Glicídeos
ou carboidratos ou sacarídeos ou
oses ou holosídeos
Carboidrato – refere-se a fórmula mínima
(CH2O)n, que aparenta que seja constituído de
carbono + água.
. (ác. acético) CH3 - COOH = C2H402
. alguns açúcares, como a ramnose (C6H12O5), não
seguem esta fórmula geral.
Sacarídeo – do latim saccharum, que
significa doce.
Glicídeo - vem de glykys = doce.
Nem todo açúcar é doce; do modo semelhante,
existem substâncias muito doces que não são
açúcares como a sacarina e alguns
aminoácidos (glicina). A sacarina e o
dipeptídeo, aspartil-fenilalanina*, são muito
mais doces que a sacarose (200 a 300 vezes).
*radical metil na extremidade C-terminal, gera
o "aspartame“.
SACARINA
Químicamente é uma imida o-
sulfobenzóica, cuja fórmula química é
C7H5O3NS · 2H2O. É uma substância
artificial derivada do petróleo (tolueno
mais ácido cloro-sulfônico). Não é
metabolizada pelo organismo.
Maior parte da matéria orgânica
da Terra, devido a suas múltiplas
funções.
Funções
• Fonte e reserva energética, intermediários
metabólicos (amido, glicogênio, ATP)
• Glicídeos são ligados a muitas proteínas e
lipídeos.
• Função estrutural:
As oses ribose e desoxirribose
formam parte do arcabouço estrutural do
RNA e DNA;
Nos exoesqueletos dos artrópodes
(quitina);
Nas paredes celulares de bactérias e
vegetais (celulose).
conversão da energia luminosa em energia química
água + CO2 + energia luminosa
Os vegetais são auto-suficientes na produção de
carboidratos.
Os animais não são capazes de sintetizar carboidratos a
partir de substratos simples não energéticos, precisando obtê-
los através da alimentação, produzindo CO2 (excretado para a
atmosfera), água e energia (utilizados nas reações
O amido é encontrado nos cereais
(arroz, trigo, milho, aveia...), nas
raízes (batata, inhame...), em
biscoitos, pães, salgadinhos...
A sacarose é encontrada freqüentemente em
frutas, legumes, bebidas, queijos, pães, sucos
enlatados, biscoitos, sorvetes, balas, pirulitos,
chocolates, pastilhas mentoladas e em
medicamentos com consistência de xarope.
Os carboidratos são definidos, quimicamente, como:
poli-hidróxi-cetonas (cetoses) ou poli-hidróxi-aldeídos
(aldoses)
São compostos orgânicos com, pelo menos, três
carbonos onde todos os carbonos possuem uma
hidroxila, com exceção de um, que possui a carbonila
primária (grupamento aldeídico) ou a carbonila
secundária (grupamento cetônico).
carbonila primária
carbonila secundária
Monossacarídeos
• São os glicídeos mais simples.
• São aldeídos ou cetonas com duas ou
mais hidroxilas.
• Sua fórmula empírica é (CH2O)n.
• Os menores têm n=3.
Trioses
(oses com três carbonos)
1 carbono assimétrico (carbono quiral)
quiral
dois estéro-isômeros
Além das trioses...
Existem carboidratos com:
4 carbonos - tetrose
Ribose (aldose)
5 carbonos - pentose Arabinose (aldose)
Xilose (aldose)
Glicose (aldose)
6 carbonos - hexose Galactose (aldose)
Frutose (cetose)
7 carbonos - heptose sedoheptulose
(cetose)
Centro QUIRAL fornece isômeros ópticos
centro quiral mais distante do grupo
carbonila determina se é uma D ou L-
triose, tetrose, pentose, hexose,...
mesma configuração em C-3 (são oses D)
grupamento aldeído
centro
assimétric
o
variações
D-Aldoses contendo três, quatro, cinco e seis
átomos de carbono.
grupamento cetona
centro
assimétrico
D-Cetoses
contendo
quatro, cinco
e seis
átomos de
carbono.
Epímeros
Oses que diferem em configuração em torno
de apenas 1 carbono (centro de assimetria)
D-Manose D-Glicose D-Galactose
epímero em C-2 epímero em C-4
As pentoses e as hexoses em
solução aquosa estão presentes na sua
forma aberta em uma proporção, em
geral, <1%.
O restante das moléculas está
ciclizada na forma de um anel
hemicetal (cetona) ou hemiacetal
(aldeído) de 5 ou de 6 vértices.
• O anel de 5 vértices é chamado de
anel furanosídico furano
• O anel de 6 vértices é chamado
de anel piranosídico pirano
As formas estruturais cíclicas de
piranose e furanose são hexágonos
e pentágonos regulares conhecidas
como fórmulas em perspectiva de
Haworth.
Haworth Os carbonos do anel não
são mostrados explicitamente.
Formação de uma furanose
C-2
C-5
hidroxila projetada
abaixo do plano do
anel
O grupamento cetônico em C-2 na
forma em cadeia aberta da frutose
pode reagir com a hidroxila em C-5,
C-5
formando um hemicetal
intramolecular.
Novo centro de assimetria é criado:
dois anômeros (isômeros que diferem
no carbono hemicetálico) são possíveis
-e
No hemicetal, o carbono 2 é anômero
C-1 Formação de uma piranose
C-5
hidroxila projetada
acima do plano do
O grupamento aldeído em C-1 na
forma em cadeia aberta da glicose
pode reagir com a hidroxila em C-5,
C-5
formando um hemiacetal
intramolecular.
Novo centro de assimetria é criado:
dois anômeros (isômeros que diferem
no carbono hemiacetálico) são possíveis
-e
No hemiacetal, o carbono 1 é anômero
Projeção de Fischer Projeção de Haworth
Estruturas cíclicas da Frutose
frutofuranose
frutopiranose
diferentes anômeros
“abaixo” “acima”
As pentoses, como a D-
ribose e a D-desoxirribose,
formam anéis de furanose.
- D-ribofuranose - D–desoxi-ribofuranose
Mutarrotação
A mutarrotação resulta da formação de
uma mistura de equilíbrio contendo em
torno de um terço do anômero e dois
terços do anômero .
Tanto a forma piranose quanto a
forma furanose interconvertem-se
através da forma de cadeia aberta.
monossacarídeos
Monossacarídeos ou açúcares simples,
consistem de uma única unidade de
polihidroxialdeído ou polihidroxicetona. O
mais abundante monossacarídeo na
natureza é o açúcar de seis carbonos D-
glicose.
glicose * frutose * galactose * manose
dissacarídeos
Dissacarídeos consistem de duas
unidades monossacarídicas. Tipicamente
temos a sacarose, ou cana de açúcar, no
qual consiste de D-glicose e D-frutose,
ligados covalentemente.
Todos os monossacarídeos e
dissacarídeos tem o sufixo "ose".
maltose * sacorose * lactose
Dissacarídeos comuns
Sacarose,
Sacarose lactose e
maltose são
componentes comuns
da dieta.
sacarose glicose + frutose
lactose glicose + galactose
maltose glicose + glicose
ligações GLICOSÍDICAS
ligação O-glicosídica
Quando se aquece
glicose em metanol
contendo HCl, formam-se metil - D-glicopiranosídeo
dois acetais.
O HCl facilita a
remoção do
grupamento OH. metil - D-glicopiranosídeo
hemiacetal
hemicetal
Sacarose
(hidroxilas ligadas
aos carbonos
anômeros)
Glicose 12 frutose
Lactose
galactose 14 glicose
Glicose 14 glicose
Maltose - um dissacarídeo
as oses unidas por ligação O-glicosídica
maltose
glicose- 14 glicose
Duas moléculas de glicose unidas por ligação
glicosídica a-1,4 formam o dissacarídeo
maltose.
maltose
polissacarídeos
Polissacarídeos consistem de cadeia longas
tendo centenas ou milhares de unidades de
monossacarídeos. Alguns polissacarídeos,
tais como celulose ocorrem em cadeias
lineares, enquanto outros, como glicogênio e
amido possuem cadeias ramificadas. Os
mais abundantes polissacarídeos são amido
e celulose feito pelas plantas, consistindo de
unidades de D-glicose, mas diferenciados
pelo tipo de ligação glicosídica.
Glicogênio – molécula ramificada
ligação -1,6 entre
duas unidades de glicose
ligação -1,4 entre duas
unidades de glicose
As ligações a-1,6-glicosídicas se formam a
cada 8-12 unidades de glicose, o que faz
do glicogênio uma molécula altamente
ramificada.
Amido
é constituído por uma mistura de dois polímeros de glicose
amilose – sem ramificações
amilopectina - molécula ramificada
As ligações a-1,6-glicosídicas da amilopectina
se formam a cada 24-30 unidades de glicose
Ligações glicosídicas determinam a
estrutura do polissacarídeo
As ligações -1,4 favorecem cadeias retas, que são
ótimas para fins estruturais.
As ligações a-1,4 favorecem cadeias curvas,
que são mais adequadas para o propósito de
estoque.
amido
ligação a-1,4 entre unidades de glicose
Estoque
grânulos de amido
grânulos de glicogênio
celulose
ligação -1,4 entre unidades de glicose
estrutura estabilizada
por
pontes de hidrogênio
entre unidades
adjacentes de glicose
A celulose é o composto orgânico
mais abundante da biosfera
Monossacarídeos Modificados
Os açúcares simples podem ser
convertidos a compostos
químicos derivados.
Nos aminoaçúcares um grupo
hidroxila (normalmente C2) é substituído por
um grupo amino.
São compostos constituintes comuns
dos carboidratos complexos
encontrados associados a lipídios e
Os aminoaçúcares podem ser ainda acetilado
Quitina (polímero 1,4 de N-acetil-
glicosamina)
grupamento amina acetilado
exoesqueleto de artrópodes
Nós somos capazes de digerir amido e glicogênio
glicogêni
mas não celulose e quitina
- amilase salivar - amilase pancreática
(ptialina)
atividade 1-4
enzimas situadas na borda intestinal
Maltase - digere a maltose,
convertendo-a em glicose +
glicose
Sacarase (invertase) - digere a
sacarose, convertendo-a em
glicose + frutose
Lactase - digere a lactose,
convertendo-a em glicose +
galactose
Homopolissacarídeo
não-ramificado
•Amido (amilose,
amilopectina)
•Glicogênio
•Celulose
•Quitina
ramificado
Monossacarídeos Modificados
(continuação)
ácidos urônicos – são formados quando
o grupo terminal CH2OH é oxidado
Ácido glicurônico Ácido idurônico
Nos hepatócitos, o ácido glicurônico
e o ácido idurônico combinam-se
com moléculas de esteróides e
certos fármacos para aumentar a
solubilidade em água e facilitar o
processo de remoção destes
compostos do organismo. Também
são abundantes no tecido
conjuntivo.
grupamento
amina acetilado
Glicosaminoglicanos ou aminoglicans
repetições de unidades de dissacarídeos
- Presentes na superfície celular e
matriz extracelular dos animais;
- Contêm pelo menos um derivado
de aminoaçúcar;
- Uma das oses da unidade
repetitiva tem um carboxilato ou
sulfato com carga negativa.
Glicosaminoglicanos
repetições de unidades de dissacarídeos
Glicoproteínas
• Proteína + uma ou mais
cadeias de glicosaminoglicans =
proteoglicans
• Proteína + unidades glicídicas
complexas e multiformes
Os glicídeos são unidos ao átomo de
oxigênio da cadeia lateral de serina ou
treonina por ligações O-glicosídicas ou ao
átomo de nitrogênio da cadeia lateral da
asparagina por ligações N-glicosídicas.
Sítios de glicosilação em potencial podem
ser detectados com a seqüência de aminoácido
ligação O-glicosídica
Unem oses a cadeias laterais de serina
ou treonina
Serina
Treonina
ligação N-glicosídica
Unem oses à cadeia lateral da
asparagina
OBSERVAÇÃO
A ligação N-glicosídica une oses a
purinas e pirimidinas
* nos
nucleotídeos
Ex: desoxirribose
unida por ligação
N-glicosídica à
citosina
(pirimidina)
Exemplo:
proteoglican
da
cartilagem
Amortecem
forças
compressivas,
pois voltam a
sua estrutura
inicial após
serem
deformados.
Unidades glicídicas
complexas e multiformes
estão presentes em muitas
proteínas integrantes de
membranas e proteínas
secretadas
Elastase
uma protease
encontrada no soro proteínas de membrana
Ligações N-Glicosídicas entre
Proteínas e Carboidratos
Todos os oligossacarídeos com ligações N-
glicosídicas
glicosídica têm em comum um núcleo de
pentassacarídeo que consiste de 3 resíduos
de manose e duas de N-acetilglicosamina.
Açúcares adicionais são ligados a esse
núcleo para formar uma enorme
variedade de padrões de
oligossacarídeos encontrados nas
glicoproteinas.
A diversidade e a
complexidade das unidades
glicídicas das glicoproteínas
sugerem que elas são ricas
em informação e
funcionalmente importantes.
Exemplo: unidades glicídicas
terminais de uma
glicoproteína podem servir
como um sinal que para que
as células hepáticas
removam a proteína do
sangue
Exemplo: receptor de
assialoglicoproteínas
Sia
Gal Gal
GlcNAc GlcNAc
oses do cerne oses do cerne
ptn ptn
Lectinas são proteínas específicas que
reconhecem carboidratos
Lectinas são encontradas em animais, plantas
e microorganismos
Selectinas
As L-selectinas são
encontradas nos linfócitos e
são responsáveis pelo
endereçamento ("homing")
destas células para os
linfonodos.
As E-selectinas aparecem nas
células endoteliais após terem
sido ativadas por citocinas
inflamatórias, sendo que uma
pequena quantidade
encontrada em vários leitos
vasculares e parecem ter
significado importante para a
migração dos leucócitos.
As P-selectinas são armazenadas
em alfa-grânulos das plaquetas e
vesículas intra-citoplasmáticas das
células endoteliais, e são
prontamente posicionadas na
membrana plasmática após uma
estimulação específica.
[Link]
original/revisao/selectin/[Link]
Adesão Célula - Célula
movimento de
linfócitos para o
local de infecção
ou injúria
Parede Celular de Bactérias
O componente rígido da parede celular de
bactérias é um heteropolímero alternando
unidades de N-acetilglicosamina e
ácido N-acetilmurâmico, por ligações (1-4).
Muitos polímeros
lineares se
posicionam lado a
lado, em forma
de rede, unidos
por pequenos
peptídeos, na
parede celular de
bactérias.
Esta rede formada pelos
peptideoglicanos é hidrolisada pela
lisozima. A lisozima está presente
nas lágrimas e protege o olho
contra infecções bacterianas.
As porções carboidrato de
certos esfingolipídios
definem os grupos
sanguíneos humanos.
N-acetil-D-
galactosamina
D- galactose
Heteropolissacarídeo
- dois monômeros - múltiplos
- não-ramificado monômeros
- ramificado
Peptídeoglicanos, glicosaminoglicanos,
glicoproteínas, glicolipídeos