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Oficina Escrita Negras

ETAPAS DE OFICINA DE ESCRITA CRIATIVA ENEGRECIDA

Enviado por

Odailta Alves
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OFICINA DE ESCRITA CRIATIVA

LITERATURA E RESISTÊNCIA:
VERSOS PRETOS E INSURGENTES

ODAILTA ALVES
ESCRITORA E EDUCADORA

DOUTORANDA EM LINGUÍSTICA UFPE


• Quantas princesas negras você conheceu na literatura quando era
criança?
• Quantos príncipes negros você conheceu na literatura quando era
criança?
• Quais protagonistas dos romances lidos na infância eram negros?
• Quantas musas do poeta eram negras?
O que é literatura negra?
A PESSOA NEGRA NA LITERATURA:

• a condição negra como objeto

• A condição negra como sujeito


UM PANORAMA DA LITERATURA BRASILEIRA

• Uma pesquisa do grupo de estudos de literatura


contemporânea da Universidade de Brasília trouxe uma
radiografia racial e de gênero do mercado editorial
brasileiro.
• Depois de analisar 258 romances publicados por três
grandes editoras, entre os anos de 1990 e 2004, o estudo
revelou que 93,9% dos autores publicados eram brancos.
• A pesquisa ainda mostra que em 56,6% das obras
não há nenhuma personagem não branca. Em
apenas 1,6% não há nenhuma personagem
branca, e apenas dois livros sozinhos respondem
por cerca de 20% das personagens negras.
• Como a literatura “universal” vem construindo imaginários acerca das
humanidades? Acerca do povo negro?

• Quem é a criança negra, deficiente na literatura negra brasileira?


A OBJETIFICAÇÃO, HIPERSEXUALIZAÇÃO E
ANIMALIZAÇÃO DA MULHER NEGRA NA LITERATURA

Século XVII, nos versos satíricos de Gregório de Matos

• Quem são seus doces objetos?... Pretos.


Tem outros bens mais maciços?... Mestiços.
Quais destes lhe são mais gratos?... Mulatos.
• Dou ao demo os insensatos,
Dou ao demo a gente asnal,
Que estima por cabedal
Pretos, mestiços, mulatos1.
A Luiza çapata querendo, que o amigo lhe desse quatro investidas duas de dia,
e duas de noyte. (GREGÓRIO DE MATTOS – SÉCULO XVII)

[Link] com outra são duas 3.É o caldo uma quinta-essência,


pela minha tabuada, e tal, que uma gota fria
e vós, Mulata esfaimada, produz uma Senhoria,
quereis duas vezes duas: e talvez uma Excelência:
se isso vos dera por luas, se tendes dele carência,
e o quiséreis cada mês, e por fartar a vontade
dera-vos três vezes três; o quereis em quantidade,
mas quatro entre dia, e noite, não trateis não de esgotar
dar-vos-ei eu tanto açoite, os culhões de um secular,
que farão dez vezes dez. ide à barguilha de um Frade.

[Link], Puta, essa vossa crica [Link], se a vossa Ração


tão gulosa é de rescaldos, hão de ser quatro à porfia,
que cuidais que os nossos caldos dormi com quatro em um dia,
os compramos na botica? e quatro se vos darão:
o caldo não multiplica, mas tirá-las de um Cristão,
quando entre quatro virilhas que apenas janta, e não ceia,
se liquida em escumilhas, e não dará foda, e meia,
e vós a lavadas mãos isso é mais que crueldade,
quereis um caldo de grãos, e mais tendo vós um Frade,
por um caldo de lentilhas? que é gato que nunca mea.
• A D. ÂNGELA
• Anjo no nome, Angélica na cara!
Isso é ser flor e Anjo juntamente:
Ser Angélica flor e Anjo florente,
Em quem, senão em vós, se uniformara?
Quem vira uma tal flor que a não cortara
De verde pé, da rama florescente;
E quem um Anjo vira tão luzente
Que por seu Deus o não idolatrara?
• Se pois como Anjo sois dos meus altares,
Fôreis o meu Custódio e a minha guarda,
Livrara eu de diabólicos azares.
• Mas vejo, que por bela, e por galharda,
Posto que os Anjos nunca dão pesares,
Sois Anjo que me tenta, e não me guarda.

Fonte: [Link]
NO TRECHO ABAIXO TEMOS A DESCRIÇÃO DE UMA CENA EM QUE JOÃO ROMÃO,
APÓS ENAMORAR-SE COM ZULMIRA (FILHA DE D. ESTELA) EM BUSCA DE UM
CASAMENTO PARA GALGAR UM LUGAR DE PRESTÍGIO NA SOCIEDADE, VOLTA
PARA CASA E ENCONTRA BERTOLEZ DORMINDO:

• Mas a bolha do seu desvanecimento engelhou logo à vista de


Bertoleza que, estendida na cama, roncava, de papo para o ar,
com a boca aberta, a camisa soerguida sobre o ventre, deixando
ver o negrume das pernas gordas e lustrosas. E tinha de estirar-
se ali, ao lado daquela preta fedorenta a cozinha e bodum de
peixe! [...] havia de pôr a cabeça naquele mesmo travesseiro
sujo em que se enterrava a hedionda carapinha da crioula!
(AZEVEDO, Aluísio de. (1890), 2017, p. 174, grifo nosso)
ESCRAVA ISAURA (BERNARDO GUIMARÃES
– 1875)

• A fala de Isaura deixa clara a posição, como nesse diálogo com sinhá Malvina

• Gozas da estima de teus senhores. Deram-te uma educação, como não tiveram muitas ricas e
ilustres damas, que eu conheço. És formosa e tens uma cor linda, que ninguém dirá que gira em
tuas veias uma só gota de sangue africano2.
[...]
– Mas senhora, apesar de tudo isso que sou eu mais do que uma simples escrava? Essa
educação, que me deram, e essa beleza, que tanto me gabam, de que me servem?... São
trastes de luxo colocados na senzala do africano. A senzala nem por isso deixa de ser o que é:
uma senzala.
– Queixas-te de tua sorte, Isaura?
– Eu não, senhora
O MULATO (ALUÍSIO DE AZEVEDO – 1881)

• “Se soubesses, porém quanto custa ouvir cara-a-cara: "Não lhe dou minha filha
porque o senhor é indigno dela, o senhor é filho de uma escrava!" Se
dissessem: "É porque é pobre!" que diabo! – eu trabalharia! Se dissessem: "É
porque não tem a posição social!" juro-te que a conquistaria, fosse como
fosse!" É porque é um infame! um ladrão! um miserável!" eu me
comprometeria a fazer de mim o melhor dos homens de bem! Mas um ex-
escravo, um filho de negra, um – mulato! – E como hei de apagar a minha
história da lembrança de toda esta gente que me detesta?”
1933 – MONTEIRO LOBATO

“Sim, era o único jeito – e Tia Nastácia,


esquecida dos seus numerosos
reumatismos, trepou que nem uma
macaca de carvão pelo mastro de São
Pedro acima, com tal agilidade que
parecia nunca ter feito outra coisa na
vida senão trepar em mastros.”
• PRECISAMOS QUEBRAR COM ESSE PROJETO DE SOCIEDADE QUE
HISTORICAMENTE FORTALECE O RACISMO.
• O QUE É LITERATURA IDENTITÁRIA?
• O QUE É LITERATURA PANFLETÁRIA?
• O QUE É LITERATURA UNIVERSAL?
• COMO MUDAR ESSAS NARRATIVAS?

• É importante o primeiro passo... O segundo... O terceiro...

* Narrativas outras em todos os lugares


LUIZ GAMA - 1830 (BA) – 1882 (SP)

• CATIVA (1865) Doce a voz, qual nunca Tinha o colo acetinado


• Como era linda, meu Deus! ouvira, – Era o corpo uma pintura –
Não tinha da neve a cor, Dúlios bardos matutinos. E no peito palpitante
Um sacrário de ternura.
Mas no moreno semblante • Seus ingênuos pensamentos
Brilhavam raios de amor. São de amor juras • Límpida alma, flor singela
• Ledo o rosto, o mais constantes; Pelas brisas embaladas,
formoso, Entre a nuvem das pestanas Ao dormir d’alvas estrelas,
De trigueira coralina, Tinha dois astros brilhantes. As nascer da madrugada.
De Anjo à boca, os lábios • As madeixas crespas, • (...)
breves negras,
Cor de pálida cravina. Sobre o seio lhe pendiam,
• Em carmim rubro Onde os castos pomos de
engastados ouro
Amorosos se escondiam,
Tinha os dentes cristalinos;
MARIA FIRMINA DOS REIS - 1822–1917(MA)

• “Meteram-me a mim e a mais trezentos companheiros de infortúnio e de cativeiro no


estreito e infecto porão de um navio. Trinta dias de cruéis tormentos, e de falta absoluta
de tudo quanto é mais necessário à vida passamos nessa sepultura até abordarmos as
praias brasileiras. Para caber a mercadoria humana no porão fomos amarrados em pé e
para que não houvesse receio de revolta, acorrentados como os animais ferozes das
nossas matas, que se levam para recreio dos potentados da Europa. Davam-nos água
imunda, podre e dada com mesquinhez, a comida má e ainda porca: vimos morrer ao
nosso lado companheiros à falta de ar, de alimento e de água. É horrível lembrar que
criaturas humanas tratem a seus semelhantes assim e que não lhes doa a consciência
de levá-los à sepultura asfixiados e famintos! Muitos não deixavam chegar esse extremo
– davam-se à morte. Nos dois últimos dias não houve mais alimento. Os insofridos
entraram a vozear. Grande Deus! Da escotilha lançaram sobre nós água e breu
fervendo, que escaldou-nos e veio dar a morte aos cabeças do motim. (REIS 2009, p.
117).”
MACHADO DE ASSIS
JOAQUIM MARIA MACHADO DE ASSIS (RIO DE JANEIRO, 21 DE JUNHO DE
1839 — RIO DE JANEIRO, 29 DE SETEMBRO DE 1908).

“HÁ MEIO SÉCULO, OS ESCRAVOS FUGIAM COM FREQUÊNCIA.


ERAM MUITOS, E NEM TODOS GOSTAVAM DA ESCRAVIDÃO.
SUCEDIA OCASIONALMENTE APANHAREM PANCADA,
E NEM TODOS GOSTAVAM DE APANHAR PANCADA...”

(TRECHO DO CONTO: PAI CONTRA MÃE)


AFONSO HENRIQUES DE LIMA BARRETO, MAIS CONHECIDO COMO LIMA
BARRETO (RIO DE JANEIRO, 13 DE MAIO DE 1881 — RIO DE JANEIRO,
1 DE NOVEMBRO DE 1922) FOI UM JORNALISTA E ESCRITOR BRASILEIRO.

• (...)
• Leu São Pedro ... Leu novamente. Vinha assim: P. L. C., filho de..., neto de..., bisneto de... –
Carregador, quarenta e oito anos. Casado. Casto. Honesto. Caridoso. Pobre de espírito. Ignaro. Bom
como São Francisco de Assis. Virtuoso como São Bernardo e meigo como o próprio Cristo. É um
justo. Deveras, pensou o Santo Porteiro, é uma alma excepcional; como tão extraordinárias
qualidades bem merecia assentar-se à direita do Eterno e lá ficar, per saecula saeculorum, gozando
a glória perene de quem foi tantas vezes Santo... — E porque não ia ? deu-lhe vontade de perguntar
ao seráfico burocrata. — Não sei, retrucou-lhe este. Você sabe, acrescentou, sou mandado ..
• Acompanhado de dolorosos rangidos da mesa, o guarda-livros foi folheando o enorme Registro, até
encontrar a página própria, onde com certo esforço achou a linha adequada e com o dedo afinal apontou
o assentamento e leu alto: Esquecia-me... Houve engano. É ! Foi bom você falar. Essa alma é a de
um negro. Vai para o purgatório. Revista Souza Cruz, Rio, agosto 1924. .
CAROLINA MARIA DE JESUS – QUARTO DE
DESPEJO
(SACRAMENTO, 14 DE MARÇO DE 1914 — SÃO PAULO, 13 DE FEVEREIRO DE 1977)

• Muitas fugiam ao me ver…


Muitas fugiam ao me ver
Pensando que eu não percebia
Outras pediam pra ler
Os versos que eu escrevia
• Era papel que eu catava
Para custear o meu viver
E no lixo eu encontrava livros para ler
Quantas coisas eu quiz fazer
Fui tolhida pelo preconceito
Se eu extinguir quero renascer
Num país que predomina o preto
• Adeus! Adeus, eu vou morrer!
E deixo esses versos ao meu país
Se é que temos o direito de renascer
Quero um lugar, onde o preto é feliz.
SOLANO TRINDADE (RECIFE, 24 DE JULHO DE 1908 — RIO DE JANEIRO,
19 DE FEVEREIRO DE 1974) UM POETA BRASILEIRO, FOLCLORISTA, PINTOR,
ATOR, TEATRÓLOGO, CINEASTA E MILITANTE DO MOVIMENTO NEGRO

E fundaram o primeiro Maracatu. não foi de brincadeira


SOU NEGRO Depois meu avô brigou como um Na guerra dos Malês
danado
ela se destacou.
meus avós foram queimados Na minh’alma ficou
pelo sol da África

minh’alma recebeu o batismo dos nas terras de Zumbi


tambores Era valente como quê
o samba
atabaques, gonguês e agogôs. Na capoeira ou na faca
o batuque
Contaram-me que meus avós escreveu não leu
o bamboleio
Vieram de Loanda o pau comeu
e o desejo de libertação.
Como mercadoria de baixo preço Não foi um pai João
(TRINDADE, 1999, p. 48).
Plantaram cana pro senhor do humilde e manso.
engenho novo
Mesmo vovó
ESCRITORAS NEGRAS DO BRASIL
NARRATIVAS OUTRAS... NÓS SOBRE NÓS!
CONCEIÇÃO EVARISTO –
29 DE NOVEMBRO DE 1946 (IDADE 75 ANOS),
BELO HORIZONTE, MINAS GERAIS
• Vozes-mulheres ecoa versos perplexos
A voz de minha bisavó com rimas de sangue
ecoou criança e
nos porões do navio. fome.
ecoou lamentos A voz de minha filha
de uma infância perdida. recolhe todas as nossas vozes
A voz de minha avó recolhe em si
ecoou obediência as vozes mudas caladas
aos brancos-donos de tudo. engasgadas nas gargantas.
A voz de minha mãe A voz de minha filha
ecoou baixinho revolta recolhe em si
no fundo das cozinhas alheias a fala e o ato.
debaixo das trouxas O ontem – o hoje – o agora.
roupagens sujas dos brancos Na voz de minha filha
pelo caminho empoeirado se fará ouvir a ressonância
rumo à favela. o eco da vida-liberdade.
A minha voz ainda
ESCRITORAS NEGRAS DE PERNAMBUCO
•Sobre o processo criativo
• Tia Olívia • Ela era quase da família

• Tia Olívia era preta • A quase mãe, a quase tia, a quase avó

• Preta que nem a química do cabelo a • A quase que dormia nos quartos dos fundos
embranquecia • E teve sua vida roubada
• Tia Olívia era a noite sem lua • A que no sumiço das joias
• Que nunca amanhecia • sempre foi a suspeita
• A sua pele preta brilhava • A serve de porta estandarte
• Ela era a própria estrela • Para uma branquitude que não se diz racista
• Apagada pelas cozinhas dos patrões • Por ter tido uma mãe preta.
• Tia Olívia alimentou gerações
• Os Calos que gritavam em suas mãos
• Denunciavam uma escravidão maquiada
S O B R E O P R O C E S S O C R IA T IV O

• QUAL É A TEMÁTICA DA TUA POESIA? Ah, meu tapete avermelhado

• AVÓ-JAMBO (Odailta Alves) Sobre ele eu desfilava


Cai neve cor de rosa Era a estrela dos meus sonhos
Pelas ruas do Recife Às vezes deitava e a farda escolar
Ficava lindamente rosada
É tempo da florada
O cheiro do jambo Minha avó não gostava,
Acorda memórias suculentas _ Toda suja de novo, danada? ]
No adormecer da madrugada A pele de minha avó
O recreio da escola Era da cor de um jambo maduro
“Não joga pedra aí não, menina” Daqueles mais escurinhos sabe?
Gritava a diretora Eu olhava pra ela e sorria
Mas o jambo dava a mão à pedra “Essa menina não tem juízo,
E caía para alegrar meu dia é doida por jambo”
E preencher o vazio no estômago Ela sabia das coisas...
Essa fruta vermelha, Eu olhava e, no meu conto de fadas,
Carnuda, adocicada Minha avó era um jambeiro
Já matou tanto a fome da garotada Com seus cabelos arvorados
Seu coração suculento
E também testemunhou segredos de infância
Seu olhar doce
Era na sombra do jambeiro
que o coração se abria E sua alma florida o ano inteiro.

O TEMPO

O Racismo é uma navalha enferrujada


Que sangra a alma negra
E as chibatadas continuam violenta!
PRESSA (ODAILTA ALVES)

Eu tenho pressa
Porque não quero ser
Mais uma mãe soluçando justiça
Eu tenho pressa
Porque Irôko não para o tempo
Meus filhos crescem com a pele alvo
Na sociedade omissa
Eu tenho pressa
Pois o gatilho está apontado
E esse pode ser
O último verso!
SÚPLICAS

Vem pra cá, minha Maria, Meu negro amor é todo teu
Tira essa roupa zangada Vamos unir nossos breus
Desinflama, eu não fiz nada Descongela essa alegria
Apenas cálices embriagados Aproveita que é noite de lua
Para derreter minha agonia Rima minhas pernas às tuas
Dessa disso... Vamos fazer poesia.
Minha preta coroada,
•“NOSSAS LETRAS PRETAS
NUNCA FORAM CLARAS
NEM NUNCA SERÃO...”
• [Link]
• [Link]
• [Link]
• [Link]

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