MALÁRIA
Epidemiologia da Malária
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• Doença infecciosafebril aguda, cujos agentes etiológicos são protozoários
o
transmitidos por vetores.
Possui alto potencial epidêmico.
• A malária é considerada um grave problema de saúde pública no mundo, sendo uma das
doenças de maior impacto na morbidade e na mortalidade da população dos países situados
nas regiões tropicais e subtropicais do planeta.³
• Causa consideráveis perdas sociais e econômicas na população sob risco, principalmente
naquela que vive em condições precárias de habitação e saneamento;
• De acordo com a Organização Mundial de Saúde, 228 milhões de novos casos da doença
foram notificados no mundo apenas em 2018.³ Destes, 213 milhões de casos (93%) foram
notificados no continente africano (WHO, 2019);
• Em 2018, forma notificados mais de 405 mil óbitos por malária, sendo 94% registradas
no continente
africano (WHO, 2019)
• Crianças menores de 5 anos são os mais afetados pela Malária. Em 2018, 67% das mortes por
malária acometeram indivíduos desta faixa etária (272.000 crianças).
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• Em 2018, foram registrados aproximadamente 11 milhões de casos de malária em gestantes de
o
países africanos, acarretando baixo peso ao nascer em cerca de
900.000 crianças (Ciclo: Pobreza – Doença – Pobreza);
• Apesar dos avanços, verifica-se uma estagnação do controle global da malária nos últimos
anos. Ressalta- se o aumento da carga da doença em diferentes países africanos.
• A Estratégia Técnica Global para Malária da Organização Mundial da Saúde (OMS) tem como
metas a redução de pelo menos 90% dos casos e óbitos por malária até 2030, a eliminação
de malária em pelo menos 35 países, e evitar o restabelecimento da doença em todos os
países livres de malária.
• Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, lançados pela Organização das Nações Unidas
(ONU), estabelecem em seu Objetivo 3.3 acabar com as epidemias de malária até 2030.
Map of malaria case incidence rate (cases per 1000 population at risk) by country, 2018 SOURCE:
Webinári WHO.
o
Malária no Brasil
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o
• No Brasil, a magnitude da malária está relacionada à elevada incidência da doença na região
amazônica e à sua potencial gravidade clínica;
• Cerca de 99% da transmissão da malária concentra-se na região da Amazônia Legal,
composta por 9 estados (Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia,
Roraima e Tocantins).²
• Ressalta-se que 37 municípios concentram 80% da carga da doença no país.² Fortemente
relacionada à
pobreza, 86% dos casos ocorrem em áreas rurais ou indígenas.
• Do total de casos registrados no país em 2019, 89% destes foram por P. vivax, sendo a
espécie mais
prevalente no Brasil.³
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• o extra-amazônica é responsável por apenas 1% do total de casos notificados no Brasil, que
A região
ocorrem geralmente em área de Mata Atlântica e possuem maior letalidade devido, principalmente,
ao retardo no diagnóstico e no tratamento.²
• Na região extra-Amazônica, mais de 80% dos casos notificados são importados de áreas
endêmicas ou de outros países endêmicos (Américas, África e/ou Ásia).
• A malária é a causa mais comum de morte evitável entre as doenças infecciosas em viajantes, e
também a causa mais frequente de febre pós-viagem.²
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o
• Em 2018, houve um aumento expressivo dos casos na região extra-Amazônica (44,2%) com
registro de 734 casos, enquanto a região Amazônica foi registrada uma redução menor que
1%, registrando-se 193.838 casos
• Em consonância com acordos internacionais (ODS), a meta proposta para o país é de
eliminação de
malária falciparum até 2030 e a eliminação de malária até 2040.
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o IMPORTANTE
• Embora a região extra-amazônica tenha participação pequena nos casos, a doença não pode
ser negligenciada, pois se o acesso ao diagnóstico e ao tratamento for tardio, a malária pode
progredir para formas graves, e mesmo para óbito, ou ainda, na existência de mosquitos do
gênero Anopheles, que são transmissores da doença, possivelmente resultar em aumento da
transmissão nos locais onde este paciente permanece infectado.²
• Os estados da região extra-amazônica que mais registram casos autóctones de malária são:
Espírito Santo, Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia e Paraná.
• Atualmente, os casos autóctones de malária dessa região representam um terço (1/3) do
total de casos notificados, o que demonstra que a doença pode voltar a ser endêmica nessa
área, principalmente devido à ocorrência de surtos e à presença dos vetores.²
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• Diferentes
o espécies de protozoários do gênero Plasmodium podem causar a malária humana:
P.
falciparum,
P. vivax,
P. malariae,
P. ovale;
P. simium
P. knowlesi. P. P.
falciparum vivax
• O homem é o principal reservatório com importância epidemiológica para a malária humana.
Modo de transmissão
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• o
A transmissão ocorre através da picada da fêmea
do mosquito Anopheles, quando infectada pelo
Plasmodium spp.
• O mosquito é infectado durante o repasto
sanguíneo em uma pessoa com gametócitos
circulantes.
• Os gametócitos surgem na corrente sanguínea
em período que varia de poucas horas para o
P. vivax e de 7 a 12 dias para o P. falciparum, a
partir do início dos sintomas.
• O indivíduo pode ser fonte de infecção por até
1 ano para malária por P. falciparum; até 3 anos
para P. vivax; e por mais de 3 anos para P.
malariae, caso não seja adequadamente
• tratado.
O ciclo do parasito no mosquito tem duração
média de 12 a 18 dias. Em geral, é mais longo https://ww
para P. falciparum do que para P. vivax. w.cdc.gov/dpdx/malaria/index.html
Vetores
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o
• Mosquitos pertencentes ao gênero Anopheles. Este gênero compreende aproximadamente 400 espécies.
• Os vetores da malária são popularmente conhecidos por “carapanã”, “muriçoca”, “sovela”,
“mosquito-prego” e
“bicuda”.
• No Brasil, há registro de 60 espécies, sendo 11 com importância epidemiológica na transmissão da doença.
• Anopheles darlingi é o principal vetor de malária no Brasil, devido ao seu comportamento altamente
antropofílico e endofágico. É capaz de manter a transmissão mesmo quando em baixa densidade
populacional de mosquitos. Este vetor é encontrado em altas densidades e com ampla distribuição no
território nacional.
• Esta espécie cria-se, normalmente, em águas de baixo fluxo, profundas, límpidas, sombreadas e com
pouco aporte de matéria orgânica e sais.
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• o entomológicos
Estudos sobre composição e caracterização das espécies ocorrentes servem de
subsídio para a definição de áreas receptivas, para a tomada de decisões quanto às ações de
controle vetorial, bem como para a avaliação dessas atividades.
Anopheles darlingi. Anopheles darlingi. Anopheles albitarsis
Foto: Boletim Lacen (Foto: Gilberto Moresco PNCM/MS, WG-
2018)
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PERÍODO DE INCUBAÇÃO
o
• Varia de acordo com a espécie de plasmódio.
P. falciparum: 8 a 12 dias;
P. vivax: 13 a 17; e
P. malariae: 18 a 30 dias
Período de latência (Recaída X Recrudescimento)
Nas infecções por P. vivax e P. ovale, formas evolutivas do parasito (hipnozoítos), podem
permanecer em estado de latência no fígado. Estes hipnozoítos são responsáveis pelas recaídas
da doença, quando falha o tratamento radical
Manifestações clínicas
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o
• O espectro clínico da malária pode variar de manifestações oligossintomáticas até quadros graves e
letais.
• Depende da espécie e quantidade de parasitos circulantes, do tempo de doença e do nível
de imunidade adquirida pelo paciente.
• As gestantes, as crianças e os primoinfectados estão sujeitos a maior gravidade,
principalmente em
infecções pelo P. falciparum.
O Quadro clínico inicial é comum em infecções causadas pelas diferentes espécies de Plasmodium.
Necessita do exame laboratorial para diferenciar a espécie.
O diagnóstico clínico da malária não é específico, pois outras doenças febris agudas podem
apresentar sinais e sintomas semelhantes, tais como a dengue, a febre amarela, a leptospirose, a
febre tifoide e muitas outras.
Malária não complicada
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A criseoaguda da malária caracteriza-se por episódios de
calafrios, febre alta e sudorese (duração variável de 6 a
12 horas). Em geral, esses paroxismos
são acompanhados por cefaleia, mialgia, náuseas e
vômitos.
Nem sempre se observa o clássico padrão de febre a
cada dois dias, portanto não se deve aguardar o
padrão característico para pensar no diagnóstico de
malária.
Alguns pacientes não apresentam febre, mas dor de
cabeça, dor no corpo, dor nas articulações, mal-estar,
fadiga ou apenas falta de apetite.
Webinári de casos graves de maláriadeve ser realizadode preferência
• O tratamento em unidade
o
hospitalar de
referência.
• Nesses casos, o principal objetivo do tratamento é evitar a morte do paciente. Quanto mais
rápida for iniciada a terapia antimalárica, mais alta a chance de recuperação do paciente.
• A malária grave deve ser considerada emergência médica.
Diagnóstico
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O o
diagnóstico correto da infecção malárica só é possível pela demonstração do parasito, ou de
antígenos relacionados, no sangue periférico do paciente.
• Simples, eficaz, de baixo custo e de fácil realização. Amplamente adotado no Brasil para o
diagnóstico da malária.
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o
Foto: Teste empregado no enfrentamento surto Malária em Wenceslau Guimarães - BA
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O Teste para Diagnóstico Rápido (TDR) é uma importante ferramenta de ampliação da rede de
o
diagnóstico e tratamento para malária, principalmente em áreas sem a disponibilidade do exame por
microscopia. Sua utilização permite a melhora na oportunidade do tratamento, e, consequentemente, a
prevenção da transmissão, do número de casos graves e óbitos pela doença.
.
Tratamento
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• O o tratamento adequado e oportuno previne a ocorrência de casos graves e,
consequentemente, o óbito por malária, além de eliminar fontes de infecção para os
mosquitos, contribuindo para a redução da transmissão da doença. Trata-se da principal
ferramenta utilizada para o controle da doença e suas complicações.
Objetivos do tratamento
O tratamento visa atingir o parasito em pontos chaves do seu desenvolvimento, didaticamente
dividido em:
• Interromper o ciclo das formas sanguíneas (esquizogonia sanguínea), responsável pela
patogenia e manifestações clínicas da infecção;
• Destruir as formas hepáticas latentes do parasito (hipnozoítos) das espécies P. vivax e P. ovale,
evitando assim as recaídas tardias;
• Interromper a transmissão do parasito, pelo uso de drogas que impedem o
desenvolvimento de formas
sexuadas dos parasitos (gametócitos).
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• A o
prescrição e a dispensação dos antimaláricos no Brasil deve ser feita apenas com resultado
laboratorial confirmatório.
• Os medicamentos específicos para o tratamento de malária não são
disponibilizados
comercialmente em farmácias privadas, o que tende a evitar a automedicação.
• Os medicamentos antimaláricos são disponibilizados gratuitamente em todo o território nacional,
em unidades do Sistema Único de Saúde (SUS).
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Vigilância epidemiológica da Malária
o
Estimar a magnitude da morbidade e mortalidade da malária ;
Identificar grupos, áreas e épocas de maior risco;
Detectar precocemente epidemias;
Investigar autoctonia de casos em áreas onde a transmissão está
interrompida;
Recomendar as medidas necessárias para prevenir ou reduzir a ocorrência
da doença;
Avaliar o impacto das medidas de controle.
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o
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OBRIGADO!