Biologia dos Cordados
Peixes
MICHAEL RODRIGUES
Os peixes são animais
vertebrados, aquáticos, de corpo recoberto de
escamas, respiração branquial e
pecilotérmicos, ou seja, não controlam seu
próprio metabolismo. São encontrados em
água salgada e doce, os peixes surgiram há,
aproximadamente, 530 milhões de anos,
durante o período Devoniano.
Alguns são herbívoros, alimentam-se
principalmente de algas. Outros são
carnívoros, alimentam-se de outros peixes e
de animais diversos como moluscos e
crustáceos.
Podem ter hábitos curiosos. O peixe-arqueiro,
por exemplo, habitante dos pântanos e
arrozais, costuma nadar lentamente junto à
superfície. De repente percebe um inseto
sobrevoando o local, o peixe cospe-lhe água,
derruba-o e engole-o rapidamente.
Classificação dos peixes
Osteíctes (peixes ósseos).
são todos os peixes que possuem vértebras
bem formadas e membros mantidos por raios
divergentes (hastes ósseas que servem de
esqueleto às nadadeiras). Divide-se em dois
grupos principais: os peixes de barbatana lisa
e os de barbatana espinhosa. Entre eles estão
o atum, a sardinha, o bacalhau, a garoupa, o
dourado, o peixe espada, cavalo-marinho, etc.
Esqueleto Ósseo: Ao contrário dos peixes
cartilaginosos, os osteíctes possuem um esqueleto
formado por ossos.
Brânquias com Opérculo: As brânquias dos
osteíctes são protegidas por uma estrutura óssea
chamada opérculo, que ajuda na respiração.
Membros com Raios Ósseos: Suas nadadeiras são
suportadas por raios ósseos, que oferecem suporte e
mobilidade.
Escamas Ctenoides ou Cicloides: A maioria dos
osteíctes possui de dois tipos: ctenoides (bordas
serrilhadas) ou cicloides (bordas lisas).
Diversidade de Formas e Tamanhos: Este grupo
inclui desde peixes pequenos, como sardinhas, até
grandes predadores, como o atum.
Condríctes (peixes cartilaginosos).
são os peixes que não possuem ossos, apenas
cartilagens que dão sustentação ao corpo.
Entre eles estão os tubarões e as arraias.
Esqueleto Cartilaginoso: Ao contrário dos osteíctes, os
condríctes têm um esqueleto composto por cartilagem,
que é mais leve e flexível.
Ausência de Opérculo: Estes peixes não possuem um
opérculo para proteger as brânquias. Em vez disso, suas
brânquias são expostas através de fendas branquiais.
Pele Áspera: A pele dos condríctes é coberta por
escamas placoides, que têm uma textura áspera e ajudam
a reduzir a fricção com a água.
Fecundação Interna: Muitos condríctes, como os
tubarões, possuem um processo de fecundação interna,
utilizando uma estrutura chamada clásper, que é análoga
ao pênis nos mamíferos.
Dentes Afiados e Substituíveis: Tubarões, em
particular, são conhecidos por seus dentes afiados, e
substituíveis ao longo de suas vidas.
Os agnatos,ou ciclostomados.
são vertebrados aquáticos e primitivos
caracterizados pela ausência de mandíbula, o
que os diferencia dos demais peixes, e pela
presença de uma boca circular sugadora.
Esse grupo é representado pelas lampreias e
peixes-bruxa.
Características gerais:
Corpo longo, delgado e cilíndrico, com
uma pele que apresenta numerosas
glândulas mucosas e ausência de escamas.
São ectotérmicos, ou seja, a temperatura do
corpo é variável;
Não possuem nadadeiras pares, e
as ímpares (dorsal, caudal e anal) são pouco
desenvolvidas;
A notocorda permanece nos indivíduos adultos.
Apresentam um esqueleto cartilaginoso;
A boca é anteroventral e circular. Não
apresentam mandíbulas. As lampreias apresentam dente
s córneos raspadores no funil bucal e na língua, o que
permite perfurarem a pele de outros animais e se
alimentarem sugando o sangue e outros tecidos moles.
Os peixes-bruxa apresentam uma
boca mordedora e eversível e alimentam-se
de invertebrados, peixes doentes ou mortos que se
encontram no fundo do mar.
O intestino apresenta dobras que aumentam a superfície
de contato com o alimento (válvula espiral) e termina
no ânus;
Respiração branquial
A respiração branquial garante que animais
aquáticos sejam capazes de retirar o oxigênio
dissolvido na água, disponibilizando-o para
todas as células do seu corpo.
O que é a respiração branquial
A respiração branquial ocorre por meio de
brânquias, que são estruturas ricamente
vascularizadas. É nas brânquias que o
oxigênio presente na água passa para o
interior do corpo e que o dióxido de carbono
que está no corpo do animal passa para a
água. Esse tipo de respiração acontece na
maioria dos animais aquáticos, como é o caso
dos crustáceos, alguns moluscos e peixes.
Reprodução
Os peixes são seres dióicos (apresentam sexo
biológico separado) e muitas espécies
possuem dimorfismo sexual (diferenças anatômicas
entre machos e fêmeas).
A reprodução dos condrictes ocorre por meio
de fecundação interna. Os machos apresentam
estruturas copulatórias chamadas de clásper, que são
introduzidas na cloaca da fêmea. O clásper é um
canal direto para os testículos do macho, local onde
são produzidos os gametas masculinos
(espermatozóides) que são liberados dentro do corpo
da fêmea para entrarem em contato com o gameta
feminino (óvulo).
A partir da fecundação, ocorre a formação de
um zigoto, que irá se desenvolver
em embrião diretamente, sem formação de
larva.
Os peixes cartilaginosos podem ser
classificados quanto ao tipo de
desenvolvimento embrionário apresentado
em:
Ovíparos: Quando, após a fecundação, o embrião se
desenvolve dentro de ovos que são liberados no ambiente
pela fêmea;
Ovovivíparos: Com o desenvolvimento embrionário
ocorrendo dentro de ovos, porém com estes ovos
permanecendo dentro do corpo das fêmeas, em locais
chamados de ovidutos.
Vivíparos: Com o embrião se desenvolvendo dentro do
corpo da fêmea, sem a presença de ovos.
Já nos peixes ósseos, a fecundação é externa. O macho e a
fêmea liberam seus gametas na água, onde ocorre a
fecundação e formação do zigoto, que se desenvolve no
interior de um ovo, fazendo dos osteíctes espécies ovíparas.
Reprodução dos peixes cartilaginosos
Por outro lado, os peixes cartilaginosos, tubarões,
arraias e quimeras, se reproduzem, em geral, por
fecundação interna. Há, portanto, no macho uma
nadadeira especial chamada clásper, que possui a
função similar a do pênis nos mamíferos.
O macho introduz o clásper na cloaca da fêmea,
ocorrendo a fecundação. As fêmeas podem ser
vivíparas, ovovivíparas ou ovíparas. Ou seja, a mãe
pode gerar filhotes na sua cavidade interna sem
envoltório (ovo), em um ovo, dentro da mãe, ou
realizar a postura de ovos no meio externo,
respectivamente.
Sistema Nervoso
Assim como todos os vertebrados, os peixes
possuem tubo nervoso dorsal durante a fase
embrionária, no qual uma de suas
extremidades se desenvolve em encéfalo,
enquanto a outra se projeta pelo dorso do
animal formando a medula espinhal. O
encéfalo, juntamente com a medula espinhal,
forma o sistema nervoso central, e da
medula saem nervos que são agrupados
no sistema nervoso periférico.
Os peixes apresentam a linha lateral, um
conjunto de canais preenchidos com água que
tem como função principal detectar variações
na água, seja por vibrações, por diferença de
pressão, pela movimentação de organismos
etc., o que facilita, por exemplo, a formação e
o estabelecimento de cardumes (coletivo de
peixes que se movimentam ordenadamente).
Além da linha lateral, especificamente nos
condrictes, há também estruturas chamadas
de Ampolas de Lorenzini localizadas
próximas ao focinho dos tubarões. Essas
estruturas são capazes de detectar correntes
elétricas presentes na musculatura de outros
organismos, auxiliando na detecção das
presas que podem estar escondidas ou
camufladas.
Fauna abissal
A fauna abissal consiste em animais que
vivem na escuridão abaixo das águas
superficiais iluminadas pelo sol, ou seja,
abaixo da zona eufótica do mar. O
peixe-lanterna é, de longe, o peixe abissal
mais comum. Outros animais abissais incluem
o Anomalopidae, o tubarão-charuto, o
peixe-cofre, os lofiiformes, o peixe-víbora e
algumas espécies de enguia.