Universidade Estadual Vale do Acaraú - UVA
Centro de Filosofia, Letras e Educação
Disciplina: Literatura Brasileira: da Geração de 45 a
contemporaneidade.
O realismo fantástico no conto “As
Formigas”, de Lygia Fagundes Telles.
Acadêmicas: Ana Paula Gomes Vidal, Daiane da Silva
Rodrigues e Danilla de Jesus Teixeira.
Lygia Fagundes
• Lygia Fagundes Telles
Telles nasceu em 19 de abril de
1923, em São Paulo, e morreu em 3 de abril de
2022, também em São Paulo.
• Sua estreia no mundo das letras ocorreu em
1944, com o livro de contos Praia Viva.
• Está ligada à terceira fase do Modernismo
brasileiro, com obras que abordam a temática
feminina, a vida nas grandes cidades etc.
• Tornou-se membro da Academia Brasileira de
Letras em 1985, além de ter recebido o Prêmio
Jabuti, em 1965, e o Prêmio Camões, em 2005.
Conto: As Formigas
• Conto presente no livro seminário dos ratos
(1977).
• Realismo fantástico: mistura do real e
extraordinário.
• Elemento fantástico: formigas como metáfora do
medo e solidão.
Objetivos e metodologia da
apresentação
Analisar o realismo Pesquisas teóricas
fantástico no conto. sobre o realismo
fantástico;
Explorar como o
Análise detalhada do
fantástico se insere no
conto “As Formigas”.
cotidiano;
Explorar a complexidade
psicológica das
personagens;
O que é o Fantástico?
Chegamos assim ao coração do fantástico. Em um mundo
que é o nosso, que conhecemos, sem diabos, sílfides, nem
vampiros se produz um acontecimento impossível de
explicar pelas leis desse mesmo mundo familiar. Que
percebe o acontecimento deve optar por uma das duas
soluções possíveis: ou se trata de uma ilusão dos sentidos,
de um produto de imaginação, e as leis do mundo seguem
sendo o que são, ou o acontecimento se produziu realmente,
é parte integrante da realidade, e então esta realidade está
regida por leis que desconhecemos.
(TODOROV, 1981, p.15)
As três condições do
•A vacilação doFantástico
leitor
Em primeiro lugar, é necessário que o texto obrigue ao leitor a
considerar o mundo dos personagens como um mundo de
pessoas reais, e a vacilar entre uma explicação natural e uma
explicação sobrenatural dos acontecimentos evocados. Logo,
esta vacilação pode ser também sentida por um personagem de
tal modo, o papel do leitor está, por assim dizê-lo, crédulo a um
personagem e, ao mesmo tempo a vacilação está representada,
converte-se em um dos temas da obra; no caso de uma leitura
ingênua, o leitor real se identifica com o personagem.
(TODOROV, 1981, p.20)
•Narração em primeira pessoa
O narrador representado convém ao fantástico, pois facilita a necessária
identificação de leitor com os personagens. O discurso desse narrador tem o
status ambíguo, e os autores o explorarem de diversas maneiras, pondo o
acento sobre um ou outro de seus aspectos: por pertencer ao narrador, o
discurso está mais para cá da prova de verdade; por pertencer ao
personagem, deve submeter-se à prova. (TODOROV, 1981, p.46).
•Temporalidade
[...]. Se conhecer de antemão o final de determinado relato, todo o jogo
resulta falseado, pois o leitor não pode seguir passo a passo o processo de
identificação; esta é, precisamente, a primeira condição do gênero. Por outro
lado, não se trata necessariamente de uma gradação, mesmo que esta
figura, que implica a ideia de tempo. (TODOROV, 1981, p.48)
parágrafo
A representação do realismo
fantástico no conto
• Cenário
“Quando minha prima e eu descemos do táxi já era quase
noite. Ficamos imóveis diante do velho sobrado de janelas
ovaladas, iguais a dois olhos tristes, um deles vazado por
uma pedrada. Descansei a mala no chão e apertei o braço
da prima. — Ésinistro[...]” (TELLES, 1977, p.1)
“[..] A saleta era escura, atulhada de móveis velhos,
desparelhados. No sofá de palhinha furada no assento, duas
almofadas que pareciam ter sido feitas com os restos de um
antigo vestido, os bordados salpicados de vidrilho. [..]”
(Telles, 1977, p. 1)
• Simbolog
1.Velha
ias
“A dona era uma velha balofa, de peruca mais negra do que a asa
da graúna. Vestia um desbotado pijama de seda japonesa e tinha
as unhas aduncas recobertas por uma crosta de esmalte
vermelho-escuro descascado nas pontas encardidas. Acendeu um
charutinho. ” (Telles, 1977, p.1)
2.Os três Sonhos
“No sonho, um anão louro de colete xadrez e cabelo repartido no
meio entrou no quarto fumando charuto. Sentou-se na cama da
minha prima, cruzou as perninhas e ali ficou muito sério, vendo-a
dormir. Eu quis gritar, Tem um anão no quarto!, mas acordei
antes.
• O quarto no Sótão
“[..]concentrada no esforço de subir a
estreita escada de caracol que ia dar no
quarto. Acendeu a luz. O quarto não podia ser
menor, com o teto em declive tão acentuado
que nesse trecho teríamos que entrar de
gatinhas. Duas camas, dois armários e uma
cadeira de palhinha pintada de dourado. [...]”
(Telles, 1977, p.1)
• Outros aspectos que
fortalecem o fantástico
1. noe oconto
Sentidos: O olhar
odor;
2. As contradições;
3. A Linguagem;
“— E as formigas? — Até agora,
nenhuma.
— Você varreu as mortas? Ela ficou me
olhando.
— Não varri nada, estava exausta. Não
foi você que varreu?
— Eu?! Quando acordei, não tinha nem
sinal de formiga nesse chão, estava certa
que antes de deitar você juntou tudo...
Mas então, quem?
Ela apertou os olhos estrábicos, ficava
estrábica quando se preocupava.
— Muito esquisito mesmo.
Esquisitíssimo”. ( Telles, 1977, p.4)
Referências
Poe, Edgar Allan. "The Tell-Tale Heart." The Pioneer, vol. 1, no.
1, 1843, pp. 33-37.
TODOROV, Tzvetan. Introdução à Literatura Fantástica.
(Tradução) DIGITAL SOURCE. 2ª Ed. México: Premia, 1981
MASSOLI, Ligia. O FANTÁSTICO EM CONTOS DE LYGIA
FAGUNDES TELLES E AMILCAR BETTEGA BARBOSA. 2018.
120 f. Dissertação de Mestrado (Estudos Literários da Faculdade
de Ciências e Letras) - Universidade Estadual Paulista Faculdade
de Ciências e Letras, ARARAQUARA – S.P., 2018.