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Modulo Enginho Furar

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INSTITUTO DE FORMAÇÃO PROFISSIONAL E

ESTUDOS LABORAIS ALBERTO CASSIMO

Curso: Mecânica de
Manutenção Industrial

Módulo: Engenho De Furar


1. Engenho de furar

• Os engenhos de furar ou máquinas de furar são especialmente


destinados à execução de furos cilíndricos por intermédio de uma
ferramenta chamada broca e são extremamente versáteis e fáceis de
usar, permitem perfurar com elevada exatidão e precisão em diferentes
materiais.
Cont.

• A ferramenta, montada numa bucha, está animada do movimento de


corte (circular uniforme de velocidade regulável) e do movimento de
avanço axial (rectilínio e contínuo).

• Entretanto, a peça está assente numa mesa, na qual é mantida imóvel


durante a furação.
Cont.

• Tanto a mesa como a cabeça porta-bucha podem deslocar-se a fim de


se proceder às afinações necessárias para o começo da operação.

1.1. Partes principais dos engenhos de furar

• Árvore porta-broca;

• Mecanismo de acionamento do movimento;

• Prato de furar ou mesa.


a) Árvore porta-broca

• Recebe a ferramenta de furar.

b) Mecanismo de acionamento do movimento

• Transmite à árvore porta-broca o movimento de rotação proveniente


do motor elétrico ou de uma transmissão. A fim de se poder utilizar
diferentes números de rotações, este mecanismo está constituído em
forma de tambores escalonados ou múltiplos ou de engrenagens.
c) Prato de furar

• Suporta a peça ao furar. Esta fixa-se em ranhuras de fixação. Um canal


colector recolhe o líquido utilizado para a refrigeração. Por meio de
uma manivela que actua sobre o mecanismo de cremalheira e roda
dentada move-se o prato para cima e para baixo. Com o auxílio de
uma alavanca pode fixar-se o prato firmemente apertado à coluna.
1.2. Tipos de engenho de furar

• Engenho de furar de bancada;

• Engenho de furar de coluna;

• Engenho de furar radial.


Cont.

a) Engenho de furar de bancada

• São de pequeno porte, têm lugar geralmente sobre uma bancada de


trabalho e são adequados para a abertura de furos até 10mm de
diâmetro.
b) Engenho de furar de coluna

• São caracterizados pela existência de uma coluna do barramento na


qual se apoia a mesa porta-peças, o porta-ferramenta e os órgãos de
funcionamento.
c) Engenho de furar radial

• São engenhos de furar de coluna que têm um braço giratório em volta


da coluna, no qual se apoia o porta-ferramenta, tendo este a
possibilidade de se deslocar ao longo do braço giratório. Estes dois
movimentos, do braço e do porta-ferramenta, permitem à ferramenta
colocar-se na vertical de qualquer ponto de uma peça colocada na
mesa porta-peça.
1.3. Partes do engenho de furar
1.4. Principais movimentos no engenho de
furar

A. Movimento de corte;

B. Movimento de avanço.
1.5. Normas de trabalho para a operação de
furar

1.5.1. Normas de segurança contra acidentes

• Segurar as peças firmemente contra a possibilidade de rotação (lesões


nas mãos);

• Não retirar as aparas com as mãos (lesões nos dedos), não soprar as
pequenas aparas (lesões na vista);
Cont.

• Os cabelos caídos e soltos, mangas e camisolas largas podem ser


agarrados pela árvore porta-broca;

• Quando se vai furar, prestar toda a atenção ao traçado;

• Ao começar a furar uma superfície inclinada pode quebrar-se a broca;

• As aparas não devem amontoar-se nas ranhuras da broca. Em virtude


do aumento do atrito, pode quebrar-se a broca;
Cont.

• Quando se abrem furos profundos, deve extrair-se a broca com


frequência do furo para desamparar e pôr de parte as aparas;

• Ao retirar a broca do furo já aberto deve reduzir-se o avanço;

• Os furos maiores executam-se em duas passagens para diminuir a


pressão do avanço;
1.6. Instruções de segurança

A. As brocas helicoidais podem:

• Pegar qualquer material solto, roupa ou cabelo que as contacte;

• Espalhar a redor pedaços longos e afiadas de limalha de ferro;

• Causar desaperto na peça e girá-la a volta;

• Soltar e lançar a peça.


B. Antes de iniciar com o brocamento:

• Tirar as luvas usadas para o manuseamento seguro de materiais


durante a fixação;

• Assegurar que nenhuma roupa está solta;

• Usar sempre óculos de proteção durante a abertura de furos;

• O chão e a área ao redor do engenho de furar deve estar claro e limpo;


Cont.

• Todas ferramentas soltas, peças e desperdícios, etc. devem ser


retirados da mesa do engenho de furar;

• A broca deve ser afiada e fixada firmemente na máquina;

• O ajuste de velocidade deve estar correcto;

• Todas proteções devem estar fixadas na máquina;

• Todos grampos e apertos devem ser fixados com firmeza.


c) Durante o brocamento

• Pare a máquina antes de efectuar qualquer ajustamento à peça ou


máquina;

• Pare a máquina antes de retirar uma broca que esteja desapertada;

• Nunca tocar um eixo ou broca antes de se encontrar parado;

• Limpar a limalha somente com uma escova e somente quando a


máquina estiver parada;
Cont.

• Usar alicate para retirar qualquer limalha longa que esteja enrolada na
broca;

• Reduzir o avanço e tomar atenção especial quando o furo está prestes a


atravessar a peça.
1.7. Processo de brocamento

• O processo de brocamento é realizado observando a seguinte ordem:

1. Seleção da broca;

2. Seleção do engenho de furar;

3. Fixação da broca no engenho de furar;

4. Fixação da peça;
Cont.

5. Centralização da broca;

6. Seleção da velocidade, o avanço e o fluído de corte;

7. Realização do brocamento observando as precauções de segurança;

8. Remoção da peça;

9. Remoção da broca;

10. Limpeza e lubrificação da máquina.


a) Seleção da broca

I. Broca helicoidal com haste cônica

• O cabo ou haste tem a forma cônica que se encaixa no furo cônico do


eixo da máquina. Tem como vantagem uma boa fixação, alinhamento
adequado e mudança rápida.
II. Broca helicoidal com haste cilíndrica

• O cabo ou haste tem o mesmo diâmetro do corpo da broca.


III. Partes da broca
b) Seleção do engenho de furar

• O tipo de engenho de furar a ser usado é definido principalmente pela


medida da broca e pelas dimensões da peça a ser trabalhada.

I. Cuidados a ter com os engenhos de furar

• Devem ser usados correctamente;

• Devem ter limpeza, lubrificação e manutenção regular.


c) Fixação da broca no engenho de furar

• Introduzir a broca com a mão esquerda;

• Usar a chave com a mão direita;

• Apertar ligeiramente e retirar a chave;

• Ligar a máquina para verificar se a broca gira centrada;

• Desligar a máquina.
Cont.

Obs: nunca deixar a chave na bucha ou mandril. Se este aviso for


ignorado e a máquina for ligada, o salto da chave pode causar sérios
ferimentos.

d) Fixação da peça

• O brocamento seguro e preciso depende principalmente de uma


fixação correcta da peça.
I. Principais aspectos para a fixação da peça

• Evitar qualquer movimento da peça durante a abertura do furo;

• Assegurar um alinhamento correcto da broca com o marco de centro;

• Assegurar que a broca está no ângulo necessário com relação a


superfície da peça;

• Proteger as mesas de brocamento e objectos imóveis contra danos.


Cont.

Obs: As peças podem ser fixadas na posição para o brocamento através


de grampos parafusados na mesa da máquinas.

e) Centralização da broca

• Ajustar a posição da peça até que a ponta cortante da broca possa tocar
o centro da marca de brocamento;
Cont.

• Fixar todas partes móveis da mesa. Fazer o ensaio. Apertar


ligeiramente os grampos. Verificar se todos os dispositivos de fixação
encontram-se fora do caminho da broca;

• Baixar a ponta cortante da broca para tocar o marco de centro de


brocamento;
Cont.

• Se a broca estiver correctamente centrada, apertar os grampos e


verificar outra vez. O aperto dos grampos não pode alterar a posição
da peça se esta esteve correcta.

• Se a fixação não estiver correcta, ajustar a posição da mesa.


f) Seleção da velocidade, o avanço e o fluído
de corte

I. Velocidades de corte para brocas de aço de alta velocidade (aço


rápido).

Material Velocidade (m/ min)


Aço de baixo carbono 25-30
Ferro fundido 20-30
Latão 40-60
Alumínio 60-90
Cont.

Onde:

RPM – rotações por minuto;

vc – velocidade de corte;

d – diâmetro da broca.
I.I. Regras gerais

• Se as tabelas de velocidades, avanços e fluídos de corte não estiverem


disponíveis, usam-se as seguintes regras:

1. A broca mais pequena, RPM mais alto;

2. O metal mais macio, o avanço mais baixo;

3. O metal mais duro, RPM mais baixo;


Cont.

• O óleo solúvel é o fluído de corte recomendável para os metais mais


comuns, excepto o ferro fundido que tem melhor brocamento em seco.

II. Aplicações dos fluídos de corte

• Lubrificar as aparas, promover sua formação e facilitar o fluxo;

• Arrefecer as arestas da broca, as aparas e a peça que está sendo


trabalhada;
Cont.

• Limpeza das aparas das arestas, para reduzir a possibilidade de


obstrução dos canais;

• Melhorar o acabamento dos furos broqueados.


II.I. Consequências da seleção ou aplicação
incorrecta de fluídos de corte

• Desgaste rápido das arestas de corte;

• Sobreaquecimento da broca e peça;

• Furos com mau acabamento (com rugosidade).


g) Realização do brocamento observando as
precauções de segurança

I. Verificações preliminares do operador

1. Tamanho da broca correcta;

2. Ponta de corte afiada;

3. Centralização da broca no eixo;

4. Velocidade, avanço e fluído de corte correctamente selecionados.


II. Estágios do brocamento

1. Estágio 1 – Desde o começo até a broca estar furando a todo


diâmetro.

2. Estágio 2 – Brocamento ao longo da espessura do metal.

3. Estágio 3 – A partir de quando a ponta de corte alcança a superfície


mais baixa até o brocamento estar completo (brocamento final).
II.I. Estágio 1

• Escolher o número de RPM que oferece o valor mais baixo da faixa de


velocidade de corte recomendado.

• Com a broca a cortar com o diâmetro interno, assegurar que a


velocidade, o avanço e o fluído de corte foram correctamente
selecionados.
Cont.

• Continuar observando para qualquer alteração da aparência da limalha.


Tais alterações podem indicar que as arestas de corte estão danificadas
ou a ponta de corte está desafiada.

• Durante o brocamento levantar a broca do furo várias vezes. Isto


aumenta a vida da broca e ajuda na limpeza de obstruções dos canais.
Cont.

• Também ajuda no arrefecimento da broca. Quando uma apara for


ocasionalmente cortada pode enrolar-se na broca. Neste caso, parar o
brocamento, levantar e baixar a broca e tirar a apara.

• Se houver uma acumulação de aparas, parar a broca e usar uma escova


para removê-las. Usar um alicate para tirar uma apara longa que esteja
enrolada.
Cont.

• É muito importante limpar frequentemente as aparas durante o


brocamento de furos profundos. Quando o furo for mais profundo a
necessidade de reduzir a velocidade e o avanço é maior.
II.III. Estágio 3

• Durante o brocamento para atravessar o furo, ficar preparado para o


momento da broca começar a atravessar a peça. Reduzir o avanço
assim que o furo estiver a atravessar a peça.
h) Remoção da peça

I. Procedimentos para a remoção da peça

• Desligar a máquina;

• Limpar a limalha;

• Aliviar os grampos e outros dispositivos de aperto;

• Usar o pano para limpar os grampos;

• Devolver os grampos e outros dispositivos nos seus devidos lugares;


Cont.

• Usar uma lima fina para remover qualquer rebarba da peça;

• Limpar a peça cuidadosamente com um pano e colocá-la no seu


devido lugar.
i) Remoção da broca

• Deve-se ter o cuidado para evitar que a broca caia na mesa da máquina
ou no chão durante a retirada.

• Ao retirar a broca da bucha, segurar a broca com a mão esquerda e a


chave com a mão direita para aliviar a broca.
j) Limpeza e lubrificação da máquina

• Quando a operação de brocamento termina, a máquina deve ser limpa


e lubrificada para garantir que ela irá continuar a operar
eficientemente.

I. Procedimentos de limpeza e lubrificação da máquina

• Usar uma escova para limpeza de toda a limalha;

• Usar pano para limpar a mesa, peça e os grampos;


Cont.

• Assegurar que o chão a volta da máquina é deixado limpo;

• Levar a cabo os procedimentos de lubrificação.


2. Ranhuras helicoidais das brocas

• São canais em espiral abertas a um ângulo ao eixo da broca.

• As ranhuras servem como canais para o escape dos cortes da broca,


designadas aparas. Também ajudam o fluído de corte a chegar nas
arestas cortantes.
3. Afiamento prático de brocas

• Observar os ângulos das arestas cortantes e decidir se estão conforme


ou definir o nível de erro.

• Apoiar a broca a 38 mm aproximadamente da ponta cortante com uma


mão segurar firmemente o cabo com a outra mão.

• Posicionar a aresta cortante da broca para a pedra esmeril de tal modo


que esteja paralela a face da pedra.
Cont.

• Aplicar uma pressão ligeira para frente na broca, usando o suporte da


pedra como ponto pivot, abaixar a mão segurando firmemente o cabo
da broca e ao mesmo tempo girando a broca ligeiramente no sentido
de relógio para dar incidência de aresta.

• Aliviar a pressão e devolver a broca, com a aresta cortante paralela a


face da pedra.
Cont.

• Aplicar o líquido de arrefecimento para evitar sobreaquecimento.

• Repetir os passos acima até conseguir um ângulo correcto e incidência


da aresta.

• Manter a mão estacionária na ponta da broca e girar a broca até a


segunda aresta de corte estar na posição de afiamento.

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