A palavra Ética é originada do grego “ethos”, que
significa: “modo de ser, caráter”. No latim “mos”
(ou no plural mores), que significa: “costumes”,
derivou-se a palavra “moral”.
A HISTÓRIA DA ÉTICA
As doutrinas éticas fundamentais nascem e se
desenvolvem em diferentes épocas e
sociedades como respostas aos problemas
apresentados pelas relações entre os homens
e em particular pelo seu comportamento moral
efetivo.
Sócrates (470-399 a.C.) - Considerou o problema ético
individual como o problema filosófico central e a ética como
sendo a disciplina em torno da qual deveriam girar todas
as reflexões filosóficas. Para ele ninguém pratica
voluntariamente o mal. “Só age mal, quem desconhece o
bem”.
Platão (427-347 a.C.) - Ao examinar a ideia do Bem a luz da
sua teoria das ideias, subordinou sua ética à metafísica. Sua
metafísica era a do dualismo entre o mundo sensível e o
mundo das ideias permanentes, eternas, perfeitas e
imutáveis, que constituíam a verdadeira realidade.
Aristóteles (384-322 a.C.) - Não só organizou a ética como
disciplina filosófica, mas, além disso, formulou a maior parte
dos problemas que mais tarde iriam se ocupar os filósofos
morais: relação entre as normas e os bens, entre a ética
individual e a social, relações entre a vida teórica e prática,
classificação das virtudes, etc. Sua concepção ética privilegia
as virtudes (justiça, caridade e generosidade), tidas como
propensas tanto a provocar um sentimento de realização
pessoal àquele que age quanto simultaneamente beneficiar a
sociedade em que vive.
Platão e Aristóteles
O ESTOICISMO E O EPICURISMO
Para Epicuro (341-270 a.C.) o prazer é um bem e como tal
o objetivo de uma vida feliz. Estava lançada então a ideia
de hedonismo que é uma concepção ética que assume o
prazer como princípio e fundamento da vida moral. Mas,
existem muitos prazeres, e nem todos são igualmente
bons.
Para os estóicos (por exemplo, Zenão, Sêneca e Marco Aurélio)
o homem é feliz quando aceita seu destino com
imperturbabilidade e resignação. O universo é um todo ordenado
e harmonioso onde os sucessos resultam do cumprimento da lei
natural racional e perfeita.
CRISTIANISMO
Ele se eleva sobre o que restou do mundo greco-
romano e no século IV torna-se a religião oficial de
Roma. Com o fim do "mundo antigo" o regime de
servidão substitui o da escravidão e sobre estas bases
se constrói a sociedade feudal, extremamente
estratificada e hierarquizada. A Igreja Católica passa a
exercer, além de poder espiritual, o poder temporal e a
monopolizar (também) a vida intelectual.
Thomas Hobbes (1588-1679)
Para Hobbes, a vida do homem no estado de
natureza - sem leis nem governo - era
"solitária, pobre, sórdida, embrutecida e curta",
uma vez que os homens são por índole:
agressivos, autocentrados, insociáveis e
obcecados por um "desejo de ganho imediato".
MAQUIAVEL (1469-1527)
A condução do Estado está orientada pelas
ponderações do governante que tem amplos
poderes e deveria ter equilíbrio para que a
ordem fosse mantida . O príncipe, se
necessário , deve abandonar os pressupostos
morais para que tivesse condições de imperar. A
ética, então, não é uma prioridade do seu
governo.
Baruch de Espinosa (1632-1677)
Afirmava que os homens tendem
naturalmente a pensar apenas em si mesmos,
que em seus desejos e opiniões as pessoas
são sempre conduzidas por suas paixões, as
quais nunca levam em conta o futuro ou as
outras pessoas.
Jean Jaques
Rousseau (1712-1778)
Para ele o homem é bom por
natureza e seu espírito pode
sofrer um aprimoramento
quase ilimitado.
Immannuel Kant (1724-1804)
Talvez a expressão maior da ética moderna tenha
sido o filósofo alemão Kant. A sua maior
preocupação com relação a ética era estabelecer a
regra da conduta na substância racional do homem.
Ele fez do conceito de dever ponto central da
moralidade. Hoje em dia chamamos a ética
centrada no dever de deontologia.
Friedrich Hegel (1770-1831)
Pode ser considerado como sendo o mais importante filósofo do
idealismo alemão pós-kantiano. Para ele, a vida ética ou moral dos
indivíduos, enquanto seres históricos e culturais, é determinada pelas
relações sociais que mediatizam as relações pessoais intersubjetivas.
Hegel dessa forma transforma a ética em uma filosofia do direito. Ele a
divide em ética subjetiva (ou pessoal) e em ética objetiva (ou social). A
primeira é uma consciência de dever e a segunda é formada pelos
costumes, pelas leis e normas de uma sociedade.
Karl Marx (1818-1883)
Também via a moral como uma espécie de
"superestrutura ideológica", cumprindo uma função
social que, via de regra, servia para sacramentar as
relações e condições de existência de acordo com os
interesses da classe dominante. Numa sociedade
dividida por classes antagônicas a moral sempre terá
um caráter de classe.
ALTERNATIVAS ÉTICAS
Cada um de nós tem uma ética.
Cada um de nós, por mais
influenciado que seja pelo
relativismo e pelo pluralismo de
nossos dias, tem um sistema
de valores interno que consulta
(nem sempre, a julgar pela
incoerência de nossas
decisões) no processo de fazer
escolhas. Nem sempre estamos
conscientes dos valores que
compõem esse sistema, mas
eles estão lá, influenciando
decisivamente nossas opções.
Éticas Humanísticas - As chamadas éticas
humanísticas são aquelas que tomam o ser
humano como a medida de todas as coisas,
seguindo o conhecido axioma do antigo
pensador sofista Protágoras (485-410 AC).
Ou seja, são aquelas éticas que favorecem
escolhas e decisões voltadas para o homem
como seu valor maior.
Hedonismo - Uma forma de ética humanística é o
hedonismo. Esse sistema ensina que o certo é
aquilo que é agradável. A palavra "hedonismo"
vem do grego “hdonh”, que significa "prazer". O
epicurismo era um sistema de ética que ensinava,
em linhas gerais, que para ter uma vida cheia de
sentido e significado, cada indivíduo deveria
buscar acima de tudo aquilo que lhe desse prazer
ou felicidade.
Utilitarismo - Outro exemplo de ética
humanística é o utilitarismo, sistema ético
que tem como valor máximo o que considera
o bem maior para o maior número de
pessoas. Em outras palavras, "o certo é o
que for útil". As decisões são julgadas, não
em termos das motivações ou princípios
morais envolvidos, mas dos resultados que
produzem. Se uma escolha produz felicidade
para as pessoas, então é correta.
Entretanto, é perigosamente relativista: quem
vai determinar o que é o bem da maioria?
Existencialismo - Ainda podemos mencionar o
existencialismo, como exemplo de ética humanística.
Defendido em diferentes formas por pensadores como
Kierkegaard, Jaspers, Heiddeger, Sartre e Simone de
Beauvoir, o existencialismo é basicamente pessimista.
Existencialistas são céticos quanto a um futuro róseo ou
bom para a humanidade; são também relativistas,
acreditando que o certo e o errado são relativos à
perspectiva do indivíduo e que não existem valores morais
ou espirituais absolutos. Para eles, o certo é ter uma
experiência, é agir — o errado é vegetar, ficar inerte.
“O importante não é o que
o mundo faz de você, mas
o que você faz com aquilo
que o mundo fez de
você”.
Ética Naturalística - Esse nome é geralmente
dado ao sistema ético que toma como base o
processo e as leis da natureza. O certo é o
natural — a natureza nos dá o padrão a ser
seguido. A natureza, numa primeira
observação, ensina que somente os mais aptos
sobrevivem e que os fracos, doentes, velhos e
debilitados tendem a cair e a desaparecer à
medida que a natureza evolui.
Éticas Religiosas - São aqueles sistemas de
valores que procuram na divindade (Deus ou
deuses) o motivo maior de suas ações e
decisões. Nesses sistemas existe uma relação
inseparável entre ética e religião. O juiz maior
das questões éticas é o que a divindade diz
sobre o assunto. Evidentemente, o conceito de
Deus que cada um desse sistema mantém,
acabará por influenciar decisivamente o código
ético e o comportamento a ser seguido.
Éticas Religiosas Não Cristãs - No mundo grego
antigo os deuses foram concebidos (especialmente
nas obras de Homero) como similares aos homens,
com paixões e desejos bem humanos e sem muitos
padrões morais (muito embora essa concepção
tenha recebido muitas críticas de filósofos
importantes da época).
A Ética Cristã - Á ética cristã é o sistema de
valores morais associado ao Cristianismo
histórico e que retira dele a sustentação
teológica e filosófica de seus preceitos. Como
as demais éticas já mencionadas acima, a
ética cristã opera a partir de diversos
pressupostos e conceitos que acredita estão
revelados nas Escrituras Sagradas pelo único
Deus verdadeiro.
Referências
MARTINS, M. H. P.; ARANHA, M. L. de A.
Temas de Filosofia. 3. ed. São Paulo: Moderna,
2005.
CHAUÍ, M. Convite à Filosofia. 13. ed. São
Paulo: Ática, 2006.
IVANDILSON MIRANDA SILVA
Mestre em Cultura e Sociedade Pela Faculdade de Comunicação da
Universidade Federal da Bahia (UFBA). Possui graduação em
Filosofia - (UCSAL) Universidade Católica do Salvador,
Especialização em Metodologia do Ensino, Pesquisa e Extensão em
Educação Pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB).
ivandilson-silva@[Link]