DIREITO
TRIBUTÁRIO
ISS
ISS - Imposto
sobre serviço
ad
introdução
• Natureza
• Fato Gerador
• LC 116/2003
• contribuinte
• local da cobrança
• Exceções: Art. 3° LC
116/2003
• - competência legislativa
CONCEITO DO ISS
Conforme a doutrina especializada,
o ISS é o imposto outorgado pelo art.
156, III, da Constituição (CF/1988) aos
municípios, sendo conceituado como o
“imposto sobre serviços de qualquer
natureza, não compreendidos no art.
155, II, definidos em lei
complementar.
CONCEITO DO ISS
O ISS tem como fato gerador a
prestação dos serviços listados no
anexo da Lei Complementar n.
116/2003.
Porém, para o correto entendimento
acerca desse imposto, deve-se atentar
que não incide sobre determinados
serviços objeto de tributação pelo ICMS,
de competência dos Estados (serviço de
transporte interestadual e intermunicipal
CONCEITO DO ISS
Segundo Leandro Paulsen:
o ISS não incide sobre serviços públicos
típicos, prestados por entes da
administração pública direta, autarquias
e fundações públicas, vinculados a suas
finalidades essenciais ou delas
decorrentes, não regidos por normas de
direito privado e não remunerados por
tarifas, nos termos do art. 150, VI, “a”,
§§ 2º e 3º, da CF.
CONCEITO DO ISS
Antecipando o exame da jurisprudência do
STF, esta Corte também excluiu da
incidência do ISS os serviços prestados por
empresas públicas e sociedades de
economia mista que prestam serviços em
regime de monopólio, sem concorrência no
CONCEITO DO ISS
Contudo, diante da expressão utilizada
pelo texto constitucional para conceituar
o ISS (serviços de qualquer natureza), o
STF tem entendido que a Carta
Constitucional autoriza uma
interpretação de maior âmbito
semântico, levando a uma “ampliação da
competência tributária na incidência do
ISSQN” (RE nº 651.703-RG/PR, Rel. Min.
Luiz Fux, Tribunal Pleno, j. 29/09/2016, p.
CONCEITO DO ISS
Nesse contexto, a discussão que
reiteradamente chega ao STF está
relacionada às hipóteses de atividades
econômicas mistas, as quais envolvem,
em termos jurídicos, prestações de dar e
de fazer [Link] efeito,
classicamente, o Direito Civil tem
distinguido as obrigações jurídicas
conforme caracterizem prestações de dar
CONCEITO DO ISS
Washington de Barros Monteiro as
diferenciava, em síntese, nos seguintes
termos: “se o devedor tem de dar ou de
entregar alguma coisa, não tendo, porém,
de fazê-la previamente, a obrigação é de
dar; todavia, se, primeiramente, tem ele de
confeccionar a coisa para depois entregá-la,
se tem ele de realizar algum ato, do qual
será mero corolário o de dar, tecnicamente a
CONCEITO DO ISS
Partindo dessa diferenciação civilista, diversas
entidades associativas, representantes dos mais
diferentes seguimentos econômicos, têm
proposto ao STF a impossibilidade de incidência
do ISS sobre determinadas atividades
econômicas que, na visão delas, configurariam
obrigações de dar, sendo que, por definição, o
termo “serviços” adotado pela CF/88 estaria
relacionado somente às prestações de fazer.
CONCEITO DO ISS
Esse raciocínio teria como fundamento o art.
110 do CTN:
Art. 110. A lei tributária não pode alterar a
definição, o conteúdo e o alcance de institutos,
conceitos e formas de direito privado, utilizados,
expressa ou implicitamente, pela Constituição
Federal, pelas Constituições dos Estados, ou
pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos
Municípios, para definir ou limitar competência.
Natureza Jurídica do
ISS
:O imposto sobre serviços de qualquer
natureza (ISS) é um tributo brasileiro de
competência municipal e do Distrito
Federal, que incide sobre prestação de
serviços por empresa ou profissional
autônomo, com ou sem
estabelecimento fixo, regido pela Lei
Complementar nº 116, de 31 de julho de
Natureza Jurídica do
ISS
:O imposto sobre serviços de qualquer
natureza (ISS) é um tributo brasileiro de
competência municipal e do Distrito
Federal, que incide sobre prestação de
serviços por empresa ou profissional
autônomo, com ou sem
estabelecimento fixo, regido pela Lei
Complementar nº 116, de 31 de julho de
Art. 1 O Imposto Sobre Serviços de
Qualquer Natureza, de
competência dos Municípios e do
Distrito Federal, tem como fato
gerador a prestação de serviços
LEI COMPLEMENTAR constantes da lista anexa, ainda
116 DE 31 DE JULHO, que esses não se constituam como
DE 2003 atividade preponderante do
prestador.
§ 1o O imposto incide também
sobre o serviço proveniente do
exterior do País ou cuja prestação
se tenha iniciado no exterior do
§ 2o Ressalvadas as exceções expressas
na lista anexa, os serviços nela
mencionados não ficam sujeitos ao
Imposto Sobre Operações Relativas à
Circulação de Mercadorias e Prestações
de Serviços de Transporte Interestadual e
Intermunicipal e de Comunicação – ICMS,
ainda que sua prestação envolva
LEI COMPLEMENTAR fornecimento de mercadorias.
116 DE 31 DE JULHO, § 3 O imposto de que trata esta Lei
DE 2003 Complementar incide ainda sobre os
serviços prestados mediante a utilização de
bens e serviços públicos explorados
economicamente mediante autorização,
permissão ou concessão, com o pagamento
de tarifa, preço ou pedágio pelo usuário
final do serviço.
§ 4 A incidência do imposto não depende
Art. 2 O imposto não incide sobre:
I – as exportações de serviços para o
exterior do País;
II – a prestação de serviços em relação de
emprego, dos trabalhadores avulsos, dos
diretores e membros de conselho
consultivo ou de conselho fiscal de
LEI COMPLEMENTAR sociedades e fundações, bem como dos
116 DE 31 DE JULHO, sócios-gerentes e dos gerentes-
DE 2003 delegados;
III – o valor intermediado no mercado de
títulos e valores mobiliários, o valor dos
depósitos bancários, o principal, juros e
acréscimos moratórios relativos a
operações de crédito realizadas por
instituições financeiras.
Parágrafo único. Não se
enquadram no disposto no inciso I
LEI COMPLEMENTAR os serviços desenvolvidos no
116 DE 31 DE JULHO, Brasil, cujo resultado aqui se
DE 2003 verifique, ainda que o pagamento
seja feito por residente no
exterior.
SUJEITO ATIVO
Competência para cobrança do ISS na LC nº
116/2003
O Código Tributário Nacional dispõe
que o sujeito ativo da obrigação é a
pessoa jurídica de direito público
titular da competência para exigir o
seu cumprimento.
O sujeito ativo para a cobrança do ISS
é, conforme mencionado acima, o
município no qual ocorre a prestação
do serviço. Já o sujeito passivo, ou
seja, o contribuinte do ISS, é o
prestador de serviços.
COMPETÊNCIA
A regra geral é que o ISS é
devido no município onde está
TRIBUTÁRIA localizado o prestador de
serviços (onde a empresa ou
pessoa que presta o serviço está
localizada).
Art. 147. Competem à União, em
Território Federal, os impostos
estaduais e, se o Território não
for dividido em Municípios,
cumulativamente, os impostos
municipais; ao Distrito Federal
cabem os impostos municipais
Contribuinte
prestador de serviço: Quem deve
pagar ISS?
O ISS deve ser pago por pessoas ou
empresas que prestam serviços a
terceiros. Isso significa que o
prestador de serviços é o contribuinte
principal do ISS, e é ele quem deve
efetuar o pagamento desse imposto
às autoridades municipais.
SUB STIT U IÇ ÃO
TRIB U TÁR IA
É importante ressaltar que o regime de substituição tributária está
previsto na Constituição Federal de 1988, Art. 150 § 7º, que determina que
a lei poderá conferir a sujeito passivo de obrigação tributária a condição
de responsável/contribuinte substituto pelo pagamento de imposto, cujo
fato gerador ainda irá ocorrer.
"Consoante o art. 128 do CTN, a lei poderá atribuir a terceiro que esteja
vinculado ao fato gerador a responsabilidade pelo crédito tributário,
excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindo-a em caráter
supletivo. A redação desse dispositivo é a seguinte:
SUBS TITUIÇÃO
TRIBUTÁRIA
Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo
expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada
ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do
contribuinte ou atribuindo-a a este em caráter supletivo do cumprimento total
ou parcial da referida obrigação.
Trata-se de regra que institui a substituição tributária, segundo a qual a lei
“coloca no lugar” do contribuinte do tributo o substituto, a quem incumbirá o
dever de pagá-lo. Ambos (substituído e substituto) devem manter uma conexão
com a materialidade prevista na regra-matriz de incidência tributária, sendo o
substituído o sujeito que mantém a relação jurídica com o ente tributante por ter
praticado o “fato gerador” do tributo e o substituto uma relação indireta com o
Ensina Regina Helena Ou consoante as
Costa que: lições de Ricardo
Lobo Torres:
A responsabilidade por substituição
ocorre quando a obrigação tributária O substituto se estrema dos
já nasce, por determinação legal, demais responsáveis porque
diretamente na pessoa do terceiro,
fica no lugar do
que toma o lugar daquele que
contribuinte, enquanto o
protagonizou a situação fática descrita
na hipótese de incidência tributária. responsável fica junto,
responsabilidade supletiva do mantendo-se a
contribuinte." (Araujo, 2017) responsabilidade supletiva
do contribuinte." (Araujo,
ISS
O conceito de ISS retido na fonte é a
RETIDO NA FONTE
transferência da responsabilidade
pelo pagamento do Imposto Sobre
Serviços (ISS) do prestador do serviço
para o tomador do serviço (quem
contrata o serviço).
Em vez de o prestador calcular o
imposto sobre o valor do serviço e
repassá-lo ao município, o tomador do
serviço é quem faz esse cálculo e o
retém do pagamento ao prestador,
repassando o valor diretamente ao
município.
ISS
RETIDO NA FONTE
Em alguns casos, quando o serviço é
prestado em município diferente do
prestador, o ISS pode ser retido na fonte.
Isso significa que o imposto, que
normalmente seria pago pelo prestador
do serviço, é pago pelo contratante
(tomador do serviço). O contratante
desconta o valor do imposto do
pagamento ao prestador do serviço.
ISS
RETIDO NA FONTE
A Lei Complementar 116 de 2003 define as
regras para a retenção, mas a decisão de
reter ou não o imposto depende da lei de cada
município.
É importante consultar a lei municipal onde o
serviço é prestado antes de emitir a nota fiscal
e destacar a retenção.
O fato gerador é o acontecimento
previsto em lei que dá origem à
obrigação tributária. Em outras
palavras, é o evento que, ao se
BREVE CONCEITO DE FATO concretizar, faz surgir o dever de
GERADOR pagar um tributo. Cada tributo
possui seu próprio fato gerador,
como a aquisição de renda no caso
do imposto de renda, ou a
transmissão de bens imóveis no caso
do ITBI. A definição legal do fato
gerador é essencial para garantir
segurança jurídica e delimitar com
precisão quando e como a obrigação
O QUE CONFIGURA O FATO GERAD
DO ISS
O Imposto Sobre Serviços de
Qualquer Natureza (ISS) é um tributo de
competência municipal, regulamentado
nacionalmente pela Lei Complementar nº
116/2003. Seu fato gerador ocorre no
momento em que um serviço é prestado —
independentemente da denominação
utilizada, da forma de remuneração ou da
existência de atividade preponderante —
desde que o serviço conste na lista anexa à
O QUE CONFIGURA O FATO GERAD
DO ISS
O artigo 1º da LC nº 116/2003 dispõe que o
imposto incide sobre serviços prestados por
empresas ou profissionais autônomos, com
ou sem estabelecimento fixo. Diferente de
outros tributos que incidem sobre bens ou
rendas, o ISS se refere estritamente à
prestação de serviços de natureza não
mercantil e não abrangidos pelo ICMS
(como fornecimento de mercadorias).
O QUE CONFIGURA O FATO GERAD
DO ISS
A lista de serviços anexa à LC 116/03 é considerada
taxativa em relação aos gêneros, mas admite
interpretação extensiva quanto às espécies e
modalidades de serviços. Conforme demonstrado
abaixo:
oAnálise e desenvolvimento de sistemas;
oLicenciamento ou cessão de direito de uso de
software;
oServiços de engenharia, arquitetura, geologia,
urbanismo e congêneres;
oServiços prestados por médicos, dentistas,
psicólogos e profissionais da saúde;
oServiços de educação, ensino, instrução,
O QUE CONFIGURA O FATO GERAD
DO ISS
oElaboração de programas de computadores, inclusive
jogos eletrônicos;
oVigilância, segurança ou monitoramento de bens,
pessoas e semoventes;
oOrganização de festas, recepções, eventos e
congressos;
oServiços de limpeza, conservação e zeladoria;
oAgenciamento, corretagem ou intermediação de
bens móveis e imóveis;
oCabeleireiros, barbeiros, esteticistas, manicures,
pedicures e congêneres;
oServiços de registros públicos, cartorários e notariais
(exceto os oficiais);
oServiços de transporte coletivo de natureza
O QUE CONFIGURA O FATO GERADO
DO ISS
Essa tabela não esgota todas as hipóteses
previstas na lei, mas representa parte expressiva
da diversidade de serviços passíveis de
tributação pelo ISS. A prestação de qualquer um
desses serviços, ainda que por meio digital ou
remoto, configura o fato gerador do imposto,
desde que haja contraprestação econômica.
Além disso, vale lembrar que a alíquota do ISS
varia conforme a legislação municipal, respeitado
o piso de 2% (imposto pela LC nº 157/2016) e o
teto de 5%.
OBSERVAÇÕES SOBRE Hipóteses de não incidência
NÃO INCIDÊNCIA EM
CERTAS SITUAÇÕES Exportação de serviços para o exterior do
país
Apesar de o ISS incidir sobre uma Serviços prestados no âmbito de relação
de emprego ou por servidores públicos
ampla gama de serviços, a própria Lei
Complementar nº 116/2003 prevê Serviços prestados por sociedades
uniprofissionais
situações em que não haverá
incidência do imposto. A não Atividades não incluídas na lista da LC nº
116/2003
incidência pode decorrer de expressa
previsão legal, da natureza da Locação de bens móveis
Serviços sujeitos ao ICMS
atividade, ou de entendimento
consolidado pelos tribunais
Em
prática!
Antes de iniciar suas atividades, ainda na fase de regularização
Responda fiscal, você é chamado(a) para emitir parecer sobre qual imposto
incidirá naquela operação.
QUESTÃO Diante desse cenário, incidirá
Alternativas
OAB
A
o Imposto sobre Serviços (ISS), uma vez que a atividade da sociedade
empresária é realizada por encomenda do proprietário do automóvel,
dono dos pneus.
B
o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), uma vez
A sociedade empresária ABC Ltda. foi que, na operação descrita, os pneus são considerados mercadorias.
criada em janeiro de 2020 e estabelecida C
no município Alfa. É especializada em o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), uma vez que, na
operação descrita, há um processo de industrialização na
recauchutagem de pneus, atividade na
recauchutagem dos pneus, na espécie transformação.
qual o cliente entrega os pneus do seu D
automóvel ao estabelecimento para que o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), uma vez
esses passem por um complexo processo que, nessa operação, os pneus são considerados mercadorias,
de recuperação da borracha e de sua acrescido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), uma vez
forma (raspagem, colagem, vulcanização que há um processo de industrialização na operação.
etc.), transformando o pneu velho e
desgastado em um pneu novo para uso do
respectivo cliente em seu automóvel.
Obrigado
pela atenção!