Amanda de Almeida Ramos
Anna Clara Almeida da Silva
Guilherme Rosa de Jesus
Isis David e Sousa
Maria Gabriela Américo
Natália Ciqueira Maia
Paula Sofia Brito Silva
Sarah de Morais
As influências da fenomenologia e do
existencialismo na psicologia
O pensamento de EDMUND HUSSERL
(1859-1938) deu origem à fenomenologia
Essa corrente influenciou
decisivamente o movimento filosófico e
cultural que se propagou na Europa após o fim
da Segunda Guerra Mundial, conhecido como
existencialismo.
Husserl propõe para a filosofia uma
atitude radicalmente crítica, em que, para que
algo seja admitido, exige-se que se mostre com
toda a sua evidência.
A “atitude fenomenológica”, ou
filosófica no sentido próprio, deve ater-se
apenas àquilo que se dá à experiência, tal como
se dá: o que chamamos de fenômeno.
A fenomenologia de Husserl enfatiza a
prioridade da intuição sobre o pensamento
conceitual. A intuição é a via de acesso ao
fenômeno. O procedimento intuitivo é
considerado como o elemento essencial da
atitude filosófica.
A fenomenologia pode ser compreendida como a
descrição das estruturas gerais da consciência, não do
sujeito empírico estudado pela psicologia, mas do sujeito
transcendental, que é a condição ONTOLÓGICA de
possibilidade das experiências humanas concretas nos
diversos níveis e regiões de realização da existência.
A partir da fenomenologia “pura” de Husserl,
muitos pesquisadores desenvolveram aplicações
“regionais” do método fenomenológico, dirigidas a
dimensões específicas da correlação entre o sujeito e o
mundo: as fenomenologias da percepção, da imaginação,
da emoção, da linguagem, bem como as fenomenologias
das religiões, das relações interpessoais, dos distúrbios
psíquicos etc.
A influência da fenomenologia no campo
das ciências humanas é bastante vasta e
heterogênea, incluindo disciplinas como a história,
a sociologia, o direito, a antropologia e a
psicologia.
No campo específico da psicologia, as
influências mais diretas da fenomenologia se
deram sobre a psicologia da Gestalt e sobre a
psiquiatria.
O existencialismo enquanto movimento
filosófico e cultural surge no período entre as
duas guerras mundiais, de 1918 a 1945, no
eixo intelectual entre a Alemanha e a França.
Seu principal articulador é o filósofo
francês Jean-Paul Sartre. O movimento ganha
difusão pela Europa e Estados Unidos no pós-
guerra, principalmente na década de 1950.
O ser do homem consiste em sua
própria existência singular, sua subjetividade,
que é pura liberdade de escolha.
Filosofar é afirmar a existência
enquanto liberdade e assumir a
responsabilidade pelas próprias escolhas
Heidegger tem um papel fundamental
na articulação entre fenomenologia e
existencialismo.
Para ele, não é suficiente voltar-se
para a existência singular em suas
circunstâncias sempre específicas a cada
situação histórica concreta.
É preciso elaborar uma interpretação
ontológica do existir humano em geral, isto é,
uma interpretação que diga respeito às
estruturas que constituem o ser do homem
enquanto existente.
De acordo com a obra “O ser e o nada”, Sartre divide os
entes em duas regiões ontológicas radicalmente distintas,
segundo os seus modos de ser: o “ser em si” e o “ser para si”.
O “em-si” diz respeito às coisas em si mesmas, fora de
qualquer relação com a consciência, fora, portanto, de
qualquer relação de sentido.
O “para-si” é o mundo da consciência, diz respeito à
existência, no sentido específico que lhe dá o existencialismo.
De acordo com a obra “Ser e tempo”, Heidegger aborda “a
questão do ser” por caminhos radicalmente diferentes daqueles
percorridos até então pela tradição, pois não interroga “o que é o
ser”, mas “qual o seu sentido”. O objetivo da ontologia, de
investigar a essência dos entes, transforma-se, então, em uma
questão HERMENÊUTICA.
O termo HERMENÊUTICA designa a arte ou ciência da
interpretação.
O sentido que se desvela através do homem, nunca se dá
a partir de algum a priori transcendental, é sempre interpretação.
Embora seja compreensível a aproximação
entre fenomenologia existencial e humanismo, como
muitas vezes se pode verificar pela fusão dos termos
na expressão “psicologia existencial humanista”, é
preciso analisar com maior cuidado tal associação.
O humanismo tem como principal matriz a
filosofia romântica que exalta a contemplação
estética, o intuicionismo afetivo e a superação, por
fusão empática, da dicotomia entre sujeito e objeto.
A fenomenologia não entende a experiência
direta dos fenômenos como algo que diga mais
respeito ao âmbito afetivo do que ao racional, e muito
menos abre mão do rigor e da dimensão crítica.
REFERÊNCIAS
Alves, Paulo Eduardo Rodrigues. (2013). O método fenomenológico na condução
de grupos terapêuticos. Revista da SBPH, 16(1), 150-165.
Heidegger, M. (1976 [1959]) Acheminement vers la parole. Paris: Gallimard.
Heidegger, M. (1979) Conferências e escritos filosóficos (Coleção “Os
Pensadores”). São Paulo: Abril Cultural.
Husserl, E. (2002) A crise da humanidade européia e a filosofia. Porto Alegre:
EDIPUCRS.
Sartre, J. P. (1997) O ser e o nada: ensaio de ontologia fenomenológica. Petrópolis:
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