Evolução do conceito
No século XIX, List foi o pioneiro ao introduzir o conceito de
investimento intangível, afirmando a situação de um país resulta da
acumulação de todas as descobertas, invenções, melhorias,
aperfeiçoamentos e esforços de todas as gerações antecedentes:
isso forma o capital intelectual da raça humana (Freeman e Soete,
1997).
Foi só na primeira metade do século XX, com o economista
austríaco Schumpeter, que a tecnologia passou a ser analisada mais
detalhadamente, com base nas teorias de desenvolvimento
econômico.
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A inovação é considerada por muitos, (BESSANT; TIDD; PAVITT,
2008; FREEMAN, 2002; SCHUMPETER, 1988; TIDD; BESSANT;
PAVITT, 2005) um fator crucial para o crescimento corporativo e uma
das formas mais eficazes de se manter inserido em um mercado,
sendo uma ferramenta usada para alcançar a tão desejada
vantagem competitiva e o destaque.
Conhecer todas as vertentes possíveis que existem no
processo de inovação é de suma importância para desenvolver
uma pesquisa e implementação, garantindo assim maior sucesso
nos processos.
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Para tanto o trabalho bibliométrico é um aliado nessa etapa, tendo
em vista que apresenta os pesquisadores e autores que se
interessam pela área da inovação e se preocupam em compartilhar
os seus feitos de sucesso ou insucesso.
Schumpeter deu à inovação tecnológica um papel de destaque na
economia do século XX, concentrando sua atenção nos efeitos
positivos das inovações de processo e produto, no desenvolvimento
econômico e analisando o papel da empresa e dos
empreendedores.
CINCO TIPOS DE INOVAÇÃO SEGUNDO
SCHUMPETER
• 1. Introduçãode um novo bem,
com o qual os consumidores
ainda não estejam
familiarizados, ou de uma
nova qualidade de um bem.
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2. Introdução de um novo método
de produção, ou seja, um método
ainda não testado em determinada
área da indústria e que tenha sido
gerado a partir de uma nova
descoberta científica.
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3. Abertura de um novo mercado, no qual
uma área específica da indústria ainda
não tenha penetrado, independentemente
do fato de o mercado já existir ou não.
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• 4. A conquista de uma nova fonte de
matéria-prima ou de bens
parcialmente manufaturados,
independentemente do fato de essa
fonte ou esse bem já existir ou não.
Pode-se citar como exemplo, a
utilização do plástico na confecção de
sandálias.
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5. O aparecimento de uma nova
estrutura de organização em um setor,
como a criação de uma posição de
monopólio ou a quebra de um
monopólio existente.
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Quando Schumpeter refere-se à inovação, ele está, na verdade,
falando de inovações radicais, ou seja, aquelas que produzem um
grande impacto econômico ou mercadológico. O autor deixa em
segundo plano as inovações de ordem incremental, isto é, os
aprimoramentos técnicos de base contínua, que também são
importantes para se entender o processo inovativo.
Perspectivas e fontes de Inovação
• Em Rodrigues (2005) é feita uma análise da teoria da inovação
onde são apresentadas três dimensões de análise que conferem à
inovação um carácter multifacetado:
• a) a dimensão intensidade da inovação, que se relaciona com o
grau de novidade subjacente,
• b) a dimensão tecnológica que se relaciona com o grau de
incidência dos meios tecnológicos no processo inovativo.
• c) a dimensão espaço de intervenção que se encontra relacionada
com a abrangência que os processos de inovação têm na
empresa, cluster ou sector de negócio.
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Se considerarmos este conjunto de dimensões de análise da
inovação (Hertog e Bilderbeek 1999) como factores de influência
para o desenvolvimento de processos inovadores, facilmente se
compreende que a sua combinação pode originar diversas formas
através das quais a inovação se pode desenvolver.
Como suporte a estes processos, é de realçar a importância de um
conjunto de aspectos basilares para o desenvolvimento de uma
cultura de inovação que ultrapasse as fronteiras das actividades
formais de investigação e desenvolvimento, e onde as capacidades
de gestão, questões de mercado e aspectos organizacionais
desempenham um papel decisivo (Simões 1997, 1999):
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• A capacidade de responder à mudança como factor de inovação;
• A gestão do conhecimento como condicionante das possibilidades de
inovação;
• A compreensão do mercado, a tecnologia e a organização da
empresa como factores de inovação;
• A inovação não está no equipamento, está nas pessoas e na
organização;
• O relacionamento com o exterior, assente na base de conhecimento
da empresa, como potenciador da inovação;
• A economia do conhecimento como factor diferenciador na definição
de politicas inovadoras.
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Como já tivemos oportunidade de referir anteriormente, é recorrente
nas várias abordagens e perspectivas para a análise da inovação o
carácter tecnológico e não tecnológico em que esta se pode
manifestar.
Gestão da inovação
A procura sistemática de oportunidades para inovar, associado ao
conhecimento e experiências adquiridos ao longo do tempo, permite
às organizações avaliar as probabilidades de êxito ou os riscos e
fracassos associados, não sendo o suficiente para “…desenvolver
uma teoria da inovação.” (Drucker, 1997, p. 50). No entanto o
mesmo autor afirma que “…Sabemos o suficiente para elaborar,
embora apenas em forma de esboço, a prática da inovação.
Na gestão da inovação deve-se, de forma estratégica, associar a
inovação aos vários domínios da empresa, desde a tecnologia, a
estratégia de negócios, os processos e as diversas áreas funcionais
da empresa.
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Segundo Carneiro (1995, p. 8), a gestão da inovação “…tem três
propósitos estratégicos importantes:
Apoiar e expandir o negócio actual, desenvolver novos negócios e
ampliar as capacidades tecnológicas da empresa.”. Aqueles que
pretendem alcançar o sucesso, a excelência e a vanguarda
tecnológica devem “…gerir a Inovação no seu contexto sistémico e
tecnológico como uma ferramenta tão poderosa que deve ter o papel
de uma função de potencialidades a explorar.” (p. 8). Pelo que o seu
sucesso depende, segundo o mesmo autor, do “…clima estimulante
para o pensamento criativo, de uma integração eficaz de fluxos de
comunicação de ideias e de resultados e do desenvolvimento dos
procedimentos dessa gestão.”
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É necessária, “…uma bem definida atribuição de funções; a clara
divisão/polivalência de tarefas; a coordenação da sua execução.”
(Carneiro, 1995, p. 36), pelo que se deve “…inventar hoje as boas
práticas de amanhã.” (Hamel, 2007, p. 11), por isso “…não pode
haver gestão sem inovação.” (Santos, 2003, p. 283).
A gestão da inovação é um processo de aprendizagem contínua,
não se trata de um conceito novo, no entanto a consciência da sua
incerteza é conhecido desde sempre. Pelo que uma das principais
dificuldades é "...o facto de estarmos a trabalhar com um cenário em
constante mudança.” (Tidd, Bessant, & Pavitt, 2003, p. 21).
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As tendências levam a definir as regras e os modelos de gestão da
inovação, facilitando a implementação da inovação. Nomeadamente “…as
estruturas específicas de tomada de decisão durante a vida de um projecto
de inovação, os preparativos para monitorização e gestão do projecto e os
mecanismos de planeamento e introdução da mudança numa
organização.” (Tidd, Bessant, & Pavitt, 2003, p. 32). Para Hamel (2007) a
prática da gestão exige:
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1. Estabelecer e programar objectivos.
2. Motivar e alinhar o esforço.
3. Coordenar e controlar actividades.
4. Desenvolver e direcionar o talento. Acumular e aplicar o
conhecimento.
5. Reunir e alocar os recursos.
6. Construir e fomentar as relações.
7. Equilibrar e ir ao encontro das exigências dos stakeholders.
A tecnologia como factor de inovação
A tecnologia é um conceito multifacetado que engloba um
conhecimento teórico-prático e um conjunto de capacidades e
artefactos que podem ser usados no desenvolvimento de produtos e
serviços, bem como no desenvolvimento de processos de produção
e distribuição (Burgelman et al. 2004).
O conceito de tecnologia também pode ser descrito através de uma
série de dimensões e de características pelas quais se tem
desenvolvido. Alguns exemplos destas dimensões são:
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a) O nível de generalização de uma tecnologia, que determina a sua
capacidade de abrangência em termos de áreas de aplicação
(Stankiewicz 1990),
b) O grau de explicitação e de articulação associado à tecnologia.
c) O seu grau de modularidade e a forma como se apresenta no
mercado, se constituída apenas por uma tecnologia base ou por um
conjunto de elementos tecnológicos formando uma tecnologia
híbrida. (Osterloff 2003).
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A utilização de tecnologia foi dos factores que mais impacto teve no
desenvolvimento da inovação nas empresas.
Desde Schumpeter (1934), passando pelo modelo linear cujo
desenvolvimento é caracterizado por uma dinâmica technology push
(condicionada pelas necessidades de mercado), a tecnologia
sempre foi e ainda é considerada um factor determinante nos
processos de inovação (Tidd et al. 2001; Hertog 1999) nas
empresas, constituindo um factor decisivo nas decisões estratégicas
tomadas.
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Quando se fala em termos do grau de intensidade da inovação,
muitas das vezes a inovação radical está associada a movimentos
de ruptura tecnológica, nomeadamente aqueles que derivam de
alterações tecnológicas profundas, que implicam não só alterações
relacionadas com equipamentos tecnológicos mas também
alterações noutras áreas da organização (Rycroft e Kash 1999). O
acesso a tecnologia foi sempre um motivo forte para a realização de
acordos de parceria entre empresas e é cada vez mais, dado o grau
de especialização crescente nos sectores, um factor determinante
no fornecimento de bens e serviços inovadores.
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Mas a tecnologia é muito mais do que informação codificada. As
actividades tecnológicas segundo Pavitt (1984), podem ser
analisadas sob uma perspectiva cognitiva, organizacional ou de
forma combinada, ou seja, têm uma vertente de inovação mais
focada na constante melhoria e descoberta de novos processos e
uma vertente mais relacionada com o impacto que esta vai ter na
organização, na forma como se transmite e como se integra no seio
da empresa.
O Impacto dos factores não tecnológicos na
inovação
Ao longo do tempo vários autores têm-se debruçado sobre o estudo de
factores de inovação não tecnológicos que se encontram relacionados
em grande parte com a forma como as organizações gerem os seus
activos, nomeadamente as suas competências e as suas relações com
o exterior (Teece et al. 1997; Möller e Törrönen, 2003).
Estes últimos factores actuam como complementares à integração de
tecnologia no desenvolvimento de processos de inovação. Designados
por activos complementares, estes elementos são fundamentais para a
comercialização de soluções inovadoras (Teece 1986, Osterloff 2003),
pois encontram-se geralmente associados aos processos desenvolvidos
pela empresa, essencialmente durante as fases de concepção e de
promoção dos bens ou serviços.
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Nos contextos de negócios actuais, onde cada vez mais as
empresas estabelecem relações entre si, verifica-se que os
processos de inovação podem não partir necessariamente do seio
da empresa (Von Hippel 1988, 1994; Roy e Sivakumar, 2000). O
papel que as entidades externas tais como os clientes e os
fornecedores têm nos processos internos das empresas, têm vindo a
demonstrar que para a além da empresa em si, também os
fornecedores, os clientes e os próprios concorrentes, bem como o
resultante das interacções estabelecidas entre eles podem ser
importantes factores de inovação organizacional.
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Tendo em consideração todos estes factores tecnológicos e não
tecnológicos apresentados e o papel que cada um deles tem como
potenciador de processos de inovação, cabe a cada organização
conseguir identificar e gerir as formas mais adequadas de acesso a
cada uma destas fontes de inovação, quer de uma forma isolada
quer de forma combinada.
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