ANTICONCEPÇÃO
ORIENTAÇÕES - FEBRASGO
INTRODUÇÃO
Métodos reversíveis:
1- Comportamentais
2- De barreira
3- De longa ação (métodos intrauterinos e implantes)
4- Hormonais (injetáveis e orais)
5- De emergência
Alguns conceitos importantes:
EFICÁCIA de um método contraceptivo é a capacidade desse método de proteger contra a gravidez
não desejada e não programada (No de falhas X 12 meses X 100 (mulheres)
SEGURANÇA. É o potencial de o método contraceptivo causar riscos à saúde de quem o utiliza. É
avaliada pelos efeitos indesejáveis e complicações que pode provocar.
ESCOLHA DO MÉTODO. O critério mais importante para a escolha ou eleição de um método
anticoncepcional é a opção feita pela usuária. Entretanto, nem sempre o método escolhido
poderá ser usado, tendo em vista características clínicas que podem contraindicar seu uso.
CRITÉRIOS DE ELEGIBILIDADE
CATEGORIA 1 – o método pode ser utilizado sem qualquer restrição.
CATEGORIA 2 – o uso do método em apreço pode apresentar algum risco, habitualmente menor do
que os benefícios decorrentes de seu uso. Em outras palavras, o método pode ser usado com
cautela e precauções maiores, especialmente acompanhamento clínico mais rigoroso.
CATEGORIA 3 – o uso do método pode estar associado a um risco, habitualmente considerado
superior aos benefícios decorrentes de seu uso. O método não é o mais apropriado para aquela
pessoa, podendo, contudo, ser usado, no caso de não haver outra opção disponível, ou em que a
pessoa não aceita qualquer alternativa, mas desde que seja bem alertada desse fato e que se
submeta a uma vigilância médica muito rigorosa.
CATEGORIA 4 – o uso do método em apreço determina um risco à saúde, inaceitável. O método
está contraindicado
ANTICONCEPCIONAIS HORMONAIS ORAIS COMBINADOS
Os anticoncepcionais orais combinados são aqueles que
contêm estrogênio e progestágenos no mesmo
comprimido.
O etinilestradiol é o principal estrogênio, porém podemos
encontrar AOCs com estradiol e o valerato de estradiol
também
Podem ser monofásicas, bifásicas ou trifásicas.
O etinilestradiol é o estrogênio usado praticamente em
todas as pílulas, podendo variar as doses de 50 mcg, 35
mcg, 30 mcg, 20 mcg e 15 mcg de etinilestradiol.
Os progestagênios, em associação aos estrogênios,
impedem o pico do hormônio luteinizante (LH), que é
responsável pela ovulação.
ANTICONCEPCIONAIS HORMONAIS ORAIS COMBINADOS
Primeira geração - contém levonorgestrel associado a 50
mcg de etinilestradiol
Segunda geração - Doses menores de etinilestradiol,
associado ao levonorgestrel.
Terceira geração - contém desogestrel ou gestodeno
ANTICONCEPCIONAIS HORMONAIS ORAIS COMBINADOS
Os progestagênios, em associação aos
estrogênios, impedem o pico do hormônio
luteinizante (LH), que é responsável pela ovulação.
Existem ainda efeitos acessórios que também
atuam dificultando a concepção, como a mudança
do muco cervical, a diminuição dos movimentos
das trompas e a transformação inadequada do
endométrio.
ANTICONCEPCIONAIS HORMONAIS ORAIS COMBINADOS
RISCOS ASSOCIADOS:
- Baixa incidência do tromboembolismo em mulheres em idade reprodutiva. As não usuárias, as
mulheres que usam pílulas de segunda geração e aquelas que utilizam as de terceira geração
apresentam incidência de 5, 15 e 25 casos a cada 100,000 mulheres, respectivamente. Por outro
lado, durante a gestação observa-se incidência de 56 casos de tromboembolismo venoso a cada
100.000 mulheres.
- O infarto do miocárdio tem incidência ainda menor em jovens, observando-se associação do
contraceptivo com outros fatores de risco, incluindo o tabagismo, hipertensão arterial, diabetes e
dislipidemias.
- O acidente vascular cerebral em usuárias de pílulas é extremamente rara. Associam-se a fatores de
risco clássicos, como hipertensão arterial, dislipidemias e, particularmente em usuárias de pílulas, à
presença de enxaqueca com aura.
- Entre os cânceres, não há evidências que suporte a associação significativa entre aumento no risco do
câncer de mama entre usuárias de anticoncepcionais orais. Há, por outro lado, redução na incidência
do câncer de ovário e endométrio.
ANTICONCEPCIONAIS HORMONAIS ORAIS COMBINADOS
EFEITOS COLATERAIS:
Usuárias de pílulas que apresentam efeitos colaterais
podem beneficiar-se com a redução das doses
contraceptivas. Observa-se taxa significativamente
menor de efeitos adversos com pílulas de 20 mcg,
em comparação com as de 30 mcg de etinilestradiol.
No entanto, são praticamente idênticas as taxas de
efeitos colaterais entre usuárias de pílulas com 20
mcg ou 15 mcg de etinilestradiol.
A orientação prévia a ocorrência de problemas
comuns pode aumentar a adesão ao método e
reduzir consideravelmente o índice de falha
contraceptiva.
ANTICONCEPCIONAIS HORMONAIS ORAIS COMBINADOS
CONTRAINDICAÇÕES
ANTICONCEPCIONAIS HORMONAIS ORAIS COMBINADOS
BENEFÍCIOS: redução na incidência de gravidez ectópica, câncer de endométrio, câncer
de ovário, cistos ovarianos, doença inflamatória pélvica, doenças mamárias benignas e
miomas uterinos, além da regularização do ciclo menstrual, do controle da dismenorréia e
da anemia ferropriva.
Dúvida bastante frequente refere-se ao retorno à fertilidade após a suspensão do método.
É importante enfatizar o rápido retorno (médio de 4-5 ciclos) após a interrupção do uso
dos AOCs.
As mulheres que iniciam o uso de um contraceptivo oral devem ser orientadas a
administrar a primeira drágea no primeiro dia do ciclo menstrual.
A maior parte dos AOCs prevê pausas mensais entre as cartelas, que podem variar de 4 a
7 dias. Nesses casos, após a primeira cartela inicia-se a segunda no 5o ou 8o dia,
respectivamente, respeitando-se assim o intervalo preconizado.
ANTICONCEPCIONAIS HORMONAIS ORAIS COMBINADOS
EM CASO DE ESQUECIMENTO…
As pacientes devem ser orientadas ao uso rotineiro, sempre no mesmo horário
ou situação, visando minimizar o esquecimento.
Esquecimento por menos de 24 horas: deve-se utilizar imediatamente a
drágea, utilizando a seguinte no mesmo horário regular.
Após 24 horas: preconiza-se a ingestão de duas drágeas no horário regular, e
tomar o restante das pílulas de maneira habitual.
Caso haja esquecimento de mais de dois comprimidos, deve-se orientar a
utilização de preservativos durante sete dias, tomando as pílulas restantes de
forma habitual.
ANTICONCEPCIONAIS HORMONAIS ORAIS COMBINADOS
O aparecimento de sangramento irregular ou spotting, bastante comum nos
primeiros ciclos anticoncepcionais, deve ser objeto de orientação específica,
particularmente mostrando a ausência de relação do sangramento com a falha
contraceptiva. O uso do contraceptivo não deve ser interrompido.
Episódios de vômitos no período de uma hora após a ingestão do comprimido ativo
podem ocorrer. Nessa situação preconiza-se o uso de outro comprimido (de outra
cartela), retomando o uso habitual até o seu término.
Nos casos de diarreias graves ou vômitos durante mais de 24 horas deve-se orientar
ao uso habitual do contraceptivo, acrescido do uso de preservativos durante uma
semana após a resolução do problema.
ADESIVOS TRANSDÉRMICOS
Sistema matricial com uma superfície de 20 cm2, que contém 750 μg de
etinilestradiol (EE) e 6 mg de norelgestromina (NGMN).
A concentração total média de EE em usuárias do adesivo é 60% maior do
que em usuárias de anticoncepcionais orais combinados com 35 μg de EE;
Possui a mesma eficácia, contraindicações e perfil de efeitos adversos que
os anticoncepcionais orais combinados. A principal vantagem é a
comodidade de uso, níveis plasmáticos mais estáveis (sem picos e quedas)
e facilidade de uso para pacientes com dificuldades de deglutição.
ADESIVOS TRANSDÉRMICOS
Mulheres com história de doença dermatológica esfoliativa ou pele
sensível podem não ser candidatas ideais para o uso do adesivo
transdérmico.
Mulheres obesas devem ser alertadas para redução da eficácia
contraceptiva, descrita para pacientes com peso corporal maior ou igual
90Kg. Esse achado não é único para esse método: mulheres obesas
usuárias de implantes subdérmicos (Norplant), também apresentam
maiores taxas de falha contraceptiva.
ADESIVOS TRANSDÉRMICOS
COMO USAR:
Deve ser aplicado sobre pele limpa e seca, no 1º
dia do ciclo. Usar 1 adesivo a cada 7 dias,
rodiziando semanalmente os locais de aplicação
(abdome inferior, parte externa do braço,parte
superior das nádegas, dorso superior). Usar 3
semanas consecutivas, retirando o 3º adesivo ao
final dos 21 dias e aguardar o sangramento de
privação. O uso contínuo, sem pausa, também
pode ser empregado. Locais de aplicação do
adesivo.
INJETÁVEIS MENSAIS
Existem três formulações disponíveis no Brasil:
- Acetato de Medroxiprogesterona 25mg + Cipionato de Estradiol 5mg
- Enantato de Noretisterona 50mg + Valerato de Estradiol 5mg
- Acetofenido de Dihidroxiprogesterona 150mg + Enantado de Estradiol
10mg
INJETÁVEIS MENSAIS
O estrogênio utilizado nos injetáveis mensais é natural e, portanto mais
fisiológicos do que os utilizados nas pílulas anticoncepcionais combinadas,
assim o tipo e intensidade dos efeitos colaterais também podem ser
diferentes.
- menor efeito sobre a pressão arterial, hemostasia e coagulação,
metabolismo lipídico e função hepática em comparação com a
contracepção oral combinada.
- a administração por ser parenteral, elimina o efeito da primeira
passagem dos hormônios sobre o fígado.
INJETÁVEIS MENSAIS
RETORNO DA FERTILIDADE: Mais de 50% das usuárias engravidaram nos 6 primeiros meses
após a interrupção do uso.
EFICÁCIA: Muito eficaz, com baixas taxas de gravidez dependentes da regularidade do uso,
havendo maior risco quando atrasa uma injeção ou deixa de tomá-la (0,05 gravidez por 100
mulheres/ano)
EFEITOS COLATERAIS:
- Alteração do padrão da menstruação. Menor intensidade ou menos dias de menstruação;
Menstruação irregular; Menstruação ocasional; Menstruação prolongada; Ausência de
menstruação;
- Ganho de peso;
- Cefaléia;
- Vertigem;
- Sensibilidade mamária.
INJETÁVEIS MENSAIS
QUANDO COMEÇAR:
Mulher com ciclos menstruais ou saindo de método não hormonal:
- Iniciar imediatamente caso esteja começando até 7 dias após o início da menstruação – não há
necessidade de método de apoio (preservativo).
- Com 7 dias ou mais desde o início da menstruação pode iniciar imediatamente se houver certeza
razoável de não estar grávida – usar método de apoio nos primeiros 7 dias após a injeção.
- Se estiver mudando de um DIU poderá começar imediatamente.
Mudando a partir de um método hormonal:
- Iniciar imediatamente se estiver usando o método corretamente ou caso haja certeza razoável de
que não está grávida. Não há necessidade de aguardar a próxima menstruação. Não há
necessidade de método de apoio.
- Se estiver mudando a partir de outro método injetável poderá iniciar nadata em que a injeção de
repetição seria aplicada. Não há necessidade de método de apoio.
INJETÁVEIS MENSAIS
Instruções gerais de uso:
- Aplicação intramuscular profunda.
- Não massagear o local da injeção.
- Repetir a aplicação a cada 30 dias, de acordo com a data da primeira
injeção. Margem de segurança de 3 dias para mais ou para menos.
- Atraso maior que 3 dias usar método de apoio (condom).
- Nos primeiros 3 meses de uso os efeitos colaterais são mais comuns,
principalmente aumento do volume menstrual.
PÍLULAS DE PROGESTÁGENOS
- As pílulas só de progestagênios (PSPs), também conhecidas como “minipílulas”,
consistem na administração oral de comprimidos que contêm doses baixas de um
progestagênio.
- São indicadas preferencialmente, em situações em que há contraindicação absoluta
ou relativa para o uso de estrogênios, presença de efeitos adversos com o uso do
estrogênio ou durante a amamentação, pois parece não interferir na produção do leite
- Opções: noretisterona de 0,35mg/dia, linestrenol de 0,5mg/dia, levonorgestrel
0,030mg/dia e desogestrel de 75mcg/dia.
- Devem ser utilizadas diariamente e sem pausas.
- É importante salientar que o intervalo não deve exceder três horas de atraso na
tomada diária pelo risco de falha.
PÍLULAS DE PROGESTÁGENOS
A taxa de falha com o uso típico é de 3 a 5%. Sem a proteção adicional
da amamentação, as PSPs não são tão eficazes quanto a maioria dos
outros métodos hormonais.
A eficácia contraceptiva é maior durante o período da lactação.
A mais recente preparação de pílula só de progestagênio contém
75mcg/dia de desogestrel, nível que excede o necessário para inibir a
ovulação (60mcg/dia) sendo, portanto mais efetiva na contracepção
que as outras formulações.
PÍLULAS DE PROGESTÁGENOS
Seu funcionamento básico ocorre por:
– Espessamento do muco cervical impedindo, portanto a progressão do
espermatozoide.
– Redução da motilidade tubária.
– Inibição da proliferação endometrial.
– Algumas preparações podem promover a inibição da ovulação
dependendo da dose e tipo do progestagênio.
PÍLULAS DE PROGESTÁGENOS
Os benefícios apresentados pela PSPs são a diminuição da dismenorréia, menor
risco de doença inflamatória pélvica, diminuição dos sintomas de tensão pré-
menstrual e da mastalgia.
Por não conterem o estrogênio, as PSPs têm menor risco de complicações e
praticamente não apresentam riscos importantes à saúde.
A desvantagem é a necessidade de aderência cuidadosa e mudança no padrão
menstrual podendo causar desde amenorréia até sangramento irregular com
ciclos curtos ou longos, sangramento ocasional ou prolongado. De modo geral, as
PSPs estão associadas com maior número de dias de sangramento do que as
pílulas combinadas
PÍLULAS DE PROGESTÁGENOS
EVITAR O USO EM:
1- Amamentação há menos de seis semanas após o parto: categoria 3.
2- Episódio atual de tromboembolismo: categoria 3.
3- Câncer de mama atual ou pregresso há mais de 5 anos e sem recidiva: categoria 4 e
3 respectivamente.
4- Tumor hepático benigno (adenoma) ou maligno (hepatoma), hepatite viral ativa ou
cirrose descompensada: categoria 3.
5- Utilização de barbitúricos, carbamazepina, oxcarbazepina, fenitoína, primidona,
topiramato ou rifampicina: categoria 3.
6- Evitar a continuidade no uso dos PSPs quando surgir o aparecimento de doença
cardíaca isquêmica, acidente cerebrovascular e enxaquecas com aura: categoria 3.
PÍLULAS DE PROGESTÁGENOS
EFEITOS COLATERAIS:
- Alterações no padrão menstrual desde amenorréia até sangramento frequente,irregular, ocasional ou
prolongado.
- Cefaléia
- Acne
- Tontura
- Alterações de humor
- Sensibilidade mamária
- Dor abdominal
- Náuseas
-Aumento do tamanho dos folículos ovarianos
INJETÁVEIS TRIMESTRAIS
Acetato de medroxiprogesterona de depósito (AMP-D);
Além de alterar a espessura endometrial, e espessar o muco cervical, bloqueia
o pico do hormônio luteinizante (LH) evitando a ovulação.
Após a descontinuação, a ovulação retorna em 14 semanas, mas pode
demorar até 18 meses.
Apresenta menor impacto nos níveis do FSH. Por este motivo em um terço das
usuárias de AMP-D, os níveis de estradiol permanecem inalterados. Assim,
sintomas vasomotores como ondas de calor, e atrofia vaginal são incomuns
em usuárias deste método.
INJETÁVEIS TRIMESTRAIS
A primeira injeção deve ser aplicada nos primeiros 5 dias do ciclo
menstrual.
O início da ação contraceptiva do AMP-D ocorre dentro de 24 horas após
a injeção, e é mantida por até 14 semanas, determinando uma margem
de proteção se houver uma demora na aplicação da injeção,
tipicamente aplicada a cada 12 semanas.
A eficácia do AMP-D é semelhante a da esterilização, e melhor que
àquela dos contraceptivos combinados orais.
INJETÁVEIS TRIMESTRAIS
VANTAGENS:
A amenorréia que ocorre na maioria
das usuárias de AMP-D traz uma
melhora nos quadros de menorragia,
dismenorréia, e anemia ferropriva.
Além disso, traz benefícios nos
transtornos relacionados ao ciclo
menstrual como síndrome pré-
menstrual e enxaquecas pré-
menstruais.
INJETÁVEIS TRIMESTRAIS
EFEITOS ADVERSOS:
Há efeitos colaterais associados ao uso do AMP-D, incluindo
sangramento menstrual irregular, sensibilidade mamária, ganho de
peso, depressão, acne, e cefaléia.
A maioria das mulheres em uso de AMP-D desenvolve amenorréia
conforme aumenta o tempo de uso.
INJETÁVEIS TRIMESTRAIS
IMPLANTES CONTRACEPTIVOS
No Brasil, o único implante aprovado para contracepção é o Implanon
NXT®, que é um bastão único, com cerca de 4 cm de comprimento por
2 mm de espessura, contendo 68 mg de etonogestrel (ENG), metabólito
biologicamente ativo do desogestrel, envolvido em uma membrana de
acetato de etileno vinil radiopaco.
Sua ação contraceptiva dura três anos e sua inserção é subdérmica,
realizada preferencialmente na porção posteromedial do braço não
dominante, abaixo do sulco entre o bíceps e o tríceps
O progestagênio, liberado de forma contínua, inibe a ovulação, além de
provocar alterações no muco cervical e no endométrio
IMPLANTES CONTRACEPTIVOS
O índice de Pearl no primeiro ano é de 0,05%.
Após a remoção do implante, os níveis séricos tornam-se indetectáveis
em menos de sete dias, e a maioria das mulheres apresenta ovulação e
pode engravidar dentro de poucos dias após a remoção do implante.
As indicações do implante de ENG recaem sobre a preferência das
mulheres, nas comorbidades em que não se pode utilizar métodos com
estrogênios e em grupos vulneráveis, como adolescentes, drogaditas e
mulheres com HIV.
IMPLANTES CONTRACEPTIVOS
EFEITOS ADVERSOS:
- Cefaleia (em 15% das pacientes) são mais frequentes durante as seis
primeiras semanas.
- Mastalgia (10%) também é mais frequente nesse período (seis primeiras
semanas) e geralmente é bem tolerada.
- Acne foi relatada por 11% das usuárias.
- Cistos foliculares pode ocorrer em cerca de 25% das usuárias após 12
meses.
- O principal evento adverso do implante liberador de ENG, assim como de
qualquer método contraceptivo contendo só progestagênio, é a mudança do
padrão de sangramento, que é a principal causa de desistência do método.
SIU-LNG 52mg
Sistema intrauterino liberador de levonorgestrel (52 mg) libera 20 µg de
LNG por dia
A taxa de liberação de 20 µg/dia cai ao longo do uso, estabilizando-se
em torno de 12 a 14 µg/dia, e chega finalmente a 11 µg/dia ao final de
cinco anos, tempo preconizado pelo fabricante para o uso do SIU-LNG
Em 2016, um ensaio clínico randomizado(42) sobre TCu 380A
demonstrou a segurança e a eficácia do SIU-LNG 52 mg por sete anos
SIU-LNG 52mg
Os principais mecanismos de ação do SIU-LNG 52 mg são os seguintes:
• Muco cervical espesso e hostil à penetração do espermatozóide,
inibindo a sua motilidade no colo, no endométrio e nas tubas uterinas,
prevenindo a fertilização;
• Alta concentração de LNG no endométrio impedindo a resposta ao
estradiol circulante;
• Forte efeito antiproliferativo no endométrio;
• Inibição da atividade mitótica do endométrio
SIU-LNG 52mg
SIU-LNG possui ótima eficácia contraceptiva e apresenta desempenho equivalente no
uso “típico” e “habitual” (índice de Pearl de 0,1)
Efeitos benéficos como:
• Aumenta a concentração de hemoglobina;
• É um tratamento eficaz para sangramento uterino anormal sem causa orgânica;
• Reduz o número de histerectomias por sangramento uterino anormal;
• Evita a anemia;
• Proporciona proteção endometrial para terapia hormonal no climatério;
• Minimiza os efeitos do tamoxifeno sobre o endométrio.
SIU-LNG 52mg
Bastante efetivo na redução do sangramento menstrual em mulheres
portadoras de mioma uterino e naquelas que apresentam sangramento
uterino aumentado sem causas estruturais
O uso do SIU-LNG em mulheres na perimenopausa com miomas
sintomáticos está associado a menor número de histerectomias e a alto
nível de satisfação
SIU-LNG 52mg
EFEITOS ADVERSOS
A ocorrência de acne (12%),
ganho de peso (7%), humor
depressivo (5%) e cefaleia (5-
10%)são infrequentes e, na
maioria das vezes, não
necessitam da retirada do SIU-
LNG para o seu tratamento
SIU-LNG 19,5mg
Em 2017, foi lançada uma nova versão do SIU-LNG com menor taxa de
liberação hormonal diária: 12 mcg/dia no primeiro ano de uso.
O mecanismo de ação é o mesmo.
A eficácia contraceptiva do SIU-LNG é comparável à esterilização feminina, com
índice de Pearl de 0,2 no primeiro ano e taxa cumulativa de falha de 0,7 com
cinco anos de uso.
O SIU-LNG 19,5 mg é recomendado exclusivamente para contracepção,porém,
o efeito sobre o padrão de sangramento e o controle de cólicas parece o
mesmo do SIU-LNG 52 mg, com taxas similares de amenorreia nas usuárias
ANTICONCEPÇÃO DE EMERGÊNCIA
A) Método de Yuzpe:
- Regime contraceptivo combinado que consiste na ingestão de 100
μg de etinilestradiol associado a 0,5 mg de levonorgestrel repetidos
após 12 horas, sendo a primeira tomada o mais próxima possível da
atividade sexual desprotegida e, preferencialmente no máximo
após 72 horas do mesmo.
- A taxa média de gestação com este método é de 1,8%; porém se o
tratamento for iniciado nas primeiras doze horas após o coito a taxa
é reduzida para 1,2%.
ANTICONCEPÇÃO DE EMERGÊNCIA
B) Contraceptivo com Levonorgestrel isolado:
- O comprimido de levonorgestrel, que inicialmente foi utilizado em um
regime de duas doses (dois comprimidos de 0,75 mg tomado com
intervalo de 12 horas) e atualmente, em um regime de dose única
(comprimido de 1,5 mg tomado uma única vez.
- Uma dose única de levonorgestrel é tão eficaz quanto à dose fracionada e
mostra-se mais conveniente à paciente sem aumentar os efeitos adversos.
- O uso do levonorgestrel previne cerca de dois terços das gestações, se
iniciada no prazo de 24 horas do ato sexual.
ANTICONCEPÇÃO DE EMERGÊNCIA
- Se na Primeira fase do ciclo, antes do pico do LH (Hormônio Luteinizante): altera o
crescimento folicular, impedindo ou retardando a ovulação por muitos dias. A
ovulação é impedida ou adiada em 85% dos casos; não havendo contato dos gametas
feminino e masculino.
- Se administrado na Segunda fase do ciclo menstrual, após ocorrida a ovulação: atua
por meio destes mecanismos para impedir a fecundação: Alteração do transporte dos
espermatozoides e do óvulo pela Trompas de Falópio; modificando o muco cervical
tornando-o hostil à espermomigração e interferindo na capacitação espermática.
- Não há qualquer evidência científica que a CE exerça efeitos após a fecundação dos
gametas. Não há nenhuma sustentação que a CE seja um método que resulte em
aborto
ANTICONCEPÇÃO DE EMERGÊNCIA
C) DIU DE COBRE
- O DIU deve ser inserido até 120 horas após a relação sexual, não
devendo ocorrer mais do que cinco dias da ovulação se puder ser
estimado esse dia, podendo fornecer proteção por 10 anos da sua
inserção como contraceptivo de longa ação (LARC).
- A taxa de gravidez acumulada de 1 ano em mulheres que
escolheram o DIU foi de 6,5% contra 12,2% das que escolheram o
levonorgestrel.
DIU DE COBRE
O mecanismo de ação deve-se à alteração da motilidade e à diminuição
da viabilidade dos espermatozoides provocada pelo muco cervical, com
altas concentrações de cobre.
O aumento de leucócitos e citocinas na cavidade uterina reduz
drasticamente a probabilidade de fertilização.
O métodos com alta eficácia, baixo custo e de fácil inserção/remoção.
DIU DE COBRE
O DIU TCu 380 tem durabilidade de 10 anos e índice de Pearl baixo (1
gravidez ou menos em cada 100 usuárias no primeiro ano de uso,
acumulando taxa de 3 a cada 100 usuárias após cinco anos)
Grandes estudos clínicos randomizados mostraram que os DIUs de
cobre permanecem efetivos por 12 a 13 anos
DIU DE COBRE
Os DIUs são inseridos durante o período menstrual, pois se acredita que
o canal endocervical se encontra discretamente dilatado.
Porém, os DIUs podem ser inseridos em qualquer momento do ciclo
menstrual se a gravidez for excluída com segurança.
Um dos principais fatores limitantes para o uso do DIU é a dor durante a
inserção. Medicamentos como misoprostol, anti-inflamatórios não
esteroidais (AINEs) e anestésicos locais têm sido utilizados para tentar
minimizar essa dor.
DIU DE COBRE
Antes da inserção, sugere-se obter consentimento informado e a paciente
deve estar ciente dos riscos, benefícios, e métodos anticoncepcionais
alternativos.
O sangramento irregular ou um aumento na quantidade de sangramento
menstrual são os efeitos colaterais mais comuns.
A dor ou dismenorréia é causa de descontinuidade em até 6% dos DIUs de
cobre em 5 anos.
Os estudos clínicos não encontraram diferença nas taxas de infecção com uso
de doxiciclina ou azitromicina profilática.
DIU DE COBRE
DIU DE COBRE E PRATA
A associação da prata ao cobre tem como objetivo diminuir a
fragmentação do cobre, o que, na prática, não muda o padrão de
sangramento nem a incidência de dismenorreia nas usuárias.
Destaca-se o formato em Y do DIU de prata, um pouco diferente do DIU
de cobre, no formato em T
Os critérios de elegibilidade para inserção do DIU de prata são
exatamente os mesmos que para os demais DIUs de cobre (não
hormonais), não havendo nenhuma situação específica de indicação.