DIREITO CONSTITUCIONAL:
PODER CONSTITUINTE
Prof. Dra.
TERESA HELENA BARROS SALES
NOTAS INTRODUTÓRIAS
• Onde quer que exista um grupo social e poder político efetivo, haverá uma força ou
energia inicial que funda esse poder, dando-lhe forma e substância, normas e
instituições.
• Segundo definição da doutrina clássica, “poder” constituinte originário
corresponde à possibilidade (poder) de elaborar e colocar em vigência uma
Constituição em sua globalidade. Esta, por sua vez, entende-se como o
documento básico e supremo de um povo que, dando-lhe a necessária unidade,
organiza o Estado, dividindo os poderes (constituídos) e atribuindo competências,
que assegura a necessária proteção aos direitos e garantias fundamentais dos
indivíduos.
• Trata-se do poder de elaborar e impor a vigência de uma
Constituição. Situa-se ele na confluência entre o Direito e a Política,
e sua legitimidade repousa na soberania popular.
NOTAS INTRODUTÓRIAS
• Constituição não retira o seu fundamento de validade de um diploma jurídico
que lhe seja superior, mas se firma pela vontade das forças determinantes da
sociedade, que a precede;
• Poder constituinte originário, portanto, é a força política consciente de si que
resolve disciplinar os fundamentos do modo de convivência na comunidade;
• 3 características básicas que se reconhecem ao poder constituinte originário:
inicial, ilimitado (ou autônomo) e incondicionado;
• Esse poder não se expressa apenas em seguida a graves tumultos sociais (que
ensejam uma nova Constituição), mas se exprime sempre que entende de
mudar a estrutura constitucional do Estado nos seus aspectos mais
elementares.
• SUPREMACIA DA CONSTITUIÇÃO;
• RECEPÇÃO - Revalidação das normas que não
desafiam, materialmente, a nova Constituição;
QUESTÕES • REPRISTINAÇÃO - Que acontece com a lei que
RELACIONADA perdeu vigência com o advento de uma nova ordem
constitucional, quando esta é revogada por uma
S AO PODER terceira Constituição, que não é incompatível com
CONSTITUINTE aquela norma infraconstitucional?
• A restauração da eficácia é considerada inviável. Não
se admite a repristinação, em nome do princípio da
segurança das relações, o que não impede, no
entanto, que a nova Constituição expressamente
revigore aquela legislação.
PODER CONSTITUINTE: ORIGINÁRIO E DERIVADO
• 2 FORMAS DE MANIFESTAÇÃO DO PODER CONSTITUINTE;
• O Poder constituinte originário é aquele responsável pela criação integral de uma nova
Constituição, inaugurando uma nova ordem jurídica;
• Este tem várias características, sendo ele: a) Inicial, porque inicia uma nova ordem
jurídica, posto que também é chamado de Poder Constituinte Genuíno ou de Primeiro
Grau; b) Ilimitado, porque não sofre qualquer limite anterior, ao passo que pode
desconsiderar de maneira absoluta o ordenamento vigente anterior; c) Autônomo, da
forma que só cabe a ele estruturar os termos da nova Constituição; d) Incondicionado e
Permanente, por conta de não se submeter a nenhum processo predeterminado para
sua elaboração, bem como que não se esgota com a realização da nova Constituição,
podendo o legislador deliberar a qualquer momento pela criação de uma nova;
• Sob uma perspectiva subjetiva, o Poder Constituinte Originário é exercido quando o
povo é titular do seu poder.
PODER CONSTITUINTE: DERIVADO
• O Poder Constituinte Derivado é o poder já estabelecido na própria Constituição pelo
poder Originário, que está inserido com o objetivo de legitimar a sua alteração quando
necessária;
• O Poder Constituinte Derivado tem várias formas, podendo ser reformador, revisor ou
decorrente;
• É poder responsável pela alteração e ampliação do texto constitucional, que se manifesta
através das emendas constitucionais, bem como os tratados de Direitos Humanos com
força de emenda constitucional.
• A titularidade desse poder emana do povo, que, por sua vez, será representado pelo
Congresso Nacional (Art. 60, CF/88). Tem por principais características ser:
a) Subordinado, porque retira a sua força do poder originário, previamente estabelecido;
b) Limitado, porque tem os seus limites definidos pelo poder originário, que estabeleceu
o texto base constitucional; c) Condicionado, sendo que o seu exercício deve seguir as
regras previamente estabelecidas na Constituição.
PODER CONSTITUINTE: DERIVADO - REFORMADOR
• a) Iniciativa: são titulares para apresentarem o projeto de emenda constitucional (Art. 60, I a III, CF/88):
o Presidente da República; 1/3 dos membros da Câmara dos Deputados ou 1/3 dos membros do
Senado Federal; mais da metade das Assembleias Legislativas das unidades dos Estados, cada uma
delas, manifestando-se pela maioria relativa dos seus membros.
• b) Deliberação: a proposta deve ser discutida e votada em cada casa do Congresso Nacional em 2
(dois) turnos, sendo aprovada se obtiver, em ambas, 3/5 dos votos dos respectivos membros, ou seja, a
maioria qualificada (Art. 60, §2, CF/88).
• c) Promulgação: as emendas são promulgadas pelas Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado
Federal, com o respectivo número de ordem.
PODER CONSTITUINTE: DERIVADO - REFORMADOR
• O Poder constituinte derivado reformador está sujeito a limites, estes que tratam
tanto da matéria do conteúdo da emenda, até os procedimentos formais da
promulgação, são estes os limites:
• a) Material, ao passo que é proibido ser matéria de emenda constitucional a
abolição das chamadas "cláusulas pétreas" (forma federativa do Estado; voto direto,
secreto, universal e periódico; separação dos Poderes e direitos e garantias
individuais - Art. 60, §4, CF/88);
• b) Circunstancial, é defeso que a Constituição Federal seja alterada durante diversas
situações em que o Estado esteja vivendo, como a vigência do estado de sítio, estado
de defesa ou intervenção federal (Art. 60, §1, CF/88);
• c) Temporal, ao passo que uma proposta de emenda constitucional é rejeitada ou
prejudicada, a mesma matéria não pode ser tratada através de nova proposta até
nova sessão legislativa (Art. 60, §5, CF/88).
PODER CONSTITUINTE: DERIVADO –
REVISOR E DECORRENTE
• Encontra normatividade no Art. 3˚ da ADCT (Atos das Disposições Constitucionais Transitórias), que
dispõe sobre a necessidade do Congresso Nacional realizar uma "revisão constitucional" após 5
(cinco) anos da promulgação da Constituição Federal.
• É um poder de revisar a Constituição por um processo legislativo menos dificultoso à forma das
emendas constitucionais. Tem eficácia exaurível, ao passo que fora realizada em 1993, originando 6
(seis) emendas de revisão. Logo, este poder não mais poderá ser exercido, sendo que qualquer
mudança na Constituição Federal atualmente só poderá ser feito através de emendas, pelo poder
Reformador.
• O poder decorrente é o poder de cada Estado-Membro (unidade federativa) em criar a sua própria
Constituição estadual, sendo, todavia, respeitada a supremacia da Constituição Federal.
• Cada Assembleia Legislativa, com os poderes constituintes definidos, deveriam elaborar a sua
Constituição do Estado dentro do prazo de 1 (um) ano, à partir da promulgação da Constituição
Federal.
PODER CONSTITUINTE: CONSIDERAÇÕES
GERAIS
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CLÁUSULAS PÉTREAS
• LIMITAÇÃO DO PODER DERIVADO;
• Art. 60, § 4º Não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir: I – a
forma federativa de Estado; II – o voto direto, secreto, universal e periódico; III – a
separação dos Poderes; IV – os direitos e garantias individuais.
• 1 - Não é passível de deliberação a proposta de emenda que desvirtue o modo de ser
federal do Estado criado pela Constituição, em que se divisa uma organização
descentralizada, tanto administrativa quanto politicamente, erigida sobre uma repartição
de competência entre o governo central e os locais, consagrada na Lei Maior, onde os
Estados federados participam das deliberações da União, sem dispor do direito de
secessão.
CLÁUSULAS PÉTREAS
•2 - O desenho da separação de
Poderes como concebido pelo
constituinte originário é importante. A
emenda que suprima a independência
de um dos Poderes ou que lhe estorve a
autonomia é imprópria. Essa cláusula
pétrea revela como problemática uma
proposta de emenda à Constituição que
pretenda instaurar o parlamentarismo,
por exemplo.
4 - No tocante aos direitos e garantias individuais, mudanças que
minimizem a sua proteção, ainda que topicamente, não são admissíveis.
Esses direitos e garantias individuais protegidos são os enumerados no
art. 5º da Constituição e em outros dispositivos da Carta.
• 3 - A escolha dos agentes políticos pelo voto direto da população
está assegurada, impedindo-se as eleições indiretas. A eleição
do Chefe do Executivo, por exemplo, não pode ser entregue, por
meio de emenda à Constituição, a um colégio eleitoral, mesmo
que composto por agentes políticos apontados pelo voto
popular.
• A garantia do voto secreto, entendida como elemento
fundamental do sistema democrático, tampouco pode ser
suprimida por meio de emenda.
CLÁUSULAS • Ao tornar o voto universal cláusula pétrea, o constituinte
cristalizou também o universo dos indivíduos que entendeu
PÉTREAS aptos para participar do processo eleitoral. Impede-se, assim,
que uma emenda venha a excluir o voto do analfabeto ou do
menor entre 16 e 18 anos, que o constituinte originário facultou
(art. 14, II).
• A periodicidade dos mandatos é consequência do voto periódico
estabelecido como cláusula pétrea. Uma emenda não está
legitimada para transformar cargos políticos que o constituinte
originário previu como suscetíveis de eleição em cargos vitalícios
ou hereditários. Isso, aliado também à decisão do poder
constituinte originário colhida das urnas do plebiscito de 1993
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monarquista
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