Faculdade de Ciências e Tecnologia
Departamento de Engenharia Civil
• Concordância em planta (Grau da Curva, Deflexão, Tangentes exteriores, Raio da
Curva, Cálculo do Desenvolvimento)
Docente: Msc.Engº. Eulávio Bernardo
Beira
2025
Estrutura da Apresentação
1. Elementos Pré-textuais
2. Desenvolvimento
3. Conclusão
4. Recomendações
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Introdução
• A concordância em planta é um dos elementos mais importantes no
projeto geométrico de ferrovias, pois garante a transição adequada entre
trechos retos e curvas, proporcionando segurança, conforto e eficiência
operacional. A geometria das curvas ferroviárias deve ser
cuidadosamente planejada para minimizar desgastes, evitar
descarrilamentos e garantir um tráfego seguro. Este trabalho aborda os
principais parâmetros utilizados na definição da concordância em planta:
grau da curva, ângulo de deflexão, tangentes exteriores, raio da curva e o
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cálculo do desenvolvimento da curva.
Objectivo Geral
• Analisar os elementos geométricos envolvidos na concordância em planta de
ferrovias e sua importância no traçado ferroviário eficiente e seguro.
Objectivos Específicos
• Compreender o conceito de grau da curva e sua aplicação no traçado
ferroviário;
• Identificar a importância do ângulo de deflexão na definição das curvas;
• Explicar a função das tangentes exteriores no alinhamento de curvas;
• Calcular o raio da curva a partir dos parâmetros geométricos disponíveis;
• Determinar o desenvolvimento da curva utilizando fórmulas adequadas.
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Concordância em Planta
A concordância em planta refere-se à transição geométrica entre os trechos retos (tangentes) e
os curvos no traçado horizontal de uma ferrovia. Esse processo é essencial para garantir um
alinhamento suave da via, permitindo que os trens mudem de direção de forma segura e
confortável.
Segundo Bittencourt (1990), “a concordância em planta é um dos aspectos fundamentais do
projeto geométrico ferroviário, pois interfere diretamente na segurança, na estabilidade e na
durabilidade da via”. Um traçado mal planejado, com transições bruscas, pode resultar em
esforços excessivos sobre os trilhos e sobre os trens, comprometendo o desempenho da
operação ferroviária.
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Concordância em Planta
As ferrovias têm exigências mais severas quanto às características das curvas que as rodovias. A
questão da aderência nas rampas, a solidariedade rodas-eixo e o paralelismo dos eixos de mesmo
truque impõem a necessidade de raios mínimos maiores que os das rodovias.
Como visto em traçado em planta para rodovias (PTR – 403), temos:
PC: ponto de curva
PI: ponto de intersecção
PT: ponto de tangente
AC: ângulo central
Î: ângulo de deflexão AC = Î
PC – PI e PI – PT: tangentes externas PC – PI = PI – PT
Figura 1.1 – Concordância em curvas
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Grau de Curva
Segundo Bittencourt (1990), “o grau de curva é uma forma de expressar a curvatura de uma
ferrovia em função do raio, sendo especialmente útil para simplificar os cálculos no
dimensionamento das curvas circulares simples”
Para facilitar a locação, Prof. Dr. Telmo Giolito, Porto PTR 2501- FERROVIAS (2004) define Grau de
Curva G como o ângulo central correspondente a uma corda de 20 m (Figura 1.2).
G 10 10
sen → G 2 arcsen
R para R dado em metros
2 R
Figura 1.2 – Grau de curva
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Classificação do Grau da Curva
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Importância do Grau de Curva
Segurança: Curvas muito fechadas (grau elevado) aumentam o risco de descarrilamentos,
especialmente em alta velocidade.
Velocidade: Curvas com graus mais baixos (mais suaves) permitem velocidades maiores.
Conforto: Um traçado com curvas de menor grau proporciona maior conforto aos passageiros.
• Desgaste: Curvas fechadas aumentam o desgaste das rodas e trilhos, exigindo mais manutenção.
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Deflexão
O ângulo de deflexão representa a mudança de direção entre dois segmentos
retos da ferrovia. É um parâmetro indispensável no traçado da curva, pois
permite localizar o ponto de interseção das tangentes e calcular o restante dos
elementos geométricos.
De acordo com Silva (2011), “a deflexão é usada para determinar os pontos
de início e término da curva e influencia diretamente o comprimento da
tangente e o raio necessário para a concordância”.
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Deflexão α
d
A B
Deflexão do ponto B em relação ao ponto A (Figura 1.3):
α
: R
d
• , sendo α o ângulo central correspondente a uma corda AB
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•Se a corda AB vale 20 m (distância usual entre estacas para locação), o
ângulo central é o Grau da Curva (dependente do raio). Assim, temos:
Figura 1. 3: Deflexão (Prof. Dr. Telmo Giolito,
G Porto PTR 2501- FERROVIAS, 2004).
d
2
•E a deflexão por metro:
G 1 G
dm
2 20 40
•Para uma curva com um número inteiro n de graus de curva G, a deflexão
G
total vale: dt n
2
G
Caso contrário, dt dm l1 n dm l 2
2
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onde l1 e l2 são os comprimentos das estacas fracionárias nos extremos da curva
Tangentes exteriores
As tangentes exteriores são trechos rectos que precedem e sucedem a curva, conectando-a à linha
tangente anterior ou posterior. Seu comprimento depende do raio da curva e do ângulo de deflexão:
Pi Pt Pc Pi te R tgAC
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Raio da Curva
O raio da curva é o principal parâmetro que determina a geometria da curva
circular. Ele deve ser grande o suficiente para permitir velocidades compatíveis
com a operação, sem comprometer a segurança dos passageiros e a integridade da
via.
“Raio pequeno implica maior atrito lateral, desgaste das rodas e trilhos, exigindo
maiores investimentos em manutenção” (Mendes, 2008).
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Raio da Curva
O raio pode ser calculado em função da corda e da flecha da curva (Figura 1.4).
2
C C 2 4 f 2
R R f R
2 2
2 8 f
Figura 1. 4: Raio da Curva (Prof. Dr. Telmo Giolito, Porto PTR
2501- FERROVIAS, 2004).
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Cálculo do desenvolvimento
Segundo Bittencourt (1990), “o desenvolvimento da curva representa o comprimento efetivo da via sobre o arco
circular, sendo um parâmetro indispensável para o traçado e para o controle geométrico da ferrovia”.
O comprimento da curva, também chamado de desenvolvimento, é calculado por:
3600 2 r
AC D
R
D 0
AC
180
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Cálculo do desenvolvimento
O cálculo correto do desenvolvimento da curva permite:
Estimar a extensão da via em trechos curvos;
Localizar pontos de início e fim da curva (PC e PT);
Definir posicao dos de elementos de infraestrutura ferroviária (drenagem, superestrutura ,
superelevação, sinalização, etc.)
Facilitar o controle de quilometragem.
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Raio Mínimo
O raio mínimo para uma via férrea é estabelecido por normas e deve permitir a inscrição da base
rígida dos truques dos carros e locomotivas, além de limitar o escorregamento entre roda e trilho.
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Conclusão
• A concordância em planta é um elemento fundamental no
projeto de ferrovias, pois assegura uma transição eficiente
entre trechos rectos e curvas, promovendo segurança e
operacionalidade. O conhecimento dos parâmetros como grau
da curva, deflexão, tangentes e raio permite ao engenheiro
projetar um traçado mais adequado às condições topográficas
e operacionais.
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Recomendações
• Utilizar softwares de topografia e CAD para precisão nos
traçados;
• Adotar raios mínimos compatíveis com a categoria da ferrovia
e tipos de veículos;
• Realizar capacitações contínuas para engenheiros envolvidos
em projetos ferroviários;
• Respeitar os limites de velocidade e superelevação em curvas
acentuadas.
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Referências Bibliográficas
• Prof. Dr. Telmo Giolito, Porto PTR 2501- FERROVIAS (2004).
• ABNT. (2017). NBR 16362: Projeto geométrico de vias férreas. Rio de Janeiro: Associação
Brasileira de Normas Técnicas.
• AREMA. (2015). Manual for Railway Engineering. American Railway Engineering and
Maintenance-of-Way Association.
• BITTENCOURT, S. (1990). Vias Férreas. São Paulo: Edgard Blücher.
• LIMA, H. S. (2002). Engenharia Ferroviária: Projeto e Construção. Rio de Janeiro: LTC.
• MENDES, A. M. (2008). Infraestrutura de Transportes. Florianópolis: UFSC.
• SILVA, R. A. (2011). Geometria de Vias Férreas. Belo Horizonte: UFMG.
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OBRIGADO PELA
ATENÇÃO
DISPENSADA!
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