AULA 03 – Granulometria
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Introdução
A primeira característica que diferencia os solos é o tamanho das partículas que os compõem.
Entende-se por textura o tamanho relativo e a distribuição das partículas sólidas que formam
os solos. O estudo da textura dos solos é realizado por intermédio do ensaio de
granulometria.
Esta divisão é fundamental no entendimento do
comportamento dos solos, pois a depender do
tamanho predominante das suas partículas, as
forças de campo influenciando em seu
comportamento serão gravitacionais (solos
grossos) ou elétricas (solos finos).
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Introdução
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Introdução
A análise da distribuição das dimensões dos grãos, denominada análise granulométrica,
objetiva determinar os tamanhos dos diâmetros equivalentes das partículas sólidas em
conjunto com a proporção de cada fração constituinte do solo em relação à massa de solo
seco.
A representação gráfica das medidas realizadas é
denominada de curva granulométrica.
Pelo fato de o solo geralmente apresentar
partículas com diâmetros equivalentes variando
em uma ampla faixa, a curva granulométrica é
normalmente apresentada em um gráfico semi-
log, com o diâmetro equivalente das partículas
em uma escala logarítmica e a percentagem de
partículas com diâmetro inferior à abertura da
peneira considerada (porcentagem que passa) em
escala linear.
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Forma das Partículas
A forma das partículas dos solos tem grande influência sobre suas propriedades.
Distinguem-se, principalmente, as seguintes formas:
Partículas arredondadas ou, mais exatamente, com forma poliédrica. São as que predominam nos
pedregulhos, areias e siltes.
Partículas lamelares, isto é, semelhantes a lamelas ou escamas. São as que se encontram nas argilas. Esta
forma de partículas das argilas reponde por algumas de suas propriedades como, por exemplo, a
compressibilidade e a plasticidade, esta última, uma das suas características mais importantes.
Partículas fibrilares, característica dos solos turfosos.
As partículas esféricas e
arredondadas possuem as dimensões
segundo os três eixos semelhantes e
cantos bem suaves.
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Observação Importante
O formato dos grãos das areias tem muita importância no seu comportamento mecânico, pois
determina como eles se encaixam e se entrosam, e como eles deslizam entre si, quando
solicitados por forças externas.
Por outro lado, como as forças se transmitem pelo contato entre as partículas, as de formato
mais angular são mais suscetíveis a se quebrarem.
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Identificação Tátil – Visual dos solos
Esta identificação é facilitada por duas características principais dos solos. A textura e a
compacidade das areias e consistência das argilas.
Economia de projeto – quando não se justifica fazer ensaios;
Justificativa
Fase inicial de estudo – ensaios não disponíveis.
Descrever previamente um solos sem dispor de resultados de ensaios,
Objetivo
quando o tipo de solo e o seu estado deve ser estimado.
Processo – Manusear o solos e sentir sua reação ao manuseio.
Cada profissional deve desenvolver suas habilidades para identificar os solos. Só a experiência pessoal
e o confronto com resultados de laboratório permitirá o desenvolvimento desta habilidade.
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Identificação Tátil – Visual dos solos
PRIMEIRA IDENTIFICAÇÃO – manuseio: solo fino ou grosso?
Grãos de pedregulhos são bem distintos;
Areias, apesar de possuir grãos visíveis a olho nu, podem estar envoltas por partículas
finas (torrões) – deve-se umedecer a amostra para que o torrão se desmanche – os grãos de
areia podem ser sentidos pelo manuseio, a argila se transforma em uma pasta;
Para a amostra seca – esfrega-se uma amostra de solo em uma folha de papel - as
partículas finas (silte e argila) se impreguinam na folha e as grossas se isolam.
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Identificação Tátil – Visual dos solos
PRIMEIRA IDENTIFICAÇÃO – manuseio: solo fino ou grosso?
Teste do tato: esfregar porção de solo nas mãos:
Solo arenoso – áspero;
Solo argiloso – pó quando secos e sabão quando úmidos.
Teste de plasticidade: moldar bolinhas ou cilindros de solo úmido:
Solo argiloso → moldável;
Solo arenoso e siltoso → não moldável.
Teste de dispersão em água: agitação de mistura de solo seco com água:
Solo argiloso → turva a água e demora a sedimentar;
Solo arenoso → rápida deposição.
Teste de corte:
Solos argilosos – superfícies polidas ou lisas.
Teste da dilatância: porção de solo sacudida vigorosamente na palma das mãos. Areias
muito finas apresentam aspecto brilhante com exsudação de água, que desaparece com o
reamassamento. 9
Identificação Tátil – Visual dos solos
SEGUNDA IDENTIFICAÇÃO – identificação dos solos finos: Silte ou argila?
Resistência a seco – umedecendo-se uma porção de argila, moldando-se uma pequena
pelota irregular (2 cm) e deixando-se secar ao ambiente, a mesma ficará dura e ao ser
quebrada, dividir-se-á em partes. Já a pelota de silte se pulverizam, somada a menor
resistência;
Sbaking test – com uma pasta saturada de silte na palma da mão, quando se bate esta mão
contra a outra, nota-se o surgimento de água na superfície. Apertando-se o torrão com os
dedos polegar e indicador da outra mão, a água reflue para o interior da pasta. No caso das
argilas, o impacto das mãos não provoca o aparecimento de água;
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Identificação dos solos por meios de ensaios
Os sistemas de classificação se baseiam principalmente na textura dos grãos e nas
características dos argilominerais.
A textura está relacionada com o tamanho dos grãos, que é determinada pela análise
granulométrica, mas as características dos argilominerais são consideradas, indiretamente,
pelo comportamento do solo com presença de umidade, medido pelos limites de Atterberg
(consistência).
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Análise Granulométrica
Os solos, na sua maioria, possuem uma diversidade de tamanhos e formas. Para a
identificação desta variedade de tamanhos (diâmetros médios) utiliza-se o processo de análise
granulométrica.
O diâmetro médio é devido ao fato de os solos não possuírem dimensões muito
proporcionais ou esféricas.
A análise granulométrica consiste em dois processos distintos:
1. Peneiramento para os solos grossos, com granulometria superior a abertura da peneira de malha
200 (0,075mm);
2. Sedimentação para solos finos, com dimensões inferiores ou passantes na malha 200, pois
peneiras com malhas inferiores não seriam adequadas ao peneiramento, podendo haver quebra
de partículas.
Para solos, que tem partículas tanto na fração grossa quanto na fração fina se torna necessário à
análise granulométrica conjunta. 12
Análise Granulométrica
Peneiramento Sedimentação
A separação dos sólidos, de um solo, em diversas Se baseia na Lei de Stokes em que a velocidade
frações é o objetivo do peneiramento. limite de queda das partículas depende de seu
peso específico e diâmetro e do peso específico
Utiliza-se uma série de peneiras de abertura de e viscosidade do fluido.
malhas conhecidas.
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Curva Granulométrica
Segundo a forma da curva granulométrica podemos distinguir os diferentes tipos de
granulometria.
Pode-se ocorrer uma granulometria bem graduada ou mal graduada. Nos solos mal
graduados há predominância ou ausência de partículas com um certo diâmetro,
caracterizando, respectivamente uma curva uniforme ou descontínua.
Já nos solos bem graduados existem grãos ao longo de uma faixa de diâmetros bem
mais extensa, caracterizando uma curva contínua, sem ausência de grãos, e suave, com
porcentagens semelhantes dos variados diâmetros.
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Curva Granulométrica
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Curva Granulométrica
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Curva Granulométrica
Essa característica dos solos é expressa através do coeficiente de não uniformidade (CNU) e do
coeficiente de curvatura (CC).
Coeficiente de Não Uniformidade D60 - é o diâmetro abaixo do qual se situam 60% em peso
𝐷60 das partículas do solo; D30 – possui a mesma analogia do
𝐶𝑁𝑈 =
𝐷10 D60.
D10 – chamado de diâmetro efetivo do solo, corresponde
Coeficiente de Curvatura
ao diâmetro abaixo do qual se situam 10% em peso das
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𝐷 30 partículas do solo;
𝐶𝐶=
𝐷60 × 𝐷10
O CNU indica a amplitude dos tamanhos dos grãos, a falta de uniformidade, pois
seu valor diminui a medida que o material é mais uniforme. Quanto maior o CNU, mais bem
graduada é a areia.
Já o CC detecta melhor o formato da curva granulométrica e permite identificar
eventuais descontinuidades ou concentrações muito elevadas de tamanhos de grãos.
Considera-se que o solo é bem graduado quando: 1 ≤ CC ≤ 3, para um mesmo CNU. 17
Curva Granulométrica
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Curva Granulométrica
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Peneiramento
Ensaio granulométrico por peneiramento – consiste na determinação das
porcentagens, em massa, das diferentes frações que constituem o solo.
Realiza-se o ensaio de peneiramento, no qual se faz passar uma certa quantidade de
solo por um conjunto padronizado de peneiras de malha quadrada.
Normatizado pela
NBR 7181/1984
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Peneiramento
O processo de peneiramento é dividido em duas partes:
Peneiramento da amostra total;
Peneiramento da amostra parcial;
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Peneiramento
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Peneiramento
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Peneiramento
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Peneiramento
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Peneiramento
Cálculos
𝑀𝑡 − 𝑀𝑔
Massa da amostra seca 𝑀 𝑆= × 100+ 𝑀 𝑔
(100+ h)
Porcentagem de material que passa nas 𝑀 𝑆 − 𝑀𝑖
𝑄 𝑔= ×100
peneiras – amostra total 𝑀𝑆
Porcentagem de material que passa nas 𝑀 h (100) − 𝑀 𝑖 (100 +h)
𝑄𝑓 = ×𝑁
peneiras – amostra parcial ( 𝑀 h ×100)
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Peneiramento
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Planilha de Peneiramento
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Definições Importantes
A indicação da peneira refere-se à abertura da
malha ou ao número de malhas quadradas, por
polegada linear.
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Definições Importantes
Porcentagem que Passa - É a massa de material que passa em cada peneira,
referido a massa seca da amostra;
Porcentagem Retida - É a percentagem retida numa determinada peneira.
Obtemos este percentual, quando conhecendo-se a massa seca da amostra,
pesamos o material retido, dividimos este pela massa seca total e multiplicamos
por 100;
Porcentagem Acumulada - É a soma dos percentuais retidos nas peneiras
superiores, com o percentual retido na peneira em estudo;
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Definições Importantes
Módulo de Finura - É a soma dos percentuais retidos acumulados em todas as
peneiras da série normal, dividida por 100. Quanto maior o módulo de finura,
mais grosso será o solo;
Diâmetro Máximo - Corresponde ao número da peneira da série normal na qual
a porcentagem retida acumulada é inferior ou igual a 5%, desde que essa
porcentagem seja superior a 5% na peneira imediatamente abaixo;
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Planilha de Peneiramento - Exemplo
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Planilha de Peneiramento - Exemplo
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Planilha de Peneiramento - Exemplo
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Planilha de Peneiramento - Exemplo
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Sedimentação
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Sedimentação
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Sedimentação
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Sedimentação
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Sedimentação
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Exercício Proposto
Exemplo 1. Com o valor da umidade higroscópica igual a 10,31%, e os dados
de pesagem do peneiramento da planilha seguinte, efetue os cálculos,
determinando os índices de módulo de finura e dimensão máxima característica:
Ms – Massa total da amostra seca (calculada);
Mg – Massa do material seco, retido na # 2,0 mm;
N – Porcentagem do material que passa na # 2,0mm;
Sabendo que:
Mt – Massa da amostra seca ao ar = 2,0 kg;
Mh – Massa úmida do material para peneiramento fino = 200 g.
Mi – Massa do material retido acumulado em cada peneira.
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Exercício Proposto
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Exercício Proposto
Cálculos
𝑀𝑡 − 𝑀𝑔
Massa da amostra seca 𝑀 𝑆= × 100+ 𝑀 𝑔
(100+ h)
Porcentagem de material que passa nas 𝑀 𝑆 − 𝑀𝑖
𝑄 𝑔= ×100
peneiras – amostra total 𝑀𝑆
Porcentagem de material que passa nas 𝑀 h (100) − 𝑀 𝑖 (100 +h)
𝑄𝑓 = ×𝑁
peneiras – amostra parcial ( 𝑀 h ×100)
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Peneiramento
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Planilha de Peneiramento - Exemplo
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Planilha de Peneiramento - Exemplo
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Planilha de Peneiramento - Exemplo
Exemplo 2. Com os dados da planilha do exemplo 1, trace a curva
granulométrica. Determine os D60, D30 e D10. Classifique o solo quanto a
distribuição dos grãos, segundo os cálculos de CNU e CC.
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