagrado em desvios de conduta, transgredindo a posturas
esperadas pela coletividade, ou a valores culturais preestabelecidos.
É a partir desta moral da integridade que se emoldura o homem virtuoso, honesto, leal, idôneo, amparado por uma
postura ética fundamentada nos princípios filosóficos para a busca da convivência harmônica do ser com seu meio
em prol do bem individual e comum.
Texto retirado do site : https://administradores.com.br (Texto cortado)
FIM