Habeas corpus
No sistema judicial brasileiro
origens
Os registros mais antigos são do direito inglês (Magna Carta de 1215 e Habeas Corpus
Act de 1679) e aperfeiçoado em 1816.
No Brasil, sua origem está no decreto de 23 de maio de 1821 (Reino Unido de
Portugal, Brasil e Algarves e, implicitamente, na Constituição do Império do Brasil de
1824). Apareceu no art. 340 do Código Criminal do Império do Brasil de 1830 e no
Código de Processo Criminal de 1832.
Foi formalmente incorporado ao ordenamento constitucional na Constituição dos
Estados Unidos do Brasil, de 1891, e replicado nas cartas constitucionais seguintes.
Remédio Constitucional
Previsto no artigo 5o, inciso LXVIII, da Constituição da República Federativa do Brasil:
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-
se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à
vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
LXVIII - conceder-se-á "habeas-corpus" sempre que alguém sofrer ou se achar
ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberdade de locomoção, por
ilegalidade ou abuso de poder;
Nota: direito líquido e certo e individual de ir e vir
Figuras do habeas corpus
Qualquer pessoa pode impetrar habeas corpus em seu favor ou de outrem (art. 654,
CPP)
Paciente ou impetrante: Trata-se do indivíduo que sofreu ou está ameaçado de sofrer a
coação.
Coator: autoridade que cometeu a ilegalidade ou abuso de poder.
Provas: inexiste fase processual específica para produção de provas.
"O habeas corpus é remédio de manejo exclusivo da defesa. Não cabe, na referida via,
qualquer intervenção do acusador (o Parquet manifesta-se na qualidade de custos
legis) ou de assistente do Ministério Público, sob pena de desvirtuamento da finalidade
constitucional do writ."
Código de Processo Penal
Art. 647. Dar-se-á habeas corpus sempre que alguém sofrer ou se achar na iminência de sofrer
violência ou coação ilegal na sua liberdade de ir e vir, salvo nos casos de punição disciplinar.
Art. 648. A coação considerar-se-á ilegal:
I - quando não houver justa causa;
II - quando alguém estiver preso por mais tempo do que determina a lei;
III - quando quem ordenar a coação não tiver competência para fazê-lo;
IV - quando houver cessado o motivo que autorizou a coação;
V - quando não for alguém admitido a prestar fiança, nos casos em que a lei a autoriza;
VI - quando o processo for manifestamente nulo;
VII - quando extinta a punibilidade.
Impetração
O pedido de habeas corpus é apresentado à autoridade superiora àquela que proferiu
a lesão ao direito individual.
Quando não houver justa causa
A ação penal é iniciada ou o indivíduo já foi preso, mas não existe uma justa causa para
tanto. Não havendo indício de que o acusado é realmente o autor do fato, a medida é
utilizada para o trancamento da ação penal.
Obs: Trancar uma ação penal ou inquérito policial é requerer com pedido liminar à
autoridade judiciária que encerre o andamento do feito, seja ação em curso ou inquérito,
sem apreciação do mérito.
“O trancamento da ação penal por meio de Habeas Corpus é excepcional, possível
somente quando demonstrada de plano, sem necessidade de exame aprofundado de
fatos e provas, a inépcia da inicial acusatória, atipicidade da conduta, presença de causa
de extinção da punibilidade ou ausência de lastro probatório mínimo acerca da autoria.”
(Acórdão 1316672, 07019292620208079000, Relator: NILSONI DE FREITAS CUSTODIO,
Terceira Turma Criminal, data de julgamento: 11/2/2021, publicado no PJe: 12/2/2021.)
Descumprimento de prazo
Poderá ser impetrado quando alguém que já deveria estar em liberdade, por algum
motivo ilegal continua recolhido em instituição penal.
Restrição por autoridade
incompetente
O processo deve ser presidido por magistrado competente, como preceitua o princípio
do juiz natural.
Se um magistrado não tem competência para decretar a prisão de algum indivíduo e
mesmo assim o faz, o habeas corpus será a ação judicial cabível.
Cessação dos motivos
Constata-se, no curso do procedimentos, que as provas referentes à materialidade e
autoria não são mais suficientes para comprovar que seja o preso, o autor do fato.
Sendo assim, o motivo da coação é cassado e a medida judicial a impetração do
habeas corpus é adequada, bem como a revogação da prisão preventiva, nos termos
do art. 316, CPP.
Quando houver previsão legal que autorize a fiança e ainda
assim não concedida a liberdade
A liberdade provisória pode ser concedida com ou sem fiança. A liberdade provisória
pode ser arbitrada pela autoridade policial, se o indiciado for autuado por um crime
cuja pena máxima seja de até 4 anos. No caso de crimes em que a pena máxima seja
superior a 4 anos, quem irá arbitrar a fiança será um Juiz, em um prazo de até 48
horas. Dessa forma, havendo alguma hipótese prevista em lei autorizando a liberdade
provisória com o pagamento de fiança e esta não for concedida ao preso, poderá ser
impetrado o habeas corpus.
Processo manifestamente nulo
O processo será nulo quando houver defeitos jurídicos insanáveis, que o tornem
inválido (nulidades podem ser relativas ou absolutas).
Dessa forma, se um processo é eivado de nulidade e ainda assim prossegue, o habeas
corpus será a ação cabível a fim de trancar a ação.
Obs: Se a exigência é imposta pela lei em função do interesse público, a situação é de
nulidade absoluta. Se a exigência descumprida é imposta pela lei no interesse da
parte, há nulidade relativa. No caso de nulidade absoluta não é possível convalidar o
ato, ao contrário da nulidade relativa, que admite convalescimento.
Extinção da punibilidade
As causas de extinção de punibilidade estão previstas no Código Penal, no seu art.
107: I - pela morte do agente; II - pela anistia, graça ou indulto; III - pela retroatividade
de lei que não mais considera o fato como criminoso; IV - pela prescrição, decadência
ou perempção; V - pela renúncia do direito de queixa ou pelo perdão aceito, nos
crimes de ação privada; VI - pela retratação do agente, nos casos em que a lei a
admite; VII - pelo casamento do agente com a vítima, nos crimes contra os costumes,
definidos nos Capítulos I, II e III do Título VI da Parte Especial deste Código; VIII - pelo
casamento da vítima com terceiro, nos crimes referidos no inciso anterior, se
cometidos sem violência real ou grave ameaça e desde que a ofendida não requeira o
prosseguimento do inquérito policial ou da ação penal no prazo de 60 (sessenta) dias
a contar da celebração; IX - pelo perdão judicial, nos casos previstos em lei.
Recursos
PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DA BAHIA Primeira Câmara Criminal 2ª Turma Processo: HABEAS
CORPUS CRIMINAL n. 8001534-61.2019.8.05.0000 Órgão Julgador: Primeira Câmara Criminal 2ª Turma IMPETRANTE:
DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DA BAHIA PACIENTES: HUGO DOS SANTOS SOUZA E MARINALVA ALVES BARBOSA
IMPETRADO: JUIZ DE DIREITO DA VARA CRIME, EXECUÇÃO PENAL, JÚRI E INFÂNCIA E JUVENTUDE DA COMARCA DE
CANDEIAS-BA RELATOR: DES. PEDRO AUGUSTO COSTA GUERRA ACORDÃO EMENTA: RECURSO EM SENTIDO ESTRITO CONTRA
ACÓRDÃO PROLATADO PELA 2ª TURMA JULGADORA DA 1ª CâMARA CRIMINAL, QUE DENEGOU HABEAS CORPUS. NÃO
CABIMENTO. INTELIGÊNCIA DO ART. 581, INCISO X, DO CPP. RECURSO CABÍVEL: RECURSO ORDINÁRIO, CONSOANTE ART. 105,
II, a, DA CF. INVIABILIDADE DE APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA FUNGIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO. I - De início, em que
pese os argumentos lançados pela defesa, cabe esclarecer que o presente recurso não deve ser conhecido. II - E taxativo o
rol do artigo 581, do Código de Processo Penal, que trata das hipóteses de cabimento do Recurso em Sentido Estrito, não
contemplando interpretação extensiva ou analógica. III - Com efeito, observa-se que, conforme dispõe o inciso X do art.
581, do CPP, é cabível a interposição de Recurso em Sentido Estrito da decisão proferida pelo Juiz de primeiro grau que
conceder ou negar a ordem de habeas corpus, todavia não se aplica contra acórdão que denega writ. O recurso interposto,
portanto, é impróprio e não deve ser conhecido. IV - O recurso cabível contra decisão denegatória de habeas corpus,
proferida em segunda instância, é o Recurso Ordinário, o qual deverá ser endereçado ao Superior Tribunal de Justiça,
conforme dispõe o art. 105, II, alínea a, da Constituição Federal, não se aplicando, na hipótese, a aplicação do princípio da
fungibilidade. IV – Parecer da Procuradoria de Justiça pela NÃO CONHECIMENTO do Recurso. V - Recurso Não Conhecido.
ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos de Habeas Corpus nº 8001534-61.2019.8.05.0000, da Vara Crime da
Comarca de Candeias, Bahia, sendo Impetrante a Defensoria Pública do Estado da Bahia e, Pacientes, HUGO DOS SANTOS e
MARINALVA ALVES BARBOSA. ACORDAM os Desembargadores integrantes da 2ª Turma da Primeira Câmara Criminal do
Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, à unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso em Sentido Estrito, e o fazem
pelas razões a seguir explicitadas. (TJ-BA - HC: 80015346120198050000, Relator: PEDRO AUGUSTO COSTA GUERRA,
PRIMEIRA CAMARA CRIMINAL - SEGUNDA TURMA, Data de Publicação: 04/07/2019)
Súmula 319 do STF: O prazo do recurso ordinário para o Supremo Tribunal Federal, em habeas corpus ou mandado de segurança, é de
cinco dias.