Competências básicas
de intervenção
psicoterapêutica
2º Ciclo Psicologia Clínica e da Saúde
2023-2024
Armanda Gonçalves -
[email protected] Pressupostos modelo Clara Hill
Helper: Desenvolve intenções
Concetualização
Comportamentos em relação a como
processo ajuda:
abertos + processos querem
sequência de
cognitivos (i.e. ajudar (o que sabe
interações “momento
intenções)/ clientes sobre o outro;
a momento”
(i.e. reações) objetivos)
Importância Seleciona as
Client: reage da
consciência competências
forma como quer
relativamente verbais e não
comunicar
intencionalidade verbais a utilizar
O que entendemos por “ajudar” (helping)?
Processo colaborativo
Helper: “guia” o processo (diferente de direcionar; diretividade)
Client: decisão sobre o que, quando e como querem mudar
+Ajudar o outro a encontrar as suas respostas
+Assistir o outro na exploração dos
sentimentos, aquisição de insight, fazer
mudanças
+Promover ou facilitar o desenvolvimento do
outro (i.e., mover para níveis mais elaborados/ integrados de
pensar, sentir e agir)
O que entendemos por “ajudar” (helping)?
Possibilita:
alívio sofrimento;
encontrar novas direções;
receber feedback que facilita a mudança;
desenvolver competências;
lidar com preocupações existenciais;
crescimento pessoal;
experienciar uma relação saudável / reparenting
Relação de ajuda
+Intencionalidade — quando vou para algum lado gosto de saber
para onde eu vou — chego mais depressa porque sei escolher o
melhor caminho, reconheço quando me engano, posso optar por
percursos alternativos, etc.
+Fundamentação conceptual — mas também gosto de saber
porque é que eu vou — vou mais motivada porque sei o que
legitima a minha ação
Intencionalidade no atendimento
A intencionalidade conduz:
i) gerar de um grande número de alternativas adequadas à situação,
ii) considerar um problemas sob diferentes pontos de vista,
iii) uso de diferentes competências e qualidades pessoais e ao adaptar
das competências pessoais às necessidades específicas do outro
A intencionalidade tem por base uma certa fundamentação conceptual
que indica objetivos e estratégias parta os atingir
“É impossível não
comunicar!”
1. Comportamentos de atendimento
A expressão facial e a postura corporal transmitem uma série de
significações fundamentais para o processo de comunicação e para a
relação interpessoal.
Quando comunicamos o nosso corpo também fala.
As nossas expressões faciais comunicam os nossos sentimentos,
emoções e reações, intencionalmente ou não.
Podemos impedir a nossa comunicação, não utilizando a linguagem
verbal. Porém, não podemos impedir a comunicação não verbal; não
falar, é já uma forma de comunicar.
A essência da comunicação
Em alguns dos momentos mais dramáticos da vida, o facto de
simplesmente estar com outra pessoa é extremamente
importante:
Se um amigo nosso está no hospital, só o facto de lá estarmos pode fazer
a diferença, mesmo que não seja possível conversar.
Da mesma forma, estar com um amigo que está de luto pode ser
muito reconfortante para ele, mesmo que não se diga muita coisa.
As pessoas sentem-se bem quando os outros lhes prestam
atenção, da mesma forma que ser ignorado é, muitas vezes,
Relação de ajuda
exige uma certa intensidade de
presença
orientação física e psicologicamente para
o outro contribui para essa presença
O atendimento eficaz permite comunicar ao outro que
estamos com ele o que, por sua vez, nos coloca numa boa
posição para ouvir atentamente as suas preocupações
Relação de ajuda
Os clientes leem pistas que lhes indicam a qualidade da nossa
presença para com eles.
O nosso comportamento não-verbal influencia os clientes para o
melhor ou para o pior:
+ Uma presença atenta pode encorajá-los a confiar em nós,
a abrir-se, e a explorar as dimensões significativas dos seus
problemas.
+ Uma presença pouco atenta pode promover a
desconfiança e tornar os clientes relutantes em abrir-se e
revelar-se a nós.
Relação de ajuda
O processo terapêutico, i.e, a relação entre o terapeuta e o cliente
envolve, acima de tudo, um processo comunicacional, pelo que, certas
competências de comunicação constituem-se como importantes
“ferramentas” para o desenvolvimento da relação e interação com o
cliente.
Estas competências não são específicas do processo terapêutico ou da
função do psicólogo.
Todos nós, no dia-a-dia fazemos uso delas nas nossas relações
interpessoais.
Intencionalidade/ Intensidade
Linguagem não verbal
+Frequentemente recebemos e emitimos mensagens sem ser através da
linguagem verbal, mas sim através de: gestos; posturas; expressões
faciais; silêncios; tom de voz; roupas e adornos.
+A linguagem não verbal, que acompanha a linguagem verbal, oferece
um significado mais profundo e verdadeiro que esta última.
+A comunicação não verbal informa-nos sobre o conteúdo da
comunicação verbal; ajuda-nos a interpretar as mensagens verbais
+Congruência (ou não) entre comunicação verbal e não verbal
Distinção:
Escuta ativa - capacidade
Atendimento - tem a ver de captar e compreender as
com a o modo como mensagens que o outro
estamos com o outro, tanto comunica, quer elas sejam
física como transmitidas verbal ou não
psicologicamente. verbalmente, quer elas
sejam claras ou vagas.
1. Comportamentos
de atendimento
Função?
Encorajar o outro a falar livre
e abertamente
Falta de atendimento - pode ajudar a pessoa a
não falar sobre tópicos destrutivos ou não
produtivos
1. Comportamentos de atendimento
Comunicar ao outro que estamos interessados nele/ relação
Aumentar o conhecimento acerca do outro
Adequar os nossos padrões às necessidade do outro
Ter recursos para quando estamos perdidos ou confusos (escutar)
(Ouvir bem o outro) permite que o outro fale mais, se esclareça, etc
Competências de escuta aprender a ser bons ouvintes -
importância de escutar antes de falar
Evitar quebras no discurso:
É importante dar ao outro o “espaço” que ele necessita
para falar, tendo o cuidado de não o interromper em
momentos importantes
1. Comportamentos de atendimento
importância da posição de
Linguagem corporal - atendimento não ser a mesma para
espaço interpessoal confortável todos (diferenças culturais e
individuais)
Linguagem corporal - espaço pessoal
Comunicação interpessoal - distância física :
+Com a cultura em que estamos inseridos;
+As distâncias interpessoais variam com as culturas. Nalguns países,
como a França e o Brasil, a distância para uma conversa entre duas
pessoas é menos de um metro, mas na América do Norte raramente
é inferior a um metro. Os árabes falam muito perto entre si e olham-
se nos muito nos olhos.
+Com o tipo de relação que temos com a pessoa com quem
comunicamos.
+Nós tendemos a aproximar-nos mais das pessoas de quem
gostamos e a afastarmo-nos mais daqueles de quem menos
gostamos
Linguagem corporal – postura corporal
corpo como fonte de comunicação, i.e., ter consciência que o
corpo envia mensagens não verbais
+postura aberta e pouco rígida - forma de dizer que está disponível
para atender o outro (que está aberto e não defensivo)
+Braços e pernas cruzados vs “A minha postura está a comunicar
abertura e disponibilidade para o outro?”
+Inclinar-se para o outro de vez em quando dá a indicação de que o
estamos a ouvir e atentos ao que ele diz
+É importante que a postura (orientação) corporal transmita a
mensagem de que estamos envolvidos
+Se, por alguma razão, encarar o outro dessa forma for muito
ameaçador, então uma posição mais “angulada” pode ser mais útil.
Contacto ocular - percebemos o interesse dos
outros através do olhar (pupila, fixar, quebras no contacto
ocular)
olhar para o outro quando está a falar é uma forma de
lhe comunicar interesse pela sua mensagem
(sem, no entanto, fixar demasiado e
permanentemente o olhar)
Manter um bom contacto ocular com o outro é o
mesmo que dizer: “Estou contigo, quero ouvir o
que tens para me dizer”
desviamos o olhar quando estamos a falar de assuntos
Qualidades vocais a voz é um instrumento que comunica
muito dos sentimentos que se tem em relação a outra
pessoa ou situação
Qualidades vocais
tom de voz e o ritmo do discurso comunicam também o interesse
pelo outro, ou a falta dele, a forma como se sente acerca do outro.
Pensem de quantas formas conseguem dizer “Eu estou realmente
interessado naquilo que tem para me dizer” apenas alterando o vosso
tom de voz e o ritmo do vosso discurso.
Qualidades vocais
+mudanças no ritmo ou volume também transmitem
mensagens
+aumentamos/ reduzimos o volume e o ênfase em certas
palavras ou frases, e os outro faz o mesmo
+ palavras-chave que uma pessoa enfatiza através do volume e
ênfase vocais são, muitas vezes, conceitos de particular
importância; assim como, por exemplo, hesitações ou quebras
no discurso podem indicar confusão ou stress
Seguimento verbal – não mudarmos
de assunto, permanecermos no tópico
indicado embora nem sempre seja fácil,
porque:
quando as pessoas não estão
confortáveis a respeito de um assunto
mudam para outro assunto
diferenças culturais: em algumas
culturas a abordagem direta que nós
usamos tende a ser considerada rude e
intrusiva
Atenção seletiva
Sublinhar verbal - certas palavras são enfatizadas pelo
volume, acentuação, repetição
Silêncio
+A nossa profissão é uma profissão de diálogo, conversa, comunicação,
mas por vezes, a melhor coisa a fazermos é apoiar o outro em
silêncio.
+ Quando somos principiantes é difícil estar à espera que o outro fale e diga
alguma coisa, ou se está a chorar queremos logo apoiar com palavras,...
+Contudo, por vezes, o melhor apoio é simplesmente estar com o outro
e não dizer uma palavra. O silêncio “apoiante” na altura certa
pode ser a melhor forma de comportamento de atendimento -
pode dizer mais do que as palavras em certos momentos.
O silêncio também pode ser muito útil para ajudar o outro a falar
O período de tempo que cada um de nós tem entre os pensamentos é
diferente, umas pessoas podem precisar de mais tempo que outras
para organizar as suas ideias e continuar o discurso, daí que o silêncio
também nos permite evitar interromper demasiado cedo
Interrupções
Ao interromper o outro deixamos de escutar.
Contudo, as interrupções são necessárias, ou a consulta seria um monólogo
Formas benignas vs malignas de interrupção.
Ex.: O terapeuta que interrompe porque tem algo importante para dizer está a proceder
incorretamente
Ex: O terapeuta interrompe com uma postura gestual empática e um comentário do tipo:
“Tem estado a falar de vários aspetos. Eu gostava de ter a certeza que a estou a
compreender corretamente”.
Se as interrupções promovem um diálogo útil para o processo de resolução de problemas,
então, é útil.
1. Comportamentos de atendimento
Importância da não-atenção: quando o outro insiste demasiado sobre
um determinado tópico; o não-atendimento intencional pode ser útil
Estilo pessoal
- selecionar o que está mais de acordo com o nosso modo de ser, de estar, de pensar;
- desenvolver um estilo natural; flexibilidade;
- conhecer as nossas próprias limitações, o efeito habitual do nosso estilo;
Mudanças no volume, no contacto ocular, nos movimentos gestuais,
etc. dizem coisas acerca de nós, pelo que é importante conhecermo-
nos neste ponto, o que aumenta a eficácia do nosso atendimento