DOMICÍLIO
1OS TERMOS
Domicílio- artigos 70 a 78 do CC
• Vem do direito romano: Domus= casa.
• Morada, residência, domicílio.
DIFERENÇAS ENTRE MORADA, RESIDÊNCIA E DOMICÍLIO
• Morada é o local onde a pessoa se estabelece provisoriamente.
Confunde-se com estadia. Ex: estudante laureado (premiado) com
uma bolsa de estudos na Alemanha e lá permanece por seis meses, o
qual também é conhecida como habitação.
• Residência pressupõe maior estabilidade. É o lugar onde a pessoa
natural se estabelece habitualmente. Assim, o sujeito que permanece
habitualmente em uma cidade, tem-se a residência.
• Domicílio vai além, pois é o local onde a pessoa estabelece residência
com ânimo definitivo.
CONCEITO DE DOMICÍLIO CIVIL É COMPOSTO DE
DOIS ELEMENTOS
• Elemento objetivo: residência
• Residência é simples estado de fato e domicílio é uma situação jurídica.
• É a radicação do indivíduo em determinado lugar, que não se confunde
com habitação ou morada- local que se ocupa esporadicamente como
cada de praia ou de campo ou um local que se mudou provisoriamente
(hotel) para concluir a reforma de sua casa.
• Uma pessoa pode ter um só domicilio e mais de uma residência. A
pessoa reside em um local, mas torna apenas um como centro de seus
negócio.
• Para entender melhor o tema: durante quatro meses do ano, José fica
em sua casa em São Paulo; outros quatro, ele fica em seu apartamento
em Curitiba; e, os outros quatro meses, ele fica seu outro apartamento,
localizado em Manaus.
• No exemplo citado, todos os locais são domicílio e residência,
simultaneamente. Isso porque, se José não pagar a conta de energia
elétrica do imóvel de São Paulo, a empresa que fornece a energia vai
processá-lo no endereço de São Paulo. Assim, para a relação jurídica
que ele mantém com a empresa que fornece energia o domicílio é São
Paulo, para o imóvel de Curitiba ele contratou televisão por assinatura.
Assim, para a empresa de televisão por assinatura o domicílio é
Curitiba. Para a empresa que fornece água para o apartamento de
Manaus, o domicílio é Manaus. (artigo 71 do CC- pluralidade
domiciliar)
• Elemento subjetivo: ânimo definitivo. Intenção de fixar num
determinado lugar de forma permanente. Somente muda de
domicilio, conforme indica o artigo 74, caput e parágrafo único do CC.
• Ex: matrícula dos filhos em escola da nova localidade, a transferência
de linha telefônica, abertura de contas bancárias etc.
• Esse tipo de domicílio é limitado para as relações profissionais que
dizem respeito a aquele lugar, ou seja, é apenas especifico para as
questões da profissão do indivíduo, diferente do domicílio natural,
que serve para todas as obrigações da pessoa.
• Assim como domicílio natural plural, a pessoa também pode ter
vários domicílios profissionais. Se a pessoa exercitar a profissão em
lugares diversos, cada um deles constituirá domicílio para as relações
que lhe corresponderem. (artigo 72, parágrafo único).
• Artigo 73 do CC: pessoa possa ter domicílio sem ter residência
determinada ou que seja de difícil identificação.
• Por isso a teoria do domicílio aparente, ocasional ou presumido.
• Ex: ciganos, andarilhos- será considerado domicílio o local onde se
encontrem.
• O de cada cônjuge será o do casal: artigo 1569 do Código Civil
• O do agente diplomático: que alegar extraterritorialidade sem alegar
onde tem no país seu domicilio, poderá ser demandando no Distrito
Federal ou no último ponto do território brasileiro onde o teve.
• O viúvo sobrevivente conserva o seu domicilio conjugal, enquanto
voluntariamente não adquirir outro.
O domicílio do servidor público é o local onde
ele exerce suas funções com caráter de
permanência, de modo que o exercício de
cargo de confiança em caráter transitório
não modifica o domicílio original.
• O servidor público deve sempre ser demandado, quanto aos fatos
concernentes ao desempenho de suas funções , no lugar de seu
domicílio necessário, qual seja, sua unidade de exercício e lotação,
ao invés do local de sua residência, mormente se tratado de questão
respeitante ao próprio cargo público que ocupa e, também por ser
ali o local em que a comunicação melhor propiciará o exercício do
seu direito ao contraditório e a ampla defesa, com a utilização de
todos os meios e recursos admitidos em direito.
• A pessoa jurídica de direito privado não tem residência, mas
sede ou estabelecimento que se prende a determinado lugar
– domicilio especial, que pode ser livremente escolhido no
estatuto ou atos constitutivos.
• Não o sendo : artigo 75, IV do CC: das demais pessoas
jurídicas, o lugar onde funcionarem as respectivas diretorias
e administrações, ou onde elegerem domicílio especial no
seu estatuto ou atos constitutivos.
• Artigo 75,§1º do CC: pluralidade de domicílios.
• Súmula 363 do STF diz que a pessoa jurídica de direito privado pode
ser demandada no domicílio da agência ou estabelecimento em que
se praticou o ato.
• Assim, se a pessoa jurídica tiver filiais, agencias, departamentos ou
escritórios em comarcas diferentes, poderá ser demandada no foro
em que tiver praticado o ato.
• Artigo 75,§2º, CC.
• O domicílio eleitoral, embora deva ser único, pode ser também o local em que o
eleitor tenha vínculo profissional, familiar ou político.
• O eleitor deve demonstrar que ali ele possui o que a lei chama de residência ou
moradia. O cidadão tem que ter uma presença física naquela localidade em que
pretende se estabelecer como eleitor. Não pode simplesmente se ligar a uma
cidade qualquer, por gosto ou opções pessoais e então ali ser eleitor.
• Nas regiões em que há grande fluxo migratório, por exemplo, é comum que, ao se
mudar de cidade ou Estado, o eleitor não transfira o título, como uma forma de se
manter vinculado a suas raízes familiares. "As pessoas não querem perder contato
com suas raízes, com sua família. Então moram em outros lugares, mas se sentem
muito ligadas a sua origem e quando têm oportunidade de votar, querem fazê-lo
na cidade onde nasceram. É um vínculo muito forte e a Justiça Eleitoral reconhece
isso.
• Não é possível admitir o eleitor que frauda a lei se inscrevendo numa cidade na
qual não tem qualquer tipo de fixação e destaca que a Justiça Eleitoral tem
mecanismos para coibir as fraudes, seja por meio de denúncias ou por análise da
quantidade de inscrições e transferências realizadas nos cartórios eleitorais.
• Domicílio voluntário especial: artigo 78 do CC- local especificado no contrato para o
cumprimento das obrigações dele resultantes.
• Foro de eleição- artigo 63 do CPC- escolhido pelas partes para propositura de ações
relativas às obrigações e direitos recíprocos.
• Pode o credor renunciar ao foro de eleição e preferir o do devedor.
• STJ tem admitido a inadmissibilidade do foro de eleição em contrato de adesão,
quando constituir um obstáculo ao acesso à ajustiça, se é abusiva, resultando em
dificuldade para outra parte ou se outro contratante presumidamente não pode
discutir cláusula microscopicamente impressa de eleição de foro.
• Geralmente, os formuladores de contratos de adesão são grandes empresas, de direito
público ou privado, ainda que titulares de um monopólio de direito ou de fato
(fornecimento de água, gás, eletricidade, linha telefônica), envolvendo uma relação de
consumo. Estando prontos os instrumentos contratuais, permanecem estes à
disposição de um número indeterminado e desconhecido de pessoas. Assim,
comumente, o contrato de adesão está ligado às relações de consumo, embora haja
negócios jurídicos que não tenha essa característica .