Processos Grupais
Professora Mestra Crissia Cruz
Psicóloga Clínica e da Saúde
Mestra e Doutoranda em Psicologia
Especialista em Psicologia da Saúde
Especialista em Atenção à Saúde da Mulher e da Criança
Aprimoramento em Psicologia Clínica
Turma 3001// 13/08/2024
Plano de Ensino
CRONOGRAMA
1. BASES HISTÓRICAS, EPISTEMOLÓGICAS
E CONCEITUAIS DOS PROCESSOS GRUPAIS
É preciso viver em grupo?
Quais os primeiros grupos ais quais
pertencemos?
Que grupos vamos participando ao
longo de nossas vidas?
Sociologismo de
Emile Durkheim
(afirmando que fatos
sociais são
irredutíveis à análise
psicológica)
Psicologia das massas
Final do século XIX ou psicologia das
multidões
Psicologismo de
Gabriel Tarde e
Gustave Le Bon
(afirmando que a
imitação e o contágio
são a base da vida
social)
Jacob Levy
Moreno, fundador
da Sociometria
Estudos sobre
Por volta de 1935
pequenos grupos
Kurt Lewin, criador
da Dinâmica de
Grupos, dentro de
uma Teoria Geral
da Dinâmica de
Grupo.
Ainda na década de 1930
Elton Mayo desenvolveu estudos • No campo dos cuidados à saúde Wilfred
experimentais em uma fábrica Bion desenvolveu experiências de terapia
em grupo durante a 2ª Guerra Mundial e
estadunidense (Western Electric também subsequentemente, junto de
Company) enfocando hipóteses de veteranos de guerra em sofrimento
associações entre a fadiga dos psíquico pós-traumático.
operários e variações experimentais • Bion formula um extenso corpo teórico e
tais como: pausa para descanso, conceitual com fundamentação
pagamento por tarefa em grupo, psicanalítica para a psicoterapia grupal e
jornada aumentada, sábado livre etc. é apontado como um dos pioneiros no
campo (Zimmerman, 2000).
Análise Institucional
O movimento institucionalista defendia a importância de recorrer a
grupos e coletivos nas intervenções, porém que esse deve estar a
serviço: da análise institucional (para além da análise organizacional),
ou seja, da análise das práticas sociais instituídas e naturalizadas; da
superação de uma prática psicossociológica voltada ao grupo como
objeto de experimentação (acadêmica), e do questionamento do
psicanalismo, ou seja, da redução à epistemologia psicanalítica de
fenômenos da ordem da cultura, economia, política etc. (Rodrigues,
2007).
Epistemologia convergente
• A epistemologia convergente de Enrique Pichón Rivière é
trazida pelos argentinos apontando uma perspectiva que
afirma o grupo operativo como espaço de tomada de
consciência, de desalienação e de transformações.
• A denominação grupo operativo decorre da concepção de
que o grupo sempre se organiza em torno de uma tarefa,
implícita ou explícita.
• Pichón-Rivière vê o sujeito como o emergente de uma
complexa trama de vínculos e relações sociais: um sujeito de
necessidades (sociais) e de vínculos (desejo).
• O vínculo é tomado como uma unidade básica de interação,
e o grupo como uma trama vincular, sendo ambos (grupo e
vínculo) o cenário e o instrumento de resolução das
necessidades, que, por sua vez, têm historicidade individual
e social (Pichón-Rivière, 2005).
Materialismo histórico e dialético
de análise e intervenção grupal
• Essa formulação irrompe em um contexto de mobilização
social (popular, estudantil e sindical) de resistência aos
governos ditatoriais, cujo cenário é a América Latina do final
da década de 1970 (Brasil, El Salvador, Colômbia, Venezuela
etc.).
• Dois de seus expoentes foram Silvia Lane (2001) e Ignácio
Martín-Baró (1989), que privilegiaram uma perspectiva em
que o grupo é visto como condição para conhecer o ser social,
para apreender esse ser social enquanto ser histórico, e para
toda ação transformadora na sociedade.
• Em suas formulações ambos afirmavam a necessidade de
análise das mediações ideológicas, políticas e
socioeconômicas intervenientes nos grupos tendo como
base a atividade grupal e as relações de identidade e poder
grupais. Nesse sentido, seria mais próprio denominar o
grupo como processo grupal de modo a captá-lo em sua
especificidade histórico-social (Martins, 2003, 2007).
1.2 FUNDAMENTAÇÃO
TEÓRICA SOBRE GRUPOS
E PROCESSOS GRUPAIS
O ser humano é gregário por natureza e ele somente existe
em função dos seus inter-relacionamentos grupais. Sempre,
desde o nascimento, o indivíduo participa de diferentes
grupos, numa constante dialética entre a busca de sua
identidade individual e a necessidade de uma identidade
grupal e social. Um conjunto de pessoas constitui um grupo,
um conjunto de grupos constitui uma comunidade, um
conjunto interativo de comunidades configura uma sociedade.
A importância do conhecimento e utilização da psicologia
grupal decorre justamente do fato de que todo indivíduo
passa a maior parte do tempo de sua vida convivendo e
interagindo com distintos grupos.
Assim como o mundo interior e o exterior são a
continuidade um do outro, da mesma forma o
individual e o social não existem separadamente, pelo
contrário, eles se interpenetram, complementam e se
confundem entre si.
Com base nessas premissas, é legítimo afirmar que todo
indivíduo é um grupo (na medida em que, no seu mundo
interno, há um grupo de personagens que estão introjetados,
como os pais, irmãos, etc. e que convivem e interagem entre
si). Da mesma forma, pode-se dizer que todo grupo pode
comportar-se como uma individualidade (ele adquire uma
identidade e caracterologia singular e própria).
Existem grupos de todos os tipos e uma primeira subdivisão
que se faz necessária é a que diferencia os “grandes grupos”
(pertencem à área da macro-sociologia) dos “pequenos
grupos” (micro-psicologia). No entanto, vale adiantar que, em
linhas gerais, os microgrupos - como é o caso de um grupo
terapêutico - costumam reproduzir, em miniatura, as
características sócio-econômicas-políticas e a dinâmica
psicológica dos grandes grupos.
O que caracteriza a um grupo propriamente dito, quer
psicoterápico ou operativo, é quando ele preencher as
seguintes condições básicas: Um grupo não é um mero
somatório de indivíduos; pelo contrário, ele se constitui
como uma nova entidade, com leis e mecanismos
próprios e específicos.
Todos os integrantes estão reunidos, face a face, em
torno de uma tarefa e de um objetivo comum ao
interesse de todos eles. O tamanho de um grupo não
pode exceder ao limite que ponha em risco a
indispensável preservação da comunicação, tanto a
visual, como a auditiva e a conceitual.
• Apesar de um grupo se constituir como uma nova entidade,
com uma identidade grupal própria e genuína, é também
indispensável que fiquem claramente preservadas,
separadamente, as identidades específicas de cada um dos
indivíduos componentes do grupo.
• Em todo grupo coexistem duas forças contraditórias
permanentemente em jogo: uma tendente à sua coesão, e a
outra à sua desintegração.
• No campo grupal circulam ansiedades [...] que resultam
tanto de conflitos internos como podem emergir em função
das inevitáveis, e necessárias frustrações impostas pela
realidade externa. Por conseguinte, para contrastar a estas
ansiedades, cada um do grupo, e esse como um todo,
mobilizam mecanismos defensivos.
• A dinâmica grupal propicia perceber a presença dos conflitos
estruturais, ou seja, aqueles que resultam da desarmonia das
instâncias do id, ego, superego (delas entre si, ou com a
realidade externa)
A comunicação, nas suas múltiplas formas de apresentação -
as verbais e as não verbais -, representa um aspecto de
especial importância na dinâmica do campo grupal.
Igualmente, o desempenho de papéis, em especial os que
adquirem uma característica de repetição estereotipada em
determinados indivíduos do grupo [...] é uma excelente fonte
de observação e manejo por parte do coordenador de grupo.
Está sendo cada vez mais valorizada a forma de como os
vínculos (de amor, ódio, conhecimento e o de
reconhecimento), no campo grupal, manifestam-se e
articulam-se entre si.
Referências
• BORGES, Viviane Veloso; BATISTA, Heide de Oliveira; VECCHIA,
Marcelo Dalla. Os grupos na produção de conhecimento na
psicologia: uma revisão da literatura. In: Psicologia & Sociedade. P.
379-390, 2011.
• ZIMERMAN, David. A importância dos grupos na saúde, cultura e
diversidade. In: Vínculo. V. 4 n. 4. São Paulo, 2007.