EMPREGADOR
Prof. Msc. Mario Cleone de Souza Junior
Na última aula:
Regime de Trabalho
- Autônomo
- Avulso
- Estágio
- Eventual
- Institucional
- Doméstico
Regime de Emprego/Celetista/Subordinado
- Pessoalidade
- Onerosidade
- Não eventualidade
- Subordinado
Objetivos de Aprendizagem:
• Conceituar a figura do Empregador;
• Apresentar os diferentes tipos de
Empregador.
Referência bibliográfica:
Páginas 403
a 506
Conceito e definição legal
CLT
[...]
“A empresa, individual ou coletiva, que, assumindo os
riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a
prestação pessoal de serviço” (art. 2º, caput, CLT).
Diferenças:
Empresa ≠ Estabelecimento ≠ Empresário/Sociedade
Empresária
Empresa
Um complexo organizado de fatores produtivos
voltados para produção de bens/serviços.
Empresa
Um complexo organizado de fatores produtivos
voltados para produção de bens/serviços.
Fatores produtivos:
K’
Mão de obra
Tecnologia Transformação Bens/serviços Riscos da atividade econômica
Matéria prima (eficiência) (eficácia) (Lucro ou Prejuízo)
Maquinário
Estabelecimento
Conjunto de bens corpóreos e incorpóreos que fazem
parte da empresa.
Empresa e Estabelecimento
Não são sujeitos de Direito, apenas bens corpóreos e
incorpóreos à disposição do proprietário dos fatores de
produção.
Empresário
Pessoa natural que explora uma atividade econômica.
Sociedade Empresária
Entidade personalizada que explora uma atividade
econômica.
Sujeitos de Direito e aptos a participarem de uma
relação jurídica, pois detentores de “Personalidade
Jurídica”.
Relação Jurídica de Emprego
Direitos/Obrigações
Direitos/Obrigações
A problemática dos equiparados a empregador:
CLT
[...]
Art. 2º -
[...]
§ 1º Equiparam-se ao empregador, para os efeitos
exclusivos da relação de emprego, os profissionais
liberais, as instituições de beneficência, as associações
recreativas ou outras instituições sem fins lucrativos,
que admitirem trabalhadores como empregados.
A problemática dos equiparados a empregador:
Não importam os objetivos sociais de uma determinada entidade (ter
ou não lucro), para serem vistos como empregadores, basta que exista
uma relação de trabalho subordinado em seu bojo.
Assim, não são equiparados a empregador, eles são efetivos
empregadores:
• os profissionais liberais;
• as instituições de beneficência;
• as associações recreativas;
• outras instituições sem fins lucrativos.
Exemplos:
Advogado que contrata um Secretário para atendimento e
recepção.
ONG que contrata um vigilante para guarnecer seu
estabelecimento.
Associação Civil que contrata um assistente administrativo.
A problemática das entidades despersonalizadas:
As entidades que não possuem personalidade jurídica
(condomínios, espólios e massas falidas) podem ser
empregadores, admitindo trabalhadores em relação de
trabalho subordinado.
Estudo de Caso 6:
Maria foi contratada como caixa para laborar em uma
Quitanda. Foi demitida 1 ano depois, mas não recebeu sua
rescisão de trabalho. Ao ingressar com ação na Justiça do
Trabalho, o advogado da Quitanda alegou em Contestação
que essa entidade não possuía registro na Junta Comercial,
logo era uma entidade despersonalizada, e não poderia ser
empregadora pra fins de relação de emprego.
A Quitanda sem registro de formalização na Junta
Comercial pode ser empregadora pra fins de relação de
emprego?
Conceito doutrinário
Empregador é o ente, dotado ou não de
personalidade jurídica, com ou sem finalidade
lucrativa, que admitir empregados, prestado
com pessoalidade, continuidade, subordinação e
mediante remuneração.
Poderes do Empregador:
1.Diretivo: direito de dirigir sua atividade da forma que melhor
lhe aprouver.
As ordens dadas pelo empregador ao empregado devem:
• referir-se às atividades decorrentes da função para a qual foi
contratado;
• ser possíveis de cumprimento;
• ser lícitas e de acordo com os bons costumes;
• respeitar a dignidade humana do empregado.
Poderes do Empregador:
2. Regulamentar: poder de criar normas e regulamentos no
âmbito de sua empresa.
• Regulamento de empresa (bilateral ou unilateral).
• Quadro de carreira (ou plano de cargos e salários), prevendo
promoções alternadas segundo critérios de antiguidade e de
merecimento (art. 461, §§ 2º e 3º, CLT).
Poderes do Empregador:
3. Disciplinar: poder atribuído para a aplicação de sanção ao
empregado.
Devem ser observadas as seguintes regras:
• Deverá estar sempre subordinado a uma previsão legal;
• Deverá estar sempre subordinado à existência de culpa do
empregado;
• Deve haver uma proporção entre a gravidade da falta
praticada pelo empregado e a espécie de punição aplicada.
Poderes do Empregador:
3. Disciplinar: poder atribuído para a aplicação de sanção ao
empregado.
Medidas disciplinares previstas:
• Advertência
• Suspensão
• Demissão
Não é admitida a multa, com exceção do atleta profissional (Lei
nº 9.615/98
Definição legal de Grupo Econômico
CLT
[...]
Art. 2º
[...]
§ 2º Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada
uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a
direção, controle ou administração de outra, ou ainda
quando, mesmo guardando cada uma sua autonomia,
integrem grupo econômico, serão responsáveis solidariamente
pelas obrigações decorrentes da relação de emprego. (§ 2º
com redação pela Lei 13.467/2017)
Exemplo de Grupo Econômico - Horizontal
Elementos caracterizadores:
1) participantes (empresas);
2) autonomia dos participantes (personalidade jurídica);
3) relação entre participantes (relação de dominação, através
da direção, controle ou administração da empresa principal
sobre as filiadas;
4) natureza da atividade (industrial, comercial, ou qualquer
outra de caráter econômico);
5) efeito (solidariedade);
6) objetivo sobre que recai (relação de emprego)
Considerações:
• Responsabilidade solidária das empresas componentes do grupo
econômico.
• A mera identidade de sócios não se constitui em Grupo
Econômico.
• Conceito previsto apenas para fins de Direito do Trabalho.
• Não se exige prova da sua constituição formal do grupo,
podendo ser acolhida sua existência sempre que existam
evidências probatórias de uma integração interempresarial da
qual decorre um controle, uma administração ou uma direção
única de empresas.
Grupo Econômico Ultra
Considerações processuais sobre o Grupo
Econômico:
• Extinção da Orientação Jurisprudencial nº 205, TST
É possível a verificação da existência de grupo econômico
apenas na fase de execução, não sendo mais necessário
que a reclamação trabalhista tenha sido ajuizada em face
de todas as empresas integrantes do grupo econômico
para que respondam pelo crédito trabalhista.
Sucessão de Empregadores:
CLT
[...]
Art. 10. Qualquer alteração na estrutura jurídica da
empresa não afetará os direitos adquiridos por seus
empregados.
[...]
Art. 448. A mudança na propriedade ou na estrutura
jurídica da empresa não afetará os contratos de trabalho
dos respectivos empregados.
Sucessão de Empregadores:
Possibilidade de alteração da figura do empregador
dentro da relação jurídica de emprego, sem afetar a
estrutura dos contratos de trabalho firmados.
■Garantia dos direitos trabalhistas;
■Despersonalização do empregador;
■Continuidade da relação de emprego.
Considerações sobre a Sucessão Empresarial:
Não importa o tipo de alteração subjetiva realizada
pelo Empregador:
Reengenharia Empresarial
• Fusão
• Cisão
• Incorporação
• Transformação
Considerações sobre a Sucessão Empresarial:
As obrigações trabalhistas, inclusive as contraídas à época
em que os empregados trabalhavam para a empresa
sucedida, são de responsabilidade do sucessor.
No caso de fraude trabalhista, o sucedido responderá
objetiva pelas dívidas contraídas.
As regras sobre sucessão são de natureza cogente.
Não se aplica sucessão de empregadores em trabalhador
doméstico.
Sucessão de Empregadores:
Empregador A
Direitos/Obrigações
Salários
Direitos/Obrigações
Adicionais
Férias
13º salário
FGTS
Contribuição previdenciária
Sucessão de Empregadores:
Empregador B
Direitos/Obrigações
Salários
Direitos/Obrigações
Adicionais
Férias Contrato de Trespasse
13º salário
FGTS
Contribuição previdenciária
Consórcio de Empregadores:
A figura do consórcio de empregadores existe quando
duas ou mais pessoas físicas se reúnem e celebram
acordo no sentido de compartilhar a mão de obra do
mesmo empregado.
Derivação do Sharing Economy.
Aplicação da responsabilidade solidária aos
empregadores.