SESSÃO CLÍNICA PROF. DR.
HÉLIO LESSA
COMPLEXO HOSPITAL UNIVERSITÁRIO PROFESSOR EDGARD
SANTOS
USO DE
IMUNOBIOLÓGICOS NA
RINOSSINUSITE CRÔNICA
COM PÓLIPOS NASAIS
DR RICARDO PITA ANDRADE DRª CLARA LIMA DRª CAROLINA CINCURÁ
MÉDICO RESIDENTE DO 1º ANO DA PRECEPTORA DA RESIDÊNCIA PRECEPTORA DA RESIDÊNCIA
ORL/CCP - HUPES ORL/CCP - HUPES ORL/CCP - HUPES
SESSÃO CLÍNICA PROF. DR. HÉLIO LESSA
COMPLEXO HOSPITAL UNIVERSITÁRIO PROFESSOR EDGARD
SANTOS
RINOSSINUSITE
CRÔNICA COM
PÓLIPOS NASAIS
DEFINIÇÃ
“A RSC é
O
uma condição inflamatória
que envolve os seios paranasais e
revestimento das passagens nasais
que dura 12 semanas ou mais.”
“O diagnóstico requer evidências
objetivas de inflamação da mucosa.”
- UpToDate — Chronic rhinosinusitis: Clinical manifestations,
pathophysiology, and diagnosis
- UpToDate — Chronic rhinosinusitis: Clinical manifestations,
pathophysiology, and diagnosis
“… é um grupo heterogêneo de
distúrbios que compartilham
características clínicas e
fisiopatológicas.”
Primária*
RSC
RSCcPN
Secundária
RSC RSCsPN
Localizada
RSC
RSFA
Difusa
5- US$
12% 1.220/ANO
US$ US$ 20
2.449/ANO BILHÕES
QUALIDADE DE
VIDA
EPIDEMIOLOGI
•
A
Mulheres > homens (?)
• 39 anos
• Criança -> investigar Fibrose Cística (não Th2)
• Diferente incidência entre os subtipos
RSCsPN = 60 a 65%
RSCcPN = 20 a 33%
RSFA = ~ 5%
• Na RSCcPN após cirurgia a taxa de
recorrência varia de 40-60%
Mais comum se comorbidades
presentes - (asma grave)
• Associação com diversos fatores de risco
FATORES DE RISCO
• Asma (RSCcPN ~ 47%) – GE: A
Tratamento de uma melhora a outra –
GE: B
• Intolerância a AINE <—> RSCcPN grave associada a
asma
• Redução de clearence mucociliar
• Imunodeficiência <—> refratariedade
• Deficiência de vitamina D <—> gravidade
• Superantígenos e biofilme – S. aureus (RSCcPN)
• Outros: osteíte, alergia, tabagismo, GEPA, DRGE,
variações anatômicas…
“… é um grupo heterogêneo de
distúrbios que compartilham
características clínicas e
fisiopatológicas.”
FISIOPATOLOGI
A
• Também é heterogênea;
• Bases moleculares pouco claras;
• Início com uma lesão tecidual <—> desequilíbrio;
• Depende do endótipo (predominante) apresentado;
TIPO 1
TIPO 2 (IL4, IL5, IL-13
e IgE)
TIPO 3
QUADRO CLÍNICO
Drenagem nasal
anterior e/ou
posterior
Obstrução ou Dor, pressão ou
congestionament plenitude facial
o nasal
*CUIDADO!
Estudo com 211
pacientes – 49%
tiveram diagnóstico
Redução ou de cefaleia primária.
perda do olfato
QUADRO CLÍNICO
• Quadro flutuante
• Tosse
• Odinofagia
• Disfonia
• Irritação faríngea, laríngea e traqueal
• *avaliar sintomas sistêmicos que podem estar
Sd. de
associados Kartagener, Sd. de Young,
GEPA…
RSCcP
N
• Pólipos nasais – Bilaterais*
Translúcidos, brilhantes e conteúdo
gelatinoso
• Degeneração mucosa
• Sintomas com piora gradual
• Febre e dor facial severa são incomuns
• Complexo ostiomeatal*
• DREA
• Alargamento da pirâmide nasal (Woakes?)
DIAGNÓSTICO
• Clínica + evidência de imagem
Fonte: Tratado de Otorrinolaringologia -
• Nasoendoscopia
• Tomografia computadorizada
• RNM <—> complicações
• Outros
Eosinofilia// IgE
RAST
Bacterioscopia e cultura
Biópsia – RSCcPN
Teste de olfato – pré operatório
7ªed.
Teste da sacarina
Fonte: site Drª Danielly
Andrade
Fonte: site Dr. Rafael
Pinz
– ATUALIZAÇÃO DO
EPOS 2023: Eosinófilo
sérico >/= 150
céls/mcL
Fonte: EPOS 2020
SNOT-
22
TRATAMENTO
• Objetiva melhora da qualidade de vida
• Definir expectativas, orientar e monitorizar
• Abordagem multidisciplinar
• Tratar comorbidades importantes associadas
• PARA TODOS (GE: A)
Lavagem nasal de alto volume
Corticosteroide intranasal
*** REVISAR A TÉCNICA ***
TRATAMENTO
• Corticoide oral – curtos períodos
• Antileucotrienos (GE: A)
Isolado X combinado com o CN
• Dessensibilização (GE: A)
Reduz recidiva de pólipos em RSCcPN +
DREA
Reduz necessidade de reabordagem
cirúrgica
Reduz necessidade de corticoide
sistêmico
TRATAMENTO
• ATB sistêmico – RSCcPN + IgE normal (GE: C)
Doxiciclina 100mg/dia por 90 dias
Claritromicina 250mg, 12/12h – PO
• Cirurgia endoscópica sinusal
Falha do tratamento clínico
Terapia máxima X Terapia adequada
Alta taxa de recorrência
Fonte: EPOS 2020
?
?
IMUNOBIOLÓGICOS
• Anticorpos monoclonais capazes de modular a resposta
?
imune
• Alternativa para pacientes não respondedores
• Espera-se resultados melhores que in-vitro
• Tempo variável para obter resposta terapêutica
• Como avaliar sucesso
Medidas terapêutico?
clínicas X experiência do paciente
Avaliação de qualidade de vida e do olfato
• Há benefício de uso preventivo?
?
?
IMUNOBIOLÓGICOS
• Teoria da via aérea unificada X especificidade
?
Com qual iniciar?
Quando trocar? Qual usar em seguida?
• Quando suspender seu uso? Tem comorbidades?
• RSCcPN – disfunção da barreira epitelial
• Resposta imune tipo 2
• Característica recalcitrante
• Necessidade de cursos de corticoide ou reabordagens
cirúrgicas
• Imunobiológicos como alternativa
• Alvos convencionais IL-4, IL-5, IL-13 e IgE
• E os que respondem mal aos alvos convencionais?
• TSLP = Linfopoetina estromal tímica
Amplificador da resposta imune
Altos níveis em tecido polipoide na
RSCcPN
• Tezepelumabe – anticorpo monoclonal (TSLP-receptor)
• Objetivo = avaliar resposta à Tezepelumabe em
pacientes com RSCcPN grave não controlada
CRITÉRIOS DE
INCLUSÃO
• >/= 18 anos
• Diagnóstico 12 meses antes
• Gravidade que indicasse cirurgia
• Pontuação global 5 de pólipos nasais (mínimo 2 para
cada lado)
• Pontuação 2 para congestão nasal (0-3)
• SNOT-22 de pelo menos 30
• Tratamento prévio + corticoide sistêmico ou cirurgia
• Excluídos: cirurgia 6 meses antes
DESENHO DO ESTUDO
• Ensaio clínico fase 3
• 205 = Tezepelumabe // 203 = placebo
• Multicêntrico, duplo-cego, randomizado, controlado, de
grupos paralelos
• 52 semanas
• Tezepelumabe 210mg a cada 4 semanas
• Grupos distintos, ASMA, cirurgia, DREA…
DESFECHOS
PRIMÁRIOS
• Redução da pontuação total de pólipos
• Melhora da congestão nasal
• Visto benefício desde a primeira avaliação
• Benefício mesmo em pacientes Eos < 150cél/mcL
DESFECHOS
SECUNDÁRIOS
• Melhora da perda do olfato
• Redução do SNOT-22
• Redução da pontuação de Lund-Mackay
• Decréscimo na pontuação total dos sintomas
• Do ponto de vista clínico houve melhora desde a
primeira avaliação pós-tratamento
• Uso de Tezepelumabe se associou a:
Menor uso de corticoide sistêmico
Redução da decisão por tratamento
cirúrgico
O QUE LEVAR PARA
CASA?
• Imunobiológicos ainda não substituem o tratamento
convencional
• Boa alternativa para pacientes recalcitrantes e
recidivantes com inflamação tipo 2
• Melhora dos parâmetros objetivos e subjetivos de
controle da doença
• Ainda existem muitas perguntas sobre como o
tratamento deve ser com perspectiva de uma
abordagem cada vez mais individualizada
REFERÊNCIAS
1. LIPWORTH, Brian J. et al. Tezepelumab in adults with severo chronic rhinosinusitis with nasal polyps, 2025.
Acesso em maio de 2025.
2. ABORL. Diretriz para o uso dos imunobiológicos em Rinossinusite Crônica com Pólipo Nasal (RSCcPN).
3. HAMILOS, Daniel L. Chronic rhinosinusitis with nasal polyposis: Management and prognosis. UpToDate,
WALTHAM, MA: Wolters Kluwer, 2024. Acesso em: 19 maio 2025.
4. HAMILOS, Daniel L. Chronic rhinosinusitis: Clinical manifestations, pathophysiology, and diagnosis.
UpToDate, WALTHAM, MA: Wolters Kluwer, 2023. Acesso em: 19 maio 2025.
5. PIGNATARI, Shirley Shizue Nagata; ANSELMO-LIMA, Wilma Terezinha (Orgs.). Tratado de otorrinolaringologia
e cirurgia cérvico-facial da ABORL-CCF. 3. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017.
6. ANSELMO-LIMA, Wilma T.; TAMASHIRO, Edwin; ROMANO, Fabrizio R.; VALERA, Fabiana C. P.; KOSUGI,
Eduardo Macoto; et al. Diretriz para o uso dos imunobiológicos em rinossinusite crônica com pólipo nasal
(RSCcPN) no Brasil. DOI: 10.1016/j.bjorl.2022.03.001. Acesso em: 19 maio 2025.
7. FOKKENS, W. J. et al. EPOS/ EUFOREA update on indication and evaluation of biologics in chronic
rhinosinusitis with nasal polyps 2023. Rhinology, [S.l.], v. 61, n. 3, p. 194–202, 2023. DOI:
10.4193/Rhin22.489.