DIREITO
PROCESSUAL
CIVIL –
CONTESTAÇÃO
PROF. LORENA VALE
Público
CONTESTAÇÃO
● A contestação pode e deve ser compreendida como a
contraposição formal ao direito de ação tal qual exercido
pelo autor e materializado na petição inicial. A
contestação, neste sentido, contrapõe-se à petição
inicial.
● Ela se justifica, portanto, não só em função dos
princípios da “ampla defesa” e do “contraditório”, mas
também pelo próprio princípio da “isonomia” e do
“acesso à justiça”.
Público
●Ela é regida, por isto mesmo, pelos
princípios da “concentração da defesa”,
da “eventualidade” e da “impugnação
especificada”, no que são claros os arts.
336, 337 e 341
Público
PRINCÍPIO DA CONCENTRAÇÃO DA
DEFESA
● Significa que o réu deve alegar toda a matéria de
defesa, seja ela de cunho processual ou
substancial (art. 337), na contestação (art. 336).
● Trata-se de inequívoca decorrência do princípio
constitucional da ampla defesa, que, associado ao
princípio constitucional da eficiência processual,
otimiza as defesas a serem apresentadas pelo réu.
Público
●O art. 342 robustece-o ao vedar alegações
novas pelo réu depois da contestação salvo
quando disserem respeito a direito ou a fato
superveniente, quando for cabível a atuação
oficiosa do magistrado a seu respeito e
quando puderem ser formuladas a qualquer
tempo e grau de jurisdição por expressa
autorização legal
Público
PRINCÍPIO DA EVENTUALIDADE
●O princípio da eventualidade significa a
possibilidade (e a recomendação) de o
réu arguir toda a defesa possível caso
uma ou alguma delas seja rejeitada pelo
magistrado. Concentra-se a defesa na
eventualidade de alguma alegação não
vir a ser acolhida pelo Estado-juiz.
Público
PRINCÍPIO DA IMPUGNAÇÃO
ESPECIFICADA
● Se relaciona às defesas de mérito, exige do réu
que se manifeste de maneira precisa sobre
cada um dos fatos alegados pelo autor. Fato
não controvertido, friso, é fato passível de ser
reputado verdadeiro (arts. 341, caput, e 374, III)
e, como tal, passível de ser acolhido pelo
magistrado
Público
PRAZO
● O prazo para o réu contestar é de quinze dias
● A primeira é a fluência do prazo após a realização da
audiência de conciliação ou de mediação à qual as partes
ou, pelo menos uma delas, não comparecem ou na qual
não houve autocomposição. Neste caso, os quinze dias
fluirão da data da audiência (art. 335, I). Havendo mais de
uma sessão destinada à conciliação (ou, a despeito do
silêncio do inciso, também à mediação), o prazo tem início
com o encerramento da última
Público
Quando o réu manifestar seu desinteresse na
realização daquela audiência, o prazo para contestação
terá início na data do protocolo da petição respectiva
(art. 335, II). Se houver mais de um réu (litisconsórcio
passivo) e todos eles manifestarem desinteresse na
realização da audiência de conciliação ou de mediação
(art. 334, § 6º), o termo inicial para a apresentação da
contestação fluirá para cada um da data de sua
respectiva petição (art. 334, § 1º).
Público
●Não tendo sido designada audiência de
conciliação ou de mediação ou em outras
situações não alcançadas pelas
hipóteses anteriores, o prazo começa
acorrer de acordo com as variantes do
art. 231 (art. 335, III), quais sejam:
Público
● (i)sendo a citação pelo correio, da data da juntada, aos
autos, do respectivo aviso de recebimento
● (ii) sendo a citação realizada por oficial de justiça
(inclusive a por hora certa), da data de juntada, aos autos,
do mandado de citação cumprido;
● (iii) sendo a citação realizada por ato do escrivão ou chefe
de secretaria, da data em que o réu compareceu ao
cartório ou secretaria viabilizando a efetivação da citação
(arts. 152, II, e 246, III);
● (iv) sendo a citação por edital, do dia útil seguinte ao fim
Público
do prazo de sua duração;
● (v)sendo a citação realizada por meios eletrônicos, do
dia útil seguinte à consulta ao seu teor ou ao término do
prazo para que a consulta se dê;
● (vi) sendo a citação realizada por carta (de ordem,
precatória ou rogatória) da data da juntada da
comunicação (eletrônica), aos autos do processo em que
a carta foi expedida, de seu cumprimento pelo juízo que
a cumpriu ou, não havendo, da juntada, aos autos de
origem, da carta cumprida.
Público
● O CPC de 2015, preservando no
particular o CPC de 1973, separa a
matéria arguível na contestação pelo réu
em dois grupos: as defesas relativas ao
plano do processo (e ao exercício da
ação) e as defesas relativas ao direito
material pleiteado pelo autor.
Público
PRELIMINARES
● O primeiro grupo compreende o que a prática do
foro conhece como “preliminares” e que devem,
pela sua própria razão de ser, já que dizem
respeito à higidez do processo e ao escorreito
exercício do direito de ação, ser arguidas antes
das defesas relativas ao mérito. Se acolhidas, elas
conduzem, por isto mesmo, o processo à sua
extinção sem resolução de mérito (art. 485,I, IV a
VII e IX)
Público
●De acordo com o art. 337, são as
seguintes as questões a serem arguidas
preliminarmente na contestação:
Público
Inexistência ou nulidade da citação
● Quando o réu não é citado (inexistência de citação)
ou é citado de forma irregular (nulidade da citação)
cabe a ele arguir a questão em preliminar de
contestação.
● E muito provavelmente (embora isto não seja
necessário), ele o fará a destempo, justamente pelo
defeito que recai sobre a citação e sua razão de ser
Público
● O acolhimento desta defesa, portanto, significará
que a contestação do réu, mesmo que
apresentada fora do prazo regular, será tida como
tempestiva, já que o seu comparecimento
espontâneo supre a falta ou a nulidade da citação
(art. 239, § 1º)
● se a arguição for rejeitada, o réu será considerado
revel (art. 239, § 2º, I)
Público
Incompetência absoluta e relativa
● Sendo acolhida a tese da incompetência, os autos
serão enviados ao juízo competente, que decidirá
sobre a subsistência dos atos anteriores, em
qualquer caso (art. 64, § 4º)
Público
Incorreção do valor da causa
● Cabe ao réu, em preliminar de contestação (art.
337, III), alegar que o valor da causa, tal qual
indicado pelo autor em sua petição inicial (art.
319,V), é incorreto. Seja porque ele não
representa, a contento, a expressão econômica
do(s) pedido(s) formulado(s) pelo autor, seja
porque ele se desvia daqueles casos em que o
próprio art. 292 impõe a observância de um valor
certo
Público
● Acolhida a impugnação ao valor da causa feita pelo
réu, será determinada sua correção e o autor será
responsável pelo pagamento de eventual diferença
relativa às custas processuais. Nada impede,
evidentemente, que, com o novo valor, o autor
venha a pleitear os benefícios da justiça gratuita,
mas isto é questão diversa e que não interfere e
não pode interferir na indicação escorreita do valor
da causa
Público
Inépcia da petição inicial
●A inépcia da petição inicial, sobre a qual
versam os §§ 1º e 2º do art. 330 é razão
para conduzir o magistrado ao
indeferimento liminar da inicial, desde
que, como lá escrevi, não seja possível
ou efetivada sua emenda ou sanação
Público
● Pode ocorrer, contudo, o magistrado não ter se
atentado a isto quando da realização do juízo
de admissibilidade da petição inicial. Pode
acontecer também que aos olhos do
magistrado, ao menos naquele momento, a
petição inicial nada apresentava de inepta e por
isto, proferindo juízo de admissibilidade positivo,
acabou por determinar a citação do réu
Público
Perempção
● A perempção é pressuposto processual negativo
que, se presente, inibe a formação e o
desenvolvimento válido do processo.
● É a hipótese de o autor ter formulado o mesmo
pedido, com base na mesma causa de pedir em
face do réu, três vezes anteriores e ter dado ensejo
à extinção do processo sem resolução de mérito por
abandono de causa em cada uma delas.
Público
● O § 3º do art. 486 veda que o autor requeira, ao
Estado-juiz, pela quarta vez, aquela mesma tutela
jurisdicional em face do réu, ainda que resguarde a
ele a possibilidade de alegar seu direito em defesa
Público
Litispendência e coisa julgada
●A litispendência volta-se à identificação
de duas demandas idênticas em curso
concomitantemente.
●A coisa julgada também trata da
identificação de duas demandas idênticas
quando uma já transitou em julgado.
Público
Conexão
●A conexão é fator que modifica a competência
de um juízo para o outro, nos casos
disciplinados pelos arts. 54 e 55. Trata-se,
como se lê do art. 54, da hipótese em que
duas demandas, por terem em comum o
pedido ou a causa de pedir, devem tramitar
perante o mesmo juízo
Público
●O objetivo da regra é evitar o
proferimento de decisões conflitantes e,
até mesmo, incompatíveis entre si o que
é possível (mas absolutamente
indesejável) dada a identidade dos
elementos de ambas as demandas
Público
Incapacidade da parte, defeito de representação ou falta de autorização
● É a hipótese de menor não estar devidamente
representado ou assistido por quem de direito (em
geral a mãe e/ou o pai); não ter sido apresentada
pelo cônjuge a autorização exigida pelo art. 73; a
falta de apresentação de procuração a advogado
(art. 104); a ausência de apresentação dos atos
constitutivos de pessoa jurídica ou, ainda, a
não comprovação da regularidade daquele que
outorgou os poderes, em nome de pessoa jurídica,
para o advogado agir
Público
Convenção de arbitragem
● Convenção de arbitragem é gênero do qual são
espécies a cláusula compromissória (cláusula
inserida em contratos que prevê, entre os
contratantes, a submissão de qualquer ou de um
específico litígio a um “juízo arbitral”, e não a um “juízo
estatal”) e o compromisso arbitral (convenção firmada
entre as partes pela qual submetem um específico
litígio concreto a um “juízo arbitral” e não ao “juízo
estatal”). Do ponto de vista do direito processual civil, é
mais um pressuposto processual negativo
Público
Ausência de legitimidade ou de
interesse processual
●Se o réu alegar – e o fará em preliminar
de contestação – que não é parte
legítima ou que não é o responsável
pelo prejuízo invocado, o magistrado
permitirá ao autor que altere a petição
inicial para “substituição” do réu no
prazo de quinze dias.
Público
Falta de caução ou de outra prestação que a lei exige como preliminar
●Exemplo: não pagamento de honorários
advocatícios de processo extinto sem
resolução do mérito, quando o autor
intente a mesma ação
Público
Defesas de mérito
● A defesa de mérito, seja ela direta ou indireta, busca
tornar controvertidos os fatos narrados pelo autor. Não
basta, contudo, que o réu o faça mediante negativa geral.
● À luz dos deveres que norteiam a atuação dos litigantes e
em nome da otimização da prestação jurisdicional, é
impositivo que a impugnação dos fatos seja feita de
forma ordenada, especificada, para que cada um deles
possa ser devidamente examinado pelo magistrado e
verificado se ele pode ou não ser considerado para a
concessão da tutela jurisdicional ao autor ou ao réu.
Público
● As exceções com relação à presunção destacada
estão nos incisos do art.341:
● (i) quando sobre o fato não impugnado
especificadamente não for admissível a confissão;
● (ii) quando a petição inicial não estiver acompanhada
de documento reputado substancial do ato; e
● (iii) quando as alegações do autor, embora não
impugnadas especificadamente, acabarem se
mostrando controvertidas com a defesa “considerada
em seu conjunto”
Público
Reconvenção
●Trata-se da possibilidade de o réu, no
mesmo processo em que demandado,
demandar o autor, pedindo em face dele
tutela jurisdicional de qualidade diversa
daquela que pretende obter com a
rejeição do pedido do autor.
Público
●O réu, ao contestar, quer afastar a pretensão
do autor; não quer se sujeitar ao pedido do
autor e à tutela jurisdicional pretendida por
ele. Quando reconvém, o réu passa a aspirar
algo que vai além da tutela jurisdicional que
obterá caso a sua defesa seja acolhida com a
rejeição do pedido formulado pelo autor.
Público