Formação Litúrgica
Liturgia:
...Quando a comunhão entre
Deus e o Homem se concretiza
e se perpetua...
Paróquia São João Batista
Braço do Rio - ES
Liturgia
A palavra "liturgia" é uma palavra da língua grega:
LEITURGUIA de leiton-érgon que significa "ação do povo",
"serviço da parte do povo e em favor do povo". Na tradição
cristã, ele quer significar que o povo de Deus torna parte na
"obra de Deus". Pela Liturgia, Cristo, nosso redentor e sumo
sacerdote, continua em sua Igreja, com ela e por ela, a obra
de nossa redenção.
"Liturgia é uma ação sagrada, através da qual, com ritos, na
Igreja e pela Igreja, se exerce e prolonga a obra sacerdotal
de Cristo, que tem por objetivos a santificação dos homens e
a glorificação de Deus" (SC 7).
A MISSA – PARTE POR PARTE
A Missa
A missa é o culto mais sublime que oferecemos ao Senhor.
Rezar em casa é a mesma coisa?
'Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, aí
estarei no meio deles' (Mt 18,2).”
Vamos à missa para ouvir a Palavra do Senhor e saber o que o
Pai fala e propõe para a sua família reunida.
1330 Memorial da Paixão e da Ressurreição do Senhor. Santo
Sacrifício, porque atualiza o único sacrifício de Cristo Salvador e
inclui a oferenda da Igreja; ou também santo sacrifício da Missa,
“sacrifício de louvor” (Hb 13,15), sacrifício espiritual, sacrifício
puro e santo, pois realiza e supera todos os sacrifícios da Antiga
Aliança.
1382 A missa é ao mesmo tempo e inseparavelmente o
memorial sacrifical no qual se perpetua o sacrifício da cruz, e o
banquete sagrado da comunhão no Corpo e no Sangue do
Senhor.
A Missa é...
1332 Santa [§30] Missa, porque a liturgia na qual se realizou o
mistério da salvação termina com o envio dos fiéis (“missio”:
missão, envio) para que cumpram a vontade de Deus em sua
vida cotidiana.
A Divisão da Missa
1. Ritos Iniciais
Comentário Introdutório à missa do dia, Canto de Abertura, Acolhida, Antífona
de Entrada, Ato Penitencial, Hino de Louvor e Oração Coleta.
2. Rito da palavra
Primeira Leitura, Salmo Responsorial, Segunda Leitura, Aclamação ao Evangelho,
Proclamação do Evangelho, Homilia, Profissão de Fé e Oração da Comunidade.
3. Rito Sacramental
1ª Parte - Oferendas: Canto/Procissão das Oferendas, Orai Irmãos e Irmãs, e
Oração Sobre as Oferendas;
2ª Parte - Oração Eucarística: Prefácio, Santo, Consagração e Louvor Final;
3ª Parte - Comunhão: Pai Nosso, Abraço da Paz, Cordeiro de Deus,
Canto/Distribuição da Comunhão, Interiorização, Antífona da Comunhão e
Oração após a Comunhão.
4. Ritos Finais
Mensagem, Comunicados da Comunidade, Canto de Ação de Graças e Bênção
Final.
Ritos Iniciais
Instrução Geral ao Missal Romano, n.º 24:
“Os ritos iniciais ou as partes que precedem a liturgia da palavra, isto é, cântico de entrada,
saudação, ato penitencial, Senhor, Glória e oração da coleta, têm o caráter de exórdio,
introdução e preparação. Estes ritos têm por finalidade fazer com que os fiéis, reunindo-se em
assembléia, constituam uma comunhão e se disponham para ouvir atentamente a Palavra de
Deus e celebrar dignamente a Eucaristia”.
1. Comentário Inicial
Este tem por fim introduzir os fiéis ao mistério celebrado. Sua posição correta seria após a
saudação do padre, pois ao nos encontrarmos com uma pessoa primeiro a saudamos para
depois iniciarmos qualquer atividade com ela.
2. Canto de Entrada
“Reunido o povo, enquanto o sacerdote entra com os ministros, começa o canto de entrada. A
finalidade desse canto é abrir a celebração, promover a união da assembléia, introduzir no
mistério do tempo litúrgico ou da festa, e acompanhar a procissão do sacerdote e dos
ministros”(IGMR n.º 25)
Durante o canto de entrada percebemos alguns elementos que compõem o início da missa:
a) O canto
Durante a missa, todas as músicas fazem parte de cada momento. Através da música
participamos da missa cantando. A música não é simplesmente acompanhamento ou trilha
musical da celebração: a música é também nossa forma de louvarmos a Deus. Daí a importância
da participação de toda assembléia durante os cantos.
Ritos Iniciais
b) A procissão
O povo de Deus é um povo peregrino, que caminha rumo ao coração do Pai. Todas
as procissões têm esse sentido: caminho a se percorrer e objetivo a que se quer
chegar. A ordem da procissão de entrada é a seguinte: A Cruz Processional, o Círio
Pascal (sobretudo no tempo pascal), os leitores, MECEs, coroinhas e o celebrante.
c) O beijo no altar
Durante a missa, o pão e o vinho são consagrados no altar, ou seja, é no altar que
ocorre o mistério eucarístico. O presidente da celebração ao chegar beija o altar,
que representa Cristo, em sinal de carinho e reverência por tão sublime lugar.
3. Saudação
a) Sinal da Cruz
O presidente da celebração e a assembléia recordam-se por que estão celebrando
a missa. É, sobretudo pela graça de Deus, em resposta ao seu amor. Nenhum
motivo particular deve sobrepor-se à gratuidade. Pelo sinal da cruz nos
lembramos que pela cruz de Cristo nos aproximamos da Santíssima Trindade.
b) Saudação
Retirada na sua maioria dos cumprimentos de Paulo , o presidente da celebração
e a assembléia se saúdam. O encontro eucarístico é movido unicamente pelo
amor de Deus, mas também é encontro com os irmãos.
Ritos Iniciais
4. Ato Penitencial
Após saudar a assembléia presente, o sacerdote convida toda assembléia a, em
um momento de silêncio, reconhecer-se pecadora e necessitada da misericórdia
de Deus. Após o reconhecimento da necessidade da misericórdia divina, o povo
a pede em forma de ato de contrição: Confesso a Deus Todo-Poderoso... Em
forma de diálogo por versículos bíblicos: Tende compaixão de nós... Ou em
forma de ladainha: Senhor, que viestes salvar... Após, segue-se a absolvição do
sacerdote. Tal ato pode ser substituído pela aspersão da água, que nos convida
a rememorar-mos o nosso compromisso assumido pelo batismo e através do
simbolismo da água pedimos para sermos purificados.
Cabe aqui dizer, que o “Senhor, tende piedade” não pertence necessariamente
ao ato penitencial. Este se dá após a absolvição do padre e é um canto que
clama pela piedade de Deus. Daí ser um erro omiti-lo após o ato penitencial
quando este é cantando.
5. Hino de Louvor
Espécie de salmo composto pela Igreja, o glória é uma mistura de louvor e
súplica, em que a assembléia congregada no Espírito Santo, dirige-se ao Pai e ao
Cordeiro. É proclamado nos domingos - exceto os do tempo da quaresma e do
advento - e em celebrações especiais, de caráter mais solene. Pode ser cantado,
desde que mantenha a letra original e na íntegra.
Ritos Iniciais
6. Oração da Coleta
Encerra o rito de entrada e introduz a assembléia na celebração do dia.
“Após o convite do celebrante, todos se conservam em silêncio por alguns
instantes, tomando consciência de que estão na presença de Deus e formulando
interiormente seus pedidos. Depois o sacerdote diz a oração que se costuma
chamar de ‘coleta’, a qual a assembléia dá o seu assentimento com o ‘Amém’
final” (IGMR n.º 32).
Dentro da oração da coleta podemos perceber os seguintes elementos:
invocação, pedido e finalidade.
O Rito da Palavra
O Rito da Palavra é a segunda parte da missa, e também a segunda mais
importante, ficando atrás, somente do Rito Sacramental, que é o auge de toda
celebração.
Iniciamos esta parte sentados, numa posição cômoda que facilita a instrução.
Normalmente são feitas três leituras extraídas da Bíblia: em geral um texto do
Antigo Testamento, um texto epistolar do Novo Testamento e um texto do
Evangelho de Jesus Cristo, respectivamente. Isto, porém, não significa que será
sempre assim; às vezes a 1ª leitura cede espaço para um outro texto do Novo
Testamento, como o Apocalipse, e a 2ª leitura, para um texto extraído dos Atos
dos Apóstolos; é raro acontecer, mas acontece... Fixo mesmo, apenas o
Evangelho, que será extraído do livro de Mateus, Marcos, Lucas ou João.
O Rito da Palavra
1. Primeira Leitura
Como já dissemos, a primeira leitura costuma ser extraída do Antigo Testamento.
Isto é feito para demonstrar que já o Antigo Testamento previa a vinda de Jesus e
que Ele mesmo o cumpriu (cf. Mt 5,17). De fato, não poucas vezes os
evangelistas citam passagens do Antigo Testamento, principalmente dos
profetas, provando que Jesus era o Messias que estava para vir.
O leitor deve ler o texto com calma e de forma clara. Por esse motivo, não é
recomendável escolher os leitores poucos instantes antes do início da missa,
principalmente pessoas que não têm o costume de freqüentar aquela
comunidade. Quando isso acontece e o "leitor", na hora da leitura, começa a
gaguejar, a cometer erros de leitura e de português, podemos ter a certeza de
que, quando ele disser: "Palavra do Senhor", a resposta da comunidade, "Graças
a Deus", não se referirá aos frutos rendidos pela leitura, mas sim pelo alívio do
término de tamanha catástrofe!
Ora, se a fé vem pelo ouvido, como declara o Apóstolo, certamente o leitor deve
ser uma pessoa preparada para exercer esse ministério; assim, é interessante que
a Equipe de Celebração seja formada, também, por leitores "profissionais", ou
seja, especial e previamente selecionados.
O Rito da Palavra
2. Salmo Responsorial
O Salmo Responsorial também é retirado da Bíblia, quase sempre (em 99% dos
casos) do livro dos Salmos. Muitas comunidades recitam-no, mas o correto
mesmo é cantá-lo... Por isso uma ou outra comunidade possui, além do cantor,
um salmista, já que muitas vezes o salmo exige uma certa criatividade e
espontaneidade, uma vez que as traduções do hebraico (ou grego) para o
português nem sempre conseguem manter a métrica ou a beleza do original.
Assim, quando cantado, acaba lembrando um pouco o canto gregoriano e, em
virtude da dificuldade que exige para sua execução, acaba sendo simplesmente -
como já dissemos - recitado (perdendo mais ainda sua beleza).
3. Segunda Leitura
Da mesma forma como a primeira leitura tem como costume usar textos do
Antigo Testamento, a segunda leitura tem como característica extrair textos do
Novo Testamento, das cartas escritas pelos apóstolos (Paulo, Tiago, Pedro, João e
Judas), mais notadamente as escritas por São Paulo.
Esta leitura tem, portanto, como objetivo, demonstrar o vivo ensinamento dos
Apóstolos dirigido às comunidades cristãs.
A segunda leitura deve ser encerrada de modo idêntico ao da primeira leitura,
com o leitor exclamando: "Palavra do Senhor!" e a comunidade respondendo
O Rito da Palavra
4. Canto De Aclamação Ao Evangelho
Feito o comentário ao Evangelho, a assembléia se põe de pé, para aclamar as
palavras de Jesus. O Canto de Aclamação tem como característica distintiva a
palavra "Aleluia", um termo hebraico que significa "louvai o Senhor". Na
verdade, estamos felizes em poder ouvir as palavras de Jesus e estamos
saudando-O como fizeram as multidões quando Ele adentrou Jerusalém no
domingo de Ramos.
Percebemos, assim, que o Canto de Aclamação, da mesma forma que o Hino de
Louvor, não pode ser cantado sem alegria, sem vida. Seria como se não
confiássemos Naquele que dá a vida e que vem até nós para pregar a palavra da
Salvação. O Canto deve ser tirado do lecionário, pois se identifica com a leitura
do dia, por isso não se pode colocar qualquer música como aclamação, não basta
que tenha a palavra aleluia.
Comprovando este nosso ponto de vista está o fato de que durante o tempo da
Quaresma e do Advento, tempos de preparação para a alegria maior, também a
palavra "Aleluia" não aparece no Canto de Aclamação ao Evangelho.
O Rito da Palavra
5. Evangelho
Antes de iniciar a leitura do Evangelho, se estiver sendo feito uso de incenso, o
sacerdote ou o diácono (depende de quem for ler o texto), incensará a Bíblia e,
logo a seguir, iniciará a leitura do texto.
O texto do Evangelho é sempre retirado dos livros canônicos de Mateus,
Marcos, Lucas e João, e jamais pode ser omitido. É falta gravíssima não
proceder a leitura do Evangelho ou substituí-lo pela leitura de qualquer outro
texto, inclusive bíblico.
Ao encerrar a leitura do Evangelho, o sacerdote ou diácono profere a expressão:
"Palavra da Salvação!" e toda a comunidade glorifica ao Senhor, dizendo:
"Glória a vós, Senhor!". Neste momento, o sacerdote ou diácono, em sinal de
veneração à Palavra de Deus, beija a Bíblia (rezando em silêncio: "Pelas palavras
do santo Evangelho sejam perdoados os nossos pecados") e todo o povo pode
voltar a se sentar.
O Rito da Palavra
6. Homilia
A homilia nos recorda o Sermão da Montanha, quando Jesus subiu o Monte
das Oliveiras para ensinar todo o povo reunido. Observe-se que o altar já se
encontra, em relação aos bancos onde estão os fiéis, em ponto mais alto,
aludindo claramente a esse episódio.
Da mesma forma como Jesus ensinava com autoridade, após sua ascensão, a
Igreja recebeu a incumbência de pregar a todos os povos e ensinar-lhes a
observar tudo aquilo que Cristo pregou. A autoridade de Cristo foi, portanto,
passada à Igreja.
A homilia é o momento em que o sacerdote, como homem de Deus, traz para o
presente aquela palavra pregada por Cristo há dois mil anos. Neste momento,
devemos dar ouvidos aos ensinamentos do sacerdote, que são os mesmos
ensinamentos de Cristo, pois foi o próprio Cristo que disse: "Quem vos ouve, a
mim ouve. Quem vos rejeita, a mim rejeita" (Lc 10,16). Logo, toda a
comunidade deve prestar atenção às palavras do sacerdote.
A homilia é obrigatória aos domingos e nas solenidades da Igreja. Nos demais
dias, ela também é recomendável, mas não obrigatória.
O Rito da Palavra
7. Profissão De Fé (Credo)
Encerrada a homilia, todos ficam de pé para recitar o Credo. Este nada mais é
do que um resumo da fé católica, que nos distingue das demais religiões. É
como que um juramento público, como nos lembra o Pe. Luiz Cechinatto.
Embora existam outros Credos católicos, expressando uma única e mesma
verdade de fé, durante a missa costuma-se recitar o Símbolo dos Apóstolos,
oriundo do séc. I, ou o Símbolo Niceno-Constantinopolitano, do séc. IV. O
primeiro é mais curto, mais simples; o segundo, redigido para eliminar certas
heresias a respeito da divindade de Cristo, é mais longo, mais completo. Na
prática, usa-se o segundo nas grandes solenidades da Igreja.
O Rito da Palavra
8. Oração Da Comunidade
A Oração da Comunidade ou Oração dos Fiéis, como também é conhecida,
marca o último ato do Rito da Palavra. Nela toda a comunidade apresenta suas
súplicas ao Senhor e intercede por todos os homens.
Alguns pedidos não devem ser esquecidos pela comunidade:
As necessidades da Igreja.
As autoridades públicas.
Os doentes, abandonados e desempregados.
A paz e a salvação do mundo inteiro.
As necessidades da Comunidade Local
A introdução e o encerramento da Oração da Comunidade devem ser feitas pelo
sacerdote. Quando possível, devem ser feitos espontaneamente. As preces
podem ser feitas pelo comentarista, mas o ideal é que sejam feitas pela equipe
de Liturgia, ou ainda pelos próprios fiéis. Cada prece deve terminar com
expressões como: "Rezemos ao Senhor", entre outras, para que a comunidade
possa responder com: "Senhor, escutai a nossa prece" ou "Ouvi-nos, Senhor”
Quando o sacerdote conclui a Oração da Comunidade, dizendo, por exemplo:
"Atendei-nos, ó Deus, em vosso amor de Pai, pois vos pedimos em nome de Jesus
Cristo, vosso Filho e Senhor nosso”, a assembléia encerra com um: "Amém!".
O Rito Sacramental
Na liturgia eucarística atingimos o ponto alto da celebração. Durante ela a Igreja
irá tornar presente o sacrifício que Cristo fez para nossa salvação. Não se trata
de outro sacrifício, mas sim de trazer à nossa realidade a salvação que Deus nos
deu. Durante esta parte a Igreja eleva ao Pai, por Cristo, sua oferta e Cristo dá-se
como oferta por nós ao Pai, trazendo-nos graças e bênçãos para nossas vidas.
É durante a liturgia eucarística que podemos entender a missa como uma ceia,
pois afinal de contas nela podemos enxergar todos os elementos que compõem
uma: temos a mesa - mais propriamente a mesa da Palavra e a mesa do pão.
Temos o pão e o vinho, ou seja, o alimento sólido e líquido presentes em
qualquer ceia. Tudo conforme o espírito da ceia pascal judaica, em que Cristo
instituiu a eucaristia.
E de fato, a Eucaristia no início da Igreja era celebrada em uma ceia fraterna.
Porém foram ocorrendo alguns abusos, como Paulo os sinaliza na Primeira Carta
aos Coríntios. Aos poucos foi sendo inserida a celebração da palavra de Deus
antes da ceia fraterna e da consagração. Já no século II a liturgia da Missa
apresentava o esquema que possui hoje em dia.
O Rito Sacramental
Após essa lembrança de que a Missa também é uma ceia, podemos nos
questionar sobre o sentido de uma ceia, desde o cafezinho oferecido ao
visitante até o mais requintado jantar diplomático. Uma ceia significa, entre
outros: festa, encontro, união, amor, comunhão, comemoração, homenagem,
amizade, presença, confraternização, diálogo, ou seja, vida. Aplicando esses
aspectos a Missa, entenderemos o seu significado, principalmente quando
vemos que é o próprio Deus que se dá em alimento. Vemos que a Missa
também é um convívio no Senhor.
A liturgia eucarística divide-se em: apresentação das oferendas, oração
eucarística e rito da comunhão.
O Rito Sacramental
1. Apresentação das Oferendas
Apesar de conhecida como ofertório, esta parte da Missa é apenas uma
apresentação dos dons que serão ofertados junto com o Cristo durante a
consagração. Devido ao fato de maioria das Missas essa parte ser cantada não
podemos ver o que acontece durante esse momento. Conhecendo esses aspectos
poderemos dar mais sentido à celebração.
Analisemos inicialmente os elementos do ofertório: o pão o vinho e a água. O que
significam? De fato foram os elementos utilizados por Cristo na última ceia, mas eles
possuem todo um significado especial:
1) o pão e o vinho representam a vida do homem, o que ele é, uma vez que ninguém
vive sem comer nem beber;
2) representam também o que o homem faz, pois ninguém vai à roça colher pão
nem na fonte buscar vinho;
3) em Cristo o pão e o vinho adquirem um novo significado, tornando-se o Corpo e o
Sangue de Cristo. Como podemos ver, o que o homem é, e o que o homem faz
adquirem um novo sentido em Jesus Cristo.
E a água? Durante a apresentação das oferendas, o sacerdote mergulha algumas
gotas de água no vinho. E o porquê disso? Sabemos que no tempo de Jesus os
judeus bebiam vinho diluído em um pouco de água, e certamente Cristo também
devia fazê-lo, pois era verdadeiramente homem. Por outro lado, a água quando
misturada ao vinho adquire a cor e o sabor deste. Ora, as gotas de água
representam a humanidade que se transforma quando diluída em Cristo.
O Rito Sacramental
Os tempos da preparação das oferendas:
a) Preparação do altar
“Em primeiro lugar prepara-se o altar ou a mesa do Senhor, que é o centro de
toda liturgia eucarística, colocando-se nele o corporal, o purificatório, o cálice e o
missal, a não ser que se prepare na credência”(IGMR 49).
b) Procissão das oferendas
Neste momento, trazem-se os dons em forma de procissão. Lembrando que o
pão e o vinho representam o que é o homem e o que ele faz, esta procissão deve
revestir-se do sentimento de doação, ao invés de ser apenas uma entrega da
água e do vinho ao sacerdote.
c) Apresentação das oferendas a Deus
O sacerdote apresenta a Deus as oferendas através da fórmula: Bendito sejais... e
o povo aclama: Bendito seja Deus para sempre! Este momento passa
despercebido da maioria das pessoas devido ao canto do ofertório. O ideal seria
que todo o povo participasse desse momento, sendo o canto usado apenas
durante a procissão e a coleta fosse feita sem as pessoas saírem de seus locais. O
canto não é proibido, mas deve procurar durar exatamente o tempo da
apresentação das oferendas, para que o sacerdote não fique esperando para dar
prosseguimento à celebração.
O Rito Sacramental
d) A coleta do ofertório
Já nas sinagogas hebraicas, após a celebração da Palavra de Deus, as pessoas
costumavam deixar alguma oferta para auxiliar as pessoas pobres. E de fato,
este momento do ofertório só tem sentido se reflete nossa atitude interior de
dispormos os nossos dons em favor do próximo. Aqui, o que importa não é a
quantidade, mas sim o nosso desejo de assim como Cristo, nos darmos pelo
próximo. Representa o nosso desejo de aos poucos, deixarmos de celebrar a
eucaristia para nos tornarmos eucaristia.
e) O lavar as mãos
Após o sacerdote apresentar as oferendas ele lava suas mãos. Antigamente,
quando as pessoas traziam os elementos da celebração de suas casas, este
gesto tinha caráter utilitário, pois após pegar os produtos do campo era
necessário que lavasse as mãos. Hoje em dia este gesto representa a atitude,
por parte do sacerdote, de tornar-se puro para celebrar dignamente a
eucaristia.
O Rito Sacramental
f) O Orai Irmãos...
Agora o sacerdote convida toda assembléia a unir suas orações à ação de
graças do sacerdote.
g) Oração sobre as Oferendas
Esta oração coleta os motivos da ação de graças e lança no que segue, ou seja,
a oração eucarística. Sempre muito rica, deve ser acompanhada com muita
atenção e confirmada com o nosso amém!
O Rito Sacramental
2. A Oração Eucarística
É na oração eucarística em que atingimos o ponto alto da celebração. Nela,
através de Cristo que se dá por nós, mergulhamos no mistério da Santíssima
Trindade, mistério da nossa salvação:
“A oração eucarística é o centro e ápice de toda celebração, é prece de ação de
graças e santificação. O sacerdote convida o povo a elevar os corações ao
Senhor na oração e na ação de graças e o associa à prece que dirige a Deus Pai
por Jesus Cristo em nome de toda comunidade. O sentido desta oração é que
toda a assembléia se una com Cristo na proclamação das maravilhas de Deus e
na oblação do sacrifício” (IGMR 54).
a) Prefácio
Após o diálogo introdutório, o prefácio possui a função de introduzir a
assembléia na grande ação de graças que se dá a partir deste ponto. Existem
inúmeros prefácios, abordando sobre os mais diversos temas: a vida dos santos,
Nossa Senhora, Páscoa etc.
O Rito Sacramental
b) O Santo
É a primeira grande aclamação da assembléia a Deus Pai em Jesus Cristo. O
correto é que seja sempre cantado, levando-se em conta a maior fidelidade
possível à letra da oração original.
c) A invocação do Espírito Santo
Através dele Cristo realizou sua ação quando presente na história e a realiza nos
tempos atuais. A Igreja nasce do espírito Santo, que transforma o pão e o vinho.
A Igreja tem sua força na Eucaristia.
d) A consagração
Deve ser toda acompanhada por nós. É reprovável o hábito de permanecer-se de
cabeça baixa durante esse momento. Reprovável ainda é qualquer tipo de
manifestação quando o sacerdote ergue a hóstia, pois este é um momento
sublime e de profunda adoração. Nesse momento o mistério do amor do Pai é
renovado em nós. Cristo dá-se por nós ao Pai trazendo graças para nossos
corações. Daí ser esse um momento de profundo silêncio.
O Rito Sacramental
e) Preces e intercessões
Reconhecendo a ação de Cristo pelo Espírito Santo em nós, a Igreja pede a graça
de abrir-se a ela, tornando-se uma só unidade. Pede para que o papa e seus
auxiliares sejam capazes de levar o Espírito Santo a todos. Pede pelos fiéis que
já se foram e pede a graça de, a exemplo de Nossa Senhora e dos santos, os fiéis
possam chegar ao Reino para todos preparados pelo Pai.
f) Doxologia Final
É uma espécie de resumo de toda a oração eucarística, em que o sacerdote
tendo o Corpo e Sangue de Cristo em suas mãos louva ao Pai e toda assembléia
responde com um grande “amém”, que confirma tudo aquilo que ela viveu. O
sacerdote a diz sozinho.
O Rito Sacramental
3. Rito da Comunhão
A oração eucarística representa a dimensão vertical da Missa, em que nos
unimos plenamente a Deus em Cristo. Após alcançarmos a comunhão com Deus
Pai, o desencadeamento natural dos fatos é o encontro com os irmãos, uma vez
que Cristo é único e é tudo em todos. Este é o momento horizontal da Missa.
Tem também esse momento o intuito de preparar-nos ao banquete eucarístico.
a) O Pai-Nosso
É o desfecho natural da oração eucarística. Uma vez que unidos a Cristo e por ele
reconciliados com Deus, nada mais oportuno do que dizer: Pai nosso... Esta
oração deve ser rezada em grande exaltação, se for cantada, deve seguir
exatamente as palavras ditas por Cristo, quando as ensinou aos discípulos. Após
o Pai Nosso segue o seu embolismo, ou seja, a continuação do último
pensamento da oração. Segue aqui uma observação: o único local em que não
dizemos “amém” ao final do Pai Nosso é na Missa, dada a continuidade da
oração expressa no embolismo.
O Rito Sacramental
b) Oração pela paz
Uma vez reconciliados em Cristo, pedimos que a paz se estenda a todas as
pessoas, presentes ou não, para que possam viver em plenitude o mistério de
Cristo. Pede-se também a Paz para a Igreja, para que, desse modo, possa
continuar sua missão. Esta oração é rezada somente pelo sacerdote.
c) O cumprimento da Paz
É um gesto simbólico, uma saudação pascal. Por ser um gesto simbólico não há a
necessidade em sair do local para cumprimentar a todos na Igreja. Se todos
tivessem em mente o simbolismo expresso nesse momento não seria necessária
a dispersão que o caracteriza na maioria dos casos.
d) O Cordeiro de Deus
O sacerdote e a assembléia se preparam em silêncio para a comunhão. Neste
momento o padre mergulha um pedaço do pão no vinho, representando a união
de Cristo presente por inteiro nas duas espécies. A seguir todos reconhecem sua
pequenez diante de Cristo e como o Centurião exclamam: “Senhor, eu não sou
digno de que entreis em minha morada, mas dizei uma só palavra e serei salvo.”
Cristo não nos dá apenas sua palavra, mas dá-se por amor a cada um de nós.
O Rito Sacramental
e) A comunhão
Durante esse momento a assembléia dirige-se à mesa eucarística. O canto deve
procurar ser um canto de louvor moderado, salientando a doação de Cristo por
nós. A comunhão pode ser recebida nas mãos ou na boca, tendo o cuidado de,
no primeiro caso, a mão que recebe a hóstia não ser a mesma que a leva a
boca. Aqueles que por um motivo ou outro não comungam, por não se
encontrarem devidamente preparados (estado de graça santificante) é
importante que façam desse momento também um momento de encontro
com o Cristo, no que chamamos de Comunhão Espiritual. Após a comunhão
segue-se a ação de graças, que pode ser feita em forma de um canto ou pelo
silêncio, que dentro da liturgia possui sua linguagem importantíssima. O que
não pode é esse momento ser esquecido ou utilizado para conversar com
quem está ao nosso lado.
f) Oração após a comunhão
Infelizmente criou-se o mau costume em nossas assembléias de se fazer essa
oração após os avisos, como uma espécie de convite apressado para se ir
embora. Esta oração liga-se ainda a liturgia eucarística, e é o seu fechamento,
pedindo a Deus as graças necessárias para se viver no dia-a-dia tudo que se
manifestou perante a assembléia durante a celebração.
Ritos Finais
“O rito de encerramento da Missa consta fundamentalmente de três elementos:
a saudação do sacerdote, a bênção, que em certos dias e ocasiões é enriquecida
e expressa pela oração sobre o povo, ou por outra forma mais solene, e a
própria despedida, em que se despede a assembléia, afim de que todos voltem
às suas atividades louvando e bendizendo o Senhor com suas boas obras” (IGMR
n.º 57).
a) Saudação
Para muitos, este momento é um alívio, está cumprido o preceito dominical.
Mas para outros, esta parte é o envio, é o início da transformação do
compromisso assumido na Missa em gestos e atitudes concretas. Ouvimos a
Palavra de Deus e a aceitamos em nossas vidas. Revivemos a Páscoa de Cristo,
assumindo também nós esta passagem da morte para a vida e unimo-nos ao
sacrifício de Cristo ao reconhecer nossa vida como dom de Deus e orientando-a
em sua direção.
Ritos Finais
b) Avisos
Sem demais delongas, este momento é o oportuno para dar-se avisos à
comunidade, bem como para as últimas orientações do presidente da
celebração.
c) Benção Final
Após, segue-se a bênção do sacerdote e a despedida. Para alguns liturgistas,
esse momento é um momento de envio, pois o sacerdote abençoa os fiéis para
que estes saiam pelo mundo louvando a Deus com palavras e gestos,
contribuindo assim para sua transformação. Vejamos o porquê disso.
d) Despedida
Passando a despedida para o latim ela soa da seguinte forma: “Ite, Missa est”.
Traduzindo-se para o português, soa algo como “Ide, tendes uma bênção e uma
missão a cumprir”, pois em latim, missa significa missão ou demissão, como
também pode significar bênção. Nesse sentido, eucaristia significa bênção, o
que não deixa de ser uma realidade, já que através da doação de seu Filho, Deus
abençoa toda a humanidade. De posse desta boa-graça dada pelo Pai, os
cristãos são re-enviados ao mundo para que se tornem eucaristia, fonte de
bênçãos para o próximo. Desse modo a Missa reassume todo seu significado.
Bibliografia:
Beckhäuser, Alberto. A Liturgia da Missa. Teologia e Espiritualidade da
Eucaristia. Petropólis, Ed. Vozes, 1993.
Bíblia de Jerusalém. Paulus, 1996.
Cechinato, Pe. Luiz. A Missa Parte por Parte. Petrópolis, Ed. Vozes, 1979 – 47ª
edição. 3ª reimpressão, 2017.
Duarte, Luiz Miguel. Liturgia: conheça mais para celebrar melhor. São Paulo,
Paulus, 1996.
Instrução Geral ao Missal Romano(IGMR).
Góis, João de Deus. Breve Curso de Liturgia. São Paulo, Ed. Loyola, 1987.
Junior, Joviano de Lima. A Eucaristia que Celebramos: explicação popular da
Missa. São Paulo, Ed. Paulinas, 1982.
Liturgia da missa. Disponível em: [Link]
11/23-13/[Link]. Acesso em 18/05/2018.
Schnitzler, Theodor. Missa, mensagem de vida: entenda a missa para
participar melhor. São Paulo, Ed. Paulinas, 1978.
Temas Próximo Encontro:
Espaço celebrativo;
Símbolos litúrgicos na missa;
Doc 43 CNBB – Animação da Vida Litúrgica no Brasil;
Doc 52 CNBB – Orientação para a Celebração da Palavra de Deus;
Sugestões / contato:
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Caros irmãos e irmãs...
"Ide, portanto, e fazei que todos os povos se tornem discípulos...
ensinando-os a observar tudo quanto vos ordenei. E eis que estou
convosco todos os dias, até a consumação dos séculos“. (Mt
28,19-20).