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O que é Filosofia: Conceitos e História

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Willian Lima
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¹

Prof. Clynton Azevedo


O que é filosofia?
Não é por acaso que a maioria dos livros de Filosofia começa
com a pergunta: "o que é Filosofia?". No entanto, os livros de
Matemática e de Literatura, por exemplo, não costumam
colocar em questão o que seria a Matemática ou a
Literatura.
O motivo disso é porque a Matemática não está
interessada em saber o que é o número, assim como a
Literatura não trata do que é a obra de arte; pelo
menos, essas áreas não se aprofundam em investigar
a existência de seus objetos. Essas matérias dão
maior importância ao modo de funcionamento, ao
método, à aplicação da teoria no mundo prático.

E, ainda, geralmente focalizam seus interesses apenas em


sua área, sem olhar muito para o "terreno do vizinho": o
matemático, por exemplo, não tem relação direta com
Machado de Assis, nem o literato com o triângulo retângulo.
O que é filosofia?
Então, de quem é a tarefa de perguntar sobre os conceitos
que estão na base da Matemática e da Literatura, e também
das ciências em geral?

Trata-se, fundamentalmente, de uma


tarefa da Filosofia, que, apesar de não
estar interessada especificamente pela
trigonometria nem pelos seres
vertebrados nem pelos cálculos
genéticos, é responsável por questionar:
o que é o ser? O que é o número? O que
é o tempo?

Portanto, uma das características que define a Filosofia é a


busca pelo conhecimento da realidade.
O que é filosofia?
É importante ressaltar que essa busca pode (e deve) ser feita
por qualquer pessoa, fugindo do estereótipo de que o
filósofo é, geralmente, um velho barbudo, como se fosse
preciso acumular o conhecimento durante toda a vida para
ser considerado uma pessoa sábia.
Por acaso, os jovens não possuem
determinada sabedoria? Logo, não
poderiam também filosofar?

Philos Sophia
Amigo, respeito ou amor Sabedoria

Filosof
Amor a sabedoria
O que é filosofia?
Esse sentimento pelo saber não significa, necessariamente,
que o filósofo é um sábio: ele está sempre buscando o
conhecimento.

Além disso, amor e amizade são


sentimentos que simplesmente
acontecem, independentemente da
vontade das pessoas. É praticamente
impossível impor sentimentos ou
vontades a quem quer que seja.

Do mesmo modo, para ser realmente um filósofo, é preciso


ter amor pelo saber, porque, realmente, assim se deseja.
O que é filosofia?
Contudo, será que definir a Filosofia como o amor pela
sabedoria é suficiente? Que tipo de sabedoria deveria ser
considerado, ou seja, sobre que espécie de temas se pode
filosofar?

Inicialmente, na Grécia Antiga, os


primeiros pensadores estavam
preocupados com os fenômenos da
natureza e suas relações.

Por exemplo, por que existem o dia e a noite? Por que,


sempre que termina o dia, começa a noite, depois vem o dia
e, assim, sucessivamente? Por que as estações do ano se
repetem na mesma ordem?
O que é filosofia?
Essas eram questões que os primeiros filósofos
problematizavam.

Outro grande objeto de pensamento da


Filosofia antiga é a moral. Como saber se
algo é certo ou errado? Como chegar à
felicidade? Como se faz para levar uma
vida virtuosa?

Reflexões como essas foram a base para o desenvolvimento


da Filosofia, embora ela não fosse a única preocupada em
responder a tais dúvidas.
Ao estudarmos o conceito de filosofia vimos que o primeiro
filósofo foi Tales de Mileto. Tales acreditava que a origem do
Universo seria a partir da água. Vamos entender melhor?

Pré-socráticos são aqueles filósofos que vieram antes de Sócrates. Para


ser mais preciso, alguns filósofos conhecidos como pré-socráticos
nasceram depois de Sócrates, mas são classificados neste grupo por
estarem dentro desta tarefa filosófica, isto é, Sócrates construiu uma
Filosofia embasada no próprio Ser Humano enquanto os pré-socráticos
embasaram sua Filosofia na Natureza.
Você lembra como são chamados os primeiros filósofos
gregos?

Os primeiros filósofos gregos são frequentemente chamados


de “filósofos da physis”
Palavra de origem grega que significa fazer
surgir, fazer brotar, fazer nascer, produzir,
isto é, “filósofos da natureza”, porque se
interessavam, sobretudo pela natureza e
pelos processos naturais.

Eles tinham uma coisa em comum: acreditavam que


determinada substância básica, a arché, palavra grega que
significa “o que está na frente, à origem, o começo”, estava
por de trás de todas as transformações da natureza.
Os primeiros filósofos

Podemos dizer que os filósofos da natureza deram os


primeiros passos na direção de uma forma científica de
pensar.

Sendo que a maior parte de


tudo o que os filósofos
disseram e escreveram ficou
perdida para a posteridade.

E a maior parte do pouco que sabemos está nos escritos de


Aristóteles, que viveu duzentos anos depois dos primeiros
filósofos.
Os principais filósofos pré-socráticos
Tales de Mileto (624 – 546 a.C.)
Para ele, a água por permanecer basicamente a mesma,
apesar de assumir diferentes estados: sólido, líquido e
gasoso, seria o arché, a substância primordial, a origem de
todas as coisas.
Anaximandro (610 – 546 a.C.)
Para esse filósofo, o princípio primordial deveria ser algo que
transcende os limites da observação, ou seja, não podia ser
uma realidade ao alcance dos sentidos, como a água. Por
isso, denominou o apeíron, termo grego que significa “o
indeterminado”, “o infinito” no tempo.

Ele achava que nosso mundo era apenas


um dos muitos mundos que surgem de
alguma coisa e se dissolvem nesta alguma
coisa que ele chamava
de infinito (apeíron). O infinito para
Anaximandro é aquilo a partir do qual
tudo surge e é completamente diferente
do que é criado.
Anaxímenes (585 – 528 a.C.)
Para Anaxímenes o ar ou o sopro de ar era a substância
básica de todas as coisas. Para ele, a água era o ar
condensado (de menos volume). Podemos observar que
quando chove, o ar se comprime até virar água. Acreditava
ainda que se a água fosse mais comprimida ela se
transformaria em terra.
Parmênides (515 – 445 a.C.)
Parmênides acreditava que tudo o que existe sempre existiu.
Sendo que nada pode surgir do nada e nada que existe pode
se transformar em nada.
Ele considerava totalmente impossível
qualquer transformação real das coisas.
Nada pode se transformar em algo
diferente do que já é.

A partir da premissa de que algo existe – É –, Parmênides


deduziu que esse algo não pode também não existir – NÃO É
-, pois isso envolveria uma contradição lógica. Portanto,
seria impossível existir um estado do nada- NÃO HAVERIA UM
VAZIO. Assim, algo não pode vir do nada: deve sempre ter
existido em alguma forma.
Heráclito (535 – 475 a.C.)
Tudo flui”, dizia Heráclito. Tudo está em movimento e nada
dura para sempre. Por esta razão, “não podemos entrar duas
vezes no mesmo rio”. Isto porque quando entro pela segunda
vez no rio, tanto eu quanto o rio já mudamos.

Heráclito também nos chama a atenção para o


fato de que o mundo está impregnado por
constante opostos – dia e noite, quente e frio, por
exemplo. Se nunca ficássemos doentes, não
saberíamos o que significa saúde.
Empédocles (490 – 430 a.C.):
Empédocles acreditava que a natureza possuía ao todo
quatro elementos básicos, também chamados “raízes”. Estes
quatro elementos era a terra, o ar, o fogo e a água.
Esses elementos seriam movidos e
misturados de diferentes maneiras em
função de dois princípios universais
opostos:

Amor: responsável pela força de


atração e união e pelos movimentos de
crescente harmonização das coisas;

Ódio: responsável pela força de repulsão e desagregação


e pelo movimento de decadência, dissolução e separação
das coisas.
Anaxágoras (500 – 428 a.C.)
Anaxágoras achava que a natureza era composta por uma
infinidade de partículas minúsculas, invisíveis a olho nu.
Tudo pode ser dividido em partes ainda menores, mas mesmo
na menor das partes existe um pouco de tudo.

Anaxágoras também imaginou um


tipo de força que seria responsável,
por assim dizer, pela ordem e pela
criação de homens, animais, flores e
árvores. A esta força ele deu o nome
de inteligência.
Demócrito (460 – 370 a.C.)
Afirmou que todas as coisas eram constituídas por uma
infinidade de pedrinhas minúsculas, invisíveis, cada uma
delas sendo eterna e imutável. A estas unidades mínimas
Demócrito Deu o nome de átomos. A palavra átomo significa
“indivisível”

Além disso, as “pedrinhas” constituintes da


natureza tinham que ser eternas, pois nada
pode surgir do nada. Sendo que essas
“pedrinhas”, segundo Demócrito, possuíam
formatos diferentes: alguns arredondados e
lisos outros irregulares e retorcidos. E por
suas formas serem tão irregulares é que eles
podiam ser combinados para dar origem aos
mais variados corpos.

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