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Projeto de Intervenção Educativa: Metodologia e Análise

Enviado por

André Costa
Direitos autorais
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Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
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Instituto Superior de Educação e Trabalho

Projecto de Intervenção
Educativa

Ana Rodrigues
Projecto
Refere-se a um futuro, próximo ou mais
distante, em que se realizará algo que
desejamos.

É uma imagem antecipadora do que


ambicionamos que se venha a concretizar, numa
determinada data ou a partir dessa data.

É uma representação individual ou colectiva,


alicerçada numa realidade que conhecemos e
que queremos alterar.

Projectar é configurar hoje o futuro.


A necessidade de projectar
 O projecto está ligado à razão que lhe permite
conhecer exactamente o que deseja obter, o que
deve evitar, e distinguir o utópico do operativo.
 em projectar, não há desenvolvimento, não há
progresso, nem qualidade.

 Mas o projecto não é só capacidade de


antecipação; é também força de mobilização.

 A vontade é o motor que permite ao homem


realizar o que deseja;
O Projecto
O projecto será a apropriação do futuro
possível. Não é uma previsão.

A previsão-preocupa-se em conhecer as
situações e a sua evolução nos seus detalhes
enquanto que o projecto procura
transforma-la naquilo que desejamos que
seja(Cfr BOUTINET, p. 100).
Instituto Superior de Educação e Trabalho
Capa

Projecto de Intervenção

Tema

Professor:---

Nome dos alunos


Local
Data da entrega
Projecto de Intervenção
Tema

1. Introdução
(da introdução deve constar:
-A Justificação do Projecto
- A Metodologia adoptada)

2. Caracterização da Escola / Agrupamento


(interessa abordar com detalhe os aspectos
relevantes para a identificação da SI e os recursos
que podem ser afectados ao Plano)
3. Fundamentação teórica da problemática
que fundamenta as opções tomadas

4. Descrição da Situação Presente Insatisfatória

5. Estudo da “Situação”- S.P.I.


- Causas hipotéticas geradoras da situação;
- Indicadores reveladores das causas;
- Resultado da recolha de dados;
- Indicadores observados e não observados;
- Validação das causas hipotéticas;
- Causas geradoras da situação presente.
6. Formulação da situação Insatisfatória em termos de
diagnóstico

7. Enunciação da “Situação Futura Satisfatória”


a atingir no final do Projecto (Metas e duração
da Intervenção)

8 . Plano de Actividades
Recursos humanos, materiais e cronograma

9. Instrumentos de Avaliação
A questão de partida para uma intervenção
Para chegar à questão de partida para uma
intervenção temos que colocar, a nós mesmos
duas série de perguntas:

I Série:
O que é que nos descontenta? …
Temos problemas na nossa vida profissional,
social, comunitária com os quais estamos
pouco conformados?
A forma como o trabalho está organizado na
nossa escola é eficaz e racional?
A questão de partida para uma
intervenção
Há alguma necessidade ou lacuna na nossa comunidade
escolar que tenha urgência em ser colmatada?

 No campo social que situações nos agridem ou


constrangem?

No ensino das NEE existem lacunas que necessitem ser


resolvidas?

Somos capazes de idealizar um futuro melhor?

 Uma situação mais satisfatória do que a existente?

Somos capazes de superar as necessidades ou lacunas que


identificamos?
A questão de partida para uma
intervenção
II Série, tão importante como a primeira:

Estamos dispostos a intervir em quê?

 Temos vontade, motivação e determinação para


alterar a situação A ou B …que se vem a arrastar
ao longo do tempo?

Temos a motivação necessária para alterar


práticas, modos de actuar, rotinas, usos, costumes,
usando para isso a inovação e a criatividade?
Se houver uma resposta negativa, às questões
anteriores
Então é porque somos pessoas felizes;
 porque temos tudo o que queremos e não
achamos que nada esteja mal.
 Nada nos constrange nem nos agride.
Pode haver dificuldades, necessidades ou
ineficiências, mas estas são naturais.
Não temos vontade de alterar nada.
Estamos conformados com o nosso dia-a-dia e
com tudo o mais que nos rodeia.
Exemplo de uma situação presente insatisfatória
identificados em contexto académico (SPIs).

No concelho de (... ) um número importante


de mulheres vêem-se constrangidas a
abandonarem os seus empregos para
cuidarem de idosos ou familiares que estão a
seu cargo. Este número é estimado em cerca
de 9% da população feminina activa. A
situação é vivida de forma insatisfatória
porque prevêem dificuldades no seu
reingresso no mundo do trabalho e o
agregado familiar fica afectado pela redução
do rendimento mensal.
2º- Exemplo

Na Escola ABC o insucesso escolar atinge


35% dos alunos que a frequentam. Este
insucesso conduz em muitos casos ao
abandono precoce, em % não calculada.
A procura de informações

1º passo - busca de informações, procurar


dados, estudos e investigações que me
proporcionem uma visão global e
aprofundada da problemática em que vamos
trabalhar.

Quando formulamos uma SPI fazemo-lo com


as informações que temos, com os nossos
valores, com as nossas convicções e
preconceitos.
Revisão bibliográfica
Socorrendo-nos de autores credíveis que se
tenham dedicado ao estudo de questões
ligadas á problemática que nos propomos
tratar.

A revisão bibliográfica vai possibilitar


olharmos para as situações com uma
pluralidade de informações, estudos e
investigações disponíveis e percebe-las não
apenas nos seus detalhes mas em
profundidade.
Interessa, por exemplo saber:
Na 1.ª SPI, se a % de mulheres que deixam o
emprego para cuidar de idosos no concelho é
semelhante noutros concelhos;
se há diferenças entre os concelhos rurais e os
urbanos;
se apenas as mulheres deixam o emprego por esse
motivo ou também os homens o fazem.
Que factores contribuem para as mulheres tomarem
essa decisão e que papel desempenham as redes de
apoio social.
Interessa também estudar quais são os efeitos
psicológicos e afectivos reais que afectam a mulher
constrangida a abandonar o seu trabalho e que
consequências tem a nível familiar e social.
2º Exemplo
Na 2.ª SPI é decisivo saber: o que se
entende por insucesso;
a que é devido;
que factores concorrem para que haja
insucesso;
sucede o mesmo em todas as escolas;
nos países desenvolvidos como se lida com
esta ineficiência;
que iniciativas são conhecidas para o
diminuir ou eliminar .
Descrição do contexto em que se insere a situação
Nesta descrição deverão figurar todos os elementos
necessários para a sua contextualização, elemento
necessário para a concepção da intervenção que se vai
implementar.
A saber:
quais as características do meio (socioeconómicas,
demográficas, culturais);

- que pessoas serão envolvidas directa ou indirectamente


( a comunidade, grupos específicos);

- que organizações estão envolvidas (públicas, privadas,


de solidariedade social, culturais, grupos activos de
cidadãos).
Situação contextual
 Para se perceber por vezes é necessário falar dos antecedentes.

 Saber como foi o caminho percorrido até se chegar à presente


situação.

 A descrição dos antecedentes, serve para ajudar a perceber o cenário


sobre o qual vai incidir a nossa acção.

 Deverá, mencionar-se, ainda, todos os esforços já efectuados para


resolver os problemas que se colocam assim como os resultados
obtidos.

 Neste momento trata-se, sim, de “fotografar” o meio, a organização, a


freguesia, a situação onde projectamos uma determinada intervenção.

 Não de procurar justifica-la.


Situação Insatisfatória e Problemas
Exemplos:
- A minha empresa está a vender menos do
que o previsto há já um ano;
- A instituição que dirijo está com meios
insuficientes para fazer face às despesas e
não sei como superar a situação,
-O meu serviço não é capaz de se modernizar
e o pessoal continua a trabalhar à moda
antiga. São alérgicos às novas tecnologias.
A situação que sentimos como insatisfatória
pode conter uma série de problemas.
Situação Insatisfatória e Problemas
A angústia provocada pela existência de
problemas pode levar-nos a confundirmos
estes com objectivos e soluções.
 Por exemplo:
« A melhoria da qualidade das peças
fabricadas» não é a formulação de um
problema mas de um objectivo;
«A mudança de máquinas», «aquisição de
novos equipamentos» ou «a modificação dos
modos operatórios» não são problemas mas
soluções.
LEMAITRE constata que poucas pessoas, quando
inquiridas, expressam problemas: face a uma
dificuldade arranjam soluções de forma espontânea.

Tal acontece porque «o facto de se encontrar um


problema cria um clima de tensão e de desconforto
psicológico ( ...) e não ser agradável falar de
dificuldade que se sentem» .

Por isso é compreensível a tendência quase impulsiva


para encontrar uma solução para superar essa
dificuldade.

Esta procura leva a saltar de imediato para as


soluções possíveis ou, mesmo, encontrar o «culpado»
de tal situação. (o. c., p 81).
Lemaitre
constatou que em muitas empresas quando se
pergunta aos funcionários quais são as suas
dificuldades respondem que não as têm.
 Vai tudo bem, sem dificuldades.
 Com efeito, é penoso e difícil admitir, diante de
outros, que se tem fraquezas e dificuldades;
tal é sentido por muitos como se se estivessem
a pôr em causa.
E tal não ocorre apenas com os funcionários e
com os quadros de uma empresa.
Ocorre, também, na cúpula de gestão de
determinadas empresas, e organizações
públicas ou privadas.
Afirmam orgulhosamente: «Não há
problemas », o que significa, na
verdade: «Não quero problemas» !

Análises mais recentes em matéria de


gestão mostram que as empresas mais
competitivas são as que praticam a
«caça aos problemas»: estudam os
defeitos, as reclamações, os
incidentes, os acidentes, as avarias, os
disfuncionamentos de todos os
O que é um problema?
Um problema é, em primeiro lugar, um estado ou
uma situação presente insatisfatória.

Esta situação pode ser “absoluta (experiência


dolorosa, desconfortável, inadmissível ...) ou
relativa (melhorar, tornar mais perfeito, criar mais
qualidade, ...)”.

Qualquer questão que surge a propósito da acção


que desenvolvemos, particularmente aquelas para
as quais não conhecemos as soluções adequadas
nem a forma de as obter, pelo menos no momento
em que se colocou. (Cfr. LEMAITRE, o.c. p.91)
Quando ninguém está inquieto nem
desconfortável então «não há
problemas». “Só há problemas de
pessoas”.

Há, problema quando alguém sente


uma situação ou um facto como
insatisfatório ou que está a correr
de forma imperfeita quando seria
possível correr bem e com
qualidade. (ibidem)
Há problemas
Quando, um conjunto de fenómenos
insatisfatórios são sentidos por pessoas –
qualquer que seja o nível de
responsabilidade que têm – e não possuem
nenhuma solução perfeitamente definida e
aceitável.
Problema e objectivo

Não existe problema se não existir um


objectivo.

Para podermos dizer que temos um problema


precisamos não só de definir em que é que a
situação actual é insatisfatória ou
constrangedora mas também o que será a
situação futura que nos satisfaça.
É evidente que uma pessoa tem um
problema quando não tem aquilo que
quereria ter, nem sabe como pode vir
a ter.

Encontra-se, num estado


insatisfatório e visa um estado
diferente: «o desejado».

Para que o problema seja resolvido


precisa de agir de forma adequada
Análise da situação

Tem como objectivo um estudo dos


factos, de informações
complementares, que permitam
determinar, com o maior rigor
possível, a situação presente
insatisfatória ou o problema.
Numa primeira fase questionamos:
 De que se trata exactamente?
Qual é a extensão da situação?
 Quais as consequências?
 Quem é atingido?
 Quando? Em quê? Como? Porquê? ... Quais
são os dados ou números disponíveis sobre a
situação actual? (Cfr NOCE e PARADOWSKI, o.c., pp. 62-67 e
SIMONET e SIMONET o.c.,pp. 31-32)
•O registo dessas respostas vão ajudar –nos a
ver a situação de uma forma mais alargada e
numa dimensão mais ampla.

•O interesse desta técnica, reside na


obrigação de nos confrontarmos com a
realidade a fim de ultrapassarmos a ligeireza
ou o simplismo das apreciações rápidas,
subjectivas, iníquas ou incompletas. Ex.
médico
À procura das causas
Após a S.I. descrita, dispomos de todos os dados
disponíveis, corresponde a uma representação de
sintomas. Estamos ao nível da descrição.

Temos de passar para a sua compreensão.

A situação ocorre porque foi originada por algo


que interessa identificar para a perceber.

Existem factos, que neste momento desconheço,


que se encontram a montante da situação e que
são por ela responsáveis.
Temos que questionar:

‘Que factos se encontram na origem desta


situação? ’
“O que a provoca”?

A procura das causas é uma fase importante


do processo que se vai reflectir no
delineamento de todo o projecto. (Cfr. NOCE e
PARADOWSKI, o.c., p. 68)
Na busca das causas um instrumento
clássico é o diagrama causa-efeito:

formulam-se hipóteses de causas que


podem estar na origem – podem gerar –
determinados efeitos que são os sentidos
na situação presente (SPI).

Interessa-nos identificar essas causas


para poder agir sobre elas.

É evidente que, terão que ser verificadas


no terreno para poderem ser tidas em
conta.
As causas de uma SPI
podem estar ligadas às qualificações das
pessoas envolvidas;
aos equipamentos de que dispõem;
 à cultura do meio ambiente;
 aos hábitos e métodos que utilizam;
á falta de informação, entre outros a
descortinar.
Formulação hipotética das causas temos que ter
os seguintes cuidados: SIMONET e SIMONET, (p.33)
a) “Procurar causas e não culpados”. Embora pareça simples e
óbvio o facto é que existe uma tendência para encontrar ‘bodes
expiatórios’ que criem ‘boa consciência’. Tal, não ajuda a
resolver nada. A discussão sobre ‘eventuais culpas’ é uma pura
perda de tempo.

b) “Procurar várias causas” e não ‘a causa’. Ao analisar qualquer


situação rapidamente nos apercebemos que na origem dela
estão uma multiplicidade causas. Por exemplo em matéria de
qualidade e segurança todos os acontecimentos que nos
incomodam são fruto de várias causas. Alias, “o estereótipo da
causa única é tão falso como o da solução única”.

c) Distinguir as causas principais das acessórias; “as


causas sobre as quais é possível agir das que
dependem de outros ou do ambiente”.
As causas, ao contrário do que sucede com os
sintomas, raramente são claramente
perceptíveis.

A equipa do projecto tem de ter alguma


intuição para trazer para o primeiro plano as
causas hipotéticas.

A intuição não basta.

Importa, para uma análise criteriosa,


estabelecer uma hierarquia dos problemas
contidos na SPI a fim de para cada um deles
A SPI é sempre sintoma de algo que não vai
bem
Só teremos um verdadeiro diagnóstico da
situação após uma recolha de dados que nos
permitam provar quais as causas que são,
realmente, geradoras da situação
insatisfatória.

Para exemplificar as situações mais próximas


são as que se passam nos campos da
investigação criminal e da saúde.
Mais um exemplo:
Um paciente vai ao médico e descreve a sua
situação de saúde que há algum tempo tem
vindo a ser insatisfatória: tem dores de
estômago, geralmente depois de comer,
acompanhada muitas vezes de dores de
cabeça.

O médico faz-lhe várias perguntas com o


objectivo de obter uma descrição o mais
exaustiva possível da situação.: ‘Há quanto
tempo?...’ ; ‘Como?...’. ‘O que sente,
precisamente?...’
Depois de ter a situação completamente
descrita imagina várias causas hipotéticas que
podem estar a molestar o paciente.

Todavia só fará o diagnóstico depois de lhe


indicar uma série de exames (indicadores) que
terá de fazer para verificar das hipóteses que
equacionou quais as que de facto são
causadoras do mal-estar sentido.

Após as análises poderá dizer, por exemplo: as


dores de estômago são provocadas por ( .... ) e
a dor de cabeça é um sintoma parasita das do
estômago.
Interessa, identificar o que é afectado por
determinados factores e qual a interligação de
relações que uns exercem sobre os outros.

A admissão de uma situação insatisfatória como


natural, fatal, ou como sequência lógica de um
processo é o principal obstáculo à procura da
qualidade, da melhoria ou da alteração da
situação:

adoptam-se ‘medidas paliativas’ em vez de


procurar a raiz das causas e adoptar ‘medidas
curativas’.
Das causas hipotéticas às causas válidas
Tudo o que temos até agora são hipóteses.

As hipóteses são, representações baseadas em


convicções, valores, preconceitos e
informações não provadas. São, com efeito,
representações do real.

Para chegarmos a causas que tenham um peso


significativo de autenticidade temos que
encetar um processo de pesquisa que mostre
que as hipóteses têm fundamento e portanto
as poderemos considerar como válidas.
•A busca de dados no terreno, feita de
uma forma criteriosa, revela-nos que
nem sempre as nossas convicções
estão alicerçadas na realidade.

•Não é raro que das causas


hipotéticas encontradas para uma
determinada situação sejam validadas
muito poucas.
Ex. Investigação criminal
No início da investigação os detectives encarregados de
desvendar um crime não têm mais do que suspeitas.

Todas essas suspeitas, porém, caem por terra se não


forem encontrados factos comprovados que as
sustentem.

Há casos em que a convicção dos investigadores é tal


que mantêm os suspeitos em prisão preventiva durante
meses, enquanto procuram os indícios de culpa,
utilizando todos os meios ao seu dispor.

No final têm que os libertar por falta de provas.


O 1º passo para validar as causas
É encontrar informações fiáveis, factos
observáveis ou outros elementos mensuráveis
que evidenciem que as causas formuladas de
forma hipotética existem.

Estes factos, informações ou outros


elementos mensuráveis denominam-se
‘indicadores’.

Cada causa terá o seu feixe de indicadores.


O 1º passo para validar as causas
 Cada indicador poderá revelar uma faceta
diferente da causa em análise directa ou
indirectamente.

Encontrar para uma causa um só


indicador introduz na sua validação um sinal
de fragilidade.
A importância dos indicadores
Ex: - a febre é um indicador relevante para
diagnosticar determinado tipo de doenças.
Sem ter a certeza de que ela existe, e em que
grau, nenhum médico tem elementos
suficientes para verificar se há ou não
qualquer tipo de infecção. A febre é
observável e quantificável.
- a análise ao sangue é um indicador crucial
para identificar a causa de determinadas
patologias cujo sintoma pode ser apenas um
mal-estar físico.
Os indicadores

Para encontrarmos os indicadores devemos


questionar cada causa:
-quais são as informações, os factos
observáveis ou outros elementos mensuráveis
a que possamos ter acesso que demonstrarão
que as causas formuladas de forma hipotética
existem, ou se, pelo contrário, não passam de
meras impressões?
Encontrar os indicadores fiáveis
Eles são indispensáveis para, após a recolha
de dados, podermos definir o diagnóstico da
situação com segurança.

A existência – ou não – de uma causa será


comprovada através da observação de vários
indicadores.

A causa é a ‘suspeita’ os indicadores


encontrados são as ‘provas’.
Indicadores
Cada causa poderá ter várias (dimensões) e teremos
que encontrar indicadores para cada uma delas.

De outra forma a sua validação reveste-se de grande


fragilidade (Cfr. QUIVY e CAMPENHOUDT, 2008, pp. 122-124).

Os indicadores são factos observáveis e


mensuráveis que permitem clarificar e provar que
uma causa, enunciada de forma hipotética, existe
realmente e gera a situação que sentimos como
insatisfatória.
Os indicadores deverão ser:

a) Precisos no que diz respeito à ordem de grandeza


e ao tempo.
 Termos tais como ‘um grande número’ não tem
qualquer valor como elemento de um indicador
porque eles não precisam qualquer espécie de
crescimento ou de procura.
Não é a mesma coisa uma mudança de 100 para 110
ou uma mudança de 100 para 400.
A indicação de uma percentagem é muito mais
precisa. O mesmo se passa com o tempo: quanto é? ...
 Uma hora pode ser ‘muito tempo’ em determinadas
circunstâncias noutras ser ‘ínfimo’.
Os indicadores deverão ser:

b) Independentes. Não estão subordinados a


qualquer dos outros enunciados nem são causa
nem efeito de nenhum deles. Normalmente o
mesmo indicador não é utilizado para mais do
que uma causa. Todavia pode haver excepções.

c) Factuais. Devem referir-se a factos ou a


dados e não a uma impressão subjectiva.
Deverão ter o mesmo sentido tanto para um
indivíduo implicado no projecto como para um
céptico bem informado.
Os indicadores deverão ser:

Válidos. O conjunto de indicadores devem provar


que uma determinada causa existe. Não são
elementos complementares ou adjacentes à causa.

e) Observáveis. Devem referir-se a dados


disponíveis no terreno e acessíveis para uma
recolha.

f) Mensuráveis. É possível quantificar a


frequência com que são observados e a sua
dimensão.
Exemplo de indicadores para uma causa encontrados em contexto
académico

Causa
A população do distrito de (...) não está suficientemente
educada para proteger e preservar o meio ambiente.
Indicadores
1 - Os cidadãos não colocam o lixo nos recipientes e
locais apropriados;
2 - Não existem campanhas de sensibilização ambiental;
3 - Há um défice de formação e de formadores;
4- As actividades formativas e de sensibilização
ambiental levadas a cabo foram pouco frequentadas;
5 . Os programas do ensino básico e secundário não
integram componentes de educação ambiental.
Os indicadores enunciados abordam 3 facetas (dimensões) da causa :

Indicador n.º 1 -Comportamentos dos


cidadãos.

Indicadores n.ºs 2, 3 e 4 -Preocupação da


entidades públicas e culturais pela
formação para preservar o meio ambiente.

Indicador n.º 5 -Preparação das crianças e


jovens para os problemas ambientais
Instrumentos de recolha de dados
A utilização de instrumentos de recolha de dados
requer conhecimentos sobre o seu manejo que,
por vezes, se revestem de alguma complexidade.
Vamos abordar, de forma simples, três
instrumentos de recolha de dados que podem
relevantes para um trabalho deste tipo:
1. consulta de documentos ou de outros dados
que constam de textos escritos;
2. conversa informal com terceiros;
3. Observação directa.
 Não se considera aqui o questionário por
ultrapassar os limites do trabalho que se propõe.
1. Consulta de documentos ou de outros dados que constam de textos
escritos
São de considerar como fidedignos os documentos oficiais ou textos
académicos de autores reconhecidos.

 A pesquisa feita através de consulta de documentos requer


determinados cuidados:

 a) Ir buscar ao lugar certo. Deve gastar-se algum tempo a inventariar


as fontes disponíveis que possam conter os dados que procuramos.

 b) Verificar se os dados são actuais. As fontes são datadas.

 c) Verificar se há outros elementos que apontam noutro sentido.


Numa mesma fonte podemos ter informações que se contradizem ou,
pelo menos, carecem de reflexão. Importa fazer uma análise da
coerência interna das informações constantes de uma mesma fonte.

 d) Ter o cuidado de relativizar as informações que veiculam. As


palavras têm, muitas vezes, a função de revelar uma realidade mas,
por vezes, também, podem ocultar ou ofuscar essa mesma realidade.
Conversa informal com terceiros
 Uma conversa informal com quem detenha a informação, (uma
entrevista informal).

 Alguns cuidados:

 a) Evitar induzir as respostas dando a impressão de que só há


uma resposta certa;

 b) Ter cuidado em criar a situação mais espontânea possível;

 c) Não criar situações que induzam nas pessoas o desejo por


coisas que não têm Exemplo: perguntar a um aluno: onde
estudas? E nunca : tens um quarto só para ti ?; perguntar a um
trabalhador – quando tem férias como as passa? E nunca; em
que zona do país passa as suas férias? ou passa as suas férias
em Portugal ou no estrangeiro?
Conversa informal com terceiros

d) Não levantar questões do foro íntimo.

e) Deixar a conversa fluir.

f) Testar a mesma questão com perguntas


diferentes, quando tal se revelar oportuno.
3. Observação directa

Observar é um processo que inclui a atenção


voluntária para um objecto ou uma situação
para dela recolher informações.

A observação é, um processo cuja função é


recolher informações sobre um determinado
objecto ou comportamento – com um
determinado objectivo - e anotar o resultado
da respectiva observação.(Cfr. COSTA, s/d, pp.
132-136)
Encontrar os instrumentos adequados
Para cada indicador deve ser encontrado o instrumento
adequado para a recolha dos dados necessários para
verificar se o indicador é observável e em que medida.

Para ajudar a descobrir, podemos colocar perguntas tais


como:
‘O que é que é importante verificar ou saber para provar
que este indicador existe? ...’; ‘Como posso verificar? ...’;
‘Quem me poderá dar informações relevantes para poder
concluir da sua existência ou não? ...’;
‘Que documentos posso consultar para encontrar os
elementos de que necessito? ...’;
‘Como posso ter acesso a determinados dados? ...’
Exemplo de instrumentos de recolha de dados encontrados em contexto
académico para uma série de indicadores de uma causa

Instrumentos de recolha
Indicadores
de dados
 Nas creches do concelho YYY  - Conversa informal com responsável
existe uma longa lista de espera; de cada creche.
 As instituições existentes carecem  - Conversa informal com responsável
de recursos humanos, para prestar de cada creche.
cuidados a um maior número de  - Consulta ao quadro de pessoal (se
utentes; facilitado)
 Os rendimentos disponíveis das  - Conversa informal com a assistente
famílias não permitem pagar os social dos serviços concelhios
preços praticados pelas creches;  - Conversa informal com as famílias
 Não existe outro tipo de serviço de com bebés
cuidados a preços que as famílias  - Conversa informal com o
possam pagar. Presidente da Câmara.
 Os horários das creches do  - Consulta da Carta Educativa do
concelho não se adequam aos concelho.
 - Conversa informal com as famílias.
interesses das famílias;
Preparação para a recolha de dados

O trabalho de recolha de dados no terreno


tem de ser preparado através de grelhas que
prevejam todas as situações possíveis.

 Tal impede, ou pelo menos dificulta, que as


convicções e preconceitos possam influenciar
a interpretação dos factos observados.
Analisemos mais dois exemplos de observações:

1. Para recolher determinadas informações sobre atitudes,


comportamentos ou motivos de conversa na sala de aula, um
investigador treinou três alunos a anotar numa grelha
preestabelecida os dados relevantes que necessita sejam observados
e marca o ritmo das observações: de 3 em 3 minutos, o que
corresponde a 15/16 registos numa aula de 50 minutos. Os demais
colegas obviamente que desconhecem o facto.

2. 2. Um assistente regista todas as interacções e comentários do


público que observou durante uma conferência do investigador sobre
um tema polémico seguindo os parâmetros por este definidos.

Os dados recolhidos de forma indirecta podem ser diferentes dos


recolhidos directamente pelo investigador. A leitura dos
comportamentos não é unívoca.

O tipo de anotação pode ser imediata quando se
segue imediatamente à observação.

Sempre que a presença de um observador é


captada os comportamentos dos indivíduos
alteram-se. A naturalidade deixa de existir.

Antes de ir para o terreno a equipa encarregada


de recolher dados deve preparar, para cada um
dos instrumentos de recolha, uma grelha de apoio
contendo todos os dados necessários e as
respostas ou resultados possíveis de forma a
possibilitar uma anotação rápida e ‘precisa’.

No caso da conversa informal a anotação deve ser


simplificada e, parcialmente, diferida para que a
conversa possa fluir.
Grelha para a conversa informal com a Assistente Social

Instrumento: Número de
Conversa Informal com a Assistente Social entrevistas
1
Indicador Respostas Anotação das
possíveis respostas
Os rendimentos disponíveis Quase todos podem pagar
das famílias não permitem
pagar os preços praticados
pelas creches
Podem pagar com dificuldade

Só alguns podem pagar

Quase ninguém pode pagar


Grelha para a conversa informal com famílias com bebés
Instrumento: Número de
entrevistas
30 Famílias
Conversa informal com famílias com bebés residindo em
freguesias
diferentes
Indicador Respostas possíveis Anotação das
respostas
Os rendimentos Podem pagar
disponíveis das
famílias não
permitem pagar os
preços praticados
pelas creches
Podem pagar com
dificuldade
Não sabem se poderão com
a despesa
Algumas dificuldades na compilação da informação
a) Utilizar apenas uma parte das informações
disponíveis no sentido de aproximar o resultado
do que se pretende que seja observado. Dito
desta forma parece uma atitude pouco séria e ao
arrepio de todo um trabalho que se pretende
rigoroso, todavia, quando acontece, é feito sem
dolo e de forma inconsciente. Este ‘perigo’ pode
ser minimizado utilizando as grelhas de apoio
com um elenco alargado de respostas possíveis.

b) Confundir ou fazer simultaneamente a pesquisa


e a análise dos dados. Tal procedimento pode
levar a uma selecção à medida que as
informações vão aparecendo. Tal ‘perigo’
aconselha a que a análise só deve ter lugar
Algumas dificuldades na compilação da
informação
c) Considerar que o que é mencionado como meros
‘pontos de vista’ é válido. Os dados devem ser,
quanto possível, objectivos e não meras
opiniões pouco fundamentadas. Usando o
exemplo do tribunal importa reter respostas:
“sim”, “não”, “viu”, “não viu” e não
considerações acerca da pergunta.

d)Dedicar pouco esforço à sistematização das


informações como se os dados recolhidos não
necessitassem de uma compreensão das
relações entre eles.
Exemplo da compilação dos quadros
Indicadores Compilação Verificação
dos dados Observado /
recolhidos Não Observado

Os rendimentos Resultado das Indicador não


disponíveis das famílias: observado
famílias não Podem pagar 16
permitem pagar os – (53%)
preços praticados Podem pagar com
pelas creches; dificuldade....7 –
(23%)
Não sabem se
poderão com a
despesa 5 – (17%)
Não podem pagar 2
– (7%)
Resultado da
conversa com a A.
Social
A Assistente social
considera que a
No exemplo transcrito o indicador não foi
observado apesar da convicção firme da
equipa do projecto.

Tal facto alerta para o cuidado que temos


de ter na enunciação dos indicadores.

Vários indicadores consistentes garantem


maior segurança no resultado.

É inútil trabalhar com dados que apenas


existem nas nossas “certezas” .

A equipa também estava convicta que


haveria discrepância entre os dados
fornecidos pelas famílias e pela Assistente
Neste campo é preciso humildade e partir
para a pesquisa de dados com o espírito
aberto.

A convicção de que ‘sabemos o que se passa’


só prejudica e atrasa.

Isto não quer dizer que não usemos o nosso


espírito crítico para compreender os dados
que recolhemos e as relações entre eles.

As causas hipotéticas só serão consideradas


válidas se indicadores tiverem sido
observados.
Um exemplo concreto da validação de uma das causa
de um projecto que visava eliminar ou minorar o
insucesso escolar
Causas Indicadores Observados Ponderaç
ão
Causa Indicadores observados Não
Cerca de 40% totalmente validada
dos pais dos Nenhum
alunos do 3.º Observado parcialmente
ciclo não têm - Os pais não perguntam ao filho
disponibilidade sobre a forma «como vão os
para estudos», «se tem tido muitos
acompanhar a trabalhos para casa para fazer»,
vida escolar dos etc., ou se raramente o fazem.
seus filhos; Indicadores não observados
- Os pais não comparecem na escola
para levantar o boletim de avaliação
de cada período escolar, ou
raramente o fazem;
- Os pais não comparecem às
entrevistas marcadas pelo D.T.,
O diagnóstico da situação insatisfatória
 Depois de termos as causas validadas estamos em condições
de enunciar a situação insatisfatória em termos de diagnóstico.

 A forma de o fazer é simples: utilizamos o efeito de causalidade.

 Exemplo:
 (SPI - Sintoma): O paciente X queixa-se de dores ao andar
(Causa): que são provocadas pela artrite e artrose que tem na
cabeça do fémur
 A cada sintoma enunciado na SPI deverá corresponder pelo
menos uma causa validada.
 Poderão existir sintomas que são parasitas de outros. Isto é,
quando o sintoma principal desaparecer o outro desaparece
também na medida em que era uma ressonância do primeiro.
Tudo visto e analisado vamos transcrever um exemplo da redacção, em termos de
diagnóstico, de uma situação insatisfatória:

 No concelho ( ... ) um número importante de mulheres vêem-se


constrangidas a abandonarem os seus empregos para
cuidarem de idosos que estão a seu cargo. Este número é
estimado em cerca de 9% da população feminina activa. Tal
acontece porque as instituições do concelho têm a sua
lotação esgotada existindo uma longa fila de
espera(1)Também não existe o serviço de apoio
domiciliário(2) O rendimento familiar é baixo e não
permite contratar alguém para prestar assistência ao
idoso(3)A situação é vivida de forma insatisfatória porque se
prevêem dificuldades no reingresso no mercado de trabalho e
o agregado familiar fica afectado pela redução do rendimento.
A eventual dificuldade de reingresso no mercado de
trabalho deve-se ao facto de as mulheres em causa
possuírem apenas a escolaridade obrigatória não tendo
frequentado nenhuma formação profissional pós escolar
nem adquirido qualquer competência específica (4)
II PARTE - Situação Futura Satisfatória (S F S)

O diagnóstico a que chegamos chama-nos à


realidade porque é a partir dele que podemos
fixar a situação desejável tendo em conta as
causas que estão na base da geração da
situação.
Antes de enunciar a situação desejável
convém analisar as características das
causas, verificar sobre que causas podemos
agir, qual o nível de dificuldades, de
constrangimentos e de resistências que
vamos encontrar para alterar alguma coisa.
Temos de nos interrogar com base nos dados de que
dispomos colocando questões como as que se seguem:
‘Poderemos agir sobre todas as causas? ...’;
‘Tenho recursos para agir sobre elas de
forma estratégica? ...’;
‘Tenho aliados para este tipo de
intervenção? ...’;
‘Que causas estão ligadas à tradição?
‘Que causas estão ligadas à falta de
informação? ...’;
‘Que causas têm a ver com a falta de
expectativas positivas? ...’.
Ao descrever a situação futura temos de ser simultaneamente
realistas e ambiciosos.
Deve ficar registada a data em que se
verificará a situação desejada quer em termos
quantitativos (se for o caso) quer em termos
comportamentais.
Deverá ser precisa, motivadora para que seja
aceite por todos os que lidam com a situação,
compatível com os graus de autonomia dos
actores e dispor dos meios necessários.
As metas a alcançar deverão ser devidamente
quantificadas.
METAS
As Metas são os elementos indispensáveis
para trabalhar a planificação de todas as
actividades.
Devem ser balizadas por indicadores
precisos, factuais e mensuráveis.
Muitas vezes as ‘metas’ a alcançar são
confundidas com ‘objectivos’.
Estes são formulados no infinito e portanto
indicam acções a desenvolver enquanto a
meta indica um tempo em que algo de
concreto – observável e mensurável - foi
Exemplo Meta e Objectivo
Objectivo: É política desta empresa diminuir
os acidentes de trabalho.

Meta: No final do ano de ( ... ) os acidentes


de trabalho terão diminuído 10% em relação
aos dados dos dois últimos anos.
Cada meta deve ser formulada de forma que permita REMAR
para diante.
 REMAR são as iniciais de cinco palavras chave que correspondem às
características das metas formuladas: Relevantes; Específicas;
Mensuráveis Alcançáveis; Registáveis.
 Isto é, são globalmente:

 Relevantes para a eliminação das causas e concretização da Situação


Futura Satisfatória (SFS),

 Específicas porque contêm todos os elementos necessários para se


perceber completamente o que se pretende,

 Mensuráveis para possibilitar o controle do grau de consecução;

 Alcançáveis dentro do limite de tempo estabelecido para a


implementação do projecto e,

 Registáveis. Este registo vai permitir analisar a forma como foram


implementadas as soluções e desenvolvidas as actividades ao longo de
todo o processo. (Cfr. BLANCHARD, ZIGARMI, et all, 1986, pp 84-85)
Potenciar as metas
Para potenciar a especificidade das metas e
as balizar importa para cada uma delas
definir os indicadores que serão
observados quando elas forem atingidas.
O sucesso ‘um projecto de formação profissional
 que visa superar a falta de mão-de-obra existente na indústria
química de um país’, não se poderá medir apenas pelo aumento do
número de técnicos formados em cada ano.
 O seu grau de realização poderá ser confirmado por indicadores
que permitam saber:

 a) se uma percentagem significativa de diplomados estão realmente


colocados nos postos de trabalho adequados;
 b) se a formação proporcionada responde às necessidades dos
empregadores;
 c) se foram tomadas medidas de encorajamento para o pessoal
docente para manter uma taxa de formação de nível elevado;
 d) se os orçamentos das escolas são suficientes para manter as
instalações e o material didáctico sempre actualizado;
 e) se a falta de mão-de-obra qualificada registada pelo Ministério do
Trabalho diminui progressivamente;
 f) se a baixa produtividade e competitividade dos produtos neste
sector de produção - que os industriais tinham atribuído às
insuficiências de qualificação da mão-de-obra - diminuiu, elevando a
São todos estes indicadores,
considerados em conjunto, que darão,
certamente, conta da realização desta
meta do projecto.

A simples enumeração dos diplomados,


indicará a actividade da escola mas não
do impacto social e económico que se
pretendia obter com o investimento na
escola.
III Parte
Problemas, soluções e Actividades

A necessidade de equacionar actividades


leva-nos, com alguma frequência, a recorrer a
um stock de actividades aplicáveis sem
termos em conta que algumas delas foram já
postas em prática num passado recente com
pouco sucesso.
Potenciar actividades e iniciativas que se
mostraram pouco eficazes num passado
recente ou não tiveram a adesão do público a
que se destinavam é apostar no insucesso.
O facto de sabermos que não há planos
estratégicos totalmente eficazes e que não
somos infalíveis nas nossas previsões deve
servir de desafio para, de uma forma
inovadora e criativa, utilizarmos todos os
meios e recursos disponíveis para conseguir
alcançar as metas que desejávamos alcançar.
«Meta: Até 2020, uma média de pelo menos 15% de adultos deverá participar na aprendizagem ao longo da vida»

Face a esta meta interrogamo-nos:


Que problemas temos de resolver para que esta meta
possa ser alcançada?
Para enunciar os problemas importa saber, em primeiro
lugar: Quem está envolvido? ...Como? ...Quando?
Porquê?
As respostas a estas perguntas permitirão equacionar
uma série de problemas para os quais serão necessárias
soluções. (Cfr. ISAKSEN et all, 2003, pp. 80-85)
Em 2008 encontravam-se em formação ao longo da vida
6,5 % de activos que correspondem a cerca 325.000.
A meta propõe que este número seja de cerca 750.000
em 2020.
População activa entre 25 e 64 anos
Resolução de problemas pela criatividade
A formulação de problemas, utilizando o
método RCP contêm quatro elementos:
1. Um começo em forma de desafio que
possibilita enunciar o problema da forma
mais adequada. São exemplos os
seguintes:
 a) «De que forma ... ?;», b) «De que
maneira pode ?»; c) « Como fazer
para ...?»;d) «Como ... ?».
2. Os sujeitos ( a quem concerne a resolução do problema).

Assim, poderemos enunciar: a) As Escolas,


b) As Instituições de Ensino Superior, c) Os
Centros de Novas Oportunidades - CNOs; d)
O Instituto de Emprego e Formação
Profissional - IEFP; e) As Empresas; f) Os
Professores; g) A População Activa; h) Os
Órgãos de Comunicação Social;
3. O verbo da acção
- que identifica o cerne do enunciado do
problema: por exemplo «Como ‘criar
condições’ para ... » ; « De que forma
‘podemos sensibilizar’ a população activa
a ...»;

4. O objectivo que completa o enunciado.


Identifica o alvo ou o resultado desejado
através da resolução do problema. (ibid. pp.
87-90)
O problema é formulado contendo uma peça de cada
um dos elementos «1+2+3+4».
Vejamos alguns exemplos com os quatro
elementos:
‘ (1) De que forma (2) os CNOs (3) podem
atrair mais trabalhadores (4) para
completarem os seus cursos?’ ;
‘(1) De que maneira (2) a comunicação social
(3) pode sensibilizar a população activa (4) a
aumentar as suas habilitações?’;
‘(1) Como fazer para que (2) as empresas (3)
incentivem os seus trabalhadores (4) a
aumentarem as suas competências?’.
Só problemas correctamente formulados permitem soluções de qualidade

Cada um dos elementos 2, 3 e 4 devem ser


levados à exaustão. O uso de uma ‘bengala’
pode ajudar.
Por exemplo:
- para encontrar sujeitos pode-se interrogar a
meta: «quem está envolvido?» «Quem pode
ajudar? ... e mais quem? »...
- para encontrar verbos de acção perguntar à
meta « Como?»
- para encontrar objectivos perguntar à meta
«Porquê?» ou «Para quê?»
IDEIAS
Utilizando a criatividade, vamos deixar fluir todas as
ideias que vierem à nossa imaginação com o objectivo
de provocar uma exploração de todas as possibilidades.
Todas as ideias são bem vindas num primeiro momento.
A equipa deve chegar à exaustão de ideias possíveis ou
absurdas.
Para se conseguir este desiderato a autocensura e a
heterocensura devem ser banidas.
Cada um deve preocupar-se unicamente em verbalizar
as ideias que lhe vão surgindo.
 Não se encontrará qualidade sem quantidade.
Encontrados os elementos 2, 3 e 4 trata-se que
formular os problemas utilizando todas as
possibilidades matemáticas de conjugação possíveis.
Se surgirem enunciados absurdos ou desadequados
serão eliminados na fase seguinte.

A escolha dos problemas cuja resolução é essencial


para a meta ser atingida exige o estabelecimento de
critérios que facilitem a comparação entre problemas
que parecem semelhantes e a eficácia que a sua
resolução tem ISAKSEN sugere a possibilidade do uso
de post-its para facilitar o processo de selecção (o.c.,
pp 107-108).
À procura das soluções

A partir do momento em que passarmos a conhecer


as soluções deixamos de ter problemas.
À nossa frente temos a concepção de um conjunto
de actividades a desenvolver para implementar as
soluções encontradas.
Tal como fizemos para encontrar os problemas
vamos proceder do mesmo modo para chegar às
soluções através da produção criativa de ideias
promissoras. Devem ser numerosas, variadas e
originais.
Uma solução correctamente formulada comporta
os elementos 2+3+4
Um exemplo da produção ideias para encontrar soluções

 Problema: De que maneira a comunicação social pode


sensibilizar a população activa a aumentar as suas
habilitações?
 a) deixar fluir as ideias
 divulgando estudos sobre a necessidade de maior formação,
 comparando a formação académica dos portugueses com as
dos cidadãos de outros países
 ligando a competitividade à aquisição de novas competências,
 divulgando testemunhos de realizações pessoais através de
novas habilitações;
 criando um programa semanal sobre a necessidade da
elevação das habilitações em Portugal;
 anunciando os cursos existentes para adultos;
 divulgando os avisos de abertura de novas formações
b) Formular as soluções utilizando as ideias que surgiram
(2+3+4). O sujeito encontra-se sempre no problema:

 A comunicação social divulga estudos sobre a necessidade de


maior formação da população activa;
 A comunicação social promove programas em que compara a
formação académica da população activa de Portugal com a de
outros países;
 A comunicação social promove debates que ligam a
competitividade das empresas à aquisição de novas competências
por parte dos seus trabalhadores,
 A comunicação social promove programas para divulgar
testemunhos de realizações pessoais através de novas habilitações;
 A comunicação social cria um programa semanal sobre a
necessidade da elevação das habilitações em Portugal;
 A comunicação social anuncia, de forma sistemática, os cursos
existentes para adultos;
 A comunicação social divulga os avisos de abertura de
candidaturas para novas formações
Este processo repete-se tantas vezes quantos os
problemas que seleccionamos.
A SFS terá, como foi dito; um conjunto de metas para
poder, no prazo fixado, poder ser atingida.
 Cada uma das metas vai gerar, conforme a sua
natureza, vários ou dezenas de problemas.
 A selecção tem de ser criteriosa mas conforme o
número de «sujeitos» pode conter muitos problemas.
Normalmente as soluções facilmente atingem uma ou
várias centenas.
Importa escolher as mais eficazes e exequíveis. (Cfr.
ISAKSEN et all, o.c. pp. 136-145)
Embora não haja uma única forma de o fazer esta
escolha contém três etapas:

1.ª Etapa - Ler cuidadosamente todas as


soluções eliminando as repetidas e as
absurdas;
2.ª Etapa - Verificar em que medida cada
solução contribui para a consecução das
metas e da SFS. Esta verificação tem como
objectivo recolher elementos para seleccionar
as que se revelem mais eficazes para cada um
dos ‘sujeitos’
3.ª Etapa – As soluções seleccionadas na
etapa anterior deverão ser testadas acerca:
Da sua exequibilidade;
 Da sua aceitação por parte de todos os envolvidos
na sua implementação
Da sua ética: será eticamente aceite por todos os
envolvidos?;
Dos recursos humanos mobilizáveis para a sua
implementação;
Dos recursos materiais necessários à sua
implementação.
Se a solução não for aceite tanto pelos responsáveis
como pelo público alvo não tem condições de ser
implementada ou terá um insucesso garantido.
Tendo passado por este crivo, se o conjunto
formar um todo coerente e estratégico
estamos em posse das soluções a
implementar ao longo do tempo, constante no
projecto, através de um plano de actividades.
Plano de Actividades

Entendemos como actividades acções com


uma natureza social e cultural que se
desenvolvem sob a forma de relações sociais
e estão associadas á transformação da
realidade.
São estrategicamente concebidas e
planeadas para atingir uma determinada
finalidade ou uma determinada meta.
Vejamos uma forma de organizar o trabalho:

Meta 1 : ........
Solução 1.1 .....
Actividade 1 - Descrição da pormenorizada
da actividade;
 Público alvo,
 Responsável pela actividade;
 Recursos humanos e
materiais a utilizar.
Data e local da realização da actividade;
Meta 1: Os alunos empenham-se nas actividades escolares
Solução 1.1: Os alunos organizam-se em grupos de estudo
Descrição Público Responsáv Recursos Data da
das alvo el e materiais a Actividade
Actividade recursos afectar
s humanos

Depois de concebidas todas as actividades para a diferentes


soluções teremos tantos mapas quantas as soluções
Para a equipa poder gerir o projecto é indispensável fazer a compilação das actividades em dois mapas.

a) Mapa da calendarização geral em que todas


as actividades se encontram por ordem
cronológica permitindo à equipa
responsável a sua gestão;

b) Mapa das actividades por responsável para


cada um deles agendar e prepara
atempadamente o que lhe compete fazer.
Mapa de calendarização - alínea a)

Calendário global de Actividades


(por ordem cronológica)

Data Descrição Público Responsáv Recursos


das alvo el e materiais a
Actividade recursos afectar
s humanos
Mapa de actividades por responsável – alínea b)

Calendário de Actividades por Responsável


(Nome do responsável)
Data Descrição Público Responsáv Recursos
das alvo el e materiais a
Actividade recursos afectar
s humanos
Avaliação do Projecto

A avaliação é uma peça indispensável para a


equipa e os responsáveis pelo projecto
poderem aferir qual o impacto que todo o
esforço desenvolvido teve sobre a situação
insatisfatória.
Interessa saber em que medida foi alcançada
a situação desejada.
No final, devemos incluir grelhas de
avaliação para verificar em que medida a
SFS e as metas foram alcançadas.
O exemplo comporta apenas uma das metas do projecto
1.ª Grelha – Metas da SFS, indicadores e instrumentos de
recolha de dados

Meta D Indicadores Instrumentos de


Recolha de Dados
- As actividades da Consulta de docentes
Academia
Os utentes da “ contemplam oficinas
Academia de Avós” de escrita, pintura,
têm oportunidade de escultura e tapeçaria
partilhar os seus para os que se
saberes e sentem vocacionados
competências e de para estas artes
construir projectos O Clube de Cinema Conversa informal
tendo em vista a sua da Academia tem, de com o responsável da
realização pessoal. forma regular, Academia
sessões de cinemas - Conversa informal
para o estudo das com utentes
problemáticas sociais
tratadas e das várias
Avaliação
Na primeira reunião a equipa estuda os
quadros que constam do projecto, prepara as
fichas de apoio à recolha de dados e divide as
tarefas para proceder à recolha de dados.
Na reunião subsequente, realizada após
terminada a recolha, é feita a compilação dos
dados e verificados os indicadores observados
e não observados .
2.ª Grelha - Resultado da Recolha de dados e análise dos indicadores observados e
não observados

Indicadores Compilação da Observado / não


recolha de dados observado
As actividades da
Academia
contemplam oficinas
de escrita, pintura,
escultura e tapeçaria
para os que se
sentem vocacionados
para estas artes
Na coluna de “indicadores” constam todos os
indicadores identificados para todas as metas

Identificados os indicadores observados e não
observados a equipa encontra-se em
condições de fazer uma análise da forma
como as metas foram alcançadas e de
interpretar os resultados obtidos
3. Grelha- Análise qualitativa da forma como as metas foram alcançadas

Metas Indicadores Análise qualitativa


Observados e não da forma como as
observados metas foram
alcançadas
Indicadores
Os utentes da “Academia de Avós” têm Observados
oportunidade de partilhar os seus saberes e
competências e de construir projectos -
tendo em vista a sua realização pessoal. -
-
Indicadores Não
Observados

Todas as Metas são analisadas e avaliadas.


Na última reunião a equipa
 depois de verificar a análise da 3.º grelha e os
dados dos instrumentos de controlo que foram
utilizados ao longo das actividades, elaborará
um Relatório de Avaliação onde constarão todos
os elementos dignos de nota no final do projecto:
 em que medida a situação foi alcançada, os
resultados relevantes que foram sendo obtidos
através das diferentes actividades, eventuais
constrangimentos e, finalmente, eventuais
sugestões para colmatar lacunas sobrevenientes
ou o prosseguimento do trabalho
Bibliografia Consultada

Melo, Luís, (2011) Desenvolvimento do


Projecto de Intervenção, PORTO, ISET

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