“Memorial do
Convento”
Capítulo I
Madalena Garcia Reis, 12 C
Disciplina: Português
Índice
Caracterização das principais
01 Introdução à obra 04 personagens do capítulo I
Breve biografia do Relação da obra com o
02 autor
Obras literárias de José Saramago, 05 conto “George” e “A Pedra
principais características do escritor,
contexto social, etc....
Filosofal”
03 Resumo do Capítulo I
Tempo, espaço e crítica social
06 A importância da leitura da
obra de Saramago
01.Introdução à
obra
• A obra Memorial do Convento é um romance conhecido
internacionalmente, traduzido para mais de vinte línguas e
conta com mais de sessenta edições. Foi publicado pela primeira
vez em 1982.
• José Saramago cruza a História, a ficção e o fantástico,
com personagens inventadas e figuras históricas de
carácter exagerado ou excêntrico como o rei D. João V, sua
consorte a princesa austríaca D. Josefa ou o Padre Bartolomeu
de Gusmão a quem foi atribuída a invenção da passarola.
• A estrutura de um romance assenta na coexistência de vários
conflitos que se enredam e manifestam a realidade e os
problemas do ser humano. Neste livro, observa-se uma
reinvenção da História, de atos e de comportamentos
para despertar os leitores para situações reais.
02. Breve biografia do
autor
• José Saramago, escritor português, nasceu a 16 de
novembro de 1922 e morreu a 18 de junho de 2010.
Publicou o seu primeiro livro, "Terra do pecado", em
1947.
• Além de escritor, foi serralheiro, mecânico e tradutor;
• A obra de José Saramago foi distinguida em diversos
países, com vários prémios, entre os quais o
Prémio Luís de Camões em 1995-“Ensaio sobre a
Cegueira” e o Prémio Nobel da Literatura em 1998.
• As obras literárias de José Saramago são realistas,
apresentam temática social, política e religiosa,
Fig.1 José de Sousa Saramago
elementos do realismo fantástico e a defesa do
protagonismo humano como solução para os
problemas sociais. A principal característica do escritor
é a intertextualidade, principalmente em relação a
autores portugueses clássicos, tal como Camões e
Fernando Pessoa.
"Utilizo o romance como veículo
para a reflexão”.
—José Saramago
03.Resumo do
Capítulo
Tempo
• A ação decorre no início do século XVIII, durante o
reinado de D.João V e da Inquisição. Mais
especificamente no ano de 1711.
Espaço
Físico: Palácio de Lisboa
Social: Espaço social da realeza
Psicológico: Os sonhos do Rei e da Rainha.
Crítica social
• No capítulo I da obra “Memorial do Convento”, Saramago
faz uma crítica à monarquia absolutista e à
desigualdade social.
• O rei D. João V promete construir um convento em Mafra
caso a rainha tenha um filho, usando o poder para
satisfazer um desejo pessoal, sem considerar o sofrimento
do povo.
• Enquanto a nobreza vive no luxo, os mais pobres são
forçados a trabalhar na construção, representando a
exploração e a injustiça social da época. Fig.2 Convento de Mafra
Resumo
• O primeiro capítulo inicia-se com o casamento de D. João V e D. Maria Ana de
Áustria, uma união que reforça as alianças políticas, mas que traz ao rei uma
grande preocupação: a ausência de um herdeiro. Para resolver esta questão,
D. João V promete a Deus que, se tiver um filho, mandará construir um grandioso
convento em Mafra.
• Enquanto a corte celebra em meio ao luxo, o povo vive em condições difíceis,
evidenciando a desigualdade social da época. Neste cenário, começam a ser
introduzidas personagens que terão um papel central na narrativa, tal como
Baltasar Sete-Sóis, um ex-soldado mutilado, e Blimunda Sete-Luas, uma mulher
com dons sobrenaturais. O primeiro capítulo estabelece, assim, o contraste
entre poder e miséria, bem como os elementos históricos e místicos que
marcarão a obra.
Fig.3 D. Maria Ana de Áustria Fig.4 D.João V
1. Anúncio da ida de D. João V ao quarto da rainha:
Após o casamento, D. João V dirige-se ao quarto de D. Maria Ana para cumprir a sua
obrigação de matrimónio, gerando um herdeiro para o trono, o que é anunciado com
grande formalidade, como um evento crucial para o futuro da monarquia.
2. Desejo de D. Maria Ana em satisfazer o desejo do rei de ter um herdeiro
para o reino:
D. Maria Ana deseja cumprir a função que lhe é imposta como rainha: gerar um
herdeiro para o trono. D. Maria sente a pressão de atender às expectativas do rei,
garantindo deste modo a continuidade da dinastia, mas de forma impessoal e distante.
3. Passatempo do rei: nos seus aposentos o rei monta uma miniatura da
basílica de São Pedro de Roma
D. João V, admirador da grandiosidade da Basílica de São Pedro, passa o tempo livre
montando uma miniatura da igreja nos seus aposentos. Este passatempo reflete o
desejo de D. João V de construir algo igualmente grandioso em Portugal,
simbolizado pelo convento de Mafra.
4. D. Nuno da Cunha traz consigo Frei António de São José
D. Nuno da Cunha, um nobre, apresenta Frei António de São José, um franciscano que tem
um papel importante na obra. D. Nuno da Cunha será uma figura chave na construção do
convento em Mafra, reforçando a ligação entre a monarquia e a Igreja.
5. Premonição do franciscano: o rei terá um filho se erguer um convento franciscano em
Mafra
Frei António de São José faz uma premonição ao rei, afirmando que D. João V só terá um
herdeiro se construir um convento franciscano em Mafra. Essa premonição motiva a promessa
do rei e dá início ao projeto monumental de construção.
6. Promessa do rei: mandar construir um convento franciscano em Mafra se a rainha lhe
der um filho no prazo de um ano
D. João V faz uma promessa a Deus: se a rainha lhe der um filho no prazo de um ano, ele
mandará construir um convento franciscano em Mafra. Esta promessa é central na narrativa e
estabelece o objetivo que impulsionará a construção do convento.
7. Preparação do rei e da rainha pelos criados
Antes de consumar o casamento, tanto D. João V como D. Maria Ana são preparados pelos criados. Esta
preparação destaca a formalidade da corte e a falta de proximidade e afeto entre os dois, refletindo o
caráter ritualizado do casamento real.
8. Deslocação do rei ao quarto da rainha e cumprimento do seu “dever”
O rei vai ao quarto da rainha para consumar o casamento e tentar gerar um herdeiro. Este momento é
descrito de forma cómica e desconfortável, evidenciando a distância entre as duas personagens e a
dificuldade de cumprir esse dever real.
9. Divagações cómicas sobre os percevejos
Durante o momento em que o rei vai ao quarto da rainha, há uma digressão cómica sobre percevejos, um
inseto que simboliza pequenas distrações/incomodidades. Esta digressão traz leveza à cena e serve
para suavizar a tensão do momento.
04. Caracterização das
principais personagens do
capítulo I
D. João V
• Monarca absolutista e egocêntrico.
• A sua decisão em construir o convento em Mafra é motivada
apenas pelo desejo de ter um herdeiro, sem considerar o
sofrimento do povo.
• Representa o poder excessivo da monarquia e a desigualdade
social.
D. Maria Ana de Áustria
• Esposa do rei, vive a pressão de engravidar para
garantir a sucessão do trono.
• Função essencialmente reprodutiva, refletindo o
papel subordinado da mulher na sociedade da
época.
O povo
• Povo é o coletivo anónimo que simboliza a
miséria e a exploração. São os trabalhadores
que, sem escolha, terão que erguer o convento,
sacrificando suas vidas para atender ao desejo
real.
• Representam a desigualdade e a opressão
social.
05. Relação da obra com o
conto “George” e “A Pedra
Filosofal”
Relação entre “Memorial do Convento” e “George”
O conto “George”, de Maria Judite de Carvalho, e o romance “Memorial do Convento”, de José
Saramago, apresentam reflexões profundas sobre a passagem do tempo, a transformação da
identidade e a opressão imposta pelo contexto social.
• No conto “George”, acompanhamos a protagonista ao longo da sua vida, desde a juventude,
quando é chamada de Gi, passando pela fase adulta, na qual se torna George, até à velhice,
quando assume o nome Georgina. Esta mudança de nome simboliza a perda da inocência e
das esperanças da juventude, refletindo a forma como a vida e as expectativas sociais moldam
sua identidade.
• No romance “Memorial do Convento”, também vemos personagens cujas vidas são
transformadas pelo tempo e pelas circunstâncias. Blimunda, assim como George, enfrenta uma
sociedade que limita o papel da mulher, mas encontra maneiras de resistir. Já Baltasar, que
perdeu a mão na guerra, também é uma personagem que precisa se adaptar a uma nova
realidade. A construção do convento de Mafra representa um sistema opressor, que impõe
sacrifícios às personagens, assim como George sente o peso da passagem do tempo e das
expectativas que a sociedade coloca sobre ela.
Relação entre “Memorial do Convento” e “George”
• Em suma, ambas as obras exploram o desencanto com a vida e a sensação de impotência
diante das forças que regem o destino. Enquanto George termina resignada, carregando o
fardo do tempo e das frustrações, Blimunda e Baltasar tentam, dentro das suas possibilidades,
lutar por uma liberdade simbólica. Deste modo, os dois textos mostram como a identidade e a
existência humana são moldadas pelo tempo, pelas relações e pelas limitações impostas pela
sociedade.
Relação entre “Memorial do Convento” e “A Pedra Filosofal”
• A obra “Memorial do Convento”, de José Saramago, e “A Pedra Filosofal”, de António Gedeão,
relacionam-se pelo tema do sonho e da busca pelo impossível. No romance “Memorial do
Convento”, Bartolomeu de Gusmão tenta construir a Passarola, simbolizando o desejo humano de
superar limites, apesar da resistência da sociedade. Já no poema de Gedeão, a pedra filosofal
representa a crença na ciência e no progresso, destacando que “sempre que o homem sonha, o
mundo pula e avança”. Ambas as obras mostram que o sonho e o conhecimento são forças que
impulsionam a humanidade, mesmo diante dos desafios impostos pela realidade.
06. A importância da leitura da
obra de Saramago
A importância da leitura da obra “Memorial do
Convento”
• A leitura da obra “Memorial do Convento” permite uma reflexão crítica sobre a história,
a sociedade e a condição humana. Através da narrativa, José Saramago denuncia a
desigualdade social, a opressão do povo pelo poder absolutista e a influência da
Igreja e da monarquia na vida das pessoas.
• Por outro lado, a obra destaca o papel dos sonhos e da resistência, representados por
personagens como Blimunda, Baltasar e Bartolomeu de Gusmão, que desafiam as
imposições do sistema. A construção do convento de Mafra torna-se um símbolo da
exploração humana, enquanto a Passarola representa o desejo de liberdade e
progresso.