10/03/2025
RADIAÇÃO – IMPORTÂNCIA,
COMPLICAÇÕES E POSSIBILIDADES DE
APERFEIÇOAMENTO
Dr Márcio Luís Duarte
Médico pela Faculdade de Ciências Médicas de Santos
Médico Radiologista pela Irmandade da Santa Casa da Misericórdia de Santos
Especialista em Radiologia Musculoesquelética pelo Hospital São Camilo
Título em Radiologia e Diagnóstico por Imagem pelo Colégio Brasileiro de Radiologia
Mestre e Doutor em Saúde Baseada em Evidências pela UNIFESP
• Conceito de radiação
• Termos técnicos
• Efeitos colaterais
• Aplicação na TC
EXPOSIÇÃO OCUPACIONAL
• Auxiliares de enfermagem.
• Biomédicos.
• Enfermeiras.
• Médicos.
• Técnicos de raio-x.
IMPORTÂNCIA
• 9-16% dos médicos tem ciência de que o risco de
câncer aumenta com doses altas de radiação.
– 53% dos radiologistas e 91% dos médicos do pronto-
socorro não acreditavam que a TC aumentasse o risco de
câncer ao longo da vida.
• 75% dos radiologistas e emergencistas subestimam
significativamente a dose de radiação de uma TC.
• Soma-se o fato de que mais de 90% dos pacientes não
são informados sobre os perigos da radiação antes da
TC.
CONCEITO
• A radioatividade é propriedade de alguns
nuclídeos que resultam na transição
espontânea de um estado nuclear para outro.
TERMOS TÉCNICOS
• Exposição
– É a capacidade de raios-X para ionizar o ar sendo medido em Roentgens.
– Refere-se à concentração, no ar, de radiação em um ponto específico e é
a ionização produzida em um volume específico de ar.
• Dose absorvida
– É a energia absorvida por unidade de massa e é medida em Gray (Gy).
– 100 rads = 1 Gy = 1 J/kg.
• Dose efetiva
– Expressa em Sieverts (Sv).
– Usada para distribuições de dose que não são homogêneas (TC) – é
projetado para ser proporcional a uma estimativa genérica do dano
global ao paciente causado pela exposição à radiação.
– 100 rem = 1 Sv.
SÍMBOLOS DE ALERTA
RADIAÇÃO IONIZANTE
• É uma energia única que supera a energia de
ligação dos elétrons que orbitam átomos e
moléculas.
– Essas radiações podem tirar elétrons de suas
órbitas, criando íons.
– No material biológico exposto a raios-X, o cenário
mais comum é a criação de radicais de hidroxila a
partir de interações dos raios-X com moléculas de
água.
RADIAÇÃO IONIZANTE
– Esses radicais interagem com o DNA para causar
quebras nas ligações ou danos na base.
• Mutações.
• Translocações cromossômicas.
• Fusões entre genes podem ocorrer
– Câncer.
PROPRIEDADES DOS
RAIOS X
• Propagam-se em linha reta
• Possuem velocidade da luz no vácuo
• Não são desviados pelos campos elétrico e magnético
• São divergentes
• Podem sensibilizar chapas fotográficas
• São invisíveis
• Podem penetrar corpos opacos
• Não sofrem reflexão e refração (em condições normais)
• Produzem ionizações com conseqüências danosas para os sistemas biológicos
• Produzem fluorêscencia e fosforescência em várias substâncias
Características
• Absorção
– Quanto mais denso o material, maior a taxa de absorção
• Efeito fotográfico
– Representação bidimensional das estruturas compreendidas em um
objeto tridimensional
• Fluorescência
– Transformar a energia em luz visível
• Dispersão
– Necessidade de filtros para evitar este efeito
ABSORÇÃO DAS DENSIDADES BÁSICAS
DENSIDADE ABSORÇÃO IMAGEM
Metal Total Branco brilhante
Cálcio Grande Branco
Água Média Cinza
Gordura Pequena Cinza escuro
Ar Nenhuma Preto
RADIOSENSIBILIDADE
• Todas as formas de radiação ionizante podem
danificar os tecidos.
• Em pacientes que fazem acompanhamento
radiográfico e / ou tomográfico, as considerações
da exposição do paciente à radiação são
necessárias para a redução da dose.
População pediátrica é 10 vezes mais sensível à
radiação que os adultos
RADIOSENSIBILIDADE
• 05 órgãos mais sensíveis
– Gônadas, medula óssea, pulmão, cólon, estômago.
• Células mais sensíveis
– Glóbulos brancos (linfócitos), glóbulos vermelhos,
óvulos, espermatozoides.
• Células mais resistentes
– Células nervosas e musculares (à exceção do sistema
nervoso do embrião).
Estágio mais sensível da gestação: 2ª-6ª semana
EFEITOS COLATERAIS
• EFEITOS ESTOCÁSTICOS
• EFEITOS DETERMINÍSTICOS
EFEITOS ESTOCÁSTICOS
• Pode ocorrer com qualquer dose de radiação.
• Sua probabilidade aumenta com o aumento
da dose.
EFEITOS ESTOCÁSTICOS
• Destaque para o câncer
– O período de aparecimento (detecção) do câncer
após a exposição pode chegar até 40 anos.
– No caso de leucemia, a freqüência passa por um
máximo entre 5 e 7 anos, com período de latência
de 2 anos
EFEITOS DETERMINÍSTICOS
• Ocorrem apenas quando o limiar foi excedido
e, acima disso, a incidência e a gravidade da
lesão aumentam com a dose da radiação.
Raramente vistos na radiologia diagnóstica
principalmente porque as doses de radiação são
baixas.
RADIODERMITE
EFEITOS IMEDIATOS E TARDIOS
• Efeitos Imediatos
– Efeitos biológicos causados pela radiação, que
ocorrem num período de poucas horas até algumas
semanas após a exposição
• Exemplo: radiodermite.
• Efeitos Tardios
– Aparecem depois de anos ou mesmo décadas, são
chamados de efeitos retardados ou tardios
• Exemplo: câncer.
EFEITOS A LONGO PRAZO
• Efeitos Somáticos
– São observados na pessoa irradiada
• Ex: câncer, catarata, leucemia, malformações (feto)
• Efeitos Genéticos ou Hereditários
– São efeitos que surgem no descendente da pessoa
irradiada (geração seguinte), como resultado do dano
produzido pela radiação em células dos órgãos
reprodutores, as gônadas.
– Tem caráter cumulativo e independe da taxa de absorção
da dose
ATENÇÃO
Até o momento, não há nenhuma dose segura
estabelecida de radiação ionizante abaixo da
qual não haja risco de dano celular e risco
subseqüente de câncer
ALARA
Aproximadamente, 12% da exposição a radiação no
planeta, ocorre na medicina
Segurança ↔ Novas Tecnologias
As Tão
Low Baixo
As Quanto
Reasonably Razoavelmente
Achievable Exequível
PROTEÇÃO RADIOLÓGICA
PRINCÍPIOS
• Otimização
– Seleção adequada de equipamentos
– Planejamento da instalação
– Procedimentos de trabalho
– Programa de Garantia da Qualidade, incluindo:
• Níveis de referência para pacientes
• Restrições de dose para acompanhantes
OBJETIVOS
• Minimizar o aparecimento de efeitos
determinísticos e limitar a probabilidade de
efeitos estocásticos
• Limite Ocupacional
LIMITE OCUPACIONAL (IOE)
• Média ponderada em 5 anos: 20 mSv/ano
(0,2), desde que não exceda 50 mSv (0,5) em
qualquer ano
DOSES NOS INDIVÍDUOS DO PÚBLICO
• A dose equivalente efetiva no indivíduo mais
exposto deve ser inferior a 1 mSv/ano, o que
corresponde a um risco para efeitos
estocásticos de 0,00001 por ano.
– Risco este similar ao que as pessoas estão
expostas na vida diária, tanto por causas naturais
como tecnológicas (terremotos, enchentes,
acidentes de trânsito, etc).
ORIENTAÇÕES AOS ACOMPANHANTES
• Não é permitida a permanência de acompanhantes
na sala durante o exame radiológico, salvo quando
estritamente necessário e autorizado.
• Quando houver necessidade de contenção de
paciente: usar corretamente vestimenta plumbífera
para proteção.
• MULHERES GRÁVIDAS ou com suspeita de gravidez
– Informar ao médico ou ao técnico antes do exame.
GESTANTES
• O trauma afeta 5-7% das gestantes provocando mortalidade
materna de causa não obstétrica – 50% dos casos ocorre por
acidentes automobilísticos9.
– A avaliação do feto deve ser feita com a ultrassonografia.
• Doses de radiação fetais menores que 50 mGy não estão
associadas ao aumento das anomalias fetais ou perda fetal
durante a gravidez.
– Este conceito é importante, porque as doses de radiação de qualquer
método diagnóstico que utiliza radiação deve ter, na gestante, uma dose
menor que 50 mGy9.
• Lesões pélvicas carregam um risco significativamente aumentado
de morte fetal - até 35% em relatórios mais recentes.
– Fraturas pélvicas aumentam em 9% a chance de morte materna 9.
O QUE FAZER EM PROCEDIMENTOS DE
TEMPO PROLONGADO?
• Avaliar os protocolos para procedimentos específicos e
estabelecer procedimentos padrões com
considerações sobre o tempo de fluoroscopia
• Avaliar o procedimento sob o aspecto de risco de dano
biológico
• Modificar o protocolo para otimizar as doses
• Garantir a manutenção da qualidade do sistema
• Conhecer as taxas típicas de doses de radiação do
sistema de fluoroscopia para cada modo de operação
• Registrar informações do paciente que permita
estimar a dose e fazer “follow-up”.
DOSÍMETRO
• Indicações de uso
– Qualquer pessoa que possa receber 10% ou mais
da dose máxima permitida
– Utilizado na região mais exposta do tronco e/ou
próximo a tireóide.
– Colocado sobre o avental plumbífero ou na altura
da cintura
MÉTODOS DE MINIMIZAÇÃO DAS
DOSES
• Manter máxima distância da fonte
• Manter-se pouco tempo junto à fonte
• Utilizar blindagem adequada
– Raios-X de fuga ou vazamento
– Raios-X espalhados
– Ao menos, biombo móvel
TIPOS DE E P I
• ÁREA DE RADIAÇÃO PRIMÁRIA
– MÉDICOS ou outros Profissionais
• Aventais e outros protetores (gônadas e tireóide) com 0.5
mm de equivalente em chumbo
• Luvas
• Óculos plumbíferos
• ÁREA DE RADIAÇÃO SECUNDÁRIA
– ENFERMAGEM – CIRCULANTES
• Aventais e outros protetores com 0.25 mm de equivalente
em chumbo
TC - EPIDEMIOLOGIA
• Desde 1980, o número anual de TCs nos
Estados Unidos aumentou em mais de 20
vezes, alcançando cerca de 70 milhões exames
/ ano, com cerca de 4 milhões de crianças.
TC E A RADIAÇÃO
• A TC representa 13% de todos os exames
radiológicos nos Estados Unidos e entre 40-
70% da radiação que os pacientes recebem.
TC E A RADIAÇÃO
• TC
– Responsável pela maior exposição à radiação em
pacientes com:
• Complicações cirúrgicas.
• Pós-operatório.
• Trauma.
Pacientes são frequentemente escaneados.
NEOPLASIAS
• É estimado nos Estados Unidos, que cerca de
1,5-2,0% de todos as neoplasias malignas
sejam atribuídas a radiação originadas de
estudos de TC.
NEOPLASIAS
• É estimado nos Estados Unidos, que cerca de
1,5-2,0% de todos as neoplasias malignas
sejam atribuídas a radiação originadas de
estudos de TC.
ESTE NÚMERO É MAIOR EM CRIANÇAS!!!!!
Doses cumulativas
Brenner et al
TC E A RADIAÇÃO
A dose de radiação usada em exames de TC é
uma das mais importantes preocupações de
segurança da era moderna.
TC E A RADIAÇÃO
• Dose efetiva média em uma radiografia da
coluna lombar é de cerca de 1,1 mSv.
• Dose efetiva da TC da coluna lombar tem sido
relatada em 19 mSv.
LOW DOSE CT
• A TC pode ser realizada com uma dose muito
menor de radiação em relação a dose de
radiação padrão, apesar do consequente
aumento do ruído da imagem e da redução da
qualidade da imagem, podendo até mesmo
ser feito usando a mesma dose de radiação
que a radiografia.
LOW DOSE CT
• Vantagens
– Custo similar ao da tomografia com dose padrão.
– Fácil acesso.
– Intervalos mais curtos de avaliação do paciente.
– Menos radiação.
– Vida útil do tubo cerca de
4 vezes maior.
LOW DOSE CT
• Desvantagens
– Imagem com mais ruído.*
LOW DOSE CT
• Utilização:
– Apendicite aguda.
– Cólica renal.
– Colonoscopia virtual.
– Fraturas.
– Hérnia de disco.
– Mieloma múltiplo.
– Nódulos pulmonares.
– Sinusite crônica.
Contudo, as extremidades parecem ser vantajosas para a
indicação de um protocolo de radiação reduzida porque a
área de varredura é menor que a de outras regiões do corpo
humano, com o abdome por exemplo.
LOW DOSE CT
• Lee2018
ULTRA LOW DOSE x DP CT
• Konda2016
KONDA2016
• ULTRA LOW-DOSE CT – 0.03 mSv.
OPS...
• Quando existe a presença de componentes
metálicos nos ossos estudados, a DP TC
apresenta melhor qualidade de imagem –
menos artefatos – que a BD TC.
CONCLUSÃO
• Realizar o exame com o mínimo de radiação
possível para a realização do diagnóstico
suspeito.