CONTROLO
NATALIDADE
Domínio 1 – Reprodução e manipulação da fertilidade
Saúde reprodutiva
“De acordo com o Programa de Ação da CONFERÊNCIA INTERNACIONAL
SOBRE POPULAÇÃO E DESENVOLVIMENTO (CAIRO – 1994 ), o conceito de
Saúde Reprodutiva implica que as pessoas possam ter uma vida sexual
satisfatória e segura e que tenham a capacidade de se reproduzir e decidir
se, quando e com que frequência o fazem. Esta última condição pressupõe o
direito de homens e mulheres serem informados e terem acesso a métodos
de planeamento familiar da sua escolha, que sejam seguros, eficazes e
aceitáveis […]”
Adaptado de: Saúde Reprodutiva - Planeamento Familiar,
ORIENTAÇÕES TÉCNICAS Direcção-Geral da Saúde
Domínio 1 – Reprodução e manipulação da fertilidade
Contraceção, o que é?
A contraceção consiste na prevenção voluntária da gravidez.
Existem vários tipos de MÉTODOS CONTRACETIVOS:
os que modificam os que impossibilitam o
o funcionamento encontro do espermatozóide
das gónadas com o oócito II
(EVITAM A (EVITAM A FECUNDAÇÃO)
GAMETÓGENESE)
os que IMPEDEM
A NIDAÇÃO do
embrião
Domínio 1 – Reprodução e manipulação da fertilidade
Contracetivos CONTRACETIVOS HORMONAIS
M É TO D O S Q U E I M P E D E M A
Métodos
N I DA Ç Ã O
MÉTODOS BARREIRA
CONTRACEÇÃO
CIRÚRGICA
M É T O D O S N AT U R A I S
Domínio 1 – Reprodução e manipulação da fertilidade
Contraceção hormonal • É muito eficaz, segura e reversível
• Tem outros efeitos benéficos além do contracetivo
• Os efeitos colaterais são ligeiros: ocorrem geralmente nos 3
primeiros meses de utilização e depois, em regra, desaparecem
• As complicações e contraindicações são pouco frequentes
• Exige o compromisso diário da mulher
• Não é recomendada no período da amamentação, com exceção
dos progestativos, preferencialmente, a partir das 6 semanas
oral
após o parto
• Não protege das IST
• Pode ser utilizada como contraceção de emergência
CONTRACETIVO
P R O G E S TAT I V O
ORAL
ORAL
COMBINADO
contém etinil-estradiol e um contém só progestagénio
progestagénio
Domínio 1 – Reprodução e manipulação da fertilidade
Contraceção hormonal
CONTRACEPTIVO ORAL COMBINADO
Os contracetivos orais combinados comercializados atualmente contêm
doses reduzidas de hormonas, pelo que podem ser utilizados pela
generalidade das mulheres, desde a adolescência até à menopausa.
A mulher que toma a pílula não tem período fértil, pelo que não engravida
EFICÁCI
A
oral
Taxa de falha: 0,1 a 1 gravidez em 100 mulheres/ano
Depende da utilização correta, regular e continuada
CONTRACEPTIVO ORAL COM PROGESTAGÉNIO
EFICÁCI
A
Taxa de falha: 0,5 a 1,5 gravidezes em 100 mulheres/ano
Depende da utilização correta, regular e continuada
Domínio 1 – Reprodução e manipulação da fertilidade
Contraceção hormonal
combinada - ADESIVO • Eficácia, segurança e reversibilidade parecem ser
sobreponíveis às dos COC
• Requer a utilização contínua de um pequeno
adesivo (sistema transdérmico) aplicado na pele
• Não exige o compromisso diário da mulher, mas
deve ser regularmente substituído, a cada 7 dias
• Alterações do padrão menstrual - nos primeiros
meses pode haver padrão irregular, seguindo-se
menstruações mais regulares e mais curtas
• Não protege das ITS
EFICÁCI
A
Ainda há pouca informação disponível.
Os ensaios clínicos sugerem que a eficácia poderá
ser igual à dos COC, se a utilização for consistente
e a substituição do sistema for efetuada
atempadamente.
A eficácia diminui em mulheres com peso >90 kg.
Domínio 1 – Reprodução e manipulação da fertilidade
Contraceção hormonal
• Requer a utilização continuada de um anel flexível na vagina
• Retirar o anel ao final de 3 semanas; segue-se um intervalo livre de 7 dias
combinada – ANEL
ao fim do qual deve ser introduzido um novo anel
• Não exige o compromisso diário da mulher, mas deve ser regularmente
substituído na data correta
• Alterações do padrão menstrual - nos primeiros
VAGINAL
meses pode haver padrão irregular, seguindo-se
menstruações mais regulares e mais curtas
• Não protege das ITS
EFICÁCI
A
A informação sobre a eficácia ainda é limitada.
Os ensaios clínicos sugerem que poderá ser semelhante à dos COC, se a
utilização for consistente e a substituição do anel for atempada.
Domínio 1 – Reprodução e manipulação da fertilidade
Contraceção hormonal
• É muito eficaz, segura e reversível
• É de longa duração, não exigindo o compromisso diário da mulher: uma
injeção intramuscular profunda, até ao 7.º dia do ciclo e repetida de 12 em
12 semanas
• Pode ser usada em qualquer idade
INJECTÁVEL
• Não tem os efeitos colaterais do estrogénio
• Provoca irregularidade menstrual que varia entre spotting e amenorreia
• Pode haver atraso de alguns meses no retorno à fertilidade
• Tem efeitos benéficos em certas situações clínicas, de que são exemplo a
drepanocitose e a epilepsia
• Não protege das IST
EFICÁCI
A
0,0 a 1,3 gravidezes por 100 mulheres/ano
Depende da correta utilização
Domínio 1 – Reprodução e manipulação da fertilidade
Contraceção hormonal
• É muito eficaz, segura e reversível
• De longa duração – 3 anos - não exige o compromisso diário da mulher
• Pode ser usada em qualquer idade
• Não tem os efeitos colaterais do estrogénio
• O retorno à fertilidade é imediato após a remoção do implante
• Não tem efeitos teratogénicos
IMPLANTE
• Pode provocar irregularidades menstruais que variam entre o spotting e a
amenorreia
• Não protege das IST
EFICÁCI
A
0,0 a 0,07 gravidezes por 100
mulheres/ano
Depende da correta utilização
Domínio 1 – Reprodução e manipulação da fertilidade
INTRA-UTERINO (DIU) •
•
É muito eficaz, reversível e de longa duração
A eficácia e eventuais complicações dependem, em grande parte, da
competência do técnico
• Podem permanecer no útero, pelo menos durante 12, 10 ou 5 anos
• Não aconselhável a mulheres com risco aumentado de contrair ITS
DISPOSITIVO
• O DIU com conteúdo hormonal pode estar indicado quando se pretende,
simultaneamente, outro efeito além do contracetivo como, por exemplo,
controlar a menorragia (sangramento menstrual volumoso)
• A utilização do DIU (sem conteúdo hormonal) pode tornar o fluxo
menstrual mais abundante e prolongado
• Não protege das IST
EFICÁCI
A
0,1 a 2 gravidezes por 100 mulheres/ano
A eficácia é maior nas mulheres com filhos e nas menos jovens.
Domínio 1 – Reprodução e manipulação da fertilidade
• O preservativo, além de evitar a gravidez, diminui o risco de contrair
IST
• A eficácia depende da utilização correta e sistemática: quanto mais
PRESERVATIVO
frequente for a utilização, maior será a experiência no uso correto e
MASCULINO
maior será a eficácia
• Pode ser utilizado com outro método contracetivo para a prevenção
das IST e, como coadjuvante, na proteção contra a gravidez
• Quem utiliza preservativo deve ser informado/a sobre a possibilidade
de recurso à contraceção de emergência
O preservativo atua como barreira, impedindo
que os espermatozoides entrem na vagina e
atinjam o oócito, fecundando-o.
EFICÁCI
A
5 a 10 gravidezes em 100 mulheres/ano
Domínio 1 – Reprodução e manipulação da fertilidade
• Diminui o risco de contrair IST
• Pode ser colocado em qualquer momento antes da penetração
• não é necessária a retirada imediata do pénis após a ejaculação
PRESERVATIVO
• É mais resistente que o preservativo masculino
• Dificuldade na utilização
FEMININO
• Mais dispendioso que o preservativo masculino
EFICÁCI
A
5 a 15 gravidezes em 100
mulheres/ano
Domínio 1 – Reprodução e manipulação da fertilidade
• Não interfere com o ato sexual, podendo ser inserido até 24 horas
antes do mesmo
• Dispositivo de borracha com um aro flexível que se introduz na
vagina
DIAFRAGMA
• O uso deve ser associado ao de um espermicida
• Necessita de um profissional treinado para avaliar o tamanho do
diafragma
EFICÁCI
A
6 a 16 gravidezes em 100
mulheres/ano
Domínio 1 – Reprodução e manipulação da fertilidade
• A eficácia depende da utilização correta e sistemática, preferencialmente
em associação com outro método
• Pode ser utilizado como coadjuvante de outros métodos contracetivos
ESPERMICIDAS
• Oferece alguma proteção contra as IST e suas consequências (embora
muito menos que o preservativo)
Os espermicidas podem ser
apresentados sob a forma de creme,
espuma, esponja, cones ou
comprimidos vaginais
EFICÁCI
A
18 a 30 gravidezes em 100 mulheres/ano, quando utilizados
isoladamente
Domínio 1 – Reprodução e manipulação da fertilidade
• A laqueação de trompas e a vasectomia são métodos contracetivos para
mulheres e homens que não desejam ter mais filhos
• São muito eficazes, cómodos e permanentes
CONTRACEÇAO
• Qualquer dos procedimentos é simples e pode ser efetuado com
anestesia local
CIRÚRGICA
• Não são conhecidos efeitos colaterais a longo prazo
• Não tem efeitos negativos sobre o desejo e a resposta sexual
• A vasectomia só é efetiva 20 ejaculações ou 3 meses após a cirurgia
• Não protege das IST
A esterilização voluntária só pode ser praticada por maiores de 25 anos,
mediante declaração escrita devidamente assinada, contendo a inequívoca
manifestação de que desejam submeter-se à necessária intervenção e a
menção de que foram informados sobre as consequências da mesma, bem
como a identidade e a assinatura do médico chamado a intervir
Domínio 1 – Reprodução e manipulação da fertilidade
LAQUEAÇÃO DE TROMPAS
CONTRACEÇAO
CIRÚRGICA
EFICÁCI
A
0,5 a 1,8 gravidezes em 100 mulheres/ano
Depende do método utilizado. A laqueação pós-parto é um dos
métodos mais eficazes
Domínio 1 – Reprodução e manipulação da fertilidade
VASECTOMIA
• É um procedimento cirúrgico simples e rápido.
CONTRACEÇAO
• Não é uma castração, não afeta os testículos e não provoca “impotência”.
• Após a cirurgia, continua a haver ejaculação, embora o ejaculado não
CIRÚRGICA
contenha espermatozoides.
EFICÁCI
A
0,15 gravidezes por 100 homens/ano
Domínio 1 – Reprodução e manipulação da fertilidade
MÉTODOS NATURAIS
• Implica conhecer as modificações fisiológicas ao longo do ciclo menstrual
e cumprir as regras do método específico escolhido
• Requer a cooperação dos dois parceiros.
• O casal terá de concordar com a abstinência de relações sexuais nos dias
férteis
• Não tem efeitos colaterais nem risco para a saúde
• Não protege das IST
• Estes métodos implicam um período de acompanhamento em que a
mulher aprende a identificar a fase potencialmente fértil.
• São também conhecidos como métodos de “ABSTINÊNCIA PERIÓDICA”
EFICÁCI
A
2 a 25 gravidezes em 100 mulheres/ano
Varia muito com o método escolhido e com a consistência e
correção da utilização.
Domínio 1 – Reprodução e manipulação da fertilidade
MÉTODOS NATURAIS
MÉTODO DO CALENDÁRIO (Ogino-Knauss)
MÉTODO DA TEMPERATURA BASAL
MÉTODO DO MUCO CERVICAL ou BILLINGS
Domínio 1 – Reprodução e manipulação da fertilidade
MÉTODO DO CALENDÁRIO
O E S P E R M AT O Z O I D E P O D E
O O Ó C I TO É V I ÁV E L SER
ENTRE FECUNDANTE 3 A 5 DIAS
1 A 3 DIAS APÓS A APÓS A EJACULAÇÃO
OVULAÇÃO
Considerando estes dois dados
Considerando a duração dos ciclos menstruais anteriores (idealmente 12 ciclos)
pode calcular-se o período fértil
subtração de 11 DIAS AO CICLO MAIS LONGO
e de 18 DIAS AO CICLO MAIS CURTO.
O PERÍODO DE ABSTINÊNCIA CORRESPONDE AO PERÍODO FÉRTIL
Domínio 1 – Reprodução e manipulação da fertilidade
MÉTODO DO CALENDÁRIO
EXEMPLO
1 28 – 18 = 10
Mulher com CICLO REGULAR DE 28 DIAS
28 – 11 = 17
O PERÍODO FÉRTIL será entre o 10.º dia e o 17.º dia do ciclo, inclusive.
S T Q Q S S D
1 2 3 4 5 6 7
8 9 10 11 12 13 14
15 16 17 18 19 20 21
22 23 24 25 26 27 28
Domínio 1 – Reprodução e manipulação da fertilidade
MÉTODO DO CALENDÁRIO
EXEMPLO
2 25 – 18 = 7
Mulher com CICLOS MENSTRUAIS ENTRE 25 A 30
DIAS 30 – 11 = 19
O PERÍODO FÉRTIL será do 7.º ao 19.º dia do ciclo, o que corresponde a
um período de abstinência entre o 7.º e o 19.º dia, inclusive.
S T Q Q S S D
1 2 3 4 5 6 7
8 9 10 11 12 13 14
15 16 17 18 19 20 21
22 23 24 25 26 27 28
Domínio 1 – Reprodução e manipulação da fertilidade
MÉTODO DAS TEMPERATURAS BASAIS
A subida da temperatura basal do corpo, a meio do ciclo, é precedida de
uma ligeira descida, que corresponde à ovulação.
Em muitos casos a subida é abrupta, noutros, leva 4 a 5 dias a estabilizar.
Após 3 dias de manutenção da temperatura elevada, foi ultrapassado o
período fértil, e poderão ocorrer relações sexuais, sem risco de gravidez.
Domínio 1 – Reprodução e manipulação da fertilidade
MÉTODO DO MUCO CERVICAL ou BILLINGS
Observar diariamente o muco cervical,
retirando-o da vagina com dois dedos.
A característica do muco no período infértil é a pouca elasticidade quando
distendido entre dois dedos.
No período fértil a elasticidade pode atingir os 15 a 20 cm
Domínio 1 – Reprodução e manipulação da fertilidade
MÉTODO DO MUCO CERVICAL ou BILLINGS
O muco cervical aumenta em
volume e viscosidade durante o
período peri ovulatório.
O período fértil é suposto ter
início no 1.º dia em que se
observam as alterações do
muco. Este período poderá durar
7 a 14 dias.
Os dias subsequentes a 3 dias
sem muco são considerados
inférteis.
Domínio 1 – Reprodução e manipulação da fertilidade
• A CE é o único método que pode ser utilizado após a relação
sexual, para prevenir a gravidez
CONTRACEÇÃO
• A CE atua primariamente retardando ou inibindo a ovulação
EMERGÊNCIA
• A CE não é efetiva se a mulher já estiver grávida
• Pode ser utilizado até 120 horas (5 dias) após relações
sexuais consideradas desprotegidas, mas a sua toma deve ser
efetuada o mais precocemente possível.
quando não foi
utilizado quando ocorre falha do
em situações de
qualquer método utilizado ou uso
violação
método incorreto do mesmo
contracetivo
A eficácia é tanto maior quanto mais precocemente for efetuada a
toma