INSTITUTO POLITECNICO BOA
ESPERANÇA DE NACALA
CURSO: Técnico de Medicina Geral
Disciplina: Semiologia
Tema: Malária
ELEMENTOS DO GRUPO
Felizarda Fernando Luís
Amina Maulane
Grimaude Carlitos Manuel
Definição
A malária é uma doença infeciosa febril aguda causada por parasitas do gênero
Plasmodium. É transmitida aos humanos pela picada de mosquitos fêmeas
infectados do gênero Anopheles.
Causas
A malária é causada por protozoários parasitas do gênero Plasmodium.
Existem cinco espécies principais que infectam humanos:
• Plasmodium falciparum (a mais perigosa e prevalente em muitas
áreas)
• Plasmodium vivax
• Plasmodium ovale
• Plasmodium malariae
• Plasmodium knowlesi (encontrada em macacos e humanos no
Sudeste Asiático)
Fatores de Risco
Residir ou viajar para áreas endêmicas: Regiões com alta transmissão
de malária, como muitas partes da África Subsaariana, Sudeste
Asiático e América do Sul.
• Picadas de mosquito: A principal via de transmissão.
• Falta de medidas de proteção contra mosquitos: Não usar
repelentes, mosquiteiros ou roupas adequadas.
• Gravidez: Mulheres grávidas têm maior risco de desenvolver
malária grave e suas complicações.
• Crianças pequenas: São mais suscetíveis a desenvolver malária
grave.
• Imunidade comprometida: Pessoas com HIV/AIDS ou outras
condições que enfraquecem o sistema imunológico.
Continuação
• Transfusão de sangue: Raramente, a malária pode ser transmitida por
transfusão de sangue contaminado.
• Uso de drogas intravenosas: Compartilhamento de agulhas pode,
teoricamente, transmitir a doença se houver contaminação sanguínea.
Fisiopatologia
O ciclo de vida do parasita Plasmodium envolve duas fases: no mosquito Anopheles
(hospedeiro definitivo) e no hospedeiro vertebrado (humano, hospedeiro
intermediário).
• Infecção: Um mosquito Anopheles infectado pica um humano, injetando
esporozoítos na corrente sanguínea.
• Fase Hepática (Pré-eritrocítica): Os esporozoítos viajam para o fígado, onde
infectam as células hepáticas (hepatócitos) e se multiplicam assexuadamente,
formando merozoítos. Essa fase é assintomática.
• Fase Eritrocítica: Os merozoítos são liberados do fígado para a corrente sanguínea
e infectam os glóbulos vermelhos (eritrócitos). Dentro dos eritrócitos, os
merozoítos se multiplicam novamente, causando a lise (ruptura) das células
vermelhas e liberando mais merozoítos para infectar outras células. Essa ruptura
dos glóbulos vermelhos coincide com os picos de febre e outros sintomas da
malária.
Formação de Gametócitos: Alguns merozoítos se desenvolvem em formas sexuadas do
parasita, os gametócitos (masculinos e femininos).
Continuação
• Ciclo no Mosquito: Quando um mosquito Anopheles não
infectado pica um humano infectado, ele ingere os
gametócitos. No intestino do mosquito, os gametócitos se
fundem, formando um zigoto que se desenvolve em oocisto
nas paredes do intestino. Os oocistos liberam esporozoítos que
migram para as glândulas salivares do mosquito, tornando-o
capaz de transmitir a malária para outro humano. A patologia
da malária resulta principalmente da destruição dos glóbulos
vermelhos, da resposta inflamatória do organismo e da
obstrução dos vasos sanguíneos por glóbulos vermelhos
parasitados, especialmente no caso de Plasmodium falciparum.
Quadro Clínico
Os sintomas da malária geralmente aparecem de 10 a 30 dias
após a picada do mosquito infectado. Os sintomas clássicos
incluem:
• Febre: Que pode ser intermitente (com picos e períodos sem
febre).
• Calafrios: Tremores intensos.
• Sudorese: Suor abundante, geralmente após o pico da febre.
• Dor de cabeça (cefaleia) Dores musculares (mialgia)
• Mal-estar geral
• Náuseas e vômitos
• Diarreia
Continuação
Em casos graves, especialmente com Plasmodium falciparum,
podem ocorrer:
• Anemia grave: Devido à destruição dos glóbulos vermelhos.
• Icterícia: Coloração amarelada da pele e mucosas devido à
lesão hepática e hemólise.
• Malária cerebral: Comprometimento neurológico, incluindo
convulsões, coma e alterações de comportamento.
• Insuficiência renal aguda
• Edema pulmonar
• Hipoglicemia
Complicações
• As complicações da malária podem ser graves e fatais, especialmente em
crianças pequenas, mulheres grávidas e pessoas com baixa imunidade. As
principais complicações incluem:
• Malária cerebral: A forma mais grave, com alta taxa de mortalidade.
• Anemia grave: Pode levar à insuficiência cardíaca.
• Insuficiência renal aguda: Necessitando de diálise.
• Edema pulmonar: Acúmulo de líquido nos pulmões, dificultando a
respiração.
• Hipoglicemia: Níveis baixos de açúcar no sangue, especialmente em
crianças e mulheres grávidas.
• Acidose metabólica: Acúmulo de ácido no organismo.
• Hemorragias: Em casos raros.
• Malária na gravidez: Pode causar aborto espontâneo, parto prematuro,
baixo peso ao nascer e morte materna.
Meios Auxiliares de Diagnóstico
Exame Microscópico da Gota Espessa e Esfregaço Sanguíneo: É o
método padrão ouro para o diagnóstico da malária. Permite identificar
a presença e a espécie do parasita no sangue.
• Testes de Diagnóstico Rápido (TDR): Detectam antígenos específicos
do Plasmodium no sangue. São úteis em áreas onde a microscopia
não está prontamente disponível.
• Testes Moleculares (PCR): São mais sensíveis e específicos para
identificar o parasita e podem ser úteis em casos de baixa
parasitemia ou para identificar espécies mistas de Plasmodium.
• Exames Laboratoriais Adicionais: Hemograma completo (para
avaliar anemia e plaquetas), testes de função hepática e renal,
eletrólitos e glicemia podem ser realizados para avaliar a gravidade
da doença e identificar complicações.
Tratamento
O tratamento da malária depende da espécie do Plasmodium infectante, da
gravidade da doença, da idade do paciente e da presença de comorbidades,
bem como do padrão de resistência aos medicamentos na região onde a
infecção foi adquirida. Os principais grupos de medicamentos antimaláricos
incluem:
• Derivados da artemisinina (ACTs): Artemeter-lumefantrina, artesunato-
amodiaquina, artesunato-mefloquina, artesunato-sulfadoxina-
pirimetamina. São a primeira linha de tratamento para malária não
complicada por Plasmodium falciparum na maioria das áreas.
• Cloroquina: Ainda utilizada em áreas onde o Plasmodium é sensível a ela
(raro para P. falciparum).
• Primaquina: Usada para o tratamento radical da malária por P. vivax e P.
ovale (eliminação das formas hepáticas hipnozoítas) e como gametocida
para P. falciparum.
Prevenção
A prevenção da malária envolve medidas para evitar a picada de mosquitos e
o uso de medicamentos profiláticos em áreas de alta transmissão. As
principais estratégias de prevenção incluem:
• Usar repelentes de mosquitos contendo DEET, IR3535 ou icaridina na pele
exposta. Vestir roupas de manga comprida e calças, preferencialmente de
cores claras. Usar mosquiteiros impregnados com inseticida (piretroide)
sobre as camas, especialmente à noite.
• Evitar atividades ao ar livre durante os horários de maior atividade dos
mosquitos (crepúsculo e amanhecer).
Continuação
Eliminar locais de reprodução de mosquitos, como água parada em pneus,
vasos de plantas e outros recipientes.
• Pulverização intradomiciliar com inseticidas de ação residual.
• Larvicidas em corpos d'água onde as larvas de mosquito se desenvolvem.
• Quimioprofilaxia (Prevenção com Medicamentos): Tomar medicamentos
antimaláricos antes, durante e após a viagem para áreas endêmicas.
Alimentos Aconselhados para a Doença
• Durante a infecção por malária, é importante manter uma dieta nutritiva e bem
hidratada para apoiar o sistema imunológico e ajudar na recuperação. Não existem
alimentos específicos que curem a malária, mas alguns podem ajudar a aliviar os
sintomas e fornecer os nutrientes necessários:
• Hidratação: Beber bastante água, sucos naturais, caldos e sopas para evitar a
desidratação causada pela febre, vômitos e diarreia.
• Alimentos de fácil digestão: Optar por alimentos leves e de fácil digestão, como arroz,
torradas, bananas, purê de batata e sopas.
• Fontes de energia: Consumir alimentos ricos em carboidratos complexos para fornecer
energia, como cereais integrais e batata-doce.
• Proteínas magras: Incluir fontes de proteína magra, como frango sem pele, peixe,
leguminosas e ovos, para ajudar na reparação dos tecidos.
• Frutas e vegetais: Consumir uma variedade de frutas e vegetais para obter vitaminas,
minerais e antioxidantes que fortalecem o sistema imunológico. Frutas ricas em
vitamina C, como laranja, limão e acerola, podem ser benéficas.
• Alimentos ricos em ferro: Se houver anemia, incluir alimentos ricos em ferro, como
carne vermelha magra, fígado, feijão e vegetais de folhas verdes escuras. A absorção
de ferro pode ser aumentada com o consumo de alimentos ricos em vitamina C.