A palavra forense é originada da palavra latina forensis que
significa do fórum e era usada para descrever um local na Roma
Antiga. O Fórum era o local onde os cidadãos resolviam disputas,
algo parecido com o nosso tribunal dos dias modernos
(Blackburn, 1996;
Pollock e Webster, 1993). A partir desse contexto, evoluiu o
significado da psicologia forense. O papel do Psicologo forense e
na verdade muito simples e direto:os psicologos forenses
auxiliam o sistema legal.
Em geral, o termino Psicologia forense engloba todas aquelas
atividades que o psicólogo pode realizar no “foro”, em
intervenções especificamente solicitadas. É “a ciência que
estuda a aplicação de todo os ramos e saberes da Psicologia ante
as perguntas da Justiça, e coopera em todo momento com a
Administração de Justiça, atuando no foro (tribunal),
melhorando o exercício do Direito”
História da psicologia forense
A psicologia forense tem uma história profunda e extensa que se
desenvolveu muito antes da cultura popular começar a focar nela.
Hugo Munsterberg é geralmente identificado como um dos primeiros
psicólogos a aplicar os princípios psicológicos ao direito em seu livro On the
Witness Stand [No banco das testemunhas] (1908). O psicólogo alemão
William Stern também direcionou o foco para a aplicação dos princípios
psicológicos ao sistema legal por meio do estudo da identificação de
testemunhas oculares no início dos anos de 1900. Contudo, a prática clínica
da psicologia em sua relação com o sistema legal começou mais ou menos
na mesma época. A prática clínica da psicologia forense se originou com
Lightner Witmer e William Healy. Witmer começou como professor dos
cursos de psicologia do crime no início dos anos de 1900, e Healy fundou o
Instituto Psicopático Juvenil de Chicago, em 1909, para tratar e avaliar
delinquentes juvenis (Blackburn, 1996; Brigham, 1999), servindo, assim,
como os primeiros exemplos significativos de psicólogos clínicos forenses
Importância da psicologia forense
A psicologia forense serve para aplicação da psicologia nas questões
judiciais, ou seja, é a compreensão, as circunstâncias que ligam o sujeito e
a lei .
Apesar de haver uma interrelação entre o direito e a psicologia esta ainda
não estão totalmente consolidadas .Os contributos da psicologia forense
para o exercício da justiça são reconhecidos, mas nem sempre
adequadamente compreendidos ou integrados por este, existindo tensões
e descomunicações que resultam de diferentes questões, entre as quais, o
fato de estas áreas do saber assentarem em pressupostos filosóficos e
terem objetivos diferentes, as diferentes concepções sobre a acção
humana e sobre as causas do comportamento que possuem, as diferentes
linguagens que usam, os diferentes métodos e teorias em que assentam ou
com base nos quais intervêm, assim como a existência de concepções
diferentes sobre o próprio conceito de Lei.
As relações entre direito e psicologia
Tem havido muitas tentativas de explicar as relações entre a psicologia e o direito.
Essas tentativas vão desde a descrição tripartite de Haney (1980) – psicologia em
direito, psicologia e direito e psicologia da lei – até a teoria de Monahan e Walker
(1988), que aponta que a ciência social recai sobre a autoridade social, o fato
social e a estrutura social o mas importante é saber que, nos dois exemplos, esses
especialistas defenderam a aplicação da pesquisa em ciências sociais para auxiliar
o sistema legal. Uma conceitualização teórica mais recente da relação entre a
psicologia e o direito é jurisprudência terapêutica.
A jurisprudência terapêutica (JT) foi definida como “o uso das ciências sociais
para estudar até que ponto uma regra ou prática legal promove o bem-estar
psicológico e físico das pessoas que ela afeta” (Slobogin,1996, p. 767). A
jurisprudência terapêutica inclui não só o impacto da lei codificada ou da
jurisprudência, mas também o processo legal menos formal que pode focar as
ações dos juízes ou advogados.
Como a JT se espalhou, ela também tem sido aplicada de modo mais geral
para sugerir algum outro modo pelo qual a lei possa ser terapêutica (útil de
alguma maneira) ou antiterapêutica (detrimental de alguma maneira).
Além disso, a aplicação da JT não infere que uma ação particular deva ter
algo a ver com psicoterapia ou mesmo a psicologia clínica em geral. Isso
significa que a lei pode ter um impacto fora da rotina da culpa ou inocência
de um acusado ou a negligência de um acusado em uma causa civil.
A JT sugere que a lei importa além das leis de uma sala de audiências e
pode ter um impacto profundo na prática da psicologia forense e em
nossas vidas que vai muito além do que nós rotineiramente imaginamos.
Há uma variedade de maneiras pelas quais o sistema legal pode ter um
impacto benéfico ou detrimental nas pessoas que ele afeta. Por exemplo,
se um juiz nunca obriga a tratamento os perpetradores de violência
doméstica que se apresentam diante dele, isso pode ter um impacto
negativo na probabilidade de que aquele acusado perpetre o crime no
futuro.
Principais áreas de Actuação da Psicologia Forense
Tipicamente, a psicologia forense pode ser dividida em
aspectos criminais e aspectos civis. Essa divisão dos
papéis e tarefas da psicologia forense esta baseada na
separação legal entre o direito civil e criminal.
O direito criminal tem seu foco nos actos contra a
sociedade, e é o governo que assume a responsabilidade
de se encarregar dos assuntos criminais por meio de
oficiais da lei e promotores. O foco do direito criminal é
punir os infratores para manter um senso de justiça na
sociedade e prevenir o crime.
Áreas de Praticas Forenses no Direito criminal
• Avaliação de risco no momento da sentença
• Inimputabilidade e responsabilidade criminal
• Capacidade para se submeter a julgamento
• Tratamento de agressores sexuais
• Transferência do jovem para tribunal
O Direito Civil se refere aos
direitos e reparações privados, não necessariamente o bem
público. Exemplo Se eu me
envolver em um acidente de carro porque estou dirigindo em alta
velocidade
e atropelo outra pessoa, posso ser considerado civilmente
responsável porque
prejudiquei aquela pessoa de alguma maneira.
Os actos ilícitos se enquadram no direito civil e consistem de um
ato injusto que causa prejuízo a um indivíduo. Além disso, fica a
critério da pessoa que foi prejudicada tomar ou não alguma
atitude, não da sociedade. Os actos ilícitos consistem de quatro
elementos legais diferentes ou exigências legais para que tenha
ocorrido uma violação do direito civil. Para que um ato ilícito tenha
acontecido:
Para que um ato ilícito tenha acontecido:
1 O indivíduo deve ter responsabilidade;
2 Essa responsabilidade deve ter sido violada;
3 A violação daquela responsabilidade deve ser a causa
próxima de um dano sofrido e
4 Deve ocorrer um dano e ele tem que envolver um direito
legalmente protegido (Douglas, Huss, Murdoch, Washington e
Koch, 1999).
Áreas de Praticas Forenses no Direito civil
Guarda dos filhos
Responsabilidade civil
Danos pessoais
Indenização a trabalhadores
Capacidade para tomar decisões médicas
Perfil Profissional do Psicólogo Forense
• Perfil profissional
Como é evidente, será necessário que o psicólogo forense conte com
formação universitária em Psicologia. Além disso, deve ter se
especializado nessa área do conhecimento. E isso não é suficiente.
Deverá ter aperfeiçoamento profissional e ter conhecimento das
novidades que surgem nesse campo em diferentes artigos
científicos.
Por outro lado, não é requerido apenas o conhecimento na área da
psicologia, também é preciso ter conhecimentos de Direito.
Portanto, é um profissional que deverá saber como o processo é
realizado, assim como as diferentes leis que o amparam e que, da
mesma forma, determinam sanções que podem ser aplicadas por
uma má decisão.
Requisitos
Mas nem tudo se resume aos conhecimentos académicos, para
tal o ele precisa de ter alguns requisitos que são:
1. Conhecimentos:
2. Experiência
3. Habilidades funcionais
4. Ambiente trabalhista
5. Responsabilidades
6. Requisitos intelectuais
7. Inteligência emocional:
8. Requisitos físicos
9. Ganhos pessoais
Papel do Psicólogo forense ou jurídico
A Psicologia Jurídica é a área de trabalho da Psicologia que atua no
ambiente da justiça considerando a perspectiva psicológica dos fatos
jurídicos. E como essa área de actuação é bem extensa, fizemos um
post explicativo sobre todas as formas em que um Psicólogo pode
trabalhar nesta área.
O psicólogo forense participa dos diferentes processos judiciais nos
quais sua presença é solicitada. Ele será responsável por reunir a
informação necessária, examinar o indivíduo, elaborar inquéritos,
etc. e, por fim, apresentar as provas e os resultados obtidos. Tudo
isso com a finalidade de responder às perguntas feitas pelo juiz. A
função principal é tentar sanar as dúvidas dos profissionais da
justiça.
Este profissional pode actuar nas áreas de:
• Separação e divórcio
• Guarda
• Interdição
• Alienação parental
• Vulnerabilidade social
• Violência
• Execução penal
• Medidas socioeducativas
• Utilização de recursos institucionais e comunitários
• Trabalho em equipe nos Tribunais de Justiça, Defensorias
Públicas e Sistema Socioeducativo.
o que faz um Psicólogo Jurídico?
• Auxílio de jurídico: atua na orientação os dados psicológico para auxiliar
juristas e indivíduos que precisam desse tipo de informação, possibilitando a
avaliação das características de personalidade, fornecendo subsídios ao
processo judicial e contribuindo para a formulação, revisão e interpretação
das leis.
• Avaliação Psicológica: avalia as condições intelectuais e emocionais de
crianças, adolescentes e adultos em conexão com processos jurídicos, seja
por deficiência mental e insanidade, testamentos contestados, aceitação em
lares adoptivos, posse e guarda de crianças.
• Perícia judicial: Outra actuação possível do Psicólogo no sector judiciário é
como perito judicial nas varas cíveis, criminais, Justiça do Trabalho, da família
e da criança e do adolescente. Nesse meio ele elabora laudos, pareceres e
perícias para serem anexados aos processos, a fim de realizar atendimento e
orientação a crianças, adolescentes, detentos e seus familiares.
Orientação no sistema Prisional
Utilizando métodos e técnicas adequados para estabelecer tarefas educativas e
profissionais que os internos possam exercer nos estabelecimentos penais, o
Psicólogo Jurídico auxilia e orienta administração e os colegiadas do sistema
penitenciário sob o ponto de vista psicológico.
Além disso este profissional assessora a administração penal, tanto na
formulação de políticas penais, quanto no treinamento de pessoal para aplica-
las.
1. Atendimento para indivíduos que buscam a Vara da Família.
2. Participação em audiências
3. Pesquisas e Programas socioeducativos
4. Elaboração de Petições
• Outras actividades deste profissional são:
Auxiliar juizados na avaliação e assistência psicológica de menores e seus
familiares, assessorando no encaminhamento a terapias psicológicas, quando
necessário.
Psicologia Jurídica x Psicologia Judiciária
Nos Tribunais de Justiça, o psicólogo desenvolve um trabalho
de psicologia jurídica propriamente dita e, atua levando em
consideração os aspectos psicológicos dos fatos jurídicos.
Os ramos do Direito que o Psicólogo Jurídico trabalha:
ã
1. DIREITO CIVIL
2. DIREITO PENAL
3. DIREITO DO TRABALHO
4. VITIMOLOGIA
5. PSICOLOGIA DO TESTEMUNHO
Atuação do Psicólogo Jurídico nos Tribunais de Justiça
O psicólogo que faz parte da equipe interprofissional que integra o quadro do Tribunal
de Justiça nas Varas de Infância e Juventude deve fornecer subsídios para o juízo e
desenvolver trabalhos com as famílias cujos filhos são objecto de um processo na
Vara.
Além disso, a actuação do especialista pode ser solicitada em duas situações:
• O agente legal, em geral o juiz, solicita a avaliação de um perito oficial para a
elaboração de um laudo técnico que deverá esclarecer dúvidas quanto a um
determinado aspecto da competência do perito e será incluído pelo juiz nos autos
do processo.
• O litigante ou seu advogado contrata um assistente técnico oficial e redige um
parecer crítico que será encaminhado juntado ao processo para apreciação do
juiz.
Avaliação Psicológica no contexto jurídico
Tradicionalmente o psicólogo jurídico atua no âmbito dos Tribunais de Justiça
realizando actividade pericial e elaborando laudos psicológicos e pareceres.
Nestes casos o foco da avaliação restringe-se à verificação da presença e da
intensidade dos sintomas emocionais na a determinação do nexo de
causalidade.
Rovinski (2000) propõem seis aspectos em que a
avaliação forense difere do trabalho do psicólogo na
área clínica. São eles:
1. Escopo:
2. Perspectiva do cliente
3. Voluntariedade e autonomia
4. Riscos à validade
5. Dinâmica do relacionamento
6. Tempo de avaliação
Psicopatia,comportamento desviante e reicidencia
criminal
Psicopata é um indivíduo clinicamente perverso, que
tem personalidade psicopática, com distúrbios mentais graves.
Um psicopata é uma pessoa que sofre um distúrbio psíquico, uma
psicopatia que afeta a sua forma de interação social, muitas vezes
se comportando de forma irregular e antissocial. Em sentido mais
amplo, uma psicopatia é uma doença causada por uma anomalia
orgânica no cérebro. Em sentido restrito, é um sinônimo de psicose
(doença mental de origem neurológica ou psicológica).
Geralmente os psicopatas são do sexo masculino, mas também
atinge as mulheres, em variados níveis, embora com características
diferenciadas e menos específicas que a psicopatia que atinge os
homens. A doença do psicopata é denominada como sinônimo do
diagnóstico do transtorno de personalidade antissocial.
• Alguns indivíduos com psicopatia mais leve não normalmente não tiveram
um histórico traumático, porém o transtorno - principalmente nos casos
mais graves, tais como sádicos e serial killers - parece estar associado à
mistura de três principais fatores: disfunções cerebrais/biológicas ou
traumas neurológicos, predisposição genética e traumas na infância
como abuso emocional, sexual, físico, negligência, violência, conflitos,
separação dos pais etc.
• Tendo em conta algumas das características de psicopatas, como a
capacidade de manipulação e de conquistarem facilmente a simpatia das
pessoas, muitas vezes ocupam cargos relevantes onde exercem poder. A
psicopatia está entre os distúrbios mentais mais difíceis de diagnosticar e
detectar. O psicopata pode parecer normal e até mesmo ser encantador.
No entanto, ao psicopata falta consciência e empatia, tornando-o
manipulador, volátil e muitas vezes (mas não é sempre) criminoso. Este
distúrbio é objeto de fascínio popular e angústia clínica: a psicopatia
adulta é amplamente impermeável ao tratamento, embora existam
programas para tratar jovens insensíveis e sem emoção na esperança de
impedir que eles se transformem em psicopatas.
Sociopatia x Psicopatia
A quinta edição do Manual de Diagnóstico e Estatística de Distúrbios
Mentais (DSM-5), divulgada pela Associação Americana de Psiquiatria em
2013, lista tanto sociopatia quanto psicopatia sob o título de Transtorno de
Personalidade Anti-social . Esses distúrbios compartilham muitos traços
comportamentais comuns que levam à confusão entre eles. Os traços-
chave que os sociopatas e os psicopatas têm em comum incluem:
Um desrespeito pelas leis e costumes sociais;
Um desrespeito pelos direitos dos outros;
A falta de remorso ou culpa;
Uma tendência para mostrar comportamento violento;
Além de suas semelhanças, os sociopatas e os psicopatas também
possuem características comportamentais únicas.
Sociopatas
Os sociopatas tendem a estar nervosos e facilmente agitados.
Eles são voláteis e propensos a explosões emocionais, incluindo
ataques de raiva. É provável que não sejam educados e vivam
nas margens da sociedade, incapazes de manter um emprego
estável ou ficar em um lugar por muito tempo. É difícil, mas não
impossível para os sociopatas formar grupos com os outros.
Muitos sociopatas podem formar um apego a um determinado
indivíduo ou grupo, embora não tenham em conta a sociedade
em geral ou suas regras. Nos olhos dos outros, os sociopatas
parecerão muito perturbados. Qualquer crime cometido por um
sociopata, incluindo o assassinato, tenderá a ser casual,
desorganizado e espontâneo, em vez de planejado.
Psicopatas
Os psicopatas, por outro lado, são incapazes de formar vínculos
emocionais ou sentir empatia real com os outros, embora muitas
vezes tenham personalidades sedutoras ou mesmo charmosas.
Os psicopatas são muito manipuladores e podem facilmente
conquistar a confiança das pessoas. Eles aprendem a imitar as
emoções, apesar da incapacidade de senti-las, e parecerão
normais às pessoas desavisadas. Os psicopatas são muitas vezes
bem educados e mantêm empregos estáveis. Alguns são tão
bons na manipulação e simulação, que eles têm famílias e outros
relacionamentos de longo prazo, sem que aqueles que o
rodeiam suspeitem de sua verdadeira natureza.
•
Caraterísticas de um psicopata
Um psicopata é caracterizado por um desvio de
caráter, ausência de sentimentos, frieza, insensibilidade aos
sentimentos alheios, manipulação, narcisismo,
egocentrismo, falta de remorso e de culpa para atos cruéis
e inflexibilidade com castigos e punições.
Em Psicopatas observa-se o seguinte comportamento:
Mentiroso patológico; Ego inflado; Boa lábia; Sede por
adrenalina; Reação estourada; Impulsividade;
Comportamento Antisocial; Ausência de culpa;
Sentimentos superficiais; Falta de empatia;
Irresponsabilidade; Má conduta na infância
Como identificar a Psicopatia
Quando falamos de psicopatia, estamos falando de um espectro. Ela
pode ser identificada ou diagnosticada através da utilização de um
checklist de 20 itens, desenvolvido por um psicólogo canadense
chamado Robert D. Hare. Hare é especialista em psicologia criminal
e psicopatia, tendo escrito obras importantes como “Psicologia das
Investigações Criminais”. De acordo com o checklist idealizado por
Hare, o limiar para a psicopatia clínica se dá através da obtenção
de uma pontuação de 30 ou mais. A anatomia do cérebro, a
genética e o ambiente de uma pessoa podem contribuir para o
desenvolvimento de traços psicopáticos.
Apesar de ser uma condição com difícil tratamento, a psicoterapia
ou a prescrição de medicamentos podem melhorar o quadro clínico
de um psicopata.
Comportamento Desviante
• Para Fonseca, Simões, Rebelo, e Ferreira (1995), a definição
comportamento desviante pode ser interpretada como
qualquer comportamento que implica uma transgressão ou
violação de normas ou expectativas de um grupo de
indivíduos ou da comunidade.
• É importante enfatizar que o conceito de comportamento
desviante é relativo – depende da sociedade e da época em
que ocorre. Certo comportamento pode ser considerado
desviante em uma sociedade e aceitável em outra.
• Cada sociedade define o que é e o que não é considerado
comportamento desviante. A definição pode variar muito entre
uma e outra sociedade.
Comportamento desviante Comportamento criminoso
Comportamento desviante: viola as normas e valores da Comportamento criminoso: viola a lei (exemplos: assassinatos,
sociedade. furtos).
Pessoas que demonstram comportamento desviante podem agir ou se vestir de
forma que difere das normas e valores da sociedade em que vivem.
Os góticos servem como exemplo. Vale lembrar que a maioria dos
comportamentos desviantes é legal. Contudo, em certos casos, podem levar à
criminalidade.
As pessoas que constituem um grupo que exibe comportamento desviante
seguem suas próprias normas e valores, formando, assim, uma subcultura
distinta. A teoria subcultural defende a ideia de que certos grupos dentro da
sociedade formam sua própria subcultura, que difere da do restante da
sociedade.
Relativismo e Comportamento Desviante
As circunstâncias em que ocorre um comportamento
determina se ele é considerado desviante. Isso significa
que o conceito de comportamento desviante é algo
relativo, que depende de vários fatores, entre eles:
• Localização
• Idade
• Status social
• Valores da sociedade
• Época
Como a teoria psicanalítica explica o desvio
A teoria psicanalítica, que foi desenvolvida por Sigmund
Freud, afirma que todos os seres humanos têm impulsos e
desejos naturais que são reprimidos no inconsciente
. Além disso, todos os humanos têm tendências
criminosas. Essas tendências são contidas, no entanto,
pelo processo de socialização . Uma criança mal
socializada, portanto, pode desenvolver um distúrbio de
personalidade que a leva a dirigir impulsos anti-sociais
para dentro ou para fora. Aqueles que os direcionam para
dentro tornam-se neuróticos, enquanto aqueles que os
direcionam para fora tornam-se criminosos.
Como a teoria do desenvolvimento cognitivo explica o desvio
De acordo com a teoria do desenvolvimento cognitivo, o comportamento
criminoso e desviante resulta da maneira como os indivíduos organizam seus
pensamentos em torno da moralidade e da lei. Lawrence Kohlberg, um
psicólogo do desenvolvimento, teorizou que existem
três níveis de raciocínio moral. Durante o primeiro estágio, denominado
estágio pré-convencional, que é alcançado durante a meia-infância, o
raciocínio moral baseia-se na obediência e em evitar o castigo. O segundo nível
é chamado de nível convencional e é alcançado no final da meia-
infância. Durante este estágio, o raciocínio moral é baseado nas expectativas
que a família da criança e outras pessoas importantes têm para ela. O terceiro
nível de raciocínio moral, o nível pós-convencional, é alcançado durante o
início da idade adulta, ponto em que os indivíduos são capazes de ir além das
convenções sociais. Ou seja, eles valorizam as leis do sistema social. As pessoas
que não progridem nesses estágios podem ficar presas em seu
desenvolvimento moral e, como resultado, se tornarem desviantes ou
criminosas.
Como a teoria da aprendizagem explica o desvio
A teoria da aprendizagem é baseada nos princípios da psicologia
comportamental, que supõe que o comportamento de uma pessoa é
aprendido e mantido por suas consequências ou recompensas. Os
indivíduos, portanto,
aprendem o comportamento desviante e criminoso observando outras
pessoas e testemunhando as recompensas ou consequências que seu
comportamento recebe. Por exemplo, um indivíduo que observa um
amigo furtar um item e não ser pego vê que o amigo não é punido por
suas ações e é recompensado por ficar com o item roubado. Esse
indivíduo pode estar mais propenso a furtar em uma loja, então, se ele
acreditar que será recompensado com o mesmo resultado. De acordo
com essa teoria, se é assim que o comportamento desviante é
desenvolvido, retirar o valor de recompensa do comportamento pode
eliminar o comportamento desviante.
REINCIDÊNCIA CRIMINAL
Definir no que consiste o termo “reincidência” ainda é
uma tarefa bastante complexa. Isto porque, no Brasil, o
termo pode ser empregado de quatro formas diferentes:
• Reincidência genérica: considera a pessoa que
comete mais de um ato criminal, independentemente
se há ou não condenação ou mesmo autuação.
• Reincidência legal: é o tipo de reincidência que
aparece na Lei de Execução Penal (LEP), que considera
a condenação judicial por um crime no período de até
cinco anos após a extinção da pena anterior.
• Reincidência penitenciária: ocorre quando um egresso retorna
ao sistema penitenciário após uma pena ou por medida de
segurança. Ou seja, é quando uma pessoa retorna ao
sistema penitenciário após já ter cumprido pena em um
estabelecimento penal.
• Reincidência criminal: é quando uma pessoa possui mais de
uma condenação, independentemente do prazo legal
estabelecido pela legislação brasileira.
De acordo com a LEP, a reincidência ocorre “quando o agente
comete novo crime, depois de transitar em julgado a sentença que,
no País ou no estrangeiro, o tenha condenado por crime anterior”.
Ou seja, reincide aquele que repete infração penal, desde que seja
condenado e não possa mais recorrer na primeira condenação, e
que se comprove o cometimento de um novo crime.
Conceitos de Imputabilidade e anomalia
Psiquica na Legislacao
• Em um sentido amplo é possível definir imputabilidade, segundo os
dicionários, como “qualidade de ser imputável”, sendo imputável,
“aquilo que se pode imputar”, e por sua vez, imputar como sendo o ato
de “Atribuir (a alguém ou a alguma coisa).”
• É possível extrair das definições acima a ideia de atribuição de
responsabilidade de algo a alguém. Neste sentido, sob uma perspectiva
ampla, imputar algo a alguém é atribuir algo (fato) a alguém como
autor deste algo. Há aqui uma identidade entre imputar e
responsabilizar que, sob um ponto de vista técnico penal ou em sentido
estrito (jurídico-penal), não se confundem.
• Masson (2015) preceitua que a imputabilidade é a prática da conduta,
pois ela deve ser analisada no tempo da acção ou da omissão. Qualquer
acção que seja posterior a prática da conduta não interfere, produzindo
apenas efeitos processuais.
• A imputabilidade penal é um dos elementos da
culpabilidade. O Código Penal acompanhou a tendência
da maioria das legislações modernas, e optou por não
defini-la. Limitou-se a apontar as hipóteses em que a
imputabilidade está ausente, ou seja, os casos de
inimputabilidade penal (MASSON, 2015, p. 205).
• Neste diapasão Reale (2013), entende como ser
imputável o agente que, no momento da ação, possuía
capacidade de entendimento ético jurídico e de
autodeterminação, e será́ inimputável, aquele que ao
tempo da ação, em razão de enfermidade mental, não
tinha essa capacidade de entendimento e de
autodeterminação.
Segundo Masson (2015), a imputabilidade é a capacidade
mental, relativo ao ser humano de, no tempo da ação ou da
omissão, entender o caráter ilícito do fato penal depende de
dois elementos:
• Intelectivo: que é consistente na higidez psíquica que
permita ao agente ter consciência do caráter ilícito do fato;
• - Volitivo: é o domínio da vontade, é exercer o controle sobre
a disposição surgida com o entendimento do caráter ilícito
do fato, determinando-se de acordo com esse entendimento.
Esses elementos devem estar simultaneamente presentes, pois,
na falta de um deles, o sujeito será tratado como inimputável. O
nosso pais adotou um critério cronológico, toda pessoa, a
partir do início do dia em que completa 18 anos de idade,
presume-se imputável, “Art. 27
• Os menores de 18 (dezoito) anos são penalmente inimputáveis,
ficando sujeitos às normas estabelecidas na legislação especial”.
• Vale ressaltar que não basta apenas que o agente possua alguma
doença mental, é indispensável que, o agente no momento da
acção ou omissão seja inteiramente incapaz de entender e querer
o resultado do fato ilícito.
• O agente precisar ser imputável para ser responsabilizado pelo
fato típico e ilícito por ele cometido. A imputabilidade é a
possibilidade de atribuir um fato típico e ilícito ao agente. A regra é
a imputabilidade e a exceção é a inimputabilidade (GRECO, 2013).
• Nesse mesmo sentido Zaffaroni (2006), define o conceito de
imputabilidade penal como uma imputação psíquica e física, que
com ela se pretende designar a capacidade psíquica de
culpabilidade. Para que possa reprovar uma conduta a seu agente,
é necessário que ele tenha agido com um certo grau de
capacidade, para que seja permitido dispor de um âmbito de
autodeterminação.
• A capacidade psíquica requerida para se imputar a um sujeito a
reprovação do injusto é a necessária para que lhe tenha sido possível
entender a natureza de injusto de sua acção, e que lhe tenha podido
permitir adequar sua conduta de acordo com esta compreensão da
antijuridicidade, (ZAFFARONI, 2006, p. 536).
• Como já mencionado, quando o indivíduo completa 18 anos de idade
presume-se que é imputável, porém essa presunção é relativa. E para
a verificação da inimputabilidade, existem três critérios (MASSON,
2015):
• - Critério Biológico: nesse critério basta apenas o desenvolvimento
mental incompleto do indivíduo. Não é necessário que na prática da
infração penal o sujeito se mostre lúcido, para entender o caráter
ilícito do fato e determinar-se de acordo com esse entendimento.
Esse sistema atribui demasiado valor ao laudo pericial, pois se o
auxiliar de Justiça apontasse um problema mental, o magistrado
nada poderia fazer. Presumir-se-ia a inimputabilidade do indivíduo,
de forma absoluta.
• Critério Psicológico: nesse critério não importa se o indivíduo
apresenta ou não alguma deficiência, considera-se apenas se no
tempo da conduta, o agente tinha a capacidade de entendimento e
autonomia, independentemente da sua condição mental ou idade.
• - Critério Biopsicológico: nesse critério é a fusão dos dois
anteriores, pois considera-se inimputável aquele que, ao tempo da
conduta, apresenta sua condição mental (doença mental ou
desenvolvimento mental incompleto), e em razão disso não possui
capacidade para entender o caráter ilícito do fato. A suposição de
imputabilidade é relativa, após os 18 anos, todos são imputáveis,
salvo se houver prova pericial que revele a presença de deficiência
mental, e que por tal motivo o indivíduo no momento da conduta
não tinha capacidade para entender o caráter ilícito do fato.
Distinção entre imputabilidade e
capacidade
A capacidade é um gênero do qual a imputabilidade é uma espécie,
ela é uma expressão ampla, que compreende não apenas na
possibilidade de entendimento e vontade, mas a aptidão para
praticar atos na esfera processual, como por exemplo, oferecer
queixa e representação, ser interrogado sem assistência de curador,
entre outros. A imputabilidade é a capacidade no âmbito do direito
penal, (CAPEZ, 2013).
• Distinção entre dolo e imputabilidade
Para Capez (2013), o dolo é a vontade e a imputabilidade é a
capacidade de compreender essa vontade, como exemplo, um
drogado sabe que está portando cocaína para uso próprio, mas não
tem comando sobre essa vontade, tem dolo, mas não tem
imputabilidade.
• . Distinção entre imputabilidade e responsabilidade
• A responsabilidade é a capacidade do agente para ser punido por
seus actos e exige três requisitos: imputabilidade, consciência
potencial da ilicitude e exigibilidade de conduta diversa. Dessa
forma, o sujeito pode ser imputável, mas não responsável pela
infração praticada, quando não tiver o conhecimento do injusto
ou quando dele for inexigível conduta diversa, (CAPEZ, 2013).
• 2. Definição de semi-imputabilidade
• Os agentes semi-imputáveis tem sua capacidade de
entendimento e de determinação, parcialmente diminuída
incluindo a doença mental e os distúrbios de personalidade, que
por vezes estão presentes em psicopatas, sádicos, narcisistas,
histéricos, impulsivos, entre outros. Eles têm possibilidade se
discernir os seus actos, mas por meio dessas perturbações torna-
se difícil de controlar seus impulsos.
• Capez define a semi-imputabilidade como a
responsabilidade diminuída.
• É a perda de parte da capacidade de entendimento e
autodeterminação, em razão de doença mental ou de
desenvolvimento incompleto ou retardado. Alcança os
indivíduos em que as perturbações psíquicas tornam menor
o poder de autodeterminação e mais fraca a resistência
interior em relação à prática do crime. Na verdade, o agente
é imputável e responsável por ter alguma noção do que faz,
mas sua responsabilidade é reduzida em virtude de ter
agido com culpabilidade diminuída em consequência das
suas condições pessoais (CAPEZ, 2011, p.346).
• Requisitos da semi-imputabilidade
• Os requisitos da semi-imputabilidade são os mesmos da inimputabilidade,
exceto quanto à intensidade no requisito cronológico, que são (CAPEZ,
2013):
• - Causal: é provocada pela perturbação da saúde mental ou
desenvolvimento mental incompleto ou retardado;
• - Cronológico: está presente ao tempo da ação ou omissão;
• - Consequencial: não exclui a imputabilidade, onde o agente será
condenado pelo fato típico e ilícito que cometeu.
3. Definição de inimputabilidade
• Para Masson (2015), é inimputável o indivíduo que por doença mental ou
desenvolvimento mental incompleto não tem condições de
autodeterminação na época dos fatos, ou que seja inteiramente incapaz
de entender o caráter ilícito do fato.
• Causas de inimputabilidade
• O Código Penal institui as hipóteses de
inimputabilidade por doença mental, desenvolvimento
mental ou retardo, que assim determina:
• É isento de pena o agente que, por doença mental
ou desenvolvimento mental incompleto ou
retardado, era, ao tempo da ação ou da omissão,
inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do
fato ou de determinar-se de acordo com esse
entendimento (BRASIL, 1940).
• Para Greco (2013), pela redação do artigo, nota-se que o Código Penal
adotou dois critérios que levam a concluir a inimputabilidade do agente,
que são:
• - A de uma doença mental ou desenvolvimento mental incompleto ou
retardado;
• - A absoluta incapacidade de, no tempo da ação ou omissão, o indivíduo
entender o caráter ilícito do fato ou determinar-se de acordo com esse
entendimento.
• Já Capez (2013), diz quatro são as causas que excluem a imputabilidade:
• Doença mental:
• Desenvolvimento mental incompleto
• Desenvolvimento mental retardado
• Embriaguez completa proveniente de caso fortuito ou força maior
Masson (2015), mostra que o Código Penal apresenta como causas
de inimputabilidade a: menoridade, a doença mental,
desenvolvimento mental incompleto, desenvolvimento mental
retardado e embriaguez completa proveniente de caso fortuito ou
força maior, e explica cada uma delas como:
• - Inimputabilidade por doença mental que devem ser
consideradas todas alterações mentais ou psíquicas que
extinguem o ser humano de entender a capacidade de entender
o caráter ilícito do fato e de determinar-se de acordo com esse
entendimento
• Inimputabilidade por desenvolvimento mental retardado é
quando a pessoa não se mostra em sintonia com os demais
indivíduos que possuem sua idade
• Inimputabilidade por desenvolvimento mental incompleto, esse
desenvolvimento abrange os menores de 18 anos.
Sanches (2016), diz que as causas de inimputabilidade são:
• - Inimputabilidade em razão de anomalia psíquica do Código Penal. Pode o
doente mental ser considerado imputável, desde que a sua anomalia
psíquica não se manifeste de maneira a comprometer sua
autodeterminação ou capacidade intelectiva.
• Inimputabilidade em razão da idade, do Código Penal, o qual dispõe que
“os menores de 18 (dezoito) anos são penalmente inimputáveis, ficando
sujeitos às normas estabelecidas na legislação especial”.
• Adotou-se o critério biológico, levando-se em conta apenas o
desenvolvimento mental do acusado (idade), independente de, se ao
tempo da ação ou omissão, ele tinha a capacidade de entendimento e
autodeterminação.
• Inimputabilidade em razão da embriaguez: a embriaguez reflete no
psiquismo da pessoa por ela acometida, podendo afetar sua capacidade
intelectiva ou volitiva. A embriaguez é classificada em espécies e graus,
quais são: embriaguez não acidental (voluntária ou culposa); embriaguez
acidental (caso fortuito ou força maior); embriaguez patológica e
embriaguez preordenada.