Hospital Central da Beira
Departamento de ginecologia e obstetrícia
Tutor: Professor Diante Júnior
Estudante:Ana penicela
Beira, Fevereiro de 2024
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Conteúdo
1. Definição
2. Classificação
3. Epidemiologia
4. Factores de risco
5. Etiopatologia
6. Quadro clínico
7. Diagnostico
8. Tratamento
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Definição
Ruptura Prematura Das Membranas (RPM) é a
ruptura espontânea das membranas amnióticas a
partir 28 semanas de gestação e antes do início do
trabalho de parto.
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Classificação
Pré-termo ˂ 37 semanas
Termo ≥ 37 semanas < 42 semanas
Pós-termo > 42 semanas ou mais
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Epidemiologia
A RPM ocorre em aproximadamente 8% das
gestações a termo e em 3% das gestações pre-termo.
Responsável por 40% de partos prematuros.
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Factores de risco
RPM na gestação Infecção genitourinário (vaginose, cistite,
anterior ITS)
Tabagismo Parto prematuro
Incompetência cervical Sangramento vaginal durante a gestação
Conização cervical Hiperdistensão uterina (gemelaridade,
anterior polidrâmnio, macrossomia)
Síndrome de Ehlers-
Baixo nível socioeconómico
Danlos
Procedimentos invasivos (amniocentese,
Aborto tardio anterior
05/11/2024 cordocentese) 6
Etiologia
Sangramen
to na 2ª
metade de
Estresse gestação
mecánic
Infecç
o ão
Diminuiç
ao da
actividade
RPM Distensã
bactericid o uterina
a do LA
Colo
uterino Inflamaç
enfraqueci ão
do
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Etiopatogenia da RPM
As membranas amnioticas protegem o feto das
infeccões e traumatismos. A força e a integridade
das membranas fetais derivam de proteínas da
membrana extracelular, incluindo colágeno,
fibronectina e laminina.
Durante a gestação normal existe equilíbrio entre as
metalo-proteinases e inibidores tissulares das
metalo-proteinases.
TIMP MMP TI M P <
= M MP
Gestação
normal
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RPM 8
Os principais mecanismos de rotura prematura das membranas são a
inflamação, infecção, sangramento e estresse mecânico.
Estresse
Infecção Inflamação Sangramento
mecanico
Produção de Produção de Trombina na Enfraquecimento
prostaglandinas citocinas decidua das membranas
Contração Actividade das
uterina MMP
Degradação da
MEC
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Quadro clínico
Saída repentino de líquido transparente ou amarelo
claro da vagina, de consistência fluida e odor de agua
sanitaria, que escorre pelas pernas e penetra nas
roupas.
A saída de líquido pode ser de forma contínua ou
intermitente.
O exame físico e especular poderá evidenciar o
acúmulo de líquido no fundo do saco posterior.
Permite, ainda, observar a saída de líquido pelo
orifício externo do colo uterino.
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Quadro clinico
Em casos de RPM associada a corioamnionite:
Febre materna ≥ 37.8
Taquicardia materna
Taquicardia fetal
Dor a palpação uterina
Líquido amniotico com odor fétido
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Diagnóstico
Em 90% dos casos o diagnóstico é clínico,
sendo realizado através de anamnese e exame
físico.
Anamnese: idade gestacional,momento em que
se iniciou a perda, quantidade do liquido
perdido; cor , consistencia e odor do fluxo;
história das gestações anteriores, ITS e ITU.
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Diagnóstico
Exame físico: sinais vitais, exame obstétrico (AFU,
manobra de Leopord, DU, inspecção vulvar), exame com
espéculo estéril (observação de saída de líquido pelo
orifício do colo uterino, de modo espontâneo ou por
manobra de Valsalva).
Toque vaginal?
Exames complementares:
Hemograma
Bioquimica
Papel de nitrazina (para a determinação do pH)
Prova cristalização.
Ultrassonografia
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Teste de nitrazina
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Prova de cristalização
Liquido amniotico Muco cervical
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Ultrassonografia
Útil para confirmar oligoidramnio e auxilia
na confirmação da idade gestacional, estima
o peso fetal e estima o volume de líquido
amniótico.
Oligoidramnio
• ILA < 5cm
• Maior bolsão vertical < 2cm
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Complicações
Materno fetais
• Parto pré termo
• Coriamnionite
• Descolamento prematuro da placenta
normalmente inserida.
Fetais
• Hipoplasia pulmonar
• Doença da membrana hialina
• Sofrimento fetal
• Deformidades
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Tratamento
Factores determinantes da conduta:
• Tempo de gestação
• Patologia materna/ fetal associada
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Tratamento
RPM sem patologia associada:
IG acima de 34 semanas
• Interrupcao da gestação
IG 28 -33 semanas e 6 dias
• IG conduta conservadora
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Tratamento
Corticoterapia
• Betametasona 12 mg IM, 1x/dia durante 48
horas.
• Dexametasona 6 mg IM, 12/12 h durante 48
horas.
Antibioticoterapia profilática:
• Ampicilina 1g IV 6/6h duante 48( cobertura
para GBS)
• Amoxicilina 500 mg VO, 8/8 h durante 7 dias +
Metronidazol 250 mg VO, 8/8 h durante 7 dias.
Tocoliticos?
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RPM com patologia associada
Condições que levam a interrupção da gestação:
• Trabalho de parto na fase activa
• Maturidade fetal assegurada
• Malformações fetais
• Sofrimento fetal
• Coriamnionite
• Gravidas com alto risco infeccioso
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Tratamento
1. Na presença de infecção (coriamnionite):
É OBRIGATÓRIA a interrupção de gravidez
independemente da idade gestacional e introdução de
antibioticoterapia.
O diagnóstico = Febre materna ≥ 37.8 + 2 dos
seguintes critérios.
• Leucocitose materna (leu > 12.000 cels/mm3)
• Taquicardia materna
• Taquicardia fetal
• Sensibilidade uterina.
• Líquido amniótico com odor fétido.
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Tratamento
Na presença de infecção
Esquema 1:
Clindamicina 900 mg IV 8/8h + Gentamicina 240 mg
IV 1x/dia
Esquema 2:
Ampicilina 2g IV 6/6h + Gentamicina 240 mg IV
1x/dia e Metronidazol 500 mg IV 8/8h
Manter antibioticoterapia venosa até 48 horas sem
febre após a interrupção da gravidez.
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Tratamento
Via de parto: de preferencia via vaginal
Parto cesária: contraindicações para indução
(placenta previa, vasa previa, apresentação fetal
anormal)
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Referência bibliográficas
1. Obstetricia de Rezende 13ª ed.
2. Uptodate
3. Medicina Materno-fetal
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Muito obrigada pela atenção
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