ECONOMIA DE
EMPRESAS E
LEGISLAÇÃO MINEIRA
Professor: [Link] Bravo
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LEGISLAÇÃO MINEIRA
Introdução
Angola possui no seu subsolo, abundantes e variados
recursos minerais. A exploração e aproveitamento racionais
desses recursos constituem um importante meio de
crescimento e desenvolvimento económico sustentados,
contribuindo para o bem-estar e a felicidade das gerações
actuais e futuras.
Por razões ligadas à nossa história económica e social e à
realidade do nosso sistema jurídico, a actividade geológica e
mineira não petrolífera tem sido regulada por um conjunto de
legislação avulsa, dispersa por várias leis, decretos e outros
actos normativos, maioritariamente aprovados num contexto
económico e social diferente do actual.
LEGISLAÇÃO MINEIRA
SECÇÃO I
Objecto e Âmbito de Aplicação
ARTIGO 1.º
(Objecto)
O presente Código regula toda a actividade geológico-mineira,
designadamente, investigação geológica, descoberta, caracterização,
avaliação, exploração, comercialização, uso e aproveitamento dos
recursos minerais existentes no solo, no subsolo, nas águas interiores no
mar territorial, na plataforma continental, na zona económica exclusiva e
nas demais áreas do domínio territorial e marítimo sob jurisdição da
República de Angola, bem como o acesso e exercício dos direitos e
deveres com eles relacionados.
LEGISLAÇÃO MINEIRA
ARTIGO 2.º
(Âmbito de aplicação)
1. A actividade descrita no artigo anterior compreende, designadamente:
a) estudos geológicos e de cartografia geológica;
b) reconhecimento, prospecção, pesquisa e avaliação dos recursos
minerais;
c) exploração, lapidação e beneficiação dos recursos minerais;
d) comercialização dos recursos minerais ou outras formas de dispor do
produto da mineração;
e) restauração ou recuperação das áreas afectadas pela actividade
mineira;
f) reconhecimento, prospecção, pesquisa, avaliação, exploração,
tratamento e comercialização de águas minero-medicinais;
g) reconhecimento, prospecção, pesquisa, avaliação, exploração e
comercialização de recursos minerais existentes no mar territorial, na
plataforma continental e na zona económica exclusiva.
LEGISLAÇÃO MINEIRA
ARTIGO 4.º
(Exclusões)
Ficam excluídas do presente Código as actividades relativas ao
reconhecimento, prospecção, pesquisa, avaliação e exploração dos
hidrocarbonetos, líquidos e gasosos.
ARTIGO 5.º
(Classificação dos minerais)
1. Para efeitos do presente Código, os minerais classificam-se de acordo
com a tabela que constitui o Slide a seguir, que dele é parte integrante.
2. A actualização da tabela referida no número anterior é da competência
do Poder Executivo, de acordo com os avanços científicos e tecnológicos
que se registem sobre a matéria e da necessidade de harmonização com
as tabelas similares das organizações internacionais de que Angola seja
parte.
LEGISLAÇÃO MINEIRA
a) Metais ferrosos — ex.: ferro, manganês, titânio, crómio;
b) Metais não ferrosos — ex.: cobre, chumbo, zinco, volfrâmio, estanho,
níquel, cobalto, molibdénio,arsénio;
c) Metais raros e elementos de terras raras — ex.: berílio, lítio, nióbio,
tântalo;
d) Minerais radioactivos—ex.: urânio;
e) Metais nobres —ex.: Ouro, Prata, Platina;
f) Recursos minerais não metálicos — ex.: quartzo, feldspato, caulino,
gesso, barite, diatomito, wolastonite, moscovite; vermiculite, talco, fluorite,
enxofre, cianíte, guano, sais de potássio, salgema, micas, talco, grafite,
asbeto, fosforite, enxofre, bentonite;
g) Matérias de construção — ex.: calcários, dolomites, asfaltite, areias,
argilas;
h) Rochas ornamentais — ex.: Anortositos, granitos, mármores;
i) Pedras preciosas e semi-preciosas—ex.: diamante, rubi, safiras,
esmeraldas, ametistas, opalas;
j) Combustíveis fósseis sólidos— ex.: turfa, lenhite.
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SECÇÃO II
Princípios e Objectivos do Sector Mineiro
ARTIGO 6.º
(Política mineira )
1. Compete ao Poder Executivo aprovar a política mineira
e a estratégia para a sua implementação, definindo os
meios, as metas e os prazos para a sua aplicação.
2. Ao elaborar a política mineira, o Poder Executivo deve
respeitar os princípios e regras fundamentais da
Constituição, o regime económico em vigor, as normas
deste Código, bem como os princípios jurídicos e os
objectivos estratégicos da actividade mineira
estabelecidos, nos artigos seguintes.
LEGISLAÇÃO MINEIRA
ARTIGO 7.º
(Planeamento da actividade mineira)
1. Compete ao Poder Executivo orientar e planificar o
desenvolvimento da actividade mineira nacional, em
conformidade com os princípios e regras estabelecidos
neste Código e com a política e estratégia do Executivo
para o sector mineiro.
2. Ao planificar a actividade mineira, o Poder Executivo
deve prever medidas eficazes de desenvolvimento
económico sustentável e de protecção dos direitos e
interesses legítimos das comunidades locais, bem como
o desenvolvimento dos recursos humanos nacionais.
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ARTIGO 8.º
(Objectivos estratégicos do sector mineiro)
Constituem objectivos estratégicos do sector mineiro os seguintes:
a) garantir o desenvolvimento económico e social sustentado do País;
b) criar emprego e melhorar as condições de vida das populações
que vivem nas áreas de exploração mineira;
c) garantir receitas fiscais para a Administração Central e Local do
Estado;
d) apoiar e proteger o empresariado privado, dando preferência aos
empresários angolanos na concessão de direitos mineiros;
e) no âmbito das parcerias público-privadas, estimular com a
participação da Banca Pública e Privada, o surgimento de grupos
económicos angolanos, técnica e financeiramente capazes, de
competirem no mercado mineiro nacional e regional, sobretudo na
região da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC);
f) harmonizar na medida do possível a legislação mineira nacional
com a legislação mineira regional e internacional, tendo em conta as
boas práticas em vigor;
g) garantir a integração do género e o combate às práticas
discriminatórias na indústria mineira;
h) proteger o ambiente através da redução do impacto negativo que
as operações geológico-mineiras possam causar ao ambiente, bem
como a reparação dos efeitos nefastos que forem provocados;
i) combater as práticas que atentem contra as regras ambientais;
j) combater o garimpo e outras práticas mineiras ilegais;
k) estabelecer um regime eficaz, célere e transparente de concessão
de direitos mineiros, baseado no princípio do livre acesso, no
cumprimento estrito da lei e no enquadramento na política e
estratégia mineira aprovada pelo Executivo;
l) garantir o desenvolvimento sustentável dos quadros e
trabalhadores nacionais, particularmente através de programas de
formação e desenvolvimento de recursos humanos;
m) usar preferencialmente os recursos minerais para a sua
transformação e comercialização no País, ou como matéria prima
para a indústria transformadora, materiais de construção, aditivos
para a agricultura e outras aplicações nacionais;
n) evitar a exportação de recursos minerais que obriguem o País a
importar o mesmo tipo de minerais a curto ou a médio prazo;
o) incentivar o reinvestimento no País dos rendimentos da exploração
dos recursos minerais;
p) implementar, antes do encerramento das minas,
empreendimentos que proporcionem novos empregos aos
trabalhadores e evitem deslocações de habitantes e recessões
económicas nas regiões mineiras abandonadas.
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ARTIGO 9.º
(Exploração sustentável de recursos minerais)
A exploração dos recursos minerais deve ser realizada de maneira
sustentável e em benefício da economia nacional, com rigorosa
observância das regras sobre a segurança, o uso económico do solo,
os direitos das comunidades locais e a proteção e defesa do
ambiente.
LEGISLAÇÃO MINEIRA
ARTIGO 10.º
(Intervenção do Estado no sector mineiro)
1. O Estado pode intervir economicamente no sector mineiro, quer
através de entidades reguladoras e concessionárias nacionais, quer
através de empresas operadoras, ficando todos esses entes sujeitos
aos princípios e regras estabelecidos neste Código e na legislação
sobre investimento público e sobre empresas públicas ou de capitais
públicos.
2. O Executivo pode criar instituições públicas reguladoras das actividades
mineiras sempre que haja necessidade de regular de modo específico o
exercício da actividade mineira respectiva, ou o mercado, ou os preços, ou
as exportações, ou a saúde pública, ou outros factores específicos
relevantes.
LEGISLAÇÃO MINEIRA
ARTIGO 11.º
(Participação do Estado nas produções mineiras)
1. O Estado participa na apropriação do produto da mineração como
contrapartida pela concessão dos direitos mineiros de exploração e
comercialização, podendo usar uma das seguintes formas ou ambas
conjugadas:
a) participação, através de uma empresa do Estado, no capital social
das sociedades comerciais a criar, não podendo essa participação ser
inferior a 10%;
b) participação em espécie no produto mineral produzido em
proporções a definir ao longo dos ciclos de produção, subindo a
participação do Estado à medida que a Taxa Interna de Rentabilidade
(TIR) for aumentando.
2. Compete ao Titular do Poder Executivo aprovar os critérios mde
participação social das empresas do Estado nas sociedades
comerciais e da comparticipação em espécie nas produções de
minerais produzidos face à TIR, podendo delegar essa competência
no titular do órgão de tutela.
LEGISLAÇÃO MINEIRA
ARTIGO 12.º
(Direito de requisição de produções mineiras)
1. Sempre que os interesses comerciais do País o exijam,
relativamente ao tratamento, enriquecimento, ou acréscimo no
mercado local de valor aos minerais produzidos, o Estado pode
requisitar a compra das produções, ou parte delas, adquiri-las a
preços do mercado, destinando-as à indústria local.
2. O direito de requisição do Estado definido neste artigo aplica-se
independentemente do uso, ou não, das produções na indústria
local de minerais, sempre que estes tenham interesse estratégico
para a segurança nacional.
LEGISLAÇÃO MINEIRA
ARTIGO 13.º
(Áreas disponíveis para a actividade mineira)
1. As áreas do domínio territorial e marítimo sob jurisdição da
República de Angola que não tenham sido atribuídas para
efeitos do exercício de outras actividades, ou a elas não
estejam afectadas, são consideradas disponíveis para
efeitos de concessão de direitos mineiros.
2. O Executivo pode, nos termos do artigo 204.° (zonas de
reserva mineira) declarar zonas de reserva mineira as partes
do território nacional que apresentem potencial mineiro
considerável e que, em função disso, exijam a observância de
restrições quanto à circulação de pessoas e bens nessas
áreas.
LEGISLAÇÃO MINEIRA
ARTIGO 13.º
(Áreas disponíveis para a actividade mineira)
3. A declaração e criação de zonas de reserva mineira deve ter
em conta a necessidade de garantir ou perturbar o menos
possível o desenvolvimento económico e social integrado das
regiões, a estabilidade social e cultural das populações locais e
a segurança dos direitos e dos bens patrimoniais públicos e
privados.
LEGISLAÇÃO MINEIRA
ARTIGO 14.º
(Áreas excluídas da actividade mineira)
1. Tendo em vista assegurar o desenvolvimento harmonioso
da economia nacional, proteger os interesses relacionados
com a defesa nacional, a fauna, a flora e o ambiente, o
Poder Executivo pode, nos termos da lei, estabelecer áreas
excluídas ou condicionadas para a actividade geológico-
mineira.
2. São considerados indisponíveis para a actividade mineira,
sem prejuízo de outros casos de indisponibilidade que venham
a ser definidos por lei, os terrenos que fazem parte do domínio
público, para uso comum ou privativo do Estado, enquanto
dele não forem desafectados, e as áreas que, para efeitos do
disposto no número anterior, estejam excluídas da actividade
geológica e mineira.
LEGISLAÇÃO MINEIRA
ARTIGO 15.º
(Configuração das áreas)
A configuração das áreas geográficas objecto dos títulos de
concessão de direitos mineiros têm forma poligonal, tão regular e
simples quanto possível, e é identificada através de pontos fixos
definidos por coordenadas geográficas ou geodésicas ou por
acidentes naturais, em conformidade com o que vier a ser
estabelecido pelo órgão de tutela.
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ARTIGO 16.º
(Direitos das comunidades)
1. A política mineira deve sempre ter em conta os costumes das
comunidades das áreas em que é desenvolvida a actividade de
mineração e contribuir para o seu desenvolvimento económico e
social sustentável.
2. O órgão de tutela, em coordenação com os órgãos locais do
Estado e os titulares dos direitos mineiros, deve criar mecanismos
de consulta que permitam às comunidades locais afectadas pelos
projectos mineiros participar activamente nas decisões relativas à
protecção dos seus direitos, dentro dos limites constitucionais.
3. O mecanismo de consulta referido no número anterior deve
integrar pessoas de reconhecida idoneidade e reputação junto das
comunidades, escolhidas de acordo com os usos e costumes locais,
desde que não contrariem a Constituição.
4. A consulta é obrigatória em todos os casos em que da
implementação dos projectos mineiros possa resultar a destruição ou
danificação de bens materiais, culturais ou históricos pertencentes à
comunidade local como um todo.
LEGISLAÇÃO MINEIRA
ARTIGO 17.º
(Direitos de realojamento)
1. As populações locais que sofram prejuízos habitacionais que
impliquem a sua deslocação ou a perturbação das suas condições
normais de alojamento por causa das actividades mineira têm
direito a ser realojadas pelo titular da concessão respectiva.
2. O processo de realojamento deve respeitar os hábitos, costumes,
tradições e outros aspectos culturais inerentes às referidas
comunidades, desde que não contrariem a Constituição.
LEGISLAÇÃO MINEIRA
ARTIGO 18.º
(Força de trabalho local)
Os titulares de direitos mineiros devem assegurar o emprego e a
formação de técnicos e trabalhadores angolanos, preferencialmente
dos que residirem nas áreas da concessão mineira, de acordo com o
que estiver estabelecido legalmente.
LEGISLAÇÃO MINEIRA
ARTIGO 19.º
(Protecção do mercado nacional)
1. Em condições de preços que não excedam 10% e de prazos de
entrega que não ultrapassem oito dias úteis, os titulares dos direitos
mineiros devem dar preferência à utilização de materiais, serviços e
produtos nacionais, cuja qualidade seja compatível com a economia,
segurança e eficiência das operações mineiras.
2. As entidades que se sentirem prejudicadas no direito de proteção
legal definido no n.º 1 deste artigo podem requerer das autoridades,
administrativas ou judiciais competentes, a proteção ou o
restabelecimento do mesmo, nos termos gerais do direito.
LEGISLAÇÃO MINEIRA
SUB-SECÇÃO II
Minerais Estratégicos
ARTIGO 20.º
(Classificação legal)
[Link] que a sua importância económica ou as especificidades técnicas
da sua exploração o justifiquem, alguns minerais podem ser classificados
como estratégicos.
2. Os elementos para se classificar um mineral estratégico são:
a) raridade;
b) dimensão da procura no mercado internacional;
c) impacto relevante no crescimento da economia;
d) criação de um número elevado de empregos;
e) influência positiva relevante na balança de pagamentos;
f) importância para a indústria militar;
g) importância relevante para as tecnologias de ponta.
LEGISLAÇÃO MINEIRA
ARTIGO 21.º
(Competência para classificar)
1. Compete ao Titular do Poder Executivo conceder a devida
anuência para que os minerais sejam classificados como
estratégicos.
2. São desde já entre outros considerados minerais
estratégicos, os diamantes, o ouro e os minerais radioactivos.