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Reforma Protestante e Crise Religiosa

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Ladir Mayer
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A REFORMA PROTESTANTE

Representante da única forma de poder centralizado em meio aos


fragmentados poderes locais feudais, a Igreja exercia enorme influência na
sociedade medieval. Os bispos possuíam feudos enormes e muitos servos e o
papa tinha muita força política: convocava pessoas para participar de
cruzadas, celebrava acordos entre países e interferia até na escolha dos reis.

Muitos membros da Igreja haviam comprado seu cargo eclesiástico, pois estes
representavam poder político e renda - obtida por meio dos tributos sobre a
sociedade. Por isso, muitos papas só chegaram à chefia da Igreja por
pertencerem a famílias milionárias e boa parte dos padres não tinha instrução
nem preparo para orientar os fiéis.
No fim da Idade Média, várias regiões da Europa estavam devastadas pelas
guerras, pela fome e pela peste negra. Isso contribuiu para o aumento da
sensação de medo. Medo das doenças, da fome, das guerras, medo da morte
e da ira de Deus.

Procissão de penitentes que, se açoitando, suplicam o perdão de seus pecados.

Era natural, pela mentalidade predominante na época, que as pessoas


procurassem na religião saídas para os seus problemas e angústias. A Igreja
Católica não se mostrou suficientemente capaz de dar uma resposta a esses
anseios populares, devido a incapacidade dos clérigos.
Além disso, os líderes da Igreja Católica praticavam um comércio fraudulento
de artigos religiosos. Vendiam objetos dizendo ser pedaços de ossos do
jumento montado por Jesus; pedaços de um pano qualquer dizendo ser do
manto de Maria, a mãe de Jesus, e várias outras “relíquias”. E mais: bispos e
padres vendiam também indulgências, isto é, o perdão dos pecados.

Santo sudário Pregos da cruz de Cristo

As indulgências existiam havia muitos séculos no cristianismo, como obras


que os fiéis deveriam fazer para compensar o mal originado pelos pecados
que haviam confessado. Entretanto, no final da Idade Média, esse conceito foi
distorcido e as obras foram substituídas por pagamentos a religiosos.
No século XV, o fortalecimento da burguesia e o interesse dos reis em ampliar
seu poder foram decisivos para fortalecer a crítica à Igreja Católica e provocar
a sua divisão.

A burguesia pretendia aumentar seus lucros e acumular riquezas. A


expansão comercial encontrava alguns obstáculos nas pregações da Igreja,
que condenava a usura - cobrança de juros por empréstimos - e defendia o
“justo preço” das mercadorias, ou seja, produção e comercialização não pelas
leis de mercado, mas pelo que se considerava a correta remuneração do
trabalho. A atividade bancária ficaria comprometida na medida em que os
empréstimos a juros eram considerados pecado.

Os reis das diversas monarquias nacionais que surgiam na Europa não
queriam dividir o poder de julgar, punir e arrecadar tributos. O poder nacional
dos reis se contrapunha ao poder internacional da Igreja.

Tais mudanças foram fundamentais para que as críticas se transformassem


em ruptura e levassem à reforma religiosa do século XVI.
A CRISE RELIGIOSA
Durante a Idade Média já havia quem ousasse discordar das prática da Igreja.
Por isso, essas pessoas eram consideradas hereges, ou seja, transgressoras
da doutrina e dos dogmas católicos, sendo por isso perseguidas. Entre elas,
pode-se citar John Wycliffe, na Inglaterra, e Jan Hus, na Boêmia (Rep.
Tcheca).

Esses homens criticavam a venda de cargos eclesiásticos para pessoas que


não tinham vocação religiosa, o luxo e a riqueza que os membros do alto clero
desfrutavam e o despreparo intelectual do baixo clero. Jan Hus pregou tais
ideias na Universidade de Praga, onde era professor. Condenado, foi morto na
fogueira.
O INÍCIO DA REFORMA
O primeiro movimento de Reforma Protestante ocorreu na Saxônia,
atual Alemanha. O líder desse movimento foi Martinho Lutero (1482-1546).
Nascido na cidade de Eisleben, Lutero entrou para a ordem monástica
dos agostinianos e, a partir de então, manteve uma vida rigorosamente
pautada por princípios católicos.

venda de indulgências

Martinho Lutero
Após uma viagem a Roma, em 1510, Lutero percebeu que muitos líderes da
Igreja Católica estavam corrompidos, principalmente porque estimulavam a
venda de indulgências.
Em 1517, o papa Leão X prometeu que todo aquele que desse dinheiro para
construir a nova Basílica de São Pedro, em Roma, receberia, em troca, uma
indulgência plena, isto é, o perdão de todos os pecados. Em Wittenberg, a
venda desses papéis passou a ser feita pelo dominicano João Tetzel.

Leão X

Indignado, Martinho Lutero pregou na porta da sua paróquia as 95 teses,


documento contendo duras críticas à Igreja.
Leão X redigiu a bula Exsurge domine, intimando Lutero a se retratar, sob
pena de excomunhão. Lutero queimou a bula em público, agravando a
situação. Estabeleceu-se uma verdadeira crise política, na qual a nobreza
alemã dividiu-se, em parte a favor, mas, em sua maioria, contra o papa. Em
1521, o imperador do Sacro Império alemão, Carlos V, convocou uma
assembleia, a chamada Dieta de Worms.

Dieta de Worms Lutero em Wartburg

Ao confirmar suas ideias na Dieta, Lutero foi considerado herege. Refugiou-se,


então, no castelo de Wartburg, protegido pelo príncipe Frederico da Saxônia.
Lá, traduziu a Bíblia para o alemão e continuou escrevendo contra as práticas
da Igreja.
1. Castelo de Wartburg
2. Aposento de Lutero
3. Bíblia Alemã
A doutrina da Reforma

Em 1530, Lutero redigiu um documento que fundamentava sua doutrina


(Confissão de Augsburgo). Seus principais pontos são:

 Somente a fé em Deus salva as pessoas.


 A Bíblia, por meio da qual Deus se revela, é a única fonte confiável.
 O batismo e a eucaristia são os dois únicos sacramentos.
 Negação do culto aos santos e à Virgem Maria.
 A infalibilidade do papa não têm fundamento.
 Qualquer membro da Igreja pode se casar.
Vários príncipes alemães se converteram ao luteranismo e se apropriaram das
terras da Igreja Católica. Em 1555, na tentativa de promover a conciliação, a
nobreza luterana firmou um acordo conhecido como Paz de Augsburgo.

O acordo determinou que cada príncipe alemão pudesse escolher sua religião,
assim como a de seus súditos. Dessa forma, consagrou-se o princípio “cujus
régio, ejus religio” (de quem é a região, dele é a religião), que demonstrava
que a religião do soberano deveria ser seguida pelo restante da população.
Como resultado, o luteranismo predominou nos Estados alemães do norte,
enquanto o sul permanecia católico. A paz voltou a reinar temporariamente nas
fileiras da alta nobreza alemã. Mas a unidade religiosa na Europa ocidental e
central se rompeu para sempre.
A CONTRARREFORMA
Contrarreforma, ou Reforma Católica, surgiu no interior da Igreja Católica com
a dupla finalidade de conter o avanço do protestantismo e discutir as críticas
internas da própria Igreja.
INSTRUMENTOS DA CONTRARREFORMA
A Igreja Católica utilizou diversos meios para conter o protestantismo e
alcançar novos fiéis.
Expandir a fé católica além da Europa. A criação de novas ordens religiosas
deu um grande impulso à ação católica. A ordem dos jesuítas, criada em 1534
pelo espanhol Inácio de Loyola, foi o principal instrumento de evangelização
dos povos da América, Ásia e África.
Criação do índice dos Livros Proibidos - O Index. Lista de livros censurados
pela Igreja, que os considerava prejudiciais à fé católica. Para serem
impressos, os livros eram submetidos à censura da Inquisição, que os
analisava e decidia quais deles deveriam entrar na lista das obras proibidas.
 Reorganização do Tribunal do Santo Ofício (Inquisição). A Inquisição,
criada no século XIII, foi reorganizada para agir como guardiã da fé católica,
investigando e punindo os suspeitos de se comportar de acordo com ideias
condenadas pela Igreja ou de defendê-las.

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